O tear do Destino
24 Eu te amo
Notas iniciais
Eu não precisei assistir mais que duas missas no final das contas. Edward sempre mandava me chamar com alguma desculpa e eu só ficava o tempo máximo para sair antes que algo me comprometesse, por fim eu fui chamada na vila para ver um doente e passei o dia com um homem que sofria de fortes dores nas costas e com uma criança que machucou o pé. Os gritos do pequeno me deram um pouco de dor de cabeça e quando retornei a Cullen com Jacob e mais um soldado de Edward meu corpo não dava sinais que iria melhorar.
– Eu acho que foi um dia cansativo demais para você não acha? – Sue me trazia um chá quando me viu na entrada.
– Ainda estão realizando missas?
Ela sorriu.
– Sim, Lady Tânia precisa ficar em todas segundo Lady Esme o que me fez rir com vontade sentada na cozinha.
– Onde está Mel? Com essas coisas acontecendo não vi minha pequena.
– Edward deu ordens para Ângela levar a menina para casa dela até amanhã, eu acho que ele e alguns soldados fizeram uma boa revista pelo castelo. Se quer minha opinião eu acho que foi a própria Lady Tânia que matou aquela pobre. Você sentiu? – eu assenti – Sangue inocente. Pela Deusa!
– Alguém não agüenta ver a paz quando ela se instala. – tomei um gole do chá sentindo a onda de enjôo vir forte e Sue correu para pegar um balde. Eu vomitei o pouco que havia conseguido comer. – Isso foi um golpe baixo. – Disse rindo e Sue riu.
– Eu queria ter certeza. – ela disse satisfeita. Nessa hora Edward entrou e a viu segurar o balde.
– O que ela tem? – ele correu com alguns soldados para mim e encarou meu rosto. – Sue ela está branca o que aconteceu?
– Errei na dose do chá. – ela falou envergonhada. Edward olhou para o copo e depois o cheirou.
– Não vejo nada demais nele, tem certeza que não pegou uma coisa errada? Seguiu minhas instruções de fechar a dispensa com a chave?
Toquei a mão dele sorrindo.
– Sue estava só querendo provar um ponto.
Ele não entendeu e então nos encarou.
– Que ponto minha senhora? – disse divertindo e mais calmo. Ele olhou para o balde um pouco mais feliz.
– Isso é bolso, o cheiro causa enjôos se feito forte e é rejeitado pelo organismo quando a mulher se encontra grávida. Faz mal ao bebê.
Edward se levantou apressado e dispensou os guardas.
– Ficou maluca dando isso a ela?
– Eu sei o que faço! – Sue se defendeu.
– Isso faz mal...
– Por isso o corpo devolve.
– E se não tivesse devolvido?
– Sempre devolve meu senhor. Eu estava curiosa.
Eu levantei ainda sentindo um pouco do enjôo.
– Eu estou bem, não há porque nos preocuparmos.
– Você está bem mesmo? Tem certeza? Eu não deveria ter te mandado para a vila...
Eu sorri para Edward.
– Foi então sua idéia?
– É claro, as missas são um verdadeiro martírio. Os soldados estão chateados por terem que assistir e ainda se revezarem. Um já até mesmo se cortou.
– Pela deusa eu preciso vê-lo. – um medo de o ferimento infeccionar tomou conta de mim.
– Nada disso, você precisa deitar e eu vou ver o soldado esperto e meu senhor. – Sue disse sorrindo. – Pode continuar amando sua senhora como tem feito, nós acreditamos que quanto mais amor, mais feliz a criança nasce.
Ela saiu não tendo a oportunidade de ver meu rosto completamente vermelho. Edward me girou pela cozinha feliz e depois se ajoelhou na minha frente.
– Você é muito bem vindo. Eu te prometo que vou proteger com minha vida você e sua mãe, fique os nove meses necessários e então venha para os meus braços pequeno.
– Pequena. – falei sorrindo.
– É menina?
– Não sei, mas pode ser não?
– Você não consegue prever? – ele perguntou surpreso.
– Não, mas acho que gostarei de ser surpresa.
– Eu vou amar o que você carrega nesse ventre com minha própria vida, com todas as minhas forças e com tudo o que eu sou. Eu te amo Isabella Cullen como nunca amei nenhuma mulher nessa terra.
A declaração dele me deixa surpresa e ao mesmo tempo explodo de felicidade e emoção. Eu o abraço apertado tentando não derramar as lágrimas que queriam sair.
– Desculpa não ter falado antes... não é só pelo bebê... é por tudo...eu realmente te amo.
–Também te amo Edward, muito.
Edward me abraçada mais apertado e subimos ignorando o salão cheio de pessoas que estavam fazendo as suas refeições. Nos amamos calmamente por diversas vezes naquela noite esquecendo que em algum lugar daquele castelo Lady Tânia estaria assistindo a uma missa.
O sol veio forte em meu rosto quando abri os olhos. Era inverno e eu me perguntava como ele poderia estar tão forte. Sentir os braços de Edward ao meu redor e sorri.
– Bom dia minha senhora. – sua voz no meu ouvido me fez lembrar de algumas cenas da noite. Suas mãos percorrendo meu corpo, acariciando e apertando. Sua boca beijando minhas pernas, minha barriga e meus seios. A noite foi maravilhosamente longe e repleta de palavras calmas e promessas de amor.
– Bom dia meu senhor. Acho que devemos ver como estão as coisas no castelo não?
– Eu levantei mais cedo, pedi para Jasper organizar os soldados, Emmett e Jacob estão cuidando da segurança e Alice e Rose foram na vila ver algumas coisas. Temos também soldados vigiando os movimentos de Lady Tânia e minha mãe disse que estará do lado dela o tempo inteiro dessa vez, acredita que ela até mesmo se mudou para o quarto dela?
Eu gargalhei imaginando como Lady Tânia aceitou isso.
– E o que sua mãe disse para ficar com ela de noite?
Edward riu.
– Ela disse que as noites eram muito longas para quem havia perdido uma pessoa querida, que elas poderiam se consolar.
– Sua mãe está se mostrando uma mulher muito esperta meu senhor.
Edward e me abraçou.
– Ela sempre foi...
E então recomeçamos a nos amar passando a metade da manhã deitados na cama.
– Está arrumada? – a voz de Edward soou pelo quarto, eu abri meus olhos e senti um cheiro bom e a risada dela. – Sente-se, Sue está lá fora soltando algumas palavras nada bonitas para nós.
Eu me sentei vendo a camisola que eu não tinha colocado e Edward me sorriu. Ele me entregou um prato com uma sopa que eu tomei rapidamente devido as horas que estava sem comer.
– Tome. – era uma maça e eu peguei comendo também.
– Como conseguiu fazer Sue não entrar aqui?
– Usei minha voz de autoridade. – encarei Edward – Eu disse a ela que você só sairia depois de comer tudo. Ela disse que você teria tonteira caso ficasse sem comer muito tempo. Me desculpa, acho que deveríamos ter ficado muito tempo...
Eu o beijei fazendo-o rir. Alguém bateu na porta e Edward mandou entrar pensando que fosse Sue, mas era Emmett querendo resolver algumas questões com ele. Eles saíram para que eu pudesse me trocar e assim que Sue entrou eu levantei. A janela estava aberta e Sue fazia um penteado com algumas fitas e eu apenas olhava as folhas balançarem pela janela. O vento brincava com as árvores e o dia estava ensolarado, um dia muito lindo. Foi então que uma brisa entrou pelo quarto trazendo um aroma diferente, fechei meus olhou sentindo um pouco de angústia e desespero.
– Alguém te chama... – Sue falou e abri meus olhos para a floresta a nossa frente.
– Sue, desça e diga para Jacob preparar a carroça imediatamente.
Enquanto Sue correu eu ouvia um choro baixo... muito baixo.
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