O trabalho perigoso
1 Capítulo 1
Quando Namjoon achava que nada mais ia acontecer, já havia se passado mais de 1 minuto e não havia nenhuma indicação de que algum demônio poderia estar ali no recinto com ele, deu de ombros e se virou. Qual não foi sua surpresa quando, do nada, a luz da sala começou a piscar – umas 5 vezes, no máximo – e uma pequena névoa começou a se formar no quarto. Pequena mesmo, nada demais. Como o rapaz não esperava por isso, começou a ficar nervoso. Bem, vocês precisam entender, ele era cético, não acreditava em nada desse tipo, nada sobrenatural, em anjos, demônios, astrologia... Então, quando as coisas começaram a mudar, não pode evitar, seu coração parou em seu peito. E quando a luz piscou uma última vez, apareceu uma criaturinha pequena, meio deformada, mas um tanto fofa, no centro da sala.
— Hmm, então. – disse a criatura – Foi você que me invocou?
Namjoon ficou parado encarando a criatura. O que diabos era aquilo? Era pequeno e tinha a pele dura, quase como se tivesse uma carapaça, tinha um formato estranho, era preto e tinha um rabo. Poderia se passar por um gato, mas um gato defeituoso.
— Hmm, quem é você? – perguntou Namjoon assustado.
— Argh, é difícil, sabe? Você acha que a pessoa que tá te invocando sabe o que tá fazendo e aí, você vê que ela não sabe.
— Desculpa?
— Afe! Então, você... eu acho que foi você que me chamou. Foi você que fez toda essa coisa na sala, disse umas palavras em latim e então eu apareci?
— É, na verdade foi sim.
— Ah, então! Você me chamou!
— Eu chamei?
— Chamou!
— Bem, você vê. Eu jurava que eu estava invocando um demônio, não... você. – O comentário pareceu irritar um pouco a criaturinha.
— Ué, eu... eu sou um demônio.
— Ah! Ah, você é? É que você não parece muito com um demônio. – o rapaz refletiu em voz alta.
— E você já viu algum demônio na sua vida?
— Não, eu nunca vi. Mas eu imaginava que fosse ser um pouco mais alto e talvez mais forte e tivesse uma presença mais imponente. Você não era exatamente o que eu esperava.
— Humpf, é obvio que eu não sou o que você esperava. Também o que você queria? Você não fez o ritual. – disse o pequeno demônio, gesticulando em direção ao grande desenho feito no chão.
— Ah, mas eu fiz! Eu fiz sim! Eu li o livro, eu fiz todos esses desenhos estranhos no meio da sala, eu falei as palavras... eu fiz o ritual.
— Um ritual de verdade!
— Mas esse é um ritual de verdade.
— É, mas... ora, veja só. Você usou sal de cozinha!
— É, mas foi porque não tinha sal grosso em casa!
— Era só você sair pra comprar!
— Mas são quase 2 horas da manhã e tá chovendo! Eu realmente não queria sair de casa.
— Humpf, e você esperava que com um salzinho de cozinha, esse desenho todo torto e essa falta de convicção que você usou pra invocar faria parecer um ‘demoniozão’? Quem você esperava? Beelzebub?
— Ah, bem. Eu, na verdade, não esperava nada. Eu nem sabia que demônios existiam. Mas se eu esperasse alguma coisa, não seria você.
— Bem, como você não fez um ritual direito, como você não fez as coisas básicas, tudo que deu pra aparecer foi eu.
— Ah, tá. E você é...?
— Eu sou o Luci.
— Luci? Ah, ok. Luci é diminutivo de Lúcifer?
— Não.
— Então é Luci de quê?
— Luci Luci.
— Ah, seu nome é Luci.
— É! Eu te disse desde o início.
— Ah, tá bom, Luci. E você é um demônio?
— Eu sou, não tá vendo?!
— Eu tô, mas não muito. Você é algum tipo, assim, de demônio criança?
— O quê? Não! Eu sou adulto!
— É que você é tão baixinho. Você é muito fofo. Você bem que poderia ser um demônio criança.
— É, mas não sou! Olha só, escuta aqui. Você fez toda essa palhaçada, me invocou, bem como você disse, às 2 horas da manhã, pra ficar me perguntando se sou uma criança? Isso não tem graça.
— Eu peço perdão. É que eu não entendo muito bem de demônio. Você pode me explicar se quiser.
— Tá. Você é um amador. Logo vi. Eu sou um demônio sim! Só que sou um demônio de nível 1.
— Ahh, você tá começando ainda.
— É, eu não sou tão antigo quanto Beelzebub ou Belphegor, eles são bem bem velhos. Por isso eles são grandes e trabalham com coisas muito mais interessantes. Eu sou bem novo, mas não sou criança!
— Tudo bem, você não é criança.
— É, eu não sou! E como sou um demônio de nível 1, eu ajudo as pessoas a fazer pegadinhas.
— Pegadinhas? – o rapaz perguntou incerto. É sério isso? Um demônio de pegadinhas?
— É, sabe? Quando as pessoas fazem pegadinhas de mal gosto e a pessoa fica magoada e quem fez a pegadinha fica pensando ‘será que eu tenho coração’? Esse tipo de coisa.
— Hmmm. Faz sentido. Eu imagino que na escala de maldade esse seja o primeiro passo.
— É, sim. Eu inicio as pessoas no mundo da maldade. Então, se você pensar por esse lado, eu sou bem importante, né?
— Com certeza. – que não.
— Às vezes eu também mexo com crianças, faço elas darem chilique e gritarem pedindo brinquedo, sabe? É engraçado e os pais costumam ficar muito putos.
— Ah, é, imagino que... você é um demônio muito forte.
—Eu sou! Ai, obrigado! Finalmente alguém entendeu. Mas você não se apresentou. Eu disse meu nome, mas você não me disse o seu. Quem é você?
— Eu sou o Namjoon. Eu tô na faculdade. Eu na verdade estava estudando para um trabalho sobre ocultismo e pensei ‘bem, por que não tentar fazer uma invocação e fazer um trabalho descrevendo o ocorrido’?
— Ah, uau! Você é um universitário! Isso é bastante interessante. E como tá indo seu trabalho?
— Ah, não tá indo como esperado, mas com certeza tá sendo mais do que esperei. Não, espera... – Luci riu de sua fala desconexa.
— Você é engraçado. Então, qual vai ser a primeira coisa que vamos fazer?
— Nós devemos fazer algo juntos?
— É claro! Você me chamou aqui! Ah, não, você disse que me chamou para uma pesquisa... Mas não tem problema, eu posso te ajudar. Não tem alguém que você queira pregar uma peça?
— Não. Na verdade não. Mas por falar nisso, quanto tempo dura essa coisa de invocação?
— Dura o tempo que levar para bolar e botar em prática a pegadinha.
— Ah. E se eu não quiser fazer uma pegadinha?
— Aí eu suponho... eu suponho que eu fico aqui até você fazer a pegadinha.
— E se eu nunca fizer uma?
— Então eu vou ficar aqui por um longo tempo.
— Ah. Entendi. E aí, o quê? Você vai ficar me seguindo por aí?
— Eu acho que não me resta nenhuma alternativa... Mas espera aí! Se você não quer nada de mim e eu estou aqui por um tempo indeterminado, então eu posso fazer coisas ruins com outras pessoas. Talvez assim eu consiga subir de nível mais rápido!
— Ah! Eu achei uma ideia... ótima, parece uma boa forma de construir sua... carreira, mas o que você quis dizer com ‘coisas ruins’?
— Ah, todo tipo de coisa ruim! Eu poderia roubar um bebê, imagina como a mãe não vai ficar desesperada.
— Nossa, isso é um bocado mau.
— Eu sei, eu sou muito bom no que faço!
A chuva havia apertado e trovões soavam ao longe. Neste exato momento, no qual a chuva fazia muito barulho ao tocar o telhado, Namjoon se perguntou: O que foi que eu fiz?
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