O tear do Destino
55 Epílogo
Notas iniciais
Andar descalça na grama foi um costume tão agradável que eu adquiri. Meus pés em contato com a grama me deixavam ainda mais ligada a Cullen do que eu poderia descrever e a paz que me dava estar mais e mais perto da floresta era indescritível. Olhei os pássaros agitados e sorri indo em direção aonde um dia Edward me mostrou a escultura do Duque e sua Duquesa pagã. O dia estava realmente lindo.
– Bella! – olhei para trás vendo Alice vindo em minha direção um pouco depressa. Sorri para ela e parei de caminhar em direção onde eu pretendia ir.
– O que aconteceu?
– Só vim me despedir, foi um sucesso! Você está de parabéns.
– Você sabe que foi um prazer. Não precisa vir correndo para me dizer isso Alice, Jasper deve estar louco te procurando.
– Na verdade, o Duque de Cambridge está com Edward e Jasper no escritório falando com o Primeiro Ministro. Algo sobre Cullen estar na rota turística e as vantagens financeira disso.
Revirei meus olhos.
– Edward e eu falamos não. Cullen é nosso lar.
Olhei para meu castelo e sorri.
– Eu sei, mas todos estavam achando que na festa iam anunciar isso. – ela disse sorridente.
– A festa foi só para mostrar aquilo que depois de anos de pesquisa Edward e sua tia queriam acrescentar nos livros de história e a doação de algumas pinturas de Melanie e de Felipe, você sabe que eu só o convenci porque era uma réplica quase perfeita.
Sorrimos e vi alguns convidados ainda se despedindo de Carmem. Me senti cansada. Foram anos estudando Cullen e hoje finalmente pudemos mostrar algumas coisas ao mundo. Foi uma festa rápida e isso só aconteceu porque o Primeiro Ministro insistiu muito.
– Olhem só! Falei que isso ia acontecer. – Anthony e Melanie estavam correndo todos sujos indo em direção ao lago. – Bella deixa que eu...
– Não.. eles são crianças...
Eu amava ver meus filhos aprontando. Eles tinham uma expressão engraçada. Minha mãe apareceu nessa hora com meu pai levando toalhas nas mãos e eu sabia que isso iria deixar eles bem contentes. Os avós mascarando a travessura.
– Seus pais só se entendem quando é para fazer esses dois felizes.
– Não é mesmo? – falei rindo – Eles estão pensando seriamente em se mudar para Inglaterra, acham que os três meses que passam aqui nas férias pouco. Consegue ver isso chegando?
Alice me sorriu e apenas deu os ombros. O que ela estava me escondendo?
– Eles são avós.. querem ficar perto dos netos...
Alice mais uma vez sendo misteriosa, sorri já acostumada com isso. Olhei meus pais e pensei em quando descobrimos sete meses depois que Anthony nasceu que eu estava grávida. Isso com certeza aconteceu no que seria uma pequena lua de mel em Paris. O resultado disso foi eles praticamente serem gêmeos, os dois idênticos a Edward, até mesmo a cor dos olhos. Agora com cinco anos e quatro eles mostravam-se curiosos e questionadores como eu, mas o resto com certeza era do pai. Carlisle apareceu de longe com uma bandeja servindo meus pais que estavam sentados na grama vendo meus filhos se molharem no lago, na parte mais rasa. Carlisle sempre seria fiel a qualquer Cullen, ele mesmo me confessou que leu o livro e o marcou para que eu soubesse que eu pertencia a Cullen como todos ali. Ele tinha agora uns cabelos brancos mais evidentes, com Anthony e Melanie era impossível não envelhecer uns anos, os dois passavam o dia aprontando pelo castelo quando não estavam na escola.
– Acha que eles vão demorar? – perguntei a Alice.
– Acho que não, Edward está bem firme. Jasper também concorda, ele só mandou o Duque para tentar convencer os dois. Soube que tomou chá com a Rainha. Como ela está?
– Bem, ela gostou do presente que as crianças mandaram. Edward mandou umas folhas para um chá, disse que faria bem as suas pernas. Isso ela agradeceu muitas vezes e pediu que ele fosse ao palácio mais vezes. – rimos pensando em como ela só queria mais chá para suas pernas cansadas.
– Ela está muito bem para idade, Jasper afirma que ela viverá mais alguns anos.
– Eu espero, ela é muito gentil.
– Olhe nosso pequeno Duque.
Depois de ouvir a voz de Edward senti os braços dele me envolvendo. Me virei beijando ele e fazendo Alice gargalhar e falar algo sobre sermos coelhos.
– Já volto, vou apenas me despedir de algumas pessoas. Coloque os sapatos... não é bom ficar andando assim, pode ficar resfriada... – ele falou e depois de um último beijo roubado que me fez rir Alice e eles se foram. Anthony e Melanie estavam sendo enxugados e mimados por meus pais, eu fui andando e andando. Eu estava sem rumo na verdade, mas sabia que iria para algum lugar. Era como se eu precisasse estar em algum lugar.
Quando passei pela estátua e entrei floresta a dentro eu não tive medo de me perder. Eu ouvi o cântico e as árvores se mexerem, o vento balançava as folhas como se indicassem um caminho. Eu já tinha anos em Cullen, mas eu sempre me surpreendia quando essas coisas aconteciam. Parei em uma área um pouco estranha para uma floresta. Olhei ao redor, tinha árvores e folhas no chão, mas era como se as árvores formassem um círculo. Lembrei da história que Edward me contou, quando Cullen pegou fogo Elisabete veio para a floresta e fez uma oração a Deusa e ela trouxe a chuva que salvou o castelo. Fui para o centro procurando o que tinha me levado ali, mas não encontrei. Eu só tinha a sensação boa que estava no lugar certo e sorri.
Me veio a lembrança de quando Anthony nasceu, era uma noite chuvosa e o castelo ficou sem luz. Ele nasceu a meia noite no quarto iluminado apenas com luz de velas e Edward e Carmem me ajudando. Jasper só conseguiu chegar no outro dia e deu o sinal que estava tudo bem. Ele nasceu grande e Carmem disse que nele haveria bondade e justiça. Meu pequeno duque sempre me surpreendia. Melanie nasceu em Cullen porque eu achei que seria melhor, Anthony nasceu ali e acho que assim deveria ser. Jasper e Edward passaram a gravidez preocupados com minha pressão, mas correu tudo bem. Ela nasceu as duas horas em ponto, gritando ao mundo que tinha chegado. Carmem e Alice tiveram um sonho com ela, mas elas sempre diziam que ele dependeria mais dela do que outra coisa. Não sabia se ela um dia iria querer ser uma princesa como a rainha que levou seu nome, mas quando chegasse a hora algo me dizia que Anthony e Edward a ajudariam a trilhar seu caminho com sabedoria.
O cântico ficou mais forte e a sensação intensa. Olhei ao redor e uma lágrima caiu dos meus olhos quando a vi. Ela estava linda, seus cabelos longos trançados com perfeição e a tiara que Edward um dia me presenteou aparecia em seus cabelos. As cores de Cullen a faziam ainda mais bonita e mais carinhosa. Ela se aproximou de mim sorrindo.
– Obrigada por vir...
Eu deveria responder? Olhei para ela assustada e ela apenas sorriu.
– É um lugar sagrado, não tema... eu estou feliz por estarmos aqui.
– Como...
– Não tema Isabella. Eu acho que tudo tem um motivo.
Era estranho vê-la tão real na minha frente.
– Correrá tudo bem. – olhei agradecida. Eu estava com medo. Mais uma vez ela sorriu lindamente – Eu também tive medo, mas sempre somos abençoados. Confie no que já aprendeu.
– Obrigada.
– Cuide deles e deixe Edward os guiar pelo caminho. Eles serão preciosos e mais poderosos.
Ela virou para trás e eu vi o Duque. O Duque dela. E meu coração bateu forte, ele estendeu as mãos para ela de longe e Elisabete foi andando calmamente até ele. Os dois pararam antes de seguir caminho e viraram me dando um adeus. A visão sumiu e eu fiquei ali enxugando minhas lágrimas em uma mistura de felicidade e saudade. Saudade deles. A história conta que esse Duque viveu até seus setenta anos e viu seus filhos e filhas, netos e bisnetos. Ele e sua Duquesa um dia foram dormir e nunca mais acordaram, seus corpos foram queimados no lago e até hoje se diz que naquele dia houve silêncio em Cullen, até os animais pareciam saber que seus senhores mais importantes não estavam mais com eles. O filho deles seguiu o cainho do pai e fez ainda mais melhorias em Cullen, prosperando e protegendo toda sua gente. Um belo dia como diz nos livros ele foi lutar pela Inglaterra e quando voltou encontrou sua amada esperando virgem por ele.
– Consegui enganar seus pais, disse que estava cansada e foi deitar. Só que vai escurecer.
Olhei para trás e sorri vendo Edward e corri até ele. O abracei livre do peso que carregava nos últimos dias. Ele cheirou meus cabelos, passou a mão neles como se estivesse aliviado por me ver tão bem.
– Eu te amo muito... – falei e ele me olhou.
– São gêmeos. – disse um pouco surpreso. – Quando...eu não vi isso antes...
– Jasper disse que por conta da minha última gravidez... seria.. perigoso... eu fiquei tão apavorada... você estava viajando e eu... acho que fui tola demais...
Ele ainda me olhava surpreso. Edward pegou a mão e pôs em minha barriga como se pudesse sentir algo mais.
– Vai dar tudo certo... eles estão bem... precisa tomar cuidado, acabou de correr até mim... ficou o dia com aqueles saltos altos...
– Que você gostou. – falei rindo.
– Não gosto mais.. vou avisar Carlisle para eliminar eles e mais tantos outros assassinos que eu vejo...
Começamos a andar de volta para o castelo e ele olhou para trás, sorriu e continuou andando e falando sobre cuidados e consultas. Eu tinha certeza que Carlisle esconderia meus sapatos, os empregados me vigiariam, que Alice já sabia que eu estava grávida e seria uma guerra para eu ter os gêmeos no castelo. Só que mesmo assim, eu amava minha vida e estar rodeada de toda essa magia e amor. O que mais me impressionava em Cullen não era a questão da fé, era a questão do amor. Você seria capaz de chegar em Cullen, mas nunca seria capaz de ir embora. Eu nunca mais iria.
“Você seria capaz de chegar em Cullen, mas nunca seria capaz de ir embora. Eu nunca mais iria.”

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