Lá pra trás quando o vento sopra

Há barulho nas árvores

Com preguiça ele chacoalha as roupas no varal

Bagunça os cabelos brancos

E assenta a poeira nas janelas

As paredes velhas e sujas não contam as vidas que ali passaram

O teto cheio de furos vaza entre as cabeças e panelas

É o velho, o sujo e o abandonado

As mãos calejadas varrendo as folhas do chão

Com os olhos atentos no portão

No armário vazio guarda-se a esperança e a angústia

Carregadas pela incerteza de que um dia poderá descansar.

Sem demora o laranja pincela o céu

A paisagem enferrujada é guardada na memória do tempo

Sem elegância, sem piedade e sem zelo.

A miséria, que é musa da política, não é bela na fotografia.

Ela é feia.

E toda sua feiura foi eternizada na poesia.

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