“Acorde” pensei, eu ainda sentia uma dor intensa na minha barriga, onde a garota havia me dado um soco, a dor estava insuportável, até que finalmente, consegui por um esforço, ao menos abrir os olhos.

-San! –Dione exclamou assim que me viu, ela estava com algo em mãos que eu reconheci, ambrosia.

-Ai, ai. –murmurei assim que tentei me sentar, mas era como se alguém estivesse enfiando uma estaca no meu estômago.

-Você é doido? Onde estava com a cabeça ao se intrometer na briga de um filho de Ares? –de surpresa, a expressão dela foi para de raiva. Eu logo a respondi com as forças ainda sendo recuperadas pela ambrosia.

-Eu não podia deixa-la machucar uma menininha bem menor que ela! Era injusto! –exclamei, e para a minha surpresa, a mesma garota estava entrando na enfermaria enquanto eu falava, e ela acabou ouvindo o que eu dissera, ela olhou para mim, me fuzilando com os olhos, e veio em minha direção.

-Oi, sou San. –me apresentei, ainda na esperança de fazer uma mínima amizade com ela, ela simplesmente me ignorou, e respondeu secamente

-Ninguém liga! –finalizou ela, me dando um tapa na cara, virando-se e saindo. Dione me olhou surpresa, e depois de maneira cômica, e por fim disse

-Acho que já entendi. –ela sorriu. Eu me esforcei para me levantar, mas em vão, porque a dor começou de novo, deitei novamente.

-Que droga. –suspirei, deitando na cama, e encarando o teto.

-Você é realmente louco, San. –Dione deu um sorriso simpático. Eu a encarei

-Obrigado. –finalizei me virando para o lado e adormecendo.

Sonhei que eu estava no parque de diversões, o mesmo onde Dione me levara e derrotara o minotauro. Em meio as sombras das árvores, surgiu duas pessoas, um garoto com cerca de dezesseis anos, com cabelos bagunçados, e olhos multicoloridos em cores bem escuras, tinha uma faca de caça presa na sua cintura, e tinha um sorriso nada amigável nos lábios, e uma garota com cerca de dezesseis anos também, seus olhos eram azuis como o céu, e seus cabelos eram castanho claro liso, com um arco dourado e rosa nas costas e flechas de prata e chumbo.

-Olá jovem semideus. –o garoto cumprimentou, e começou a brincar com o cabo de sua faca.

-Quem são vocês? –indaguei em meio a neblina que começara a se formar, o menino inclinou a cabeça de lado, e a garota disse

-Que falta de educação, nós não gostamos de pessoas mal-educadas, é tão, deselegante. —ela revirou os lindos olhos azuis, abaixou a cabeça em sinal de aparente decepção.

-O que vocês querem? –Consegui dizer, e percebi que eu ainda estava encarando a menina, que esboçava um sorriso. Virei o rosto com certa dificuldade. Eles se entreolharam, e o garoto empunhou sua faca de caça, e disse.

-Nossa mestra quer a destruição de todos vocês. –ele olhou de relance para a garota e continuou –Começando por você, pequeno rato de bueiro. –A garota jogou o cabelo para trás do ombro, suspirou e disse me encarando

-Que desperdício de semideus, uma pena. –e se virou, adentrando a floresta, o garoto sorriu e começou a correr até mim, pronto para me apunhalar. E então eu consegui acordar, ainda em pânico. Dione não estava ali, e minha barriga não doía mais, consegui me levantar, e sai da enfermaria, ainda era de dia, um dia ensolarado e bem agradável, mas mesmo assim eu não conseguia esquecer o garoto da faca, olhei para os campistas, tentando imaginar se algum deles parecia com o garoto e a garota do sonho, uma atitude meio besta, já que aquilo deveria ser apenas um sonho.

-AI! –reclamou uma voz feminina, muito familiar, e percebi que durante a minha reflexão sobre o meu sonho estranho, esbarrei naquela garota que me deu um tapa. Ela me fuzilou com os olhos novamente, e passou direto por mim, e pensei que talvez eu tivesse feito algo a ela para ela ser tão ríspida, e fiz algo que nem eu entendi o porquê, eu tentei segurar seu braço, mas ela me deu uma cajadada na cabeça, aquilo sim havia doído, ela me olhou furiosamente

-O que você pensa que está fazendo? –indagou ela, e a ponta de seu cajado estava começando a brilhar, eu não queria levar outra cajadada na cabeça, mas eu precisava saber o motivo pelo qual ela era tão grossa comigo, a ponta de seu cetro estava ficando mais intensa, e seus olhos ainda me encaravam.

-Eu te fiz algo? Por que está sendo tão má? –eu a encarei, e ela levantou uma das sobrancelhas e fez cara de confusa, e então o brilho de seu cajado foi ficando menos intenso até desaparecer. –Podemos conversar? –indaguei, ela pareceu considerar essa opção, e respondeu

-Não. –virando-se e saindo, eu então andei mais rápido até ela, e tentei novamente segura-la, mas de novo ela esquivou o braço, mas não se virou, continuou andando eu a segui, estava determinado a descobrir tal motivo.

-Qual o seu problema? –berrou ela se virando bruscamente

-Quero conversar.

-Mas eu não quero!

-Ouça, se você me responder duas simples perguntas eu te deixo em paz, ok? Mas por favor. –implorei

-Vai me deixar em paz depois?

-Prometo.

-Vá logo, me faça as duas perguntas.

-Por que está sendo tão má comigo? –comecei

-Eu? Má? Você se intromete em uma briga minha e ainda por cima me chama de baixinha! –ela me fuzilou novamente

-Ahn? Então esse é o seu motivo!

-Faça logo a última pergunta!

-Podemos ser amigos? –parecia uma pergunta idiota e ficou bem claro pelo olhar dela.

-Não, agora posso ir embora? –indagou com um olhar sério, fiquei decepcionado, mas assenti. Ela se virou e saiu andando. Preferi ficar na minha, e fui para o chalé de Hermes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.