O tear do Destino
28 Cavaleiros rendidos
Notas iniciais
Todos riam e brincavam em uma festa promovida por Edward e seus irmãos. A caçada nos proporcionou mais comida e carne do que esperávamos e durante toda a noite e dia estávamos em festa. As crianças riam e os homens lutavam em alguns torneios pequenos promovidos por Emmett e premiados com alguma caça ou moedas de ouro.
– Nunca tivemos uma comemoração tão linda. – Lady Esme falou atrás de mim. Eu me virei e sorri para ela.
– Eu fico tão feliz com isso.
Lady Alice brincava com as crianças enquanto Mel tentava nos fazer morrer de susto com suas tentativas de ficar em pé. Eu estava sentada na grama olhando a festa com ela agitada e inquieta.
– Venha querida... – Lady Esme disse para Mel carinhosamente – Acho que posso te ajudar com isso..
Ela pegou Mel pelos seus bracinhos gordos e a ajudou a se levantar e foi andando com ela segura em suas mãos, eu fiquei olhando aquilo assustada e preocupada com seus braços pequenos. Lady Esme só riu quando viu minha expressão.
– Criei meus filhos Isabella e estão todos bem... – disse sorrindo – Ela só quer andar em vez de engatinhar, é inquieta como o pai.
Mel estava feliz com essa façanha, ela dava gritinhos e movia seus pés sem muito jeito, mas feliz por estar conseguindo aquilo. De repente Edward apareceu suado e com a espada nas mãos vindo em nossa direção com seus irmãos tão suados quanto ele.
– Mãe... o braço dela! – Mel sorria para ele e gritava querendo ser pega. Eu levantei e fui até eles.
– Edward Cullen acha que por acaso eu vou fazer alguma errada depois de criar todos os meus filhos? – a voz mais firme de Lady Esme me surpreendeu. Nunca a vi falar assim com ninguém.
– Mãe... ela é pequena...
Ele entregou a espada para um soldado e pegou Mel que o abraçou feliz e ele sorriu. Como ela conseguia desarmar um guerreiro dessa maneira?
– E você como está? – ele perguntou vindo em minha direção.
– Sua mãe não estava fazendo nada demais... ela criou homens fortes e corajosos, acho que podemos confiar nela para nossa pequena dama apressada.
Eu e ele olhamos sorridentes para Lady Esme que estava agora com um sorriso orgulhoso de si mesma, sim, ela havia criado homens e saído muito bem em seus desafios como esposa.
– Não force demais...
–Está querendo um padre a rezar sua missa em latim? – perguntou indignada e eu ri de sua expressão.
– Não...
Ele cedeu colocando Mel no chão e Lady Esme pegou suas mãos e continuou guiando ela caminhando errante em seus pés. Seus pés gordos ganhando mais confiança a cada passo.
– Eles crescem muito rápido, ela não fazia isso ontem... – eu abracei meu guerreiro e o beijei o distraindo de seus pensamentos.
Todos ao nosso redor começaram a aplaudir e cantar sobre a bravura Cullen e seus feitos. Em algum momento depois do beijo uma grande roda se formou e homens e mulheres dançavam batendo palmas e rindo. Conheci mais pessoas da vila e sorria das histórias que algumas contavam de nossos senhores, Lady Alice veio até mim com um sorriso lindo e eu só poderia imaginar o que havia acontecido.
– Vou voltar para o casamento de minha irmã. – ela falou animada e pegou em minha mão. Eu não senti mais o ar virginal e sorri.
– Isso é uma ótima notícia. Quando vão?
– Essa tarde, ele queria participar um pouco da festa antes de irmos e eu estou feliz! – ela se aproximou do meu ouvido – Você não me disse que era tão bom!
Gargalhei chamando um pouco mais de atenção, mas ignoramos isso e continuamos rindo.
– Que bom que gostou da surpresa. Ele foi calmo e paciente?
– O melhor, não imagino noite mais perfeita! E sangrou...
– Isso.. é normal...
– Ele recortou o tecido e guardou com ele... me pediu perdão de joelhos e chorou...
Não poderia imaginar essa cena. O cavaleiro estava rendido.
– Chorou como criança e prometeu ser o melhor que há nesse mundo para mim. Eu estou tão feliz... acho que agora seremos tão felizes... seremos abençoados com filhos como você e Rose...
– Muitos filhos Alice, a geração maior que Cullen já presenciou.
Ela sorriu e tocou o ventre orgulhosa.
– Preciso arrumar minhas coisas, ele disse que vamos ficar algumas semanas, mas sabe... eu já não sinto que queira... pela primeira vez Cullen é meu lar.
Olhei por trás de Lady Alice vendo o sol e ouvindo as risadas e danças. Cullen era nosso lar sim. E então uma chuva fina caiu sobre nós me fazendo sorrir e fechar os olhos sentindo ela, a movimentação para recolher as coisas e as crianças começou. Não entendia como se fugia da chuva, eu sentia meu corpo ser molhado e gostava da sensação.
– Vamos... – a voz urgente de Edward me fez abrir os olhos e sorrir para ele. Molhado.
– Sinta Edward...
Ele me olhou feio e eu comecei a dançar sem música e balançar as mãos. Algumas pessoas pararam de fazer e os instrumentos recomeçaram me fazendo sorrir, Sue se aproximou e falou algo no ouvido de Edward, a cara dele não melhorou e as crianças me rodearam dançando com a música ao fundo e a chuva aumentava e o vento soprando sem trazer o frio, ninguém percebia isso? Ninguém via como estávamos sendo abençoados?
– Isabella! Vamos para dentro pelo amor de tudo que é mais sagrado!
– Me pega!
Saí correndo e Edward foi atrás de mim, no início sério, mas depois começou a rir quando caia na lama que se formou. Todos que estavam se importando em recolher tudo apenas ficaram olhando e rindo de nós.
– Te peguei! – ele realmente me pegou. – Para dentro e chega de comemorar as benções da deusa. – Ri pensando que Sue explicou a ele. – Ela entende que está grávida não é?
– Acho que sim...- eu não conseguia parar de sorrir e ele me pegou no colo me levando para dentro do castelo e distribuindo ordens fazendo todos rirem e irem fazer o que ele estava mandando.
Edward entrou rápido no castelo e me levando para o nosso quarto no andar de cima. Todos nos olhavam um pouco contentes. Ele só me deixou no chão e abriu a porta indo até o fogo e colocando mais lenha. Pela primeira vez senti frio e ele logo me ajudou a tirar o vestido me enxugando com cuidado e olhando para minha barriga admirado.
– Tem... está...
Sorri para meu cavaleiro ajoelhado. Sim, havia uma pequena barriga, ele só percebeu porque observou com mais atenção.
– Os vestidos ainda cabem... quero dizer... não estão incomodando?
Sorri para ele.
– Estamos bem.
– Vou pedir para virem tecidos, poderá fazer alguns para depois... é agora não é que pedem? – ele se levantou emocionado e eu senti as emoções percorrerem o meu coração também. – Eu nunca pensei que fosse viver para isso de novo... obrigado... muito obrigado...
Edward me beijou e de repente eu entendi que ele estava agradecendo a vida que eu devolvi a ele, os sonhos e a esperança que o nosso amor e casamento trouxeram não só a ele, mas a todos ao nosso redor. Sorri e me deixei ser beijada e abraçada por ele, ficamos na cama nos amando e nos deixando ser embalados pelo amor, nosso amor.
– Acorde... precisa comer...
– Já? – abri os olhos vendo ele vestido e levantei com preguiça.
– O jantar vai ser servido e temos muita caça, algumas pessoas vieram pegar os suprimentos que prometi.
– Você prometeu?
– Quando temos muitas coisas eu sempre mando os soldados avisarem e distribuírem para todos serem abençoados como nós. Há pessoas na vila que não podem trabalhar porque tem alguma coisa que as impeça além de doenças e nós ajudamos, sempre mandamos, mas quando é muita, como o caso de hoje, sempre mando para as mulheres sem maridos, viúvas e velhos. Eles estarão conosco no jantar.
– É noite, como voltarão?
– Lauren sempre os deixava dormir no grande salão. Você se importaria?
– Claro que não! Pela manhã vou pedir um grande banquete antes que eles se vão.
Me arrumei da melhor forma possível já que Edward estava com sua melhor roupa para receber nossos convidados e desci de mãos dadas e sorridente, eu não me despedi de Lady Alice e fiquei triste de não vê-la no salão conosco, mas eles voltariam ainda mais unidos felizes com certeza.
Estávamos todos em clima de festa e até mesmo Lady Esme dançou um pouco conosco fazendo Edward e Emmett sorrir, ela parecia tão tranqüila e serena que nos dava a sensação de nunca ter vivido tantas tragédias em suas vidas. Mel batia palmas e sorria no colo de Edward e eu estava grata por conseguir comer algo mais sólido sem enjoar. De repente o portão principal abriu e dois homens entraram, eu reconheci as vestes deles mesmo antes de Edward e Emmett se levantarem e irem até eles. Sue correu para meu lado como se aquele fosse o próprio emissário da morte.
– Mensageiros reais. – ela disse em meu ouvido e só então percebi que ela estava com Mel em seu colo. Lady Tânia sorria e brincava com uma dama como se mais ninguém estivesse parado de conversar e rir. Ela me olhou e sorriu mais ainda. Era uma carta do Rei.
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