O terror no vilarejo
1 A chegada
Notas iniciais
Estou sumida esses dias, na verdade faz bastante tempo que estou sumida... Mas hoje voltei com o conto de um amigo e espero que gostem tanto quanto eu! Irei dividir ele em duas ou três partes, espero que gostem!!!
O terror no vilarejo.
Dixie despertou sobre o peito de Lonin ainda atordoada, porém totalmente restaurada e como foi consumida muita energia e logo que apagou, não ouviu a conversa de Lonin com Morte.
Ao levantar viu que estava no meio de uma floresta a qual nunca havia visto cheia de árvores carregadas de folhas e mais folhas, alguns pássaros voavam por perto, os esquilos colhiam suas frutas e Lonin estava deitado entre as raízes de um grande carvalho com suas folhas verdes e não muito distante Brolox estava indo embora.
— Brolox! — Gritou Dixie — Aonde você vai? Agora estamos livres daquele lugar!
— Bem pequena Dixie — Ele se apoiou no cajado — Depois de errarmos muito, precisamos encontrar uma forma de nos redimir — Ele olhou ao redor — E talvez a melhor opção seja recomeçar.
— Eu entendo, não vou lhe questionar o verdadeiro motivo de sua partida, mas saiba que eu lhe perdoo — Ela fez um gesto de mesura.
— Te agradeço pequena —Ele bateu o cajado no chão e sua aparência que era de um monstro aos poucos foi se transformando em um homem de baixa estatura — Espero que um dia nos encontremos novamente.
— Digo o mesmo, até mais ver! — Brolox virou foi embora desaparecendo no meio das árvores.
Dixe estava um pouco triste com a partida de Brolox, apesar do passado não havia magoas dentro de si. Perdidamente apaixonada pela natureza ao seu redor decidiu deixar Lonin descansando e dar uma olhada nesse novo mundo, eles estavam em uma floresta que ficava entre Pávia e Mediolano. Voando pela floresta ficou admirada com os grandes cervos da floresta, a fauna e flora a encantava muito, deixando-a muito animada, viu os lagos cristalinos cheio de peixes ainda pouco tocado pelos Homens, os grandes rios com suas fortes correntes rugindo sem cessar, os ventos assoviando por dentre a linda flora Europeia, voava cada vez mais alto, seguiu o rio com os olhos e lá em baixo viu uma grande muralha de madeira. Depois de um tempo observando e conhecendo o território decidiu voltar a Lonin para avisá-lo do que havia visto, colhendo algumas frutas silvestres no meio do caminho para si e para seu mestre.
Ao despertar, desnorteado e com muitas dores musculares nem se esforçou para se levantar já provara isso no castelo de Morte, ou ele parecia uma masmorra, não importava, agora estava de volta ao seu mundo, admirou-se pela vegetação ao seu redor, pois, sempre acostumado com as terras planas e semidesérticas de Lombardos e Bávaros, toda aquela flora era novidade para ele que nunca havia entrado na Europa. Ao ver Dixie se aproximar alegrou-se, pois, Morte não havia retirado a sua mais nova companheira, na qual ele não tinha certeza se deveria levar consigo nessa jornada sombria da qual ele trilharia, havia nela uma pureza a qual ele não estava disposto a contaminar com suas escolhas, mas teria de deixar essa conversa para outra hora, agora precisava incluí-la a sociedade, já que o mundo não a veria com bons olhos.
— Lonin! — Dixie o abraçou novamente, ele se assustou, pois isso era algo novo para ele — Que bom que acordou — Trazia consigo umas frutas — Olha só o que eu achei, essas coisinhas coloridas maravilhosas tão saborosas — Dixie tinha um sorriso na qual contagiava Lonin — Coma vai restaurar as suas energias.
— Obrigado Dixie, estamos há muito tempo aqui? — Havia cansaço em sua voz.
— Bem pelo que meu estômago dizia já passamos do horário de desjejum, mas desde que despertei não muito.
— Certo — Comeu umas duas frutas que Dixie trouxera — Pela posição do Sol ainda temos mais quatro horas de luz, temos que achar uma vila ou um reino até mesmo uma fazenda para nos abrigarmos e descansarmos, mas não tenho a menor ideia de onde estamos. —Levantando-se observou o céu e ao seu redor procurando por trilha ou algo que os tirassem da floresta — Onde está Brolox?
— Ele se foi, disse que tinha que se redimir e recomeçar. — Sua voz baixou um tom e foi possível sentir tristeza, mas Lonin decidiu por não questioná-la.
— Espero que ele não se envolva em confusões, precisamos partir.
— Olha quando estava conhecendo esse lindo lugar eu vi umas muralhas altas de madeira, descendo o rio, mas não sei dizer o que era.
— Provavelmente é uma vila, vamos para lá talvez consigamos abrigo.
— Ah! Um mundo novo, que alegria — Dava piruetas no ar de tanta alegria.
Durante a caminhada Dixie contou a Lonin como era seu mundo Valtoria, detalhou a respeito de seus pais que eram reis, contou como era ser da realeza, não era uma tão beneficente quanto alguns acreditam, que a seu ver era uma prisão ao que o destino lhe preservasse, lhe disse sobre alguns de seus poderes, Lonin apenas ouviu, preferiu não contar da sua história, pelo menos não por enquanto. Ao pôr do sol chegaram à vila, próxima a Mediolano, era uma vila com grandes casas de madeiras com várias ruas, seguindo a rua central da vila, Lonin observara que era uma pequena vila e não havia a necessidade tantos soldados e todos bem armados, já que tinha um muro bem forte e alto, durante seu reinado nunca tinha atacado vilas, pois era uma tática falha, pois os sobreviventes se agrupavam ao reino central.
— Dixie daqui em diante você será como minha filha, pois saiba que criaturas místicas não são bem-vindas entre os homens, então aguarde aqui que vou buscar uma capa para que não vejam suas asas.
— Claro, sei bem que minha família foi expulsa desse mundo a muito tempo atrás. —Ela se escondeu atrás de uma árvore enquanto Lonin partia.
Lonin passou pelo portão principal onde perguntou ao guarda onde ficava o mercado da cidade, logo o lhe foi dito que ficava a leste da cidade, agradeceu e foi para a região do mercado, ao chegar viu a grande multidão, aglomerada passando para lá e para cá, os mercadantes gritando ao povo as suas ofertas, divulgando seus produtos, mas Lonin se contentou com a primeira barraca onde encontrou uma capa de cor azul-claro e de algodão e uma marrom que ele tomaria para si e com um de seus feitiços fez com que um grupo de pessoas caísse sobre a bancada do vendedor e aproveitando o momento de confusão tomou as capas para si e voltou para Dixie. Ela achou muito linda capa, porém ao colocar sobre os ombros sentiu que incomodava as suas asas que nunca antes fora presa, mas ela estava disposta a suportar. Entraram juntos pelos portões da cidade, Dixie estava maravilhada com as pessoas e suas casas rústicas e de madeira, já que em Valtoria são os elfos quem são responsáveis pela estruturação das cidades e todas elas são feitas de pedra, ela observava que os trajes daquele povo demonstrava que eles eram apenas camponeses sem muitas financias, em certos aspectos Valtoria não era tão diferente dos humanos, dava para diferenciar os soberanos e os plebeus. Lonin observava cada estabelecimento da região procurava por algum lugar onde pudesse descansar, quando viu uma taverna de nome Sombra Lunar, pensou que seria um lugar para conseguir algo de valor, fácil para trocar por uma noite de descanso.
— Dixie aguarde aqui fora e se esconda já que os homens acharão estranho entrar em uma taverna com uma criança, mesmo que diga que é minha filha — Lonin não sabia como explicar a maldade do coração dos homens — É complicado? Só fique aqui escondida.
— Tudo bem, eu esperarei.
Entrando na taverna, viu um grande número de mercenários, achou estranha a quantidade, para uma cidade cercada e lotada de soldados. O local tinha o cheiro forte de bebida e suor, em algumas mesas jogavam baralho, em outra tiravam queda de braço, havia jogos de dados e a outra grande parte estava apenas enchendo a cara, sua presença era bem notável por conta da sua armadura e pela cor de seu cabelo, mesmo coberto com a capa não tinha como passar despercebido, caminhando até o fim da taverna sentou-se na última mesa e observava e escutava tudo ao seu redor, prestando muita a atenção sobre o que falavam, até que ouviu um deles falando sobre criaturas noturnas que estavam atacando as vilas e que havia recompensa pelas cabeças, agora entendia o porquê de tantos mercenários na cidade.
— Está perdido homem? — Aproximou-se talvez o dono da taverna um cara baixo e gordo um cavanhaque sujo e malcheiroso.
— Não, apenas de passagem, procuro um lugar para descansar.
— Bem de graça não temos nada a oferecer – Coçou o cavanhaque – Mas devida a situação acredito que seja um lobo solitário.
— Exatamente, prefiro as minhas caçadas, sozinho.
— Então você tem direito a uma refeição aqui — Levantou a mão chamando a garçonete — A refeição é paga por Alastair, mas o quarto será por sua conta.
— Qual o motivo de tamanho investimento aos mercenários?
— Estamos com um problema novo em nosso reino — O dono puxou uma cadeira para sentar — Umas criaturas têm atacado a região nas madrugadas e até o momento não temos nenhum sinal do que seria a tal criatura.
— Como são os ataques já que não identificam as criaturas, pude notar que o exército e os mercenários estão em massa.
— Ninguém sabe dizer, alguns dizem que parece um lobo, outros um macaco, porém tudo que entregam aos capitães são cabeças de homens — A garçonete trouxe um caneco de vinho e um prato com um grande pedaço de bife ervilhas e salada — Começou com uma recompensa boa sabe, dez moedas de pratas, mas com o passar dos longos dias e muitos e muitos homens morrendo aumentaram para cinquenta moedas de ouro.
— Isso é loucura cinquenta moedas de ouro.
— Para você ver como a situação está crítica – Lonin tomou um gole do vinho e começou a sua refeição — Não sabemos ainda como tratar isso, os templários da luz estão investigando a situação, mas como não encontramos nenhuma evidencia e nada das feras é impossível à intervenção deles.
— Típico dos poderosos.
— E o que lhe traz aqui estrangeiro?
— Negócios e uma boa caçada. —Tirou um belo pedaço do seu bife e saboreou, já fazia um tempo que não comia algo de verdade.
— Bem é isso, enquanto houver feras para caçar pode vir ao tio Robert para comer.
— Fico grato.
Antes que Robert se levantasse da mesa o sino da cidade tocou, os mercenários rapidamente se levantaram empunharam suas armas, Lonin deu mais um gole em seu vinho e se levantou.
— Lhe desejo boa sorte andarilho!
Logo que saiu Dixie veio ao seu encontro apertou forte o braço dele.
— Lonin, tem algo sinistro acontecendo nos arredores dos muros.
— É fui informado lá dentro e acredito que é uma oportunidade para ganharmos um dinheiro, continue esperando aqui vou dar uma olhada nessa história.
— Esperarei — Dixie voou em direção ao telhado da taverna — Tenha cuidado Lonin.— E ele partiu sem olhar para trás, ela não souber como reagir, mas compreendia que ele era assim, havia percebido quando o abraçou mais cedo.
Nos portões da cidade havia muitos mercenários aguardando algo todos com tocha nas mãos, os moradores corriam para suas casas desesperados trancando portas e janelas, os guardas que estavam que estava em seus postos de descanso começaram a se prepararem para lutar. Enquanto caminhava para o portão principal ouviu um rosnado vindo de uma viela umas três quadras da taverna, seguiu em direção do barulho até encontrar o muro que tinha vinte e dois pés de altura, aguardou até que não houvesse ninguém para vê-lo e saltou o muro caindo do outro lado sem fazer um só barulho, não muito distante viu um grupo grande de mercenários no meio da floresta, alguns cães de caça e tochas nas mãos. Correu para tentar alcançá-los quando de repente um vulto saltou e levou um homem e depois outro e outro, até que os homens começaram a lutar com as sombras, não era possível ver o que era, pois era muito rápido, tudo que Lonin conseguia ver era um par de olhos amarelos antes do salto do vulto, correu mais rápido em direção dos homens atacados, mas já era tarde todos estavam mortos, mutilados e esquartejados e seus algozes já estava longe pelo que Lonin podia ouvir.
Adentrou a clareira onde houve o massacre, corpos mutilados e dilacerados o cheiro forte de sangue e gases, dejetos tomavam conta do local, armas partidas e metal rasgado, no levou a sua mão ao cabo da espada.
— S-socor-rro – Uma mão tocou seu tornozelo.
— Não à nada que possa ser feito — Uma pessoa comum teria se desesperado ao ver o homem partido ao meio rastejando com seus órgãos e tripas jogados no chão — Só posso fazer uma coisa. — Tirou a espada da bainha e com um só golpe perfurou a cabeça do homem. Antes de guardar sua espada ouviu os uivos e as passadas de uma fera correndo mais adiante e decidiu perseguir, precisava saber que tipo de fera havia massacrado tantos homens de maneira tão veloz, correu o mais rápido que pode para alcançá-lo até chegar a uma estrada vazia, agora não ouvia mais nada a não ser o barulho do vento passando por entre as folhas, não conseguia mais ouvir as feras, mas tinha a sensação de que elas estavam o observando.
Dixie o aguardava preocupada com Lonin, seus poderes estavam a flor da pele e estava tendo dificuldades em controlá-los, ela não saberia dizer se a mente humana era muito frágil ou se o véu da magia era muito fino, ser sensitiva se mostrava algo terrível quando tinha dificuldades em controlas e em muitos aspectos ela podia sentir o ódio e a raiva que as criaturas emanavam, assim como o prazer em matar, a sede de sangue, tudo isso a assustava, pois nunca sentiu tais sentimentos dessa forma, também podia sentir o medo e o desespero de alguns mercenários, dos cidadãos e das crianças que choravam em silêncio, isso a fez chorar ao ponto de soluçar.
Logo se deu conta que o sino da cidade não tocava mais guardou a espada, decidiu voltar para a taverna e passando pelos mercenários mortos, aproveitou para coletar algumas moedas, nada mais que quarenta moedas de bronze e treze de prata. Saltou novamente o e caminhou até a taverna e assim que Dixie o viu abraçou fortemente ele pode sentir que ela tremia.
— Dixie que desespero é esse? — Ele a apertou com força ele não sabia como e nem o por que, mas ela trazia a tona todos os seus sentimentos bons e queria protegê-la de toda forma possível.
— Eu tive muito medo de que algo lhe acontecesse, pois eu pude sentir o campo onde aqueles homens foram mortos, mestre, por favor, me promete que vamos embora, por favor. — As lágrimas desciam seu rosto.
— Eu prometo que nada de ruim vai acontecer comigo e com você, saiba que você está sobre minha guarda. — Lonin secou as lágrimas que caiam em seu rosto, então ela o apertou mais forte — Não tenha medo, aguarde aqui que vou contratar o quarto.
Ela subiu ao telhado e voltou a aguardar, Lonin entrou novamente na taverna agora vazia, pois alguns homens ainda caçavam as feras.
— Olha aí sobreviveu a uma caçada — Encheu um caneco de cerveja —Tome por conta da casa.
— Eu dispenso Robert muito obrigado, só preciso de um quarto.
— Ótimo — Deu um gole da cerveja consumindo metade do caneco — Bem são doze moedas de bronze.
— Muito bom — Deixou uma moeda de prata no balcão — Talvez eu precise fica uma semana.
— Com isso aqui fique à vontade — Jogou a chave com a numeração quatorze — Banheiro lá nos fundos da taverna e a ducha só tem água gelada.
— Muito obrigado, até mais ver.
— Até.
Ao terminar de subir as escadas Lonin se encontrou em um corredor pouco iluminado e carregado com um cheiro de mofo, suor e cerveja, foi encaminhando até o quarto de número quatorze no fim do corredor ao lado direito. Abrindo a porta viu uma grande cama de casal coberta com por uma coberta vermelha, do lado direito da cama uma mesinha com um pequeno ramo de flores, ao lado da porta havia um gaveteiro e sobre ele um espelho, a direita havia um cômodo onde ficava o lavabo, próximo à janela havia uma poltrona grande vermelha bem encardida, caminhou até a janela central e abriu.
— Dixie! Pode vir — Rapidamente ela veio voando — É aqui que passaremos pelo menos uma semana, antes de partir.
— Não vejo a hora de irmos embora — Ela tirou a capa— Mas o lugar parece aconchegante — Ela sentou na cama deu uns pulinhos.
— Bem preciso descansar e acredito que você também depois dessa longa caminhada.
A armadura se tornou uma mistura pastosa avermelhada e rapidamente foi se moldando até se tornar uma camisa branca e uma calça azul de algodão, colocou a espada sobre o gaveteiro, se jogou na poltrona e em poucos instantes apagou, já Dixie ainda ficou sentada na cama Lonin observando enquanto ele dormia, assim ela conseguiria entender melhor quem era Lonin.
Lonin acordou assustado ao ouvir a voz de uma mulher chorando e gritando por seu nome, uma voz que ele conhecia bem, alguém que lhe fazia falta, viu que Dixie dormia na cama coberta até os ombros então se levantou rapidamente e abriu a janela, logo viu a moça de cabelos cor de mel sendo arrastada por um homem encapuzado, ele saltou pela janela e correu o mais rápido que pode, porém quanto mais corria, mais rápido o homem que carregava a mulher se distanciava e quando estava se aproximando uma grande multidão de aldeões fecharam um cerco sobre ele.
— Ela tem que morrer — Falou um homem velho.
— Isso ela tem que morrer — Ria uma mulher.
— Você não vai passar — Um jovem segurava um pedaço de pau avançou.
Lonin não esperou que eles reagissem atacou primeiro dando um soco na cara do velho quebrando quatro dentes, acertou o rapaz no nariz nocauteando-o instantaneamente, logo em seguida os outros aldeões o atacaram e caíram um após o outro, após ver todos aqueles aldeões no chão tornou a correr pelas vielas do vilarejo perseguindo a voz da mulher que gritava por ele. Durante várias vezes ele encontrou ruelas sem saída e toda vez que isso acontecia ele se desesperava mais e mais, até que encontrou seu pai apoiado no muro.
— O que faz aqui rapaz? — Seu pai colocou a mão em seu peito, estava diferente, cabelos soltos, a barba feita e trajando as vestes reais coisa que poucas vezes Lonin havia visto.
— Preciso encontrar uma pessoa pai, deixe me passar.
— O que eu já lhe disse sobre isso?
— Não importa pelo menos eu preciso tentar. — Ele empurrou seu pai e correu.
— Seu tolo. — O velho disse balançando a cabeça negativamente.
Lonin voltou a correr antes que seu pai dissesse mais alguma coisa, correu o mais rápido que pode quando no centro do vilarejo ele viu a moça vestida com um vestido branco amarrada em um tronco alto, ele viu que de seus olhos cheios de lágrimas que corriam por seu rosto e quando ela o viu se aproximando sorriu como se pudesse ver a esperança em pessoa, então de repente uma grande chama começou a consumir as madeiras ao redor dela e ela voltou a gritar pelo nome de Lonin e antes que ele pudesse fazer qualquer coisa seu pai o acertou uma pancada em sua nuca, forçando-o a se ajoelhar.
— Eu não te avisei que era para se afastar? — Boltein segurava uma tocha na mão esquerda e um pedaço de pano branco na mão direita. Logo as chamas alcançaram seu corpo e o desespero dela consumia Lonin por dentro por não pode fazer absolutamente nada.
— Morgana!
Dixie se assustou ao ouvir Lonin gritar enquanto dormia, ela desesperadamente tentou despertá-lo, mas ao ver que não conseguiria usou um feitiço para lhe acalmar e aos poucos ele foi se acalmando até que seu pesadelo passar e ele não sonhou mais durante a noite inteira. Aos poucos ela começou a entender quem era Lonin e isso a moveu de íntima compaixão, pois ao ler seus sentimentos, mesmo que pouco isso a fez entender o porquê ele tinha certas atitudes e o verdadeiro motivo de ele não confiar e evitar novas alianças, mas ela estava decidida a provar para ele que essa situação seria diferente.
Ao amanhecer Lonin levantou incomodado com o sonho da noite anterior, um sonho que trazia uma lembrança horrível da qual ele preferia esquecer, mesmo que todas as vezes em que tinha esse sonho as coisas estavam diferentes, menos a sua morte. Viu Dixie dormindo e achou melhor não acordá-la, desceu para a taverna onde pediu um pão com ovos, algumas frutas como pera, maça, banana, uma manga e um copo de vinho comeu toda a refeição deixando as frutas para Dixie sobre a mesa ao lado da cama e saiu.
Lonin decidiu olhar melhor agora a luz do dia a área do ataque, para identificar o que realmente aconteceu naquela noite. Saindo da taverna pela primeira vez na vida ele teve aquela sensação das pessoas o olhando com o sentimento de repulsa, desprezo e curiosidade, ao contrário de como era quando ele era rei, ouvia algumas pessoas conversando entre si, questionando se era uma doença ou se era humano, de onde viera, se era perigoso ou aliado, mas ninguém ousava afrontá-lo ou encarar Lonin diretamente, uma carruagem toda preta passou pela entrada da cidade com um homem preso de cabelos cumpridos louros e barba fechada, era um homem robusto, que apesar de sua situação de prisioneiro ainda tinha algo de nobre em seu olhar, pessoas nas gaiolas era uma coisa normal da época, pois dessa forma que se carregava os ladrões, bandidos e escravos. Alguns guardas passaram o encarando Lonin como se fosse suspeito, já que naquela época havia muito mercenários e não se sabia quem exatamente estava lá pelo motivo certo ou apenas se aproveitando da situação. Lonin saiu pelo portão principal da cidade, tomou à esquerda e caminhou em direção ao ataque da noite anterior, não muito longe do ataque viu algumas pegadas caninas grandes demais para um lobo e com garras tão compridas quanto um punhal, não muito longe as casas das árvores ao redor todas continham grandes arranhões tão profundo que a seiva escorria aos litros no chão assim chamando a atenção dos insetos e aves, antes que chegasse ao ponto do massacre ouviu algumas vozes murmurando algo, então se aproximou com cautela sem fazer barulho e olhando por detrás de uma árvore viu um grupo de coletores de cadáveres fazendo a limpeza da área e coletando o que tinha valor.
— Bom dia cavaleiros – Saudou Lonin, o mais magro dos homens deu um grito de susto.
— Desgraça! — Falou um gordo com um avental de coro cru — Quer matar a gente do coração. — Lonin riu da situação, havia esquecido como os carniceiros eram medrosos.
— É estamos no meio dos mortos e do nada alguém nos cumprimenta — O mais magro colocou a mão no peito apertou o com força.
— Não foi da minha intenção assustar ninguém, apenas vim dar uma olhada no que estou caçando.
— Aqui você não vai achar nada — O gordo jogou longe uma perna de um dos mortos — A não ser as presas abatidas.
— Eu imaginei, estive aqui ontem à noite durante o massacre.
— E sobreviveu? — O mais magro arregalou os olhos — Como?
— Não cheguei a estar junto desse grupo, mas foi tudo muito rápido em um instante estavam de pé caçando e no outro instante estavam todos no chão mutilados.
— Que os deuses continuem lhe abençoando — O gordo se levantou —Eu sou o Alfred e esse é o Lanes.
— Prazer Lonin — Acenou com a cabeça — Vocês sabem dizer o que os atacou?
— Cara ninguém que encontrou essas feras sobreviveu — Lanes pegou uma besta para si apontou para as árvores — Mas dizem os sabichões que são como lobos gigantes, os engraçadinhos arrancam a cabeça das pessoas e trazem para o rei falando que capturaram a fera.
— E os doutores? O que eles dizem quando recebem os corpos? — Lonin caminhava entres os mutilados analisando as feridas e nenhuma fera que conhecia poderia ter feito tal estrago nem mesmo os fenrirs com seus grandes caninos.
— Eles nem aceitam mais fazer as análises dos corpos — Guardou a besta na bolsa — Mas tudo que você pode ver está aqui.
— Bem isso não ajuda.
— Um curioso, outro golpista ou alguém que vai dar a devida solução? — Gritou um jovem rapaz magro, cabelos ruivos, olhos verdes, sardas no rosto, carregava uma sacola cheia de livros, trajando roupas finas uma coisa fora do comum para um jovem daquela região.
— Acredito que eu seja a primeira e a terceira opção — Lonin caminhou em direção do jovem rapaz — E você qual das três opções?
— Provavelmente a terceira opção — Havia orgulho em sua fala ele ajeitou os óculos redondos no rosto — Prazer, sou Doutor Stein Crow.
— Doutor? — Alfred começou a rir — Só se for o doutor da loucura né, diz que sabe alguma coisa, mas só conta merda.
— É igual ao pai dele — Lanes começou a zombar dele — Crows e a sua loucura dos homens monstros.
— Desaparece daqui magrelo — Alfred pegou uma espada dos cadáveres — Antes que nós venhamos colocar você na contagem de corpos.
— Da mesma forma que vocês vêm pilhar aqui, eu como um doutor também tenho o direito de estudar os fatos ocorridos.
Lanes deu a volta em Stein envolveu os braços em seus pescoços sufocando-o Alfred correu com a espada apontada para o pescoço de Stein, que se debatia tentando se soltar, porém quando mais se esforçava mais forte Lanes apertava. Stein sentiu o gelo da lâmina aproximar de seu pescoço e se afastar quando Lonin puxou Lanes pelos cabelos e o arremessou uns quatro metros para trás e acertou um soco no rosto de Alfred.
— Covardes — Lonin sacou a espada e apontou ela para Alfred — Dois contra um? E sem motivo?
— Sem motivo? — Lanes ainda sentado no chão e com a camiseta rasgada — A família desse desgraçado só tem o que tem por que a cidade deu dinheiro a eles por uma promessa falsa, ele tem que morrer!
— O que os pais desse jovem fizeram ou deixaram de fazer não importa, ele é uma pessoa e os pais dele são outra, assim como você não é seu pai, puni-lo por um erro de seus ancestrais não é justo, agora desapareçam antes que eu os coloque na contagem dos mortos — Não precisou dizer mais nada para ver os dois homens saindo correndo desesperadamente deixando para trás tudo que haviam pilhado —Como você está?
— Bem, obrigado — Passou a mão no pescoço, fez um movimento para a esquerda e depois para direita — Está pilhando também?
— Não apenas vim compreender o ocorrido de ontem.
— Ora o senhor é novo por aqui? Acredito que já esteja ciente que temos sofrido ataques dessas criaturas como eles dizem por nunca terem visto… — Aproximou-se e sussurrou — Mas não são criaturas —Fez uma pausa — São homens.
— Como isso é possível? Até onde eu vi, ou é ser humano ou é fera.
— Sim, alguns acreditam ser uma doença outros uma maldição.
— Alguns quem? Pois você é o primeiro que me diz algo sobre os ataques.
— Tá são ideias minhas, das quais ninguém acredita — Stein recolhia alguns tufos de pelos presos nas árvores — Porém esses casos já são antigos, meu pai Cliff Crown estudava as feras, quando viu o primeiro Lupus.
— Como posso acreditar em uma história como essa, meu jovem, sabe que preciso mais do que isso.
— Eu sei e é isso que estou tentando provar — Pegou um pedaço de pano marrom preso na em um galho alto — Achei que ontem à noite conseguiria algo, mas foi um fracasso até o momento, tenho uma amostra, mas ela se mostra relutante e ontem foi estranho as feras correram como nunca, como se houvesse algo mais perigoso que eles e o assustassem.
— Pelo massacre que assisti ontem me faz perguntar o que os assustaria — Lonin encostou-se a uma árvore que estava intacta e cruzou os braços —Tem alguma ideia do que pode ser?
— Você esteve aqui ontem — Ele arregalou os olhos — E sobreviveu?
— Não fazia parte da multidão apenas fui um observador, de longe, pude ver os grandes olhos amarelos saltando de um lado para o outro massacrando esses homens — Apontou para os cadáveres — Que não tiveram a menor chance de reação.
— Entendo, então só viu o que tenho visto — Guardou um trapo com sangue na bolsa — Bem, não temos mais nada para ver aqui.
— Como? — Caminhou em direção ao Stein — Eu não vi foi nada, apenas pegou uns pelo, uns trapos rasgados.
— Bem se quiser resposta eu sugiro que aguarde.
— Ótimo aguardar, você ajudou muito.
— Fico feliz em saber que ajudei — Ele virou as costas e correu — Muito obrigado por ter me protegido e um conselho não saia por esses dias para caçar as feras.
Antes que Lonin pudesse correr atrás ou dizer alguma coisa, uma grande cortina de fumaça subiu do chão, fazendo com que ele se engasgasse e a tossir por alguns instantes, com os olhos cheios de lágrimas procurou pelo jovem rapaz, mas não encontrou, não muito longe foi possível ouvir o som de cavalos, logo que a cortina sumiu ele tentou seguir as pegadas na terra, mas ao chegar à estrada viu as marcas de rodas e cavalos, confirmando que o jovem ruivo já estava distante. Ao voltar para o vilarejo, viu as mulheres choravam nos portões do vilarejo e crianças perguntando pelo pai, havia uma grande tristeza no vilarejo, alguns esquifes cobertos com panos, carregados por alguns homens jovens e outros velhos. Aproximou-se de um dos guardas que estava praticamente com sua armadura completa exceto pelo capacete que segurava na mão direita.
— Soldado — Falou Lonin primeiro — Com toda essa confusão, quem é o rei e onde estão seus homens para resolver essa situação.
— Bem andarilho — Era um costume dos soldados chamar de Andarilho qualquer pessoa que portasse arma e não morasse na região — O nosso rei continua sendo Alastair e nós — Apontou para alguns esquifes — Somos os homens dele. A situação está fora de nossos conhecimentos, vieram muitos homens, guerreiros até sábios, mas ninguém consegue nos dizer do que se trata e como cortar o mal pela raiz.
— E os templários? Ouvi que eles não virão. — Lonin só queria ter certeza que o que Robert dizia era verdade.
— Eles estão estudando se o caso tem a ver com eles ou não, porém ninguém consegue entregar uma evidencia do que realmente são essas feras.
— Então nunca terão socorro — Um homem corcunda carregava um carrinho de mão cheio de corpos mutilados recolhidos ao redor da cidade passou pelo meio da multidão — E as cidades da redondeza?
— Também estão na mesma situação e o maldito rei de Eslavos nem nos perdoo, invadiu Símio e tomou para si.
— Um covarde como sempre — Lonin bateu nos ombros do soldado — Até mais ver.
— Até.
Caminhando em direção à taverna Lonin estava estudando os fatos que ouvira, Kobaz invadindo o reino ostrogótico, os templários não movendo um dedo para socorrer a cidade, Alastair sem controle da situação, quem diria que após alguns dias da sua queda o mundo já estava desandando.
Passando pela rua principal da cidade, as pessoas que já haviam superado o desastre da noite anterior ou já haviam se acostumado, pois estavam executando suas tarefas diárias, limpando a frente de suas casas, abrindo novamente seus negócios, não era tão agitado quanto as grandes cidades, mas o povo já tinha aberto mão de seu luto, erguido à cabeça e tomado às rédeas, tendo em vista que muitos desastres aconteciam naquela região, logo se conformavam com a situação de luto e se tornou algo passageiro. Ao entrar na taverna cumprimentou Robert e subiu ao quarto, onde encontrou Dixie com a maçã no colo, terminando de comer a pera.
— Achei que tinha me abandonado Lonin — Ela colocou a mão na cintura e riu — Mas no fundo eu sabia que voltaria.
— Estamos juntos nessa Dixie — Ele se sentou na cama — Somos dois estranhos nesse mundo. — Ele suspirou profundamente.
— Achei que você tivesse nascido aqui e que já conhecia muitas coisas desse mundo — Dixie tirou a maça do seu colo, limpou seu vestido e voou ao lado de Lonin — Como pode se sentir como um estranho no mundo?
— Desde que voltamos muitas coisas mudaram — Soltou a bainha da cintura — ainda não sei quanto tempo faz desde que partir e quando retornei.
— É fico me perguntando a mesma coisa — Ela colocou a mão no queixo — Será que terei a mesma sensação quando eu voltar para Valtoria, quero dizer se um dia eu voltar.
— E por que não voltar?
Lonin e Dixie conversaram a tarde inteira, onde ele contou a ela sobre sua infância, adolescência, falou sobre seu pai que não lhe permitiu aprender o que significa amar, a morte de sua mãe quando tinha apenas quatro anos, as surras rotineiras de seu pai e o treinamento severo que lhe foi imputado, ele também não permitiu que criasse laços e vínculos com as pessoas, em pouca das vezes encontrou consolo nos ensinamentos de seu mestre Brakus que não era tão severo quanto Boltein, mas vez ou outra lhe acertava com um pedaço de pau, narrou detalhes que nunca antes ele havia confiado cada ponto até o dia em que assumiu o reinado em Eslavos, Dixie talvez pelo fato de ser uma fada e bastante sensitiva aos sentimentos se emocionou muito ao ponto de as lágrimas caírem de seus olhos, pois conseguia sentir nele as dores, as dúvidas, o sentimento de abandono e o desejo de provar a todos a sua capacidade, falou pouco, pois sabia que em momentos como esse não adianta falar por conta das feridas abertas. Dixie com íntima compaixão contou sua história do destino que lhe era reservado já que pertencia a linhagem real das fadas, de se casar com um rei no qual era proveitoso para sua família e para o reino dos místicos, uma infância que nunca existiu já que tinha que aprender todos os costumes de Valtoria, desde os costumes de um troll até dos lendários dragões, contou sobre o dia em que foi sequestrada por Brolox e seus goblins, os tormentos causados pelos goblins naquele castelo maldito, dos medos e desesperos que teve que suportar naquelas noites, o medo de nunca mais poder ter uma vida e que pela primeira vez em anos ela realmente se sentia livre.
Ao anoitecer quem dormiu primeiro foi Dixie, Lonin decidiu dar uma olhada na floresta, ficar de tocaia ficou curioso com o que o garoto ruivo falou, queria provas evidências, qualquer sinal de que havia algo mágico ligado as criaturas, porém as noites eram silenciosas e quietas, pode notar que os guardas que ficavam nos portões desejavam com todas as suas forças voltar para a segurança de sua casa ou do pequeno forte onde se encontrava a força militar daquele pequeno vilarejo, até poucas horas antes da lua de fato tomar seu posto nos céus as crianças estavam ali brincando como se nada estivesse acontecendo, mas logo suas mães surgiam para colocá-los para dento com medo de perdê-los, para Lonin observar aquilo trazia a tona a questão de que em épocas sombrias homens que estão em seu dever devem superar seus medos para cumprir seu dever, enquanto mães não podem privar suas crianças de serem crianças, mesmo em meio ao caos e tribulações, quantos sacrifícios são necessários para que possam de certa forma viverem em paz, mas, ao mesmo tempo, Lonin se pergunta se eles estão vivendo conforme o que desejavam, assim como ele um dia devia ter se perguntado, se fez o que queria e como queria, sem uma resposta para dar a si mesmo Lonin se afastou dos muros e decidiu se aproximar da floresta para ver se lá havia movimentação das criaturas, durante a noite toda, silêncio, nada que fugisse do natural, poucos instantes antes do sol nascer ele voltou para o quarto, sentou na poltrona e adormeceu não mais que poucas horas, pois mais uma vez foi tomado de pesadelos, pesadelos que estavam ligado aos seus antigos soldados, homens que em desespero, choravam por lutarem uma luta que não pertenciam a eles, povos que foram destruídos pelas suas mãos em uma luta sem propósito.
Notas finais
Beijinhos da Lua :*
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