O tear do Destino
22 Pequenos carinhos
Notas iniciais
– Cullen é linda! – disse quando Edward parou para que o cavalo descansasse. Ele me ajudou a descer e ficamos um tempo admirando a vista que dava para o mar. O fim das terras era o mar e era magnífica vista de cima como estávamos.
– O Rei confia que eu guarde o mar e o avise caso veja algo que não esteja de acordo. Por aqui também chega peças vindo de outras terras, comerciantes que navegam por dias ou semanas e nos trazem tudo que nos falta. Também negociamos e vendemos o que o solo de Cullen nos dá com abundância.
– Cullen é simplesmente perfeita.
Falei sentindo o vento forte balançar meus cabelos e a capa grossa que Edward me deu fazer o efeito desejado, eu não sentia frio algum.
– O que é aquilo? – apontei para uma construção ao longe.
– Ficam guardas ali de dia e de noite, eles são responsáveis por avisar a Cullen que está tudo bem ou não. Temos também um pequeno forte caso seja necessário combate protegido por alguns guardas.
– Eles se revezam não?
– O tempo todo, há momentos de treino, momentos de descanso, de vigia e de ajudar os moradores com suas necessidades. Essa última parte as vezes levas dias porque eles precisam ir em todos os lugares para ver se está tudo bem mesmo, quando vêem algo que não está de acordo um volta e me chama e eu vou até lá.
– Não o vejo muito...julgando? – eu não sabia qual a palavra certa para esses momentos. Edward compreendeu a minha confusão.
– Eu dou audiências, mas não tanto quanto meu pai. Uma vez a cada lua cheia, não gosto de ficar julgando coisas pelas quais não estou inteirado. Meu pai uma vez mandou matar uma mulher porque ela era adúltera, o próprio pai dela veio até nós e denunciou. O marido e o suposto amante estavam juntos quando ela foi queimada, os dois choraram por anos e foram embora juntos um tempo depois. – Edward respirou fundo sentindo o vento frio – Eu não sei até hoje o que seria caso aquilo simplesmente não fosse denunciado, para quê tanto sofrimento? Não era mais simples não termos nos metido?
Edward me levou para ver as plantações mais distante, eu poderia imaginar aquelas terras cheia de vida e pelo calor da primavera e do verão, eu pediria a Deusa para que esse fosse um ano de uma colheita farta. Quando voltamos já estava quase de noite Cullen tinha uma agitação que agora me era mais comum, mas eu podia ver novos rostos ao longo e quando Edward me ajudou a descer do cavalo nós olhamos as mulheres com cores que não eram de Cullen.
– Quem são elas? – as cores verdes e prata estavam por todo os vestidos.
– Com certeza coisa de Jasper. – ele disse um pouco satisfeito. – Essas são as cores da família de Alice.
Meu coração encheu de alegria ao pensar que ele poderia ter feito algo tão simples e delicado. Alice ficaria feliz, tão feliz em ver seus irmãos e seus familiares. Entramos juntos de mãos dadas vendo a pequena festa em nosso salão, mulheres estavam rindo e homens cantavam uma música bebendo do outro lado, as crianças tinham o espaço do meio para correr a vontade e pelo jeito havia pelo jeito dez crianças correndo e eu ri quando as vi.
– Edward! – um homem sorridente, baixo e gordo se aproximou de nós carregando sua caneca de cerveja.
– Sejam bem vindo Allison! Deixe-me apresentar minha senhora.
Ele fez uma reverência e eu o cumprimentei da mesma forma.
– Muito bonita sua senhora, teve sorte amigo.
– Nós que temos com sua visita. Espero que estejam acomodados.
– Da melhor forma possível, sua mãe e uma outra senhora nos fizeram estar em casa. – ele olhou para trás quando ouvimos algumas crianças gritando mais alto. – Desculpe pelos meus filhos... não tomam jeito. Já avisei que não estão em casa.
– Amamos crianças, deixe que elas nos banhem com energia.
Nessa hora todos se voltaram para as escadas, Alice descia as escadas devagar com a ajuda de Jasper. Ela estava linda com um vestido azul e uma tiara de ouro presa em seus cabelos longos muito bem penteados, Alice sorria e as crianças correram na mesma hora para cumprimentar ela.
– Com calma... com calma... – Jasper falava, mas eles a abraçavam e beijavam a irmã que abaixou um pouco para dar um beijo em cada um.
Olhei o pai de Alice e vi a emoção nos olhos dele, mas a mãe de Alice foi mais rápida e a abraçou longamente. Seus soluços foram ouvidos por todos que estavam no grande salão. Quando elas se separaram eu vi que Alice também chorava de emoção e deu um olhar agradecido a Jasper que sorriu tímido. Era uma nova façanha dele para mim, tímido? Sorri ao ver o pai de Alice quase expulsar todos de perto e pegar a filha a força e abraçá-la deixando todos satisfeitos e sorridentes.
– Preciso que melhore minha filha...
Alice tinha um rosto abatido apesar de estar muito melhor, ela ainda tinha um bom par de dias de repouso depois disso.
– Música! Música!
Quando o pai de Alice gritou os músicos tocaram, as mulheres começaram a dançar e bater palmas e as crianças tentavam acompanhar o ritmo da dança mais agitada das que tinha ouvido em Cullen. Sue comandou bem o serviço não deixando faltar bebida e muitos menos pequenos agrados para as crianças, eram muitas eu devo dizer. Peguei Mel de Ângela e fui com ela para o meio delas ignorando os olhares raivosos de Lady Tânia que estava sentada ao fundo com Lady Esme que conversava com a mãe de Alice. Cynthia estava agarrada a Alice e as duas riam e sorriam matando uma saudade indescritível, Lady Rose se juntou a nós ficando com Esme e o seu pequeno. Todos deram privacidade a Alice e sua irmã, não se aproximando muito e Jasper só se aproximava para fazê-la beber água, Alice aceitava a água e ele saia de perto dando privacidade as duas.
– Vamos jantar esposa. – Edward falou no meu ouvido. Eu estava tentando segurar Mel no colo, mas ela se mexia demais e gritava como se quisesse correr com as crianças. Edward pegou Mel e ela fez um bico de desagrado.
– Você precisa comer menina, como quer correr se não se alimentar?
Ela soltou alguns sons indignados nos fazendo rir dela.
– Já sei... segure isto.
Ele pegou algo do bolso e entregou ela. O objeto teve sua total atenção, era um pequeno crucifixo.
– Padre James vai brigar com você.
Edward sorriu e chamou Ângela que veio até nós correndo.
– Cuide para que ela coma tudo e não engula isso Ângela, foi só para distrair ela.
Quando ele passou Mel para Ângela eu vi que tudo estava preparado para a ceia. Fomos sentar em nossos lugares e Edward cumprimentava os familiares de Alice pelo caminho, eram além dos familiares alguns cavaleiros e damas que vieram conhecer Cullen. Ao nosso lado sentaram os pais de Alice, Jasper e Alice um pouco depois junto com Lady Rosalie e Emmett. Lady Esme ficou em uma outra mesa com Lady Tânia, acho que ela só fazia isso por educação, ninguém em Cullen suportava mais a presença dela além de suas damas.
Todos comemos vendo alguns truques que um cavaleiro de Allison sabia fazer, os músicos não pararam em nenhum momento e muitas vezes um casal dançava no meio nos fascinando com a dança que vinha do castelo de Alice.
– Por um momento eu pensei que minha filha fosse morrer... – olhei para o pai de Alice que falava baixo. Edward estava conversando com um cavaleiro do outro castelo. – Quando as damas e os presentes foram devolvidos eu me arrependi de ter dado a mão de Alice a Lorde Jasper, minha senhora chorou por meses depois que ela partiu.
A mãe de Alice agora dançava no meio alegre com um menino.
– Mas vendo como ele a está tratando eu fico feliz, não deixou ela em paz em nenhum momento! – disse rindo satisfeito – Se não fosse por Cynthia estar do lado dela ele seria pior que uma ave de caça do lado dela.
– Há muito amor ali milorde. – garanti vendo ele colocar mais comida no prato dela e pedindo para ela comer gentilmente. Alice corou um pouco antes de colocar um pedaço de carne na boca.
– Eu soube que é uma Swan. – ele disse olhando para Lady Tânia.
– Meus pais.
Ele então bebeu mais um pouco de sua bebida e me sorriu.
– Eu sou um Brandon. – olhei para ele sem entender – Meu pai morreu pelas mesmas mãos que assinaram a ordem de seus pais.
Isso me deixou em estado de choque por alguns segundo.
– Temos algo em comum não? – ele disse divertido. – Meu pai foi considerado um traidor e morto pelo pai de Filipe.
– Oh... eu...
Ele então bateu na mesa me assustando e a sua mulher parou de dançar e lhe deu a língua. Todos riram e continuaram a comer.
– Essa mulher ainda me deixa maluco! Sacudindo meu filho desse jeito. Alice disse que tens dons... acha que é menino ou menina? – ele sussurrou me fazendo rir.
– Eu não sei... ainda.
– Oh.. venha aqui agora! Venha!
Ele chamou a mãe de Alice que parou de dançar e veio até nós ofegante.
– Milady. – ela fez uma linda reverência e eu retribui com um sorriso.
– É um prazer tê-la em nosso castelo. Está bem acomodada? Seus filhos bem cuidados?
– Você é uma ótima senhora, esse castelo está maravilhoso.
– Vamos parar de enrolação... – ele disse bufando e Edward sorriu.
–Cante para nós uma história trovador! – Edward gritou e o homem com o instrumento se posicionou e começou a prender a atenção de todos.
– Me dê sua mão por favor milady. – pedi a ela e o pai de Alice me deu ansioso a mão dela. O toque foi tão preciso que sorri. – A senhora precisa dançar menos, tem dois meninos em seu ventre.
– Oh Deus! – ela gritou e o pai de Alice sorria bobo.
– Sente-se agora nessa cadeira! – ele a colocou sentada na cadeira vazia ao seu lado me fazendo sorrir. — Uma vez eu encontrei com seu pai, ele era um homem de valores e muito perseguido na corte.
Aquilo me emocionou, eu não ouvia ninguém falar bem de meu pai há algum tempo.
– E conheci sua mãe... – ele me olhou divertido. – Ela me disse: quando encontrar minha filha diga que eu sempre a amarei.
Oh... aquilo me pegou tão desprevenida que as lágrimas logo caíram de meu rosto.
– Não chore... eles foram pessoas espetaculares.
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