O verdadeiro herói.
6 Its all lies, darling
Notas iniciais
Minha mãe não havia ido me procurar nenhum dia. Sei que foi isso que eu pedi, mas eu esperava que ela fosse me buscar na escola algum dia para conversar, ou alguma coisa assim. As vezes o fato de saber que minha mãe não se importa tanto assim comigo machuca.
Não vou para a escola há mais de uma semana e não pretendo voltar. Caminho até a porta e... MERDA! As contas chegaram e eu me desespero. Não ando muito bem e meu dinheiro... Eu não tenho amigas, por que no mês que fui a escola depois dessa minha "mudança" as pessoas só pioraram o modo em que me viam. Os garotos até gostaram, mas eles definitivamente não me aceitaram, então pouco as meninas.
O valor dos meus pequenos luxos (além de comida, água, roupas etc.) são muito caros. Estão dentro de um meio de negócios onde a amizade não importa, assim os produtos são de valor alto, e por muitas vezes sofro com a falta de dinheiro por causa disso. Sai para trabalhar cedo, e mal cheguei no posto quando meu primeiro cliente apareceu.
Ele era lindo, olhos azuis, cabelo escuro, estatura pouco mais alta que a minha (consideravelmente alto, já que eu tenho 1.73cm, e ando de salto). Era sarado e me levou pela mão, delicadamente, a uma Mercedes do modelo mais atual. Acho que posso aumentar o preço a ele e ganhar uma grande parte do que preciso.
"Quanto para hora?"
"700 reais. A demanda está grande hoje em dia"
"O dia então." O homem respondeu "são 8h53min. Quero você até as 21hrs. Pode ser?"
Fiz que sim com a cabeça e entrei no carro. Meu preço costuma variar entre 100 e 200 por hora, isso por que cobro caro. Minha demanda está grande, mas não de clientes, mas sobre o que faço com o dinheiro.
Chegamos a um motel, de luxo, claro, mas vazio, por que a este horário ninguém se disponibiliza a fazer o que ele está fazendo. Ao estacionar o carro, ambos descemos e chegamos a um quarto grande, com muita comida e bebida. Ele tira uma camisinha do bolso e coloca na minha mão.
Começamos a nos beijar agressivamente e ele arranca minha blusa junto com meu sutiã. Passamos o dia por isso mesmo, juntos na cama. Fiz um bloquete enquanto ele tremia e gemia. Nossos corpos se juntaram e eu senti mais naquelas horas do que em todo tempo do meu trabalho.
Ele era perfeito. Sua voz era como um sonho. Paramos um momento pelo cansado mas era tudo tão bom. Eu estava garantida. Passaria uns dias fora depôs. Acariciei seu corpo e me ajustei em uma posição confortável para recomeçar. Nada poderia estragar minha perfeita sensação.
Uma hora antes de eu acabar com o horário planejado ele levantou e começou a me encarar. Seus olhos expressavam uma certa loucura, que me assustou. Ele riu e começou a me bater. Cai no chão, chorando sentindo metade dos meus ossos quebrarem até que eu perdesse a consciência.
Acordei no meio de uma avenida, despida, na frente de umas lojas mas todas fechadas. O frio me consumia e o tremor ainda pertencia em meu corpo. Apaguei de novo. Eu estava em casa. Mas não na minha casa, na da minha mãe. Ela me abraçou, e havia um bolo em cima da mesa. Nos sentamos e o comemos, saboreando cada pedaço, e relembrando os bons momentos da vida. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto enquanto eu passava aquele tempo com ela.
Abri os olhos. O hospital não era tão bom quanto meu sonho. Uma enfermeira chamou um dr. de nome indecifrável para me ajudar. A que especificamente eu não entendi, mas é claro que eu não perguntei, pois a resposta veio no momento de sua pergunta.
"a quanto tempo você usa drogas?"
minha cara demonstrou a minha aflição frente a pergunta, então ele disse:
"seus níveis do teste deram errado. se você não usa, deve ter sido enganada, pois a achamos no meio da rua, sem roupas, no frio. Aparentemente isso não foi a única coisa, pois você também está gravida."
não aguentei. ia chorar, mas me senti tremula e desmaiei.
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