O universo em expansão
1 O Universo em expansão
Notas iniciais
Boa leitura. (não revisei o texto, pode me ajudar se achar algum erro?)
Trabalhar em um lava jato não era glamoroso como subir nos palcos e receber a energia contagiante do público em um show. Na verdade, era bem parecido, pois Greg costumava cantar muito enquanto lavava os automóveis e passava cera. E a quantidade de pessoas assistindo e aplaudindo era a mesma desde os últimos dias como o astro mirim. Ou seja, nenhuma.
Digo, havia uma em especial.
— Greg? O que está fazendo?
Rose pousou delicadamente seus pés no chão.
— Oi, Rose. Estou testando algo novo. — Greg ajeitou os óculos escuros e fez uma pose rock ‘n’ roll. Os músculos dos braços ressaltaram, e ele piscou para a namorada.
— Ainda estou sem entender. — Rose sorriu, tentando não constrange-lo.
— É uma ideia que eu tive. E se eu transformasse esse lava jato em um palco? Poderia lavar carros e cantar ao mesmo tempo.
— Mas você já não faz isso?
— Sim, de fato. — Greg tirou os óculos, mexendo nos cabelos castanhos. — Eu estava com saudade de cantar e tocar. Achei que seria uma boa ideia. — Ele pegou o balde com sabão e levou para perto de um dos carros estacionados, tirando uma esponja para começar a lavar.
Rose o observou, fazia muito isso. Greg ficava envergonhado algumas vezes, principalmente quando ela fazia perguntas constrangedoras. Mas, depois de tanto tempo juntos, sendo aquele o relacionamento mais longo que Greg já tivera, ele já estava se acostumando.
— O que me diz de passar a noite na praia? — Rose lançou o convite, pegando-o de surpresa. Aquela semana ela havia deixado claro que estaria ocupada com problemas de gems.
— Tem certeza?
— Sim, vai ser divertido.
Rose aproximou-se e o beijou.
A cada beijo trocado, Greg sentia seu corpo arrepiar. Uma sensação de ansiedade e alegria tomava conta de seu coração. Era angustiante, mas a coisa mais maravilhosa que ele já sentira na vida toda.
Assim que Rose saltou, retornando ao templo, Greg terminou de lavar os carros. No final daquela tarde, ele preparou um lanche e entrou na van, dirigindo para a praia. Rose ainda não estava por lá, então ele pegou o violão e sentou na areia. Tocou músicas aleatórias enquanto observava as ondas, os pássaros sobrevoando o mar em revoada, livres.
Greg suspirou, dedilhando as cordas do violão.
Sua vida havia tomado rumos inesperados nos últimos anos. É claro que a fantasia de ser um astro mundialmente reconhecido era um pouco ambiciosa, mas não esperava que terminaria seus dias lavando carros, tão pouco em companhia de seres extraterrestres.
O sorriso de Greg se esvaiu.
Era feliz, não havia dúvidas. Mas seria somente isso que o universo o reservara? Sua vida se resumiria as conquistas diárias em um lava jato de uma cidade pequena a beira mar?
Novamente ressaltou que era feliz para si próprio. Mas algo incomodava. Talvez a falta de algo. Talvez um plano para o futuro. Rose já o alertara sobre perguntar para Garnet o que havia no futuro, mas ele não ficava a vontade com a ideia de que o futuro estava pronto, e que ele só precisava seguir os passos delineados.
Então era isso... Greg sentia-se estagnado na vida.
Um vento mais forte fez seus cabelos balançarem e sua atenção foi direcionada para a silhueta de Rose, que caminhava pela areia descalça.
— Se sente melhor? — Ela perguntou.
— Ei, Rose... — Greg se levantou.
A altura deles nunca foi um empecilho para o casal. Greg esticou o pescoço, beijando-a. Veio a ansiedade e alegria do beijo, mas também sentiu medo.
Ele se afastou.
— Está acontecendo alguma coisa? — Rose o encarava com aquele par de olhos cintilantes. Sua presença era vibrante e o cheiro dela causava em Greg um efeito de letargia mental, era doce e delicado, mas ao mesmo tempo viciante e intenso. O toque de suas mãos era sempre curioso e as vezes desajeitado. Mas sempre um toque carinhoso.
Greg foi preenchido por uma avalanche de sentimentos e então ajoelhou-se, estendendo a mão para Rose e disse:
— Rose, você quer casar comigo? — Sua mão ficou estendida por algum tempo, até que ela compreendesse que era para entregar a sua própria mão.
Os olhos dela pareciam maiores e confusos. Rose inclinou a cabeça e sua cabeleira rosa partiu em movimento com a ajuda da brisa do mar.
— Casar? — Ela perguntou. — Podemos fazer isso aqui?
— Bem, sim... muitas pessoas se casam na praia. — Greg sentiu o joelho afundar na areia, tentando se equilibrar. — Mas podemos fazer isso em vários outros lugares.
— Oh! Entendo, então tudo bem.
— Jura? Você casa comigo? — Greg ficou surpreso com a resposta.
— Claro, é sempre divertido fazer coisas novas com você. — O sorriso dela era contagiante, mas fez Greg pensar em algo.
— Você sabe o que é um casamento? — Ele perguntou, ainda ajoelhado na areia.
— Hmmm... não. — Rose revelou. Greg abaixou a cabeça, soltando o ar pela boca. — Me desculpe, mas você pode me contar como é, e então faremos direitinho.
A forma como ela queria viver experiências na Terra comovia Greg, mas os planos ao qual ele vinha lamentando, talvez isso não fosse exatamente como Rose tivesse em mente. Afinal de contas, ele era um simples ser humano mortal que não viveria o suficiente para ver o que ocorreria com as gems no futuro.
— Rose, você é uma figura. — Greg se levantou e limpou a areia dos joelhos.
— Ainda vamos nos casar?
— Quem sabe um dia. Nós temos muito o que viver juntos e aprender. Casamentos podem esperar, afinal de conta, se o universo está em expansão, podemos esperar mais alguns centímetros para dar um passo tão sério assim.
— Uma piada de universo, já faz tempo que você não faz uma. — Rose apertou os lábios e fechou os olhos. — Porque você não me fala mais sobre esse casamento?
— Bem, as pessoas vivem juntas, na mesma casa. E elas fazem uma festa bem grande e convida todos os amigos e parentes para verem eles dançarem e cortar um bolo de sete andares. A noiva usa um vestido branco, assim como o seu...
— Parece divertido.
— Sim, parece mesmo. — Greg segurou a mão de Rose, levando a outra para sua cintura. — Isso aqui também é divertido.
Eles se beijaram.
O corpo de Greg reagiu ao beijo de forma diferente dessa vez, expandindo as sensações de alegria e ansiedade. Talvez fosse o Universo mostrando o caminho a seguir, e não o rascunho de um futuro já premeditado.
Notas finais
Beijão para quem chegou até aqui.
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