O tempo nao para
4 Enfim SÓS
Notas iniciais
Nana e Mário saíram do 17º andar onde ficava a suíte 171 direto para o último andar, quarto 333. No elevador, Nana entrelaçou seus braços no pescoço de Mário, surpreendendo o poeta.
— O quê é isso Nana?
— Ué? Antigamente você gostava de ficar comigo no elevador.
— Mariana, Mariana... não me provoca.
— Ah, que pena, porque te provocar era tudo o que eu queria agora, mas tá bom, já entendi, pode deixar que eu vou me comportar. – disse ela soltando os braços lentamente do pescoço dele.
Em vão. A vontade de ficar com ela era maior que qualquer regra de bom comportamento em público. O avançado da hora permitia aquela estripulia juvenil. Mário a agarrou pela cintura trazendo o seu corpo colado no dela.
— Ué Mário? Achei que você não quisesse...
— Achou errado!
Acabaram as palavras. As bocas já estavam ocupadas. A língua dele dentro da boca dela inflamava ainda mais o desejo deles. Parecia que voltavam à adolescência quando nada mais importava. Beijavam-se ali mesmo. Desejavam-se sem se importar onde estavam. Era um desejo reprimido por tantos anos, não podia esperar mais.
Finalmente o sonho dele de ficar com o seu grande amor era realidade. Ela estava ali por ele e inteira pra ele. Mariana não resistia mais. Não costumava olhar pra trás, mas sabia que perdeu tempo demais renegando o amor que sentia por ele. Sim, ele também era o grande amor da vida dela, mas ela demorou tempo demais pra reconhecer isso pra si mesma.
Ela sabia que não era esse poço de coragem que todos acham que ela era, tinha medo do imprevisível, e Mário era a personificação do imprevisível e isso a apavorava. Por medo, quase perdeu ele para outra mulher, para a vida que o levaria para longe dela. Agora só queria se jogar nos braços dele, pela primeira vez, sem pensar no amanhã.
O beijo não acabou quando o elevador parou, mas ao abrir as portas, a recepção calorosa de dois funcionários do hotel dando Felicidades aos Noivos os fizeram perceber que o mundo não tinha parado durante aquele beijo, só o elevador que havia chegado no destino. Sem graça, Mariana escondeu um pouco o rosto no peito dele, Mário se divertia com a súbita timidez dela. Foi o único que teve coragem de responder a recepção amável que receberam.
— Obrigado! Perdoem a minha noiva, ela é um pouco tímida, mas nós amamos a recepção. Agora podem ir, porque, não sei se perceberam, mas queremos ficar sozinhos.
Mariana ficou com mais vergonha ainda. Avistou a porta do quarto aberta e tratou de puxar Mário pra dentro e acabar logo com aquele constrangimento. Ele entrou em seguida e fechando a porta.
— Enfim sós!
— Mário, que vergonha! Que história é essa de felicidades aos noivos? Minha noiva?
— Ah, deve ser porque esse tipo de suíte aqui normalmente é reservada a recém casados. Olha aí, a decoração, tem até pétalas de flores sobre a cama, champanhe. É para festejar.
— Festejar o quê Mário?
— Como o quê Nana? O nosso reencontro! Mas se você quiser pode ser casamento também, eu caso agora mesmo!
— Engraçadinho, eu ainda sou casada! O Diogo não apareceu na audiência do divórcio.
— Ah, você não vai querer trazer esse psicopata para dentro da nossa suíte presidencial né? Falar do Diogo agora?
— Não, claro que não! É que por mim já tinha resolvido esse assunto, mas, não tem o que fazer.
Mário ficou levemente aborrecido.
— Não fica chateado, agora tudo o que eu quero é esquecer que ele existe.
— Então vem cá que eu vou te ajudar a esquecer! – ele falou já colocando as mãos pela cintura dela.
— É? Vai fazer o quê?
— Primeiro eu vou fazer a coisa que eu mais tô com vontade de fazer, desde a 5ª série!
— O quê?
— Beijar você!
— Até parece que não estávamos nos beijando a dois minutos atrás.
— Estávamos, mas agora é o primeiro que vai ser pra sempre, sem que o mundo lá fora nos interrompa ou nos dite regras do que podemos fazer, é o primeiro do nosso “enfim sós”.
Mariana sorriu. Mário tinha esse dom, o de fazê-la sorrir. Em todos os momentos, mesmo naqueles que ele a fazia perder o controle da situação, coisa que ela odiava, ele lhe arrancava um sorriso. E quando ela não sorriu, é porque fez força para manter a personagem que havia criado. A executiva durona que controlava tudo e todos. No fundo, era só uma menina assustada assumindo um monte de responsabilidade que não era dela para agradar todo mundo, menos ela mesma! Ele sabia disso. Ele a conhecia melhor do que qualquer um!
O sorriso a entregou. Era a permissão que ele esperava. Ele tirou os óculos, segurou na cintura dela trazendo para mais próximo do seu corpo, fechou os olhos, inclinou seu rosto levemente para a direita e encostou os lábios nos lábios dela. Sorriram. E beijaram-se.
Beijava-a com a delicadeza de quem beija uma flor e com o fervor de quem tem nos lábios as chamas de um vulcão. É assim que ele se sentia, como um vulcão prestes a entrar em erupção com a intensidade dos beijos dela. Nana o empurrou para a cama. Ele sentado, tirou os sapatos, ela tirou a bota e se inclinou; ia devagarinho se colocando sobre ele. Mas antes que ela continuasse o empurrando para se deitar:
— Calma Nana.
— O que foi agora? Por que parou? Você tá gostando que eu sei. Não vai me dizer que você não quer?
— Claro que eu quero! Mas é que, você tá grávida e eu não quero fazer mal pra você ou para o bebê.
Ela riu porque ele era o homem mais sensível que conheceu na vida.
— Você não existe. Não se preocupa meu amor, gravidez não é doença. Eu tô ótima. Muito melhor agora aqui com você. E não vamos fazer nada que possa fazer mal pra mim ou para o bebê.
— Meu amor?
— É, você é o meu amor, meu grande amor, desde que me chamava de Mariana Mole! Me perdoa por ter demorado tempo demais para reconhecer isso...
Ouvindo as palavras dela ele a interrompeu com um beijo. E ela beijou a boca dele com mais ardência. Não era mais criança e não queria brincar de namorar. Agora era pra valer!
As bocas não mais se desgrudaram, ávidos por se tomarem. De vez em quando precisavam retomar o fôlego e os beijos se interrompiam rapidamente quando o ar já estava escasso, ou quando queria beijar outra parte do corpo. Ela abriu os botões da camisa dele. Habilidosa ainda estava vestida, mas deixou Mário seminu em cima da cama. Rapidamente desceu com as mãos um pouco mais procurando outro botão para abrir. Por cima dele e ainda sobre a roupa sentia a excitação dele desejando-a tanto quanto ela o desejava. Livrou-se do cinto. Finalmente o último botão se abriu, desceu o zíper, mas antes que suas mãos pudessem se livrar da parte de baixo da roupa do amante, ela foi surpreendida. Num súbito movimento ele a segurou pelos braços e saiu invertendo a posição com ela. Ela mordeu os lábios. Ele a excitava com os beijos no pescoço e com leves mordidinhas na ponta da orelha. Com apenas uma das mãos ele desabotoou e desceu o zíper da saia lápis dela deixando-a de meia calça preta. Bem pertinho dela sentia a respiração a ofegante e quente.
— Apaga a luz pra mim. – sussurrou ela no ouvido dele.
— Apagar a luz? Por quê?
— Porque eu não tenho mais 18 anos, e a gravidez... – falava ela entre um beijo e outro fazendo um charme que o deixava mais excitado. Com as mãos esticadas ela procurava o interruptor.
Ele segurou as mãos dela entrelaçando as suas. Os braços esticados por cima da cabeça fazendo com que eles se olhassem nos olhos.
— Você é mulher mais linda desse mundo, por favor, não apaga a luz, deixa eu te ver.
Ela ainda tentou argumentar, mas ele a olhava tão profundamente que ela ficou sem jeito, ela fez que sim. Não era mais tão jovem, mas ele a fazia se sentir tão desejada que não se importou mais com a ação do tempo.
Não existiam motivos para não admirar o corpo dela, era todo esculpido pela prática da ioga. A barriguinha de grávida ainda nem aparecia, mas sabia que ela gerava o seu filho. Apesar de não confirmado, ele tinha certeza que era dele. Não foi planejado. Resultado de um descuido, uma transa rápida que tiveram num momento conturbado que ela passou, mas sem dúvida fruto de um grande amor. Não mentira, para ele, ela era a mulher mais linda do mundo e a única que ele queria ter nos braços e amar para o resto da sua vida. Ela sabia disso, e mais, ela sentia isso, não tinha mais vergonha.
Ele a beijou. Soltou os braços dela. Ela se sentou encostada na cama. Livrou-se da calça. Ela também podia o ver. Não era mais garotão, mas era o seu amor. Ela sorriu, achou graça dele ainda estar de meia e o viu se livrar do restante da roupa. Agora ela podia ver a excitação dele.
Lentamente ele puxou a meia calça preta e com a boca molhada ia beijando e lambendo as partes que iam se descobrindo, beijou as pernas, as coxas, entre as coxas, sua língua era livre para passear pelo corpo dela. Nana delirou. Até se livrar da vestimenta também. Ela que sempre queria controlar tudo, já não controlava nem mais sua respiração. Colocou os braços pra cima quando as mãos dele começaram a levantar a blusa de gola alta, a última peça a se livrar antes de revelar a lingerie preta de renda. Sem dúvida o que mais o excitava além do grande amor que sentia por ela era o cheiro e a pele macia dela.
Aos poucos a alça do sutiã desceu. Beijando a boca dela ele soltou o fecho que prendia a peça tirando-a devagar revelando os seios dela. Os mamilos enrijecidos encostavam-se no peito dele. Ele os acariciou, com uma das mãos ele cuidava de um e com a língua ele brincava com o outro. Eles escorregaram. Deitaram-se. Ele desceu pelo corpo dela até a calcinha, mordeu a renda que cobria o elástico e com a versatilidade de quem sabe bem mais que fazer poesia com a boca se livrou da última peça de roupa que cobria o corpo de Nana.
A habilidade era de fazer absolutamente tudo olhando pra ela, recebendo o seu consentimento para tocar cada parte do seu corpo, com qualquer parte dele, fosse com as mãos, com a boca, com a língua ou com o sexo, e quando via ela morder os lábios ele se aprofundava na carícia que ela mais gostava. Claro que ele a fez gozar primeiro, enquanto ele a acariciava, ela perdia o ar. Ela se arrepiou. Estava molhada e pronta para recebe-lo. Ele não se aguentava mais, estava excitado há bastante tempo, chegou mais perto dela e assim que ela conseguiu toca-lo o colocou pra dentro dela. Ele sorriu.
O que mais gostava nele era o carinho e a delicadeza de beijar cada parte do seu corpo. A virilidade de toma-la como sua mulher. Entre os beijos no pescoço dela, as unhas que lhe arranhavam as costas, e os movimentos do quadril que se encaixavam perfeitamente no dela ele também gozou tirando mais uma vez o sorriso dela e provocando a satisfação deles. Com um último beijo ainda por cima dela ele pôde ouvir:
— Obrigada por não desistir de mim.
— Obrigado por ser minha mulher.
Exaustos. Ele se deitou do lado dela. Abraçou-a por trás. De conchinha. Ela esticou o braço e apagou a luz, acendeu o abajur. Ele dormiu com os cachinhos castanhos por entre o seu rosto. Ela não pegou no sono tão facilmente, ficou ali pensando.
Ela o amava. Sempre o amou. Desde o colégio quando ele lhe chamava de Mariana Mole. Demorou para assumir isso porque sentia que dali em diante perdia o controle de sua própria vida. Tudo bem, já havia passado tempo demais até ter coragem de se render ao amor dele. E tempo era o que não queria mais perder. Entregou o seu corpo e a sua vida para o seu grande amor. Ela não tinha mais medo, enfim, era só ele e ela. Ela apagou o abajur, sorriu, e sorrindo, adormeceu.
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