O uivo de uma paixão: Escolhas do coração
10 Kiss - We Are One
Notas iniciais
Dominicky acordou com o despertador tocando. Ela se sentou na cama, coçou a cabeça e esfregou os olhos com força. Ela pulou da cama e caiu de pé no chão.
Ela achou uma calça cinza de moletom jogada no guarda roupa e a colocou, pegou a camiseta da escola e a passou pela cabeça. Colocou o tênis all star preto nos pés, e suspirou fundo, pensando em como iria ser o primeiro dia sem Pether.
Ela desceu as escadas e foi para a cozinha. Dominicky estranhou sua tia não estar em casa. Ela abriu a geladeira e encontrou uma vasilha com morangos e leite e pegou a jarra de suco de laranja. Ela comeu o seu café da manhã em silêncio.
Depois de comer seu café da manhã ela pegou sua bolsa e saiu de casa tranquilamente. Ela arrastou os pés pelo chão, chutando tudo o que via pela frente. Seria bom se um carro parasse ao lado dela, e ele estivesse dirigindo, mas era óbvio que isso não iria acontecer.
Para onde ela olhava se sentia torturada. Era casal andando de mãos dadas de um lado, se abraçando do outro, e até mesmo se beijando. Ela sentia que a cidade conspirava contra ela, para deixar-lhe irritada, e até mesmo fazê-la chorar.
Dominicky chegou à entrada do colégio, entrou e correu para a sala de aula. Chegando na sala, viu que estava vazia. Ela entrou, soltou a bolsa no chão, se sentou em sua cadeira se debruçou na carteira e começou a chorar.
Quem a ajudaria se precisasse de alguma coisa? Quem viria buscá-la no colégio se começasse a passar mal? Ela começou a pensar bem e concluiu ficando com um pouco de raiva, tudo isso iria ser feito por Catarina.
Dominicky continuou chorando, mesmo com outros alunos entrando na sala de aula. Ela não ligava para que os outros alunos fossem falar, contanto que a deixassem quieta.
— Nicky, o que aconteceu? — a voz de Jess invadiu seus ouvidos.
Ela ergueu a cabeça, os olhos estava embaçados por causa das lágrimas, mas enxergou perfeitamente a diferença nela, o cabelo estava mais curto batendo nos ombros, mas ainda tinha as mesmas cores.
Seu estilo também estava diferente, ela não estava vestida com roupas pretas igual as que estava acostumada a usar. Uma definição de como ela estava? Mais feminina.
Dominicky a olhou de cima a baixo, e reparou em seu dedo, e reparou também na aliança de prata enorme e linda que tinha nele.
— Nossa, como você está diferente! — Dominicky falou enxugando os olhos com as costas das mãos.
— É, mudei um pouco. — ela sorriu — Por que você estava chorando?
— Pether voltou para Roma. — Dominicky baixou o olhar — E fora que o Juliano mentiu para mim né!
— Ele não mentiu pra você! — Jess falou firme.
— Ele tem namorada e a traiu comigo! Eu vi!
— Na verdade ele começou a namorar com ela depois que ficou com você. Eles namoraram uma época, terminaram, e aí ela começou a correr atrás dele, e ele gosta muito dela, e não queria magoar você. — Jess deu uma pausa — Ele disse que você é muito nova.
— Que absurdo! Sou só um ano mais nova do que ele. — Dominicky falou indignada.
— Ele quis dizer que achou você muito ingênua.
— Ah, eu não tenho culpa de ele não ter uma pegada boa.
— O que você quis dizer com isso mocinha? — Jess perguntou curiosa.
Dominicky se lembrou do primeiro beijo que Pether lhe dera, no modo em ele a agarrara e que a erguera no ar, roubando não só um beijo, mas junto seu coração.
— Nada. — Dominicky levantou o olhar e deu uma risadinha maliciosa — E eu já tomei uma decisão. Estou indo embora para Roma.
Jess abriu a boca para falar, mas nenhum som saiu. Ela estava surpresa demais com o que a amiga tinha acabado de falar.
— Oi gente. — Maddy se aproximou cantarolando.
— Maddy a Nicky disse que vai embora para Roma! — Jess falou desesperada, não deixando tempo nem para Dominicky cumprimentar Maddy.
Maddy olhou de uma para a outra tentando assimilar o que estava acontecendo.
— Por quê? — foi a única coisa que ela conseguiu perguntar.
— Porque Pether está lá. E não quero que aconteça algo com vocês aqui. Se eu ficar só vou trazer problemas para vocês.
— Você não está indo por causa do Juliano não é? — Jess perguntou.
Dominicky pensou e realmente não queria ver o Juliano por um bom tempo, e não iria mentir para suas amigas, então disse:
— Em parte sim, mas estou gostando de Pether e sinto que ele também gosta de mim, do mesmo jeito. Eu quero estar ao lado de Pether!
— Então você vai embora pelo Pether. Você jura que é por causa dele?! — Jess perguntava como se ainda não tivesse acreditado nas palavras de Dominicky.
— Eu juro! — ela deu um largo sorriso — Agora mudando de assunto, você está namorando é?!
As bochechas de Jess erubesceram, e ela ficou sem graça.
— É, o Marcelo me pediu em namoro!
— Parabéns amiga, fico feliz por você! — Dominicky sorriu para ela.
— Obrigada. — ela falou mais sem graça ainda — Eu vou para o meu lugar, depois a gente se fala.
Dominicky assentiu e riu da cara de boba de Jess. Maddy se sentou na carteira atrás de Dominicky e a cutucou.
— Eu fico feliz por você amiga, e a apoio em qualquer decisão que tomar! — ela disse.
— Obrigada! — Dominicky sorriu com lágrimas nos olhos.
Maddy lhe mandou um beijinho e começou a pegar seu material. Dominicky se virou para frente, pensava em como iria conseguir ir para Roma.
Ela ainda tinha que conversar com Juliano, mas pensando bem o que ela tinha de tão importante para falar com ele? Agora tudo o que ela tinha a fazer era agradecer, pois se não fosse ele estar com outra, ela nunca teria ficado com Pether e muito menos se apaixonado por ele.
—--------------x---------------
Na hora do intervalo Dominicky não saiu da sala, ficou para tentar terminar o dever, e para ligar para Juliano. Pois estava pensando que quanto mais rápido falasse com ele, mais rápido ela resolveria esse negócio de ir para Roma.
Depois que a professora saiu da sala, ela pegou o celular de dentro do estojo e discou o número de Juliano. Depois do terceiro toque ele atendeu.
— Alô? — a voz dele surgiu do outro lado da linha.
— Oi Juliano, é a Nicky. Preciso te perguntar uma coisa.
— Ah, oi Nicky. — ele pareceu surpreso — Pode perguntar.
— Será que podemos nos encontrar à uma hora na frente da loja da Catarina?
— Não ia ser às três?
— Ia, mas vou estar ocupada nesse horário. Pode ser à uma?
— Pode, claro. A gente se vê lá!
— É, tchau. — Dominicky desligou antes que ele pudesse fazer qualquer outra pergunta.
Dominicky suspirou fundo e passou as mãos nos cabelos. Ela puxou seu caderno para perto de si, tentando resolver algumas questões de matemática. Quando ela terminou as contas, o sinal bateu encerrando o horário de intervalo, e a turma começou a voltar para a sala.
— Por quê você não saiu? — Jess se aproximou da carteira de Dominicky.
— Sei lá, eu simplesmente quis ficar aqui.
— Hum, você está muito estranha!
— Estranha como?
— Você está muito aérea, quieta, pensativa demais.
— É, tudo o que está acontecendo me deixou assim. Preciso resolver como é que vou conseguir convencer minha tia a me deixar ir para Roma.
— Uhum, sei! Você quer que eu vá para Roma com você?
— Não! Você está louca?! Não quero ver nenhum dos meus amigos em perigo! — Dominicky falou brava.
— Amiga protetora! — Jess riu e a abraçou.
Logo depois foi para o seu lugar, e a professora entrou na sala.
Dominicky queria que o tempo passasse rápido, mas o tédio era tanto que o tempo parecia ter parado, só para deixá-la nervosa.
Para ela o tempo estava lerdo, seu material já estava guardado, e quando ouviu o sinal bater ela saiu o mais rápido possível da sala. Ela passou no banheiro, arrumou o cabelo e saiu da escola, indo para a loja.
Ela andava rápido e contava os quarteirões por onde passava. ao chegar na rua da loja, de longe ela viu Juliano encostado no muro, lhe esperando. Ela se aproximou e ele virou o rosto com o barulho dos tênis dela chamando sua atenção.
— O que você tem de importante para me falar? — sua voz saiu um tanto grossa e fria.
— Vai com essa grosseria para cima da sua namorada! — Dominicky falou nervosa.
— Desculpa, é que eu pensei que você iria me cobrar o por que de eu estar namorando...
— O que você faz ou deixa de fazer é problema seu! Eu não tenho nada a ver com isso! — ela tentou relaxar e ter compostura — Mas preciso saber de uma única coisa.
— E o que é? — ele falou com a cabeça baixa.
— Se você está namorando com ela, é por que realmente não quer nada comigo né?
— É, eu não queria te magoar...
— Não magoou! — ela o cortou novamente — Me fez um favor!
— Que favor? — ele perguntou curioso.
— Eu vou embora para Roma.
— Porquê? — ele perguntou surpreso.
— Vou atrás de novas aventura. Vou atrás de uma pessoa. Talvez eu volte no final do ano.
— Ah, eu vou sentir saudades. — ele falou confuso.
Eu não,Dominicky pensou mas não disse nada. Abaixou a cabeça e juntou as mãos na frente do corpo. Juliano ficou sem graça e sem reação ao não obter uma resposta dela.
— Você vai só por causa da outra pessoa? — ele perguntou.
— Meus pais moraram lá, e eu gostaria de conhecer o país.
— Hum... Tem um cara envolvido não é?!
Dominicky bufou e revirou os olhos, não se conformava de ele não ter entendido o recado ainda. Ela achou melhor dizer sim, que tinha um cara envolvido. Se ele podia namorar, por que ela não?
— Tem um cara sim! — ele a olhou assustado — Ele é legal, carinhoso, um pouco convencido, mas estou sentindo a falta dele.
Juliano fez uma careta e Dominicky deu risada dele.
— Preciso ir. — ela disse a fim de encerrar essa conversa.
— Eu também preciso.
Juliano se aproximou para lhe dar um beijo no rosto, mas ela deu um passo para trás balançando a cabeça em negativa.
Juliano arqueou as sobrancelhas e também deu um passo para trás.
— Vou perder a sua amizade?
— Isso só vai depender de você. — ela deu um sorrisinho, se virou e saiu correndo em direção da sua casa.
A ideia de correr mais rápido do que um ser humano normal era perfeita. Dominicky sempre ficava impressionada com sua habilidade e facilidade em fazer as coisas. Sua agilidade era incrível.
Ela só não entendia por que a vida era tão complicada para ela. Mal havia descoberto que era um lobo e já tinha gente querendo matá-la.
Dominicky entrou em casa e foi direto para o seu quarto, pois não estava com fome. Ligou o notebook em cima da escrivaninha, e enquanto esperava foi para perto da cama e se sentou.
Ela enfiou a mão debaixo do travesseiro e pegou as fotos dos seus pais que tinha guardado e passou a observá-las.
— Queria que vocês estivessem aqui para me ajudar. — ela passou os dedos na imagem das fotos. Ela foi despertada pelo som de inicialização do notebook, guardou as fotos novamente, e se levantou indo até a escrivaninha.
Ela se sentou na cadeira e abriu a página do navegador e começou a pesquisar sobre sua espécie. Os líderes de uma alcateia de lobos eram chamados de alfas, e Dominicky se sentia estúpida ao ler isso, pois em todos os momentos Pether se referiu a ela como líder e nunca como alfa.
Ela se sentiu como uma criança. Como se tivessem falado com ela como se ela fosse uma criança. A raiva borbulhou em seu sangue, mas de imediato tentou se controlar, pois iria tirar essa história a limpo.
Depois de algum tempo fazendo mais algumas pesquisas o telefone começou a tocar. Dominicky ficou aliviada ao se lembrar que tinha uma linha telefônica no quarto da tia, e que não iria precisar descer as escadas.
Ela foi até o quarto da tia e atendeu telefone, era uma chamada a cobrar. Dominicky desligou e revirou os olhos, não gostava de chamadas a cobrar, poderia ser alguém querendo fazer alguma brincadeirinha babaca.
Ela estava prestes a sair do quarto quando o telefone começou a tocar de novo. Dominicky pensou em ignorar mas mudou de ideia. Poderia ser algo importante. Então ela resolveu atender, esperou até a musiquinha parar e antes de falar qualquer coisa uma voz desesperada atravessou a linha.
— Alô, Dominicky é você?
— Quem está falando?!
— É a Catarina! Eu preciso que você venha para a loja agora! — a voz de Catarina estava rouca.
— O que aconteceu?
— Por telefone não dá pra falar. Venha agora, por favor!
— Tá, chego aí em um minuto.
Dominicky desligou o telefone e foi para o quarto, pegou um colete com capuz e o seu celular.
Ela saiu na sacada da janela, e pulou sacada a baixo conseguindo cair de pé no chão sem se desequilibrar. Ela puxou o capuz cobrindo a cabeça e o rosto, e correu para o portão saindo e disparada na rua, sem olhar para trás, seu foco era somente chegar na loja.
Ao chegar na loja ela reparou que todas as cortinas estavam fechadas. Ela pegou a chave extra de dentro do bolso da calça e abriu a porta com cuidado, entrou e tentou acender a luz da frente mas nada aconteceu.
— Você não vai conseguir acender, cortaram os fios de energia. — Catarina falava de um canto da loja, sua voz estava chorosa.
Dominicky olhou a sua volta, o ambiente não estava escuro mas também não estava claro. Dominicky ficou de boca aberta tudo dentro da loja estava revirado e quebrado. As paredes estavam pichadas com tinta preta e nelas estavam escrito:
"Dominicky não tente fugir de mim. Seu destino é morrer, seu fim está próximo!"
— Você tem ideia de quem fez isso? — ela perguntou a Catarina.
Catarina estava encostada no batente da porta da cozinha. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto.
— Tenho uma pessoa em mente.
Dominicky sabia de que Catarina estava falando.
— Como ele pode ser tão cruel a chegar a esse ponto?!
As lágrimas de Catarina começaram a escorrer com mais intensidade e Dominicky foi ao seu lado lhe abraçando.
— Eu quero ir para Roma, isso não vai ficar assim! — Dominicky falou com raiva.
— Se você for eu vou junto. Vou estraçalhar o cérebro daquele animal!
Dominicky sabia o que a loja significava para Catarina, e que agora ela iria querer justiça. Mas fizeram aquilo por causa de Dominicky a e briga era só sua e de mais ninguém. E se Catarina fosse junto para Roma, não iria ficar ninguém aqui para proteger seus amigos e sua tia.
— Não. Eu preciso que você fique aqui. O Louis é problema meu!
— Nicky, você não conhece nada lá!
— Eu vou ter gente o suficiente para me ajudar, o Pether, o Tom. E fora os outros que ainda vou conhecer.
Catarina a encarou não gostando muito da ideia, mas por fim cedeu.
— Ligarei para o Tom hoje então. Já descobriu como vai convencer sua tia?
— Não, mas você poderia me ajudar! — Dominicky lançou um sorriso travesso para Catarina.
Catarina finalmente deu um sorriso e pegou na mão de Dominicky e a levou para dentro da cozinha que estava iluminada pela luz bruxuleante de uma vela.
Ela pegou seu celular que só fazia chamadas internacionais, e discou um número grande e desconhecido.
— Alô Pether? É a Catarina. — ela deu uma pausa — Não, não aconteceu nada, a Nicky está bem! Só avise o seu pai que a Nicky está querendo ir para Roma. — ela deu outra pausa — Não, não é certeza ainda. Obrigada. Tchau.
Catarina desligou o celular, e Dominicky a olhou apreensiva.
— O que ele falou?!
— Nada demais. Mas ficou muito feliz!
— Eu também estou feliz. Só espero que minha tia aceite minha decisão.
— Ela ai aceitar sim. — ela sorriu e depois suspirou fundo — Agora vou tentar arrumar um pouco essa loja.
— Posso ir para casa? Gostaria de descansar um pouco e depois ir na casa de um amigo devolver algumas coisas.
— Claro que pode querida.
— Obrigada, tchau.
— Tchau querida. Que Deus lhe acompanhe!
Dominicky assentiu e saiu da loja. Correu para casa, sua tia ainda não tinha chegado. Ela se deitou no sofá da sala e ligou a TV no canal de desenhos. Em segundos ela acabou cochilando.
Fale com o autor