O sucessor
10 Sentados à mesa. Juntos na varanda.
Notas iniciais
Hinata assentou-se ao lado de Kurenai à mesa.
Sobre a superfície de madeira estavam dispostos diversos refratários com bolinhos de arroz, yakissoba, peixe grelhado, sashimi, sushi, shoyo, gyosas, chahan, yakitori, miso, wasabi e outros mais.
A sala de jantar estava adornada com vários tsurus*, belos leques, dragões e lanternas japonesas. Havia também um par de cortinas vermelho-alaranjado ali.
Com todos já sentados, foi dado início a hora do almoço, após agradecerem pela comida, ao dizerem Itadakimasu!
As conversas eram animadas ali, tanto entre as mulheres, quanto entre os homens.
O aniversariante brincava, fazendo caretas engraçadas para que Mirai risse. As risadas gostosas da menina preenchiam a sala e se misturavam às de Naruto e Shikamaru, às de Yoshino e Kurenai e dos outros que ali estavam.
Temari, que estava sentada ao lado de Shikamaru e de frente para Hinata, chamou a atenção dela.
— Você trabalha na biblioteca da Nara Gakuen, né? — Ela perguntou baixo, sem fazer sua voz se sobressair a dos demais, e completou — Junto com o preguiçoso aqui.
Shikamaru, que conversava com Naruto, soltou um suspiro quando ouviu Temari falar. Todavia, em resposta, apenas deu de ombros.
Temari estreitou os olhos.
— Trabalho sim. — Respondeu Hinata, com simplicidade e um tanto hesitante.
A moça estalou a língua.
— É divertido? — Temari indagou, um tanto azeda. Ao ver as sobrancelhas arqueadas de Hinata, percebeu que ela não entendeu e emendou — Trabalhar na biblioteca. Ler tanto. Você esteve aquele dia no hotel e Shikamaru falou que você não precisava trabalhar na Nara Gakuen.
Shikamaru se remexeu na cadeira, incomodado.
— Eu gosto de lá. Gosto de estar cercada por livros. Não há melhor emprego para mim, no momento. — Respondeu Hinata, honestamente.
— Temari! — Reclamou Shikamaru em um murmúrio baixinho, a atenção desviada da conversa que mantinha com o amigo.
Ela deu de ombros.
— Desculpe, Hinata-san. Não é com você que estou chateada. — Ela lançou um olhar de canto para o namorado. Embora aparentasse chateação, Temari não elevava o tom de voz. Voltou a olhar para Hinata, agora com a expressão mais serena, relaxada. Lembrou-se do porquê todos estarem reunidos ali e disse — Podemos começar de novo? Vamos esquecer isso, por favor.
— Claro, Temari-san. Não há problemas! — Murmurou Hinata, ainda um tanto incerta. Encabulada.
Hinata pensou que estavam chamando atenção com a conversa, mas viu que se alguém prestou atenção não demonstrou. Pareciam mais envolvidos em seus próprios comentários. Empolgados.
Depois de alguns momentos, Minato recolheu os refratários vazios e pediu que Naruto o ajudasse trazendo a sobremesa para a sala de jantar. O filho de Kushina foi até o cômodo ao lado, a cozinha, de onde voltou com uma grande travessa nas mãos com apetitosas bananas caramelizadas e cobertas com chocolate. Logo o doce acabou.
— Olha só! A Mirai está toda suja de chocolate. — Konohamaru riu, arrancando uma risada da menina também. Ele passou o dedo no rosto dela e espalhou o chocolate pelo nariz da prima.
Kurenai-san exasperou-se ao ver a filha esticando a língua para lamber o chocolate e tentando limpar o rosto com as mãos lambuzadas de doce.
— Meu amor, não faça isso! — Ela bronqueou — A mamãe vai ter que lavar o seu rosto. — Logo se levantou e puxou Mirai para o seu colo. Kurenai olhou para os outros como se pedisse licença e levou a filha em direção ao lavabo.
Houve um momento de silêncio, como se não houvesse mais assunto.
— Vou pegar o bolo! — Falou o sr. Minato, quando Kurenai-san retornou.
Foram poucos segundos e, assim que o pai do aniversariante passou pelo portal da sala de jantar com o bolo na mão, Naruto puxou o início do cântico de aniversário enquanto todos batiam palmas animadamente. Minato colocou o doce na mesa, em frente a Konohamaru. O ambiente estava levemente claro, mas, ainda assim, havia velas em cima do bonito bolo. Konohamaru sorriu alegremente e, ao terminarem de cantar, assoprou as velas.
— Deixe que eu ajude, Minato — Yoshino falou — Sente com seus filhos e aproveite o restante do dia.
— Obrigado, Yoshino. — Ele, de bom grado, aceitou. Logo se sentou junto a Konohamaru e Naruto.
A mãe de Shikamaru apenas sorriu. Ela seguiu até o armário de louças e depois foi para aonde estava o bolo e, pegando a espátula triangular de aço inox, começou a cortar o doce em generosas fatias, colocando-as nos pratinhos de cerâmica. Naruto se colocou ao lado dela e pôs-se a distribuí-las entre os convidados.
Hinata aceitou o dela com um sorriso educado o qual Naruto retribuiu de pronto.
Ao colocar o primeiro pedacinho na boca, a menina Hyuuga murmurou.
— Nossa, está muito bom! Eu... — Ela se interrompeu. Olhou para Minato e Konohamaru do outro lado da grande mesa e falou, ainda baixinho e timidamente — Devia ter trazido outra coisa mesmo... O meu nem chega perto. — Confessou ela e, reunindo coragem, perguntou — Minato-san... foi o senhor mesmo quem fez?
— Foi sim. E é bom saber que está bom. — Ele sorriu ao dizer e falou, brincando — De qualquer forma, já sabemos que o seu está mais bonito. Pra saber qual está melhor, só quando comermos ele. Certo, filho? — Ele indagou a Konohamaru, ao seu lado.
O menino alarmou-se. Pôs uma generosa porção de bolo na boca e apenas balançou a cabeça, para nada dizer.
Minato riu.
Passado um tempo após todos terem comido, os pais de Shikamaru, Yoshino e Shikaku, se voluntariaram a lavar a louça e Asuma-sensei a ajudar a secar e guardá-la.
Shikamaru e Temari foram para o lado de fora e logo Naruto olhou para o irmão, lançando-o um olhar travesso e seguiu os dois. Konohamaru logo se levantou e chamou Hinata com a mão.
Ela acenou negativamente com a cabeça, envergonhada com a atitude deles.
— Acho que Shikamaru-kun e Temari-san não querem companhia agora.
— Não tem problema. A gente fica longe. — Ele garantiu e chamou Mirai, já a avisando — Traz a sua boneca — E, olhando para Kurenai, acrescentou — Eu vou olhar ela.
— Está bem! Mas vistam o casaco antes — Concordou Kurenai — Vou aproveitar para limpar a mesa.
— Quer ajuda? — Hinata se prontificou.
— Não precisa, Hinata. Obrigada. Hm, se quiser, pode ir com eles. Aproveite. A casa de Minato tem uma bela vista para as montanhas — Ela sorriu.
Hinata meneou a cabeça em concordância. Ao se levantar, curvou levemente a cabeça e seguiu por onde os outros haviam ido antes dela.
Quando chegou à varanda, ela viu Shikamaru e Temari sentados juntos no canto mais distante. Naruto estava sentado do lado oposto, encostado na coluna da varanda com os braços atrás da cabeça, as pernas cruzadas sobre o piso de madeira e com os olhos fechados. Konohamaru e Mirai estavam ao lado dele. Ambos sentados com as pernas cruzadas. A menina brincava com a boneca recém-ganhada de Hinata e Konohamaru puxou um fio de barbante do bolso e começou a brincar de ayatori¹.
— Ei, Hinata-san! — Konohamaru chamou — fique aqui com a gente.
Naruto abriu os olhos.
— Ah, Hinata, sente aqui — Ele falou. Ajeitou a postura e, desencostando da coluna, apontou um espaço ao seu lado, próximo do irmão e Mirai.
— Obrigada! — Exprimiu ela. Hinata foi até aonde ele estava e, ajeitando a longa saia, sentou-se a uma distância de pelo menos meio metro dele.
Naruto olhou em volta e, depois de a fitar pelo canto dos olhos, desviou o olhar para a sua frente.
— Está gostando de passar o dia aqui? — Perguntou ele, casualmente.
— Está sendo muito agradável e divertido — Admitiu, polida.
Naruto sorriu, um leve riso em seus lábios fechados.
— Pelo que vejo, você continua extremamente formal. — Disse ele e falou — Acho que é o seu jeito mesmo. É estranho, mas... eu até que gosto.
— Estranho? — Ela voltou os olhos para Naruto, um tanto surpresa.
— É! Mas não é um estranho mau. É que você fala como se fossemos completos estranhos. — Ele começou a dizer — Bom, não somos os melhores amigos, mas vi que até com o Shikamaru, Konohamaru e a Mirai, que têm a mesma idade ou são mais novos, você fala assim. E já está acostumada com eles. Acho que isso é bom. Mas é que eu me afeiçoo muito rápido às pessoas então acho que logo me sinto um amigo de longa data e acabo sendo informal demais. — Ele esfregou a mão atrás da cabeça, com um sorriso constrangido.
Hinata sentiu as bochechas esquentarem.
— Gomen nasai. Não sabia que passava essa impressão. E... você não é rude, apesar de não ser “muito formal” — Ela citou. Todavia, acrescentou — Mas, acho que terá que se tornar uma pessoa mais... hm... como eu poderia dizer?
— Educada? — Arriscou ele, arqueando uma sobrancelha clara.
— É! Quero dizer, não! Sim, mas... não estou dizendo que é mal-educado, só que... —
— Sou muito informal? Espontâneo? — Ele testou.
Hinata encolheu os ombros, acuada.
— Um pouco... — Sua voz saiu quase como um sopro.
Naruto riu com a boca fechada, o ar saindo mais pelo nariz.
— Desculpe, não queria soar indelicada. — Hinata tornou a dizer.
— Não tem problema — Disse ele — Você tem razão. Eu tento, mas, às vezes, é difícil. Acabo falando ou agindo sem pensar.
— Parece alguém que eu conheço — Segredou. Ao ver a expressão questionadora dele, acrescentou — Uma amiga em Tóquio. Vocês se dariam bem. — Ela disse como se fosse um desejo.
Konohamaru observou os dois pelo canto dos olhos e, com um grande sorriso nos lábios, sentou-se entre eles, estendendo a mão para Hinata, desafiando-a.
— Aposto que não sabe! — Ele se referiu ao ayatori.
— Posso ter nascido numa cidade modernizada, mas conheço as brincadeiras tradicionais do meu país. — Disse ela, divertida, e apertou o nariz dele, entre os dedos indicador e médio.
Konohamaru estendeu para ela a mão, entregando o barbante.
— Você parecia tão ansioso, não devia estar lendo o seu mangá, não? — Perguntou Naruto ao irmão mais novo.
— Eu guardei. Vou deixar para ler mais tarde. — Rebateu e cruzou os braços.
Assim que Hinata começou a tecer uma figura com os dedos, eles tiveram a atenção chamada por um exclamar irritado.
— Shikamaru no baka! — Disse Temari, ainda do outro lado da varanda.
Eles viram quando ela levantou, emburrada, do lado de Shikamaru e saiu pisando duro numa marcha irritada para dentro da casa. Quando voltaram o olhar para o Nara, ele apenas resmungou, jogando o tronco para trás e passando a fitar o céu, observando as nuvens.
Depois suspirou e disse:
— Ah, cara. Que problemático!
Fale com o autor