O tear do Destino

53 A verdade sobre Cullen


Olhei para Edward tão incerta e maravilhada como tudo exigia.

– Posso me aproximar?

– Claro, só não... toque, é muito antigo, mas mesmo assim está em bom estado.

– Está em ótimo estado, quantos anos... quase mil?

– Um pouco mais eu acredito. – ele estava tenso, mas mesmo assim conseguia ser charmoso.

Me aproximei das estátuas, era uma verdadeira réplica de Elisabete, seu marido e filhos. Olhei as crianças e tinham feições parecidas com eles, cada um usava uma roupa de sua época e amostrava bem os cordões em seus peitos sobre as roupas, isso foi feito para ser destacado. Eles tinham símbolos celtas, Melanie estava aqui e deveria ter nessa imagem a idade certa para casar. Eu conseguia de alguma forma ver eles vestidos, o vento soprando e todos rindo enquanto faziam a escultura. Um vento soprou e eu olhei ao redor sentindo alguma coisa dentro de mim que eu não conseguia explicar com palavras, era uma emoção diferente, alegre e gentil.

– A Deusa estar nos recebendo.

Edward estava olhando para as árvores que balançavam gentilmente e eu sorri olhando os pássaros se movimentarem de maneira magnífica pelas árvores.

– Essa imagem foi feita antes de Melanie casar com o Príncipe e ir para corte, eles não aceitavam nunca mais estar tão reunidos como foram até esse momento. – olhei emocionada para as estátuas – Era o destino dela, mas mesmo assim foi difícil.

– Como sabe disso? – perguntei curiosa – Não há registros disso.

– Elisabete escrevia em algo que hoje chamamos de diário, está em uma área climatizada e devidamente guardada em Cullen. São as nossas relíquias, todo Cullen aprende ainda com ela muita coisa. Havia as cartas que ela trocava com Melanie e com seu pai, todas elas estão guardadas.

– Por que não tiveram o mesmo cuidado com as outras? – perguntei curiosa e lembrando da biblioteca.

– Porque Elisabete é nossa maior sacerdotisa, não conhecemos ninguém como ela até hoje. Consegue ler aquilo?

Ele apontou para uma inscrição um pouco mais desgastada embaixo e eu ia me abaixar quando ele foi na minha frente tirando algumas folhas e limpando, estava sem óculos e seria difícil sem alguns dicionários.

– Você poderia ler? Depois eu tiraria algumas fotos e talvez conseguisse uma tradução mais clara. Parece celta de qualquer forma.

– É celta, uma língua usada nos antigos templos e não há mais que dois livros sobre isso. Um em Cullen e outro com minha tia na Irlanda. – ele respondeu – Eu leio para você querida.

“Proteja Cullen e todos os seus descentes, que a tristeza não faça parte de sua história e nem seja maior que a dor. Que nossos descentes e os filhos deles como os filhos deles sintam sua presença como eu a sinto. Que o destino deles seja feliz e que encontrem o amor, o amor verdadeiro. Que Cullen seja sempre abençoada pelo amor mais puro entre uma mulher e um homem. Traga a Deusa esse amor e essa paz que nos governa nesse momento para todos.”

– Isso foi lindo. – eu disse encantada. Nessa hora eu realmente acreditava por tudo que tinha visto que aqui tinha algo especial. Como se todas aquelas palavras fossem mais profundas do que um dia alguém compreenderia e entenderia que esse segredo precisava ser preservado e guardado. Era uma pérola, Cullen era uma pérola, em um mundo violento e sanguinário em que a bondade e o amor não tinham mais valor.

– Nós somos uma família diferente. – ele disse agora um pouco mais receoso e talvez até estando as minhas reações. Eu estava tranqüila, algo estava calmo dentro de mim – Somos descentes deles – apontou para as estátuas – Cada um de nós vem com habilidades que a própria Deusa nos dá para nos ajudar em nosso caminho. Nós acreditamos nas mesmas coisas que os celtas acreditam Isabella, pode entender isso?

– Isso os torna quase uma relíquia. – falei admirada – Vocês além de acreditarem, preservam a história deles, realizam seus cultos?

– Claro que sim. – disse orgulhoso. Nessa hora algo dentro de mim doeu e não consegui pensar que aquilo seria muito ruim.

– Você casou com Tânia no templo? Naquele templo...

– Não! Pela Deusa não Isabella. – respirei aliviada e ele sorriu – Casamos ali com nossos verdadeiros parceiros. Minha mãe, minha avó e muitos outros Cullen como Alice e minha tia casaram ali. Nós sempre apresentamos nossos bebês também aos seis meses, pedindo a Deusa que os abençoe.

– Por que você casou com ela?

Edward olhou para a estátua de Elisabete e como se pedisse perdão para ela e para tudo que estava ao nosso redor.

– Quando meus pais morreram essas palavras que somos ensinados a ler e escrever desde pequenos não fizeram mais sentido, eu deixei de acreditar nelas.

O acidente que matou sua família. Relembrei das palavras e realmente seria confuso, eram para ser felizes não? Onde estava a Deusa quando isso aconteceu?

– Alice veio aqui e disse que tinha tido uma visão na noite do acidente, ela disse que viu uma mulher de olhos castanhos chegando, seus cabelos eram de um tom avermelhado e ela disse que a própria Deusa lhe disse que ela iria me ajudar a curar Cullen.

– Oh...

– Só que eu estava organizando o enterro dos meus pais e de meu irmão, vendo uma moça que ele amava chorar muito pela perda dele e ao mesmo tempo com tudo isso em minhas costas, todos das vilas e do castelo precisavam saber que Cullen tinha ainda um herdeiro e que ele era capaz de levar isso adiante como foi feito até aqui. Eu tenho que confessar que eu não acreditei, pela primeira vez em anos, eu não acreditei.

Edward fez uma pausa e me olhou.

– Conheci Tânia através de uma amiga dela que freqüentava algumas festas, ela era uma mulher interessante. Sabia o que dizer e quando, se vestia bem e era agradável. Seu pai tinha alguns negócios indo mal e eu fui até ela com um contrato. Não houve amor ou propostas indecorosas.

– O que tinha nesse contrato?

– Eu me casaria com ela no civil com a condição de torná-la minha herdeira e Duquesa caso ela me desse um filho. Caso contrário ela perderia todos os direitos a qualquer herança ou pensão e tudo seria desfeito imediatamente.

– Ela aceitou isso? – perguntei assustada.

– Sim, ela queria ser Duquesa. – percebi como ele mesmo tinha quase pavor daquilo.

– Ela não foi sua Duquesa?

– Claro que não – ele sorriu – Os títulos Isabella são dados e não automaticamente passados. Eu precisaria declarar que ela era minha Duquesa diante de testemunhas e mandar um ofício para o parlamento inglês.

– Então...

– Tânia e Cullen não tem mais nada em comum, ela só veio buscar algumas coisas pessoais.

– Edward você está aqui só por causa de uma visão de Alice?

Nessa hora ele se aproximou e me abraçou apertado. Eu sentia seu corpo e o bebê remexendo entre nós. Eu o quis tanto, mas o queria da maneira e pelos motivos certos.

– Eu estou aqui. – ele fez encarar ele – Eu estou aqui porque eu te amo. Porque quando entrei naquela biblioteca eu senti meu mundo girar. Era você. E eu te amei muito, mas saber que já tinha sido casada me abalou demais. Eu queria ser a pessoa certa para te fazer ver que a vida continuava, mas tinha Tânia e as coisas que eu não sabia se você aceitaria muito bem. Eu não sou cristão Isabella e Cullen esconde seus segredos do mundo porque eles não entenderiam metade do que somos. Eu temi que você não me aceitasse, achasse que somos malucos ou que não me amasse. Mas eu não conseguia ficar longe, eu a queria mais perto e mais perto. Eu comecei a entender como Jacob foi importante e gracioso, como você tinha sido feliz e eu não queria ser a mancha de sofrimento na sua história. A culpa foi minha. Eu não escutei Alice ou meus instintos, me guiei pelo que achava certo pensando no futuro de Cullen e quando a conheci eu chorei porque se a tivesse esperado nós estaríamos juntos e sendo felizes se você me aceitasse. Não chore..

Nessa hora eu me dei conta que chorava e senti suas mãos enxugando meu rosto.

– Eu te amo Edward. Eu te amo tanto... foi tão difícil sair daqui e eu estou tão feliz por estar de volta... eu amo esse lugar e não me importo em nada do que acreditam. É aqui que eu quero estar, com Cullen e seus segredos, com você e nosso filho.

Ele sorriu e nos beijamos. O vento soprou e eu pude ouvir um cântico baixo, distante e parei olhando ao redor.

– Está ouvindo isso? – Edward apenas sorriu.

– É um cântico não é mesmo?

Olhei ao redor procurando pela voz, mas apenas vi uma mulher de costas andando e cantando.

– Olhe... – eu disse, mas ela sumiu. – Tinha uma mulher ali. – quando apontei e Edward apenas continuou sorrindo.

– Ela só quis lhe dar as boas vindas. Ela esteve aqui o tempo todo... estava me perguntando quando você conseguiria vê-la.

– Elisabete?

– A Deusa.

– Você consegue senti-la?

– Em Cullen isso é mais forte, mas sim, consigo. Você é sensível a ela, quando ventava você fechava os olhos como minha mãe fazia.

– Sua mãe fazia isso? – perguntei emocionada.

– Muitas vezes. Ela sentava na grama com seus livros e muitas vezes fazia isso, fechava os olhos e deixava o vento soprar. Eu amava, era como se ela estivesse escutando a Deusa, quando você fez isso eu... eu a amei mais. Você sentiu ela.

Ele tinha observado isso?

– Vamos voltar Duquesa, acho que nosso bebê precisa descansar, esse lugar tem muita força e ele sente.