O traficante
1 Oneshot
Notas iniciais
Tive essa ideia para fanfic faz tempo já, mas não passei para cá. Aí hoje eu tomei vergonha na cara e cá estamos c;
A garota tirou o cabelo castanho dos olhos e colocou seu capuz preto por cima de sua cabeça. Olhou para os lados, não enxergou nada além dos prédios sendo iluminados apenas pela luz que a Lua refletia.
Respirou fundo e entrou dentro do beco. Depois de andar algum tempo, chegou no final do mesmo, onde viu um homem encapuzado assim como ela.
- Seu nome? — Ele murmurou.
- Katherine Willow. — Ela falou, abaixando o capuz e mostrando seu rosto.
Katherine não era tão feia, mas não era uma menina de se admirar. Seu nariz era arrebitado, o que a fazia sofrer bullying. Todos em sua escola a chamavam de porca. Ela tinha muitas sardas em suas bochechas pálidas. Seus olhos eram verdes como as árvores que escondiam o mensageiro do traficante.
- Trouxe o dinheiro? — Ele gesticulou com a mão, impaciente.
- O dinheiro... — A garota tateou os bolsos e de lá tirou um anel de ouro. — Estou sem dinheiro, mas minha mãe me obrigou a namorar com um cara bem mais velho do que eu, por que ele é rico. Ele me deu isso, espero que dê.
O mensageiro pegou o anel, assentindo com a cabeça. A única coisa que aparecia era seu sorriso, de orelha a orelha.
- Isso dá. Muito, até. Tome, fume com cuidado. — Ele entregou um pacote de maconha para a garota, que se sentou ali mesmo, fazendo um cigarro e o fumando com um isqueiro que tirou do bolso.
Ela ficou fumando lá, olhando para a Lua. Ela tinha dezessete anos apenas. Ela teria que se casar com um homem de trinta no ano seguinte. Ela não era bem aceita em casa, nem na escola, o que a fez achar uma saída para sua depressão nas drogas.
Ela viu o mensageiro correr na sua frente, o que a fez se assustar. Olhou para o lado. A polícia chegou. Merda. pensou. Merda, merda! Tenho que sair daqui, rápido!
Escondeu o saco com a maconha debaixo de um vaso que lá estava, saindo correndo na mesma direção que o mensageiro.
Depois que a polícia passou, a garota voltou lá, pegando sua maconha e voltando para casa.
Ela tinha um lugar especial no seu quarto para guardar suas drogas. Um piso solto já adiantava. Ela guardou lá e foi falar com seus pais, como se nada houvesse acontecido.
Demorou duas semanas para todo aquele saquinho da planta se esvaziar. Naquela noite, ela voltou no beco, falando com o mensageiro.
- Eu preciso de mais. Tome, rápido. — Ela jogou um colar de pérolas na mão do mensageiro, que pulou para trás, num susto.
- Persistente você, hein? — Ele soltou uma risadinha, entregando o saco de maconha para ela. — Vá embora, seu pedaço de merda.
A garota, relutante, correu até um lugar escondido para fumar sua maconha.
Uma semana se passou. A garota descobriu-se grávida do noivo. Ela não queria aquele filho, claro. Mas não poderia abortar, não com tanta gente já sabendo do ocorrido.
Ela tentou surrupiar mais joias do noivo, mas ele, com medo de ter sido roubado por algum ladrão, trancou-as num cofre, e não quis dizer a senha para sua esposa.
Ela não iria deixar a gravidez parar seu vício. Voltou ao mensageiro, que pediu o dinheiro.
- Eu estou sem dinheiro. Meu noivo trancou as joias num cofre e não quer me dar a senha. Por favor, eu preciso disso.
- Não posso fazer nada, moça.
- Eu PRECISO dessa merda! Me leve até O Grande, agora.
O Grande era o nome que as pessoas davam para o maior traficante da região. O mensageiro respirou fundo e chamou a garota. Vendou-a com uma faixa que tirou de seu bolso. Ela começou a andar. No começo tentou contar os passos e decorar as direções, mas depois de fazer muito, se perdeu.
Quando eles entraram numa sala abafada, ele retirou a venda da menina. Ela estava numa pequena sala, com uma mesa e uma cadeira virada.
- Chefe. — Falou o mensageiro. — Esta garota deseja falar com você.
- Sente-se... — Ele virou a cadeira, mostrando sua máscara vermelha e seu capuz. — Garotinha.
Ela sentou-se numa cadeira frente a sua mesa. Estava com enjoo, mas segurou seu vômito.
- Você é uma menina muito linda. Eu poderia te estuprar agora. — Ele falou, levantando o queixo dela. Depois de ela se mostrar bastante amedrontada, ele começou a gargalhar. — Não se preocupe, não estou com vontade. Mas se eu fosse você, tomaria cuidado. O que deseja?
- Estou sem dinheiro para comprar minha droga.
- Ahm... — Ele examinou-a, olhando da cabeça aos pés. Parou em sua barriga. — Seu bebê.
- C-como você sabe? Eu nem estou barriguda!
- Nada, eu digo mesmo, NADA, fica escondido de mim nessa cidade. Eu quero o seu bebê, assim que ele nascer.
- Trato feito. — Ela pegou a maconha que o homem colocou em cima da mesa e saiu da sala, sendo vendada e voltando para o beco.
Ela correu para casa. Que loucura. Ela vendeu seu bebê! Foda-se. pensou, Eu não o quero mesmo. Só tenho de dizer que sofri um aborto espontâneo.
Nove meses se passaram e a garota correu para o beco assim que a bolsa estourou, o mensageiro a vendou-a rapidamente e a levou para um quarto onde ela se deitou em uma cama. Sentiu seu bebê sair de si. Ao tirarem sua venda, ela olhou para o bebê.
Se apaixonou por ele. Era um menino de ralos cabelos pretos, como os do pai, e olhos verdes, como a mãe. Ela mudou de ideia. Ela não queria vendê-lo por nada nesse mundo. Quando já estavam levando-o para o traficante, ela gritou:
- ESPEREM! Eu... Eu mudei de ideia! Eu quero o meu filho!
Ela se levantou, com dificuldade, mas não podia deixá-los levarem seu filho. Foi atrás das pessoas que levaram seu bebê. Ao chegar na sala do traficante, ela gritou novamente:
- DÊ-ME O MEU FILHO!
- Então você mudou de ideia? — Ele gargalhou. — Sabe o que acontece com quem quebra um trato com O Grande?
- S-sei.. — Ela estremeceu ao lembrar das pessoas que foram mortas por quebrarem tratos com o traficante. — Mas por favor, dê-me meu filho. Eu faço qualquer coisa!
A garota já começou a levantar o vestido, oferecendo seu corpo em troca do filho, quando o traficante mandou-a parar.
- Façamos um novo trato. Se, em três dias, você descobrir meu nome, você fica com o bebê. Caso contrário, ele é meu.
- O-ok...
- Levem-na para o quarto A-3.
Três homens fortes a levaram para um quarto com uma plaquinha em sua porta. Ele só tinha uma cama e uma cadeira de madeira. Ela deitou-se na cama, exausta.
O dia amanheceu, e O Grande foi em seu quarto pedir os nomes.
- P-por acaso o seu nome seria Henrique?
- Errado.
- Edward? Roberto? Edgar?
- Errado. Voltarei amanhã.
Ele passou pela porta e a mulher começou a chorar. Ela queria muito seu bebê. Mas ela nunca adivinharia o nome do traficante, quando um segurança chegou perto dela e murmurou.
- Psiu, vou ajudá-la.
- Como?
- Espionarei-o amanhã, o dia inteiro. Voltarei apenas com o nome dele.
- Oh, como poderei recompensá-lo?
- Só a alegria de uma mulher com seu bebê me satisfaz.
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