Notas iniciais
Mais um capítulo, boa leitura (:

Dominicky arrumava o balcão da loja onde trabalhava. O último cliente já havia ido embora, e ela já podia arrumar tudo para fechar mais um dia de trabalho.

— Por que será que Catarina precisou fazer essa viagem repentina?! – ela jogou a pergunta no ar.

— Ela também tem a vida dela fora dessa loja querida. Ou você acha que a vida dela é apenas vender chocolates?! – Val sorriu.

— Bem que podia ser isso mesmo tia! Ela sabe que não consigo dar conta de tudo sozinha!

— Por isso que ela pediu para eu te ajudar.

Dominicky deu uma risada sarcástica, e depois olhou feio para a tia.

— Você mais fica no meu pé perguntando “como é que faz isso?!”, “qual é o preço disso?!”, “o que tenho que fazer?!”. Resumindo você não me ajuda em nada!

— Como você é mal agradecida! – sua tia fez um beicinho.

— Mas essa mal agradecida te ama muito, e não saberia o que fazer se não tivesse você por perto!

Dominicky abraçou sua tia, e lhe deu um beijo apertado no rosto. Val retribuiu o beijo e depois foi para o fundo da loja terminar o que fazia.

Val era uma mulher bonita, tinha os cabelos castanhos escuros, com o comprimento no ombro. Não era alta, 1.60 era o que lhe proporcionava um corpo magro e cheio de curvas. E os olhos cor de mel, quase esverdeados, mostravam a gentileza e a doçura dela.

Dominicky começou a imaginar se sua mãe tinha o mesmo jeito e gosto de sua tia. Mas a única coisa que tinha eram fotos, e nelas apenas via um sorriso forte e olhos brilhantes iguais aos seus.

— Querida, você está bem?

Dominicky deu um pulinho, e olhou feio para a tia.

— Que susto! Estou apenas pensando.

— No que?

— Estou um pouco confusa do que escolher para minha vida.

— Curta ela o máximo que puder meu amor! – ela passou a mão pelo rosto de Dominicky – Nunca se sabe o que pode acontecer no dia de amanhã.

— Eu sei. Eu amo você!

— Eu também te amo pequena! – ela sorriu – Bom, já terminei lá no fundo. Podemos ir?!

— Sim.

— Ótimo, vou pegar nossas coisas então.

Dominicky ficou esperando a tia na frente da loja. Val estava de férias, e ficava a tarde toda ajudando a sobrinha. Trabalhava em uma clínica de crianças com doenças, era psicoterapeuta. Dominicky trabalhava na loja de chocolates, e com o dinheiro que ganhava ajudava em casa, embora não precisasse, pois sua tia ganhava bem na clínica.

Dominicky terminou de trancar a loja e correu para o carro com a tia.

— Tia, como meus pais eram? – Dominicky estava com a cabeça baixa por já ter feito essa pergunta tantas vezes.

— Mas eu já falei tanto sobre eles Nicky!

— Eu sei... Mas é o único modo que tenho para imaginá-los aqui comigo. Gosto de escutar muitas vezes para guardar direitinho os mínimos detalhes em minha memória.

— Tá, você me convenceu! Você é mais parecida com seu pai, tirando a cor dos seus olhos e do seu cabelo... Seus olhos são esverdeados igual o de sua mãe, mas o formato, são grandes e redondos igual à do seu pai.

Dominicky sorriu passando as mãos pelos longos cabelos que iam até a cintura.

— Ah, e seus cabelos também são da cor do da sua mãe, castanho escuro. – ela pegou uma mecha do próprio cabelo – Olha o meu também é... Alguma coisa você puxou pra sua tia!

Val fez uma careta boba e deu um soquinho no braço de Dominicky.

— Eles moravam na Alemanha né?!

— Na verdade eles se mudaram para Alemanha depois que se casaram. Seu pai morava em Roma, e sua mãe foi pra uma universidade de lá. Eles se conheceram e se apaixonaram.

— Que romântico!

— Muito! Mas precisamos ir.

Dominicky assentiu, e entrou no carro.

— Eu ainda vou tirar muitas informações de você tia Val.

Val deu alguns sorrisinhos como se tirar algo dela não fosse nada fácil. Dominicky olhou desconfiada para a tia, balançou a cabeça de depois colocou os fones de ouvido. O apartamento ficava um pouco longe, e Val ainda tinha que passar na farmácia.

— Espere aqui tá! – Val falou.

Dominicky assentiu e ficou no carro esperando, para onde mais iria?

Ela estava escutando música, quando sem querer seu celular escorregou e caiu no chão do carro. Ela se abaixou para pegá-lo, mas não conseguia enxergar, acendeu a lanterna do carro, e quando pegou o celular reparou algo diferente em suas mãos, suas unhas estavam super compridas.

Ela ficou espantada com isso, suas unhas sempre foram bem curtinhas, não sabia o que estava acontecendo.

— Você está bem?

Dominicky gritou tão alto que até o casal que passava na frente do carro se assustou com o grito dela.

— Que susto tia Val! – Val deu risada – Estou bem sim só o meu celular que tinha caído, e eu estava procurando.

— Vamos embora antes que você deixe sua cabeça cair também!

Dominicky deu uma risada sem graça e colocou o fone de volta no ouvido, ergueu no volume máximo. Quando chegaram ao apartamento, ela desligou o celular e Val colocou o carro no estacionamento.

Dominicky pegou suas coisas no banco de trás e seguiu em direção a porta de entrada.

— Ei mocinha, me espere!

— Vem logo tia!

Val deu uma corridinha e logo alcançou Dominicky, entraram no elevador e ela apertou o número sete.

Elas moravam no sétimo andar, e a vista que tinham da sacada da varanda era muito boa.

Quando Val abriu a porta do apartamento, Dominicky saiu correndo para seu quarto, jogou as coisas em cima da cama, arrumou sua roupa e foi direto para o banheiro tomar um banho.

Ela entrou debaixo do chuveiro, e um peso pareceu se descarregar de suas costas. O dia havia sido um pouco agitado para ela. Ela não costumava a demorar no banho, desligou o chuveiro, se enxugou e o alívio chegou logo depois que colocou uma roupa limpa e cheirosa.

Ela voltou para o quarto, e se olhava no espelho para escovar o cabelo. Ela jogou ele pra frente e quando o arrumou para se olhar no espelho seus olhos estavam da cor de um amarelo lima.

Dominicky se assustou, fechou os olhos rapidamente e balançou a cabeça com toda força, quando olhou novamente para o espelho, seus olhos haviam voltado na cor natural. Ela estava começando a se assustar consigo mesma.

Primeiro minhas unhas, agora meus olhos?”Ela pensou, evitando olhar para o espelho de novo.

— Meu Deus, o que está acontecendo comigo?! – ela falou alto.

— O que aconteceu Dominicky? – Val apareceu na porta.

— Nada! – quando Val ia saindo, Dominicky correu atrás dela – Tia, eu estou estranha? Tem algo de diferente em mim?

— Para mim você está normal. – Dominicky sorriu aliviada – Você está com cólica, veio para você?

— Não! É só que... – ela não sabia o que falar.

— Já sei, você está se sentindo estranha, mas é normal. Se ainda não veio para você, fique preparada por que vai vir!

— Fala sério tia!

— Mas eu estou falando sério! Às vezes me sinto assim também. – Val virou e foi até seu quarto.

Dominicky ficou de cara no chão no que a tia havia acabado de lhe falar. E ela tinha certeza de que menstruação não era. Isso não fazia unhas crescerem e muito menos olhos mudarem de cor.

Ela olhou com raiva para as unhas, correu para a cozinha pegar o cortador. E cortou todas elas! Não havia sobrado nenhuma para contar história, ou pelo menos tentar.

Dominicky estava cochilando no sofá, olhou no relógio e já estava tarde. Ela se levantou e foi até o quarto da tia para lhe desejar boa noite. Foi para o quarto e se jogou na cama.

Ela demorou um pouco para dormir, ficou observando suas unhas para ver se elas haviam crescido, nem que fosse por um único milímetro. Logo adormeceu em um sono profundo.

Dominicky se remexia na cama, até acordar assustada. Ela estava toda suada, os lençóis da cama estavam jogados no chão. Ela sentiu a necessidade de contar sobre o sonho a alguém. Ainda era de madrugada e não tinha como ligar para sua amiga Maddy. Voltou a dormir e contaria tudo para ela de manhã.

—--------------------//---------------------

Dominicky acordou com o despertador tocando, se sentou na cama e esfregou os olhos. Distraidamente olhou para os braços que estavam totalmente arranhados. Olhou para as mãos e suas unhas estavam novamente compridas. Ela gritou muito alto, o que devia ter acordado pelo menos metade do prédio.

— Nicky o que aconteceu?

— Nada! Eu só pensei ter visto um... – Dominicky pensou – Um rato.

— Um rato? Mas você nunca teve medo de ratos!

— Eu só me assustei... Desculpe!

— Vai se arrumar! Daqui a pouco te levo para o colégio.

Dominicky assentiu e foi ao banheiro tomar banho e se trocar. Colocou uma blusinha de manga comprida e depois a do colégio por cima.

Ainda era verão e na rua estava fazendo um calor insuportável. Mas Dominicky não queria chamar atenção com os arranhados no braço.

Ela saiu do banheiro e foi para a cozinha, Val já havia tomado o café da manhã, e como Dominicky já estava atrasada pegou uma fatia de torrada e foi comendo enquanto ia para o carro.

Val sempre a deixava no portão do colégio e depois ia para o trabalho. Quando Dominicky saía do colégio ia direto para a loja.

—--------------------//---------------------

Quando Val a deixou no colégio, Dominicky avistou Maddy de longe. Maddy era a sua melhor amiga, na verdade era a única amiga que tinha no colégio.

Maddy era loira, tinha o cabelo curto e todo repicado, os olhos eram verde claro. Ela era magra e mais alta do que Dominicky, e claro, muito bonita.

— Maddy, posso falar com você?

— Claro que pode Nicky. O que aconteceu?

— Estão acontecendo muitas coisas Maddy! Coisas estranhas, comigo! Eu não sei mais o que faço, parecem coisas sobrenaturais, entende?!

Maddy a olhou de cima a baixo.

— Tipo o que?!

Dominicky a puxou até o banheiro. Ergueu as mangas da blusa e mostrou seus braços para ela.

— Amiga eu sei que você tem alguns problemas pessoais... Mas não precisava chegar a esse ponto!

— Maddy eu não faço a mínima idéia de como fiz isso... Só que isso não é a única coisa estranha!

Dominicky estendeu as mãos na cara de Maddy. Ela olhou para as unhas de Dominicky e arregalou os olhos.

— Como pode... Suas unhas sempre foram curtinhas! É unha postiça não é?! – Maddy pegou nas unhas e tentou arrancá-las.

Dominicky puxou suas mãos das de Maddy.

— Não! Não é postiça! E é por isso que estou falando que tem algo de errado comigo, elas cresceram de repente, do nada, e ainda por cima tive um sonho estranho também.

— Me conta!

— No meu sonho tinha uma mata fechada, a mata pegava fogo e no meio dela tinha dois lobos, um preto e um branco. Eles fugiam de dois homens armados , e um dos homens conseguiu atingir um dos lobos com um tiro, depois disso acordei.

Maddy ficou pensativa por um momento, sem dizer nada começou a andar de um lado para o outro. Finalmente falou parecendo chegar a uma conclusão.

— Amiga, será que isso tem haver com sua vida passada?!

— Vida passada?! Como assim?!

— A sua vida passada, aquela que você teve antes de estar nessa, pode ter alguma ligação!

— Então você acha que na minha vida anterior eu fui... – as palavras travaram na garganta de Dominicky como se algo não se encaixasse, até que conseguiu soltá-la – Um lobo?!

— Claro amiga, tem tudo a ver!

— Eu não acho que seja isso Maddy! Mas vou pesquisar sobre o assunto.

— Sim, se você quiser posso até te ajudar Nicky. Mas por favor, vamos para a sala, antes que a professora nos mate!

Dominicky deu risada da expressão e da careta que ela havia feito. Foram para a sala, e se sentaram em seus lugares de sempre, levando bronca da professora por terem chegado atrasadas.

Depois que a professora terminou de explicar a matéria, Dominicky se virou para conversar com Maddy.

— Você pode ir a biblioteca comigo, depois da aula?

— Mas e a loja? Catarina já voltou?

— Ainda não. Então você vai comigo até a loja, eu esqueci meu notebook lá. Acho que não vai ter problema você ficar lá.

— Por mim tudo bem. – ela sorriu para Dominicky.

Dominicky se virou para frente e começou a copiar a matéria que a professora passava.

Sua próxima aula iria ser Educação Física, e hoje era o campeonato de vôlei entre as meninas da sala, e para a alegria de Dominicky, ela era uma das jogadoras do time.

O sinal para a troca de aula havia acabado de bater, e a sala inteira desceu animada para a quadra.

A professora chamou todas as meninas para a quadra, e poucas realmente queriam participar. Ela dividiu três para cada lado da quadra. Dominicky, Maddy e uma garota chamada Jéssica formaram um time, e o outro era o das meninas mais populares, e nojentas, da sala. Três patricinhas que se achavam as rainhas do colégio, Vivian, Andréa e Geovana.

— Vocês irão perder feio para nós! – Vivian chegou bem perto de Dominicky.

O sangue lhe subiu na cabeça, Dominicky colou o nariz no de Vivian, se segurando para não bater nela.

— É o que veremos.

Vivian encarou Dominicky por um momento, e depois se afastou cambaleando para trás.

— Nicky, por que seus olhos mudaram de cor assim do nada?! – Jéssica perguntou assustada.

Dominicky a ignorou. Fechou os olhos, balançou a cabeça e depois abriu-os novamente.

— Não é nada!

As meninas se posicionaram na quadra, e ao som do apito da professora começaram a jogar. O time de Dominicky estava indo muito mal, e o time adversário já havia feito dois pontos em seu time.

Dominicky estava ficando nervosa do modo como as outras garotas comemoravam os pontos marcados.

— Meninas me deixem ficar na rede...

— Mas Nicky...

— Confia em mim Maddy!

Maddy assentiu e assumiu o lugar de Dominicky. Dominicky assumiu a frente, ficando cara a cara com Vivian.

— Acho que está na hora de vocês começarem a perder!

Dominicky deu um sorriso arrogante, fechou os olhos e depois foi abrindo-os bem devagar. Vivian ia falar algo quando Dominicky abriu os olhos, ela se assustou e deu um passo para trás.

Geovana sacou a bola, e como Dominicky não podia cortar fez sinal para a Jéssica tocar a bola para Maddy, e depois para que Maddy tocasse para ela. Quando ela tocou, Dominicky deu um pulo no ar dando uma cortada tão forte na bola que as meninas não tiveram nem tempo de pegar ela, de tão rápida que havia sido.

E assim foi indo, o time de Dominicky conseguiu virar o jogo por 5x3. Quando a professora apitou para finalizar o jogo, Dominicky olhou para a cara de Vivia, e sentia o ódio que transparecia em sua cara. Dominicky olhou para as meninas comemorando, e elas sim mereciam ter a felicidade de ganhar pelo menos uma vez na vida.

Dominicky correu para o banheiro e se olhou no espelho, seus olhos estavam com a cor amarelo lima, fechou os olhos, encostou a testa no espelho e ficou assim por um bom tempo. Quando abriu os olhos novamente eles haviam voltado ao normal e pelo espelho pode perceber que Jéssica estava atrás dela.

— Você está bem Nicky?!

Dominicky se virou e sorriu.

— Estou sim! – ela pensou um pouco – Jéssica, vamos comigo depois da escola na loja onde trabalho?

Jéssica arregalou os olhos.

— Com você?!

— É... Comigo e com a Maddy, você é nossa amiga não é?!

— Claro! Que dizer eu vou, vou sim! – ela deu um sorriso de orelha a orelha.

Jéssica era um tanto excluída da turma, Dominicky não sabia se era por causa do seu estilo “exótico” ou por que era muito quieta. Tirando o estilo roqueiro, ela era muito bonita, seu cabelo era comprido até a cintura, preto com mechas azuis por ele todo, tinha os olhos bem azuis da cor do céu e era do tamanho de Dominicky. Era acinturada, com fartos seios e belas pernas.

Alguns minutos depois bateu o sinal para elas subirem de volta para a sala, Dominicky subiu as escadas devagar até que Vivian passou esbarrando nela, de propósito é claro, dando uma risada super forçada como se estivesse querendo se mostrar — e estava.

Notas finais
Espero que gostem!