Roma 14h25 pm.

Pether estava sentado em uma cadeira de frente para seu pai, os dois analisavam papéis e documentos.

— Não existe nada que prove que Catarina esteja viva! — Pether jogou os papéis em cima da mesa, nervoso.

— Quando Félix resolveu fazer aquela viagem e conheceu Lilian, eu pensei que tudo fosse dar errado, que nosso lar fosse ser atacado em um segundo. Mas quando ele resolveu ir embora, pra ficar com ela, tudo se acalmou, não recebíamos mais ameaças de Louis, e Catarina sempre me mantinha informado com tudo que acontecia na Alemanha... — Tom engoliu seco.

— Até que aquele maldito matou Félix. — Pether bateu na mesa.

— E, Catarina sumiu! Fomos avisados que somente Félix e Lilian haviam sido mortos, e Catarina está sumida já faz 16 anos, não sabemos se ela está viva, e nem se está morta, mas alguém conseguiu fazer com que o nome dela sumisse do mapa.

— Ela poderia estar se escondendo... — Pether arqueou as sobrancelhas.

— Não isso não. Mas pode ser possível que ela esteja escondendo alguém.

— Você de novo com essa história de herdeiro! Se ele realmente existisse, já teria aparecido! Eu serei o líder desse clã pai, e vou vingar o nome de Félix sem mesmo ter o conhecido. — Pether gritava nervoso com seu pai.

Tom puxou sua respiração com força e abaixou a cabeça massageando as têmporas.

— Senhor, uma mulher gostaria de vê-lo. — Um homem forte parou entre a porta e o escritório.

— Quem?! — Tom levantou a cabeça atento.

— Ela não quis se identificar senhor.

— Mande-a entrar. — Tom se levantou rapidamente e foi para o lado do filho.

Uma mulher atravessou a porta com classe. Uma bela mulher por sinal, usava um vestido preto de comprimento até os joelhos, seu sapato alto realçava suas belas pernas, além de sua silhueta ser bem definida. Um lenço azul marinho cobria uma parte de seu comprido cabelo loiro, e os óculos escuros completavam seu visual, escondendo sua identidade.

— Senhores. — Ela fez um gesto com a cabeça cumprimentando-os e sua voz os intimidava.

— Quem é você?! — Tom perguntou confuso.

Ela deu um sorrisinho um tanto sarcástico.

— Antes que eu me apresente Pether, não seja idiota — Ela percebeu o olhar de fúria e mesmo assim continuou — A colônia que você pensa que será líder realmente não terá nenhum “herdeiro”, mas sim uma linda herdeira de 17 anos.

— Ora sua, com quem você acha que está falando?! — Pether fechou o punho de nervos.

— Calma Pether. — Tom colocou a mão na frente de Pether — Quero ver o que ela tem pra falar.

O sorriso da boca da moça sumiu, ela viu que já era hora de parar de brincar com assunto sério.

— Eu preciso de ajuda Tom! — ela tirou o lenço e os óculos — A menina corre perigo.

— Catarina?! — Tom falou surpreso.

Os olhos castanhos da mulher mostravam desespero e imploravam por ajuda.

— Como nos encontrou? — Pether a puxou para se sentar na cadeira vendo que o assunto era sério.

— Nós sempre moramos aqui, então imaginei que aqui ainda fosse a colônia, foi o primeiro lugar que vim, e pelo jeito tive sucesso. — ela deu um sorriso amarelo.

— Mas eu pensei que você estivesse morta Catarina!!! — Tom ainda não acreditava que era ela, pois já haviam se passado tantos anos.

— Não, nada disso! Eu tive que sumir, foi preciso! A menina não podia ser descoberta... — Catarina falava nervosa — Eu tinha que protegê-la, escondê-la desse mundo, foi o último desejo de Félix.

Tom ainda a olhava com espanto, ainda não acreditava. Mas precisava saber o que estava acontecendo, o por que de ela ter aparecido assim tão repentinamente, e estar pedindo ajuda depois de tanto tempo.

— Quem é a garota Cat? E por que precisa de ajuda? — Tom lhe deu um copo de água para acalmá-la.

— Ela é filha de Félix com Lilian. Morávamos na Alemanha quando Louis foi atrás de Félix, eu consegui fugir com a menina para o Brasil, na casa da irmã de Lilian.

— Mas a criança já se transformou em um...

— Não, e ela não sabe de nada ainda. Antes de engravidar Lilian já tinha o veneno em seu sangue, pois foi atacada um mês antes de se casar com Félix. Nunca contaram sobre a menina por que não queriam a expor ao perigo. Mas agoraelesdescobriram, não sei como... Eu fiz de tudo para protegê-la, mas seelesrealmente souberem de sua existência, não vou conseguir sozinha. — ela tremia.

— E ela está sozinha agora?

— Sim, em uma cidade bem pequena no Brasil.

— Volte, e continue fazendo seu trabalho. Não poderemos ir já pra lá, mas assim que pudermos pegaremos o primeiro vôo.

— Ainda vou ter que ficar uns dias aqui pra depois voltar. Mas, obrigada. — Catarina se virou em direção à porta.

— Qual o nome dela? — Pether perguntou.

— Ela se chama Dominicky.

— Acho que não será dessa vez que se tornará um líder meu filho. — Tom sorriu.

— Eu não me importo com isso. Melhor começarmos a nos preparar, teremos uma longa viagem daqui a alguns meses.

Pether saiu do escritório deixando seu pai para trás. Se ele não ia ser o líder, faria de tudo para proteger aquele à quem deva obedecer, mesmo se fosse uma mulher.

— Quem sabe você acaba se tornando mais do que um líder meu filho.

Tom se jogou em sua cadeira, e ali ficou pesando em como seriam as próximas semanas, até finalmente poder ir conhecer a filha de seu querido amigo.

Notas finais
Bom espero que gostem... E a não descrição dos rapazes foi proposital, deixo para vocês ficarem imaginando eles (;