O tear do Destino
38 Um lugar sagrado
Notas iniciais
Descer as escadas estava sendo uma tarefa difícil. Jacob segurava minha mão com gentileza e Sam ia em nossa frente, ele dizia que se algo acontecesse estaria ali para me segurar. A barriga pesava e eu não conseguia prever o parto, mas Sue dizia que acontecera a qualquer momento agora.
– Não acho que a senhora deveria estar descendo essas escadas... – Jacob disse preocupado e eu sorri para ele.
– Os bebês não nascerão hoje... talvez amanhã... verificarei a lua novamente.
Quando terminei de descer Edward me esperava sorridente com Mel no colo. Ela estava linda com suas roupas cerimoniais, a camisola grande e branca ressaltava agora os seus cabelos grandes e suas bochechas rosadas.
– Tudo preparado meu senhor, podemos ir. – Sam avisou e Edward colocou Mel em um dos braços e me segurou pela cintura com a outra mão. Passamos por todos sorrindo e cumprimentando, algumas pessoas da vila vieram ajudar na arrumação do castelo como eu tinha pedido e acabaram dormindo aqui depois do grande jantar que fizemos.
A carroça nos esperava e eu subi com ajuda de Jacob e Sam que me olhavam assustados como se eu fosse a qualquer momento ter os bebês, eu sorri confiante para eles e depois que me ajeitei Edward subiu com Mel e fomos de maneira calma como Edward tinha pedido para Sam e Jacob.
– Eu acho que estamos lentos demais... – reclamei impaciente.
– Você já completou todo o período de gestação, só estou fazendo isso porque Sue e vocês só faltaram chorar. Eu realmente achei que os bebês viriam naquele dia em que insistiram nisso. Vamos devagar.
Olhei para a cara feia dele e Mel que brincava com uma boneca de pano que Ângela tinha feito há uns dias.
– Ela precisa ser apresentada, estamos na estação correta e ela completou a idade.
Edward tocou no meu rosto me fazendo sorrir. Tinha algo na sua expressão que eu não identificava, um humor que eu não alcançava.
– Você está me escondendo alguma coisa meu senhor. – falei e ele gargalhou. Amava a risada de Edward e sorri junto com ele.
– A senhora tem uma mente muito criativa minha senhora.
Demoramos muito para chegar, os bebês pareciam gostar do balanço e estavam quietos. Agradeci a Deusa por isso, nos últimos dias,eles estavam agitados, como se quisessem sair a qualquer momento. Mas quando chegamos no alto da colina onde eu me casei com Edward eu me surpreendi com o que vi, era perfeito e lindo.
– Oh... Edward... como conseguiu? – falei emocionada querendo descer logo da carroça para ver de perto tudo.
– Foi mais fácil do que pensei na verdade.
Sam e Jacob me ajudaram a descer e Edward desceu com Mel. Sue e Lady Esme junto com Lady Alice e Jasper estavam lá nos esperando e sorridentes. Havia um pequeno templo de pedra como os que haviam na Irlanda, me aproximei do templo e toquei ele. Perfeito. Estava de costas para o mar, de frente para umas flores e tinha o vento como elemento principal coroando tudo.
– Você gostou? Billy foi buscar isso e quando chegou com mais alguns homens a sacerdotisa os mostrou qual levar e disse que já estavam abençoadas. – Edward falou e eu sorri para ele. – Eles voltaram tão assustados que até hoje comentam isso com olhos arregalados.
Todos rimos e então Sue pegou Mel entregando para Lady Alice que já mostrava a sua barriga. Eles ficaram de frente para o templo enquanto eu, Edward e Esme ficamos de lado observando tudo.
– Eu preciso que você segure isto. – Sue entregou uma vela para Jasper e a ascendeu. – Que a luz ilumine seu caminho mesmo nos momentos mais sombrios e te dê a direção para encontrar o caminho certo e realizar os próprios destinados a tia.
– Assim seja. – Alice e Jasper falaram juntos.
Sue pegou um pouco de água e molhou a testa de Mel.
– Que a água purifique seus pensamentos lhe dando sabedoria e compreensão para lidar com as adversidades afastando também todo mal que nos rodeia.
– Assim seja. – Alice e Jasper falaram juntos e sorridentes.
Ela então pegou um ramo de folhas e deu para Mel segurar. Ela pegou sorridente.
– Que tudo ao seu redor floresça, que a Deusa abençoe suas mãos de maneira que a primavera nunca saia de ti dentro e fora.
– Assim seja. – Alice e Jasper falaram.
– Que o vento traga vida real para tua existência. – Sue assoprou perto do rosto de Mel a fazendo sorrir.
–- Assim seja. – Alice e Jasper disseram.
Então Sue levantou as mãos aos céus em uma prece alta.
– Nós que vencemos as batalhas, derrotamos os inimigos e aguardamos com muita esperança e felicidade mais de suas benções agradecemos por Melanie de Cullen e por todos que ainda nascerão.
E então ela fez um gesto e fomos cumprimentar Lady Alice e Jasper. Foi uma cerimônia curta, mas muito bonita.
– Obrigada por nos escolherem. – Lady Alice falou emocionada quando me abraçou – Cuidaremos dela como se fosse nossa, não se preocupem.
Edward era cumprimentado por Jasper e eu finalmente fui aceita por ele, em seu coração e sua mente. Ele veio me cumprimentar e me abraçou.
– Eu estou honrado por estar aqui, mesmo depois de tudo que te fiz e falei vocês me escolheram para ser padrinhos de Mel, isso é uma honra muito grande. Muito obrigado por tudo.
– Cuide de suas meninas. – falei e ele sorriu. Lady Alice queria surpresa, mas Jasper estava impaciente para saber o sexo do bebê que eu já sabia há muito tempo.
– Obrigado minha senhora.
Ele sorriu e pegou Mel do colo de Lady Alice sorridente, para alguns homens um filho era muito importante, mas para Jasper e Lady Alice o importante era um bebê e o amor deles florescia a cada dia.
– Você precisa voltar querida, Edward abriu mão só por causa do batismo. – Sue disse e Lady Esme veio para meu lado. Fomos andando para a carroça quando a dor me pegou de surpresa me fazendo gemer mais alto do que eu queria.
– Não... não era para ser hoje...
Falei desesperada.
– É o ritual, o lugar... deve ter apressado... – Sue me ajudava enquanto a dor passava. Eu respirava com mais facilidade agora e senti Edward ao meu lado.
– Você prometeu que não faria isso hoje comigo Isabella!
Eu sorri tocando seu rosto.
– Vamos para o castelo meu senhor... seus filhos precisam nascer...
Ele é claro ficou tenso, a cada contração eu via a expressão de dor de Edward. Mas não havia o que temer, as dores estavam em um ritmo normal, talvez mais aceleradas por conta de serem gêmeos, mas eu estava tranqüila.
– Saiam da frente!
Edward gritou comigo no colo e todos nos olharam assustados no grande salão, Sue e Lady Esme dispararam ordens enquanto eu subia as escadas no colo de Edward. Ele me deitou gentilmente na cama.
– Vai dar tudo certo querido... não precisa ficar nervoso...
Outra dor veio e então ele segurou minha mão como se aquilo fosse tirar minha dor.
– Precisa chamar Padre James... para todos os efeitos...
– Para o inferno o padre Isabella!
Eu sorri tocando seu rosto.
– A missa Edward, os aldeões querem uma missa...
– Não vou sair do seu lado!
Era como se ele estivesse revivendo o parto de Lady Lauren e todo desespero daquele dia. A porta abriu e Sue entrou com Lady Esme e os panos, uma dama entrou com um balde que foi colocado na fogueira e eu percebi a tesoura e a faca afiada.
– Precisa de alguma ajuda? – Lady Rosalie entrou com uma expressão preocupada.
– Padre James... a missa...
– Oh sim! Emmett já foi acordar o padre, ele bebeu além da conta ontem e ele e Jasper estão se encarregando da missa e de chamar as pessoas para a igreja.
Outra dor e eu queria que aquilo parasse. Eu respirei fundo quando ela passou e senti Sue tirando a chave de meu pescoço e colocando no pescoço dela.
– Pelo amor de Deus isso não vai parar? – Edward perguntou desesperado.
– Precisamos que saia. – Sue falou e Edward arregalou os olhos.
– De maneira nenhuma! – ele gritou.
– Edward.. elas querem ver se está tudo bem com os bebês... precisam ver querido... daqui a pouco você volta... vou trocar de roupa também...
Ele demorou para sair, antes deu várias instruções para Lady Rosalie e ela sorriu ouvindo todas elas. Depois de um exame Sue percebeu que os bebês estavam na posição correta e a água escorreu quando ela terminou.
– Isso vai acelerar as coisas... – ela disse satisfeita.
A dor aumentava conforme o dia ia passando, Edward entrou e saiu de quarto mais vezes do que queria, Lady Esme e Sue o expulsavam quando o viam desesperado demais, mas na hora em que senti o primeiro descer eu mandei o chamar.
– Querido... venha....
Ele sentou do meu lado assustado com os panos sujos de sangue e com minha aparência cansada.
– Ai...- gemi e Sue se posicionou.
– Força Isabella... muita força agora querida...
Eu segurei nas mãos de Edward e então fiz como Sue mandou e quando passou eu ouvi o choro alto. Fechei meus olhos agradecida por tudo estar correndo bem, Edward secou meu suor e sussurrou o quanto me amava, eu estava exausta quando a outra contração veio.
– Falta pouco querida... – ele disse, mas sua voz continha uma preocupação muito grande.
– Vamos Isabella. O primeiro nasceu... faça força querida...
Eu fiz força, mas o bebê não nascia. Eu estava muito cansada e já queria fechar meus olhos e dormir.
– Coloque isso no nariz dela, ela está quase desmaiando.
E eu senti o cheiro forte da erva que me despertou.
– Alerta querida... – Sue disse e eu abri meus olhos vendo Lady Esme limpando ainda meu filho no canto com Lady Rosalie.
– Você consegue meu amor... consegue..
E eu fiz força, tudo que eu podia e ouvi o outro choro alto. Sorri pensando que tinha conseguido e deitei cansada sentindo minhas forças acabarem.

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