-Maortina.

-Hã?

-Meu nome é Maortina,mas pode me chamar de Maorte.

-Você não tem um apelido mais bonito não?

-NÃO-ela gritou.

Dei um passo para trás.

-Sinto que a senhora não gosta de mim.

-E você não está errada...

-Quê?

-Você pode ver o que não deveria.

-Como assim?

-Qual parte você não entendeu?Você vê coisas que não deveria.

-Eu não vejo nada de sobrenatural.

-Mas assim como as pessoas,os seus olhos também te enganam.

-Olha,você não gosta que eu fale com a sua filha.É isso?Pois fique sabendo que eu não vou fazer nenhum mal á ela não tá?E a senhora não vai conseguir me assustar.

-Um dia você vai querer ajuda,chame aqui se precisar.

-Você é bipolar?

Diana desceu.

-Vamos?-Ela disse sorrindo.

A mãe dela perguntou para mim se ela podia ficar 5 dias na minha casa e eu disse que sim.A Maorte perguntou se eu não deveria avisar aos meus pais e eu inventei a desculpa de que meus pais é que pediram pra eu convidá-la.Ela deu 75 reais para Diana pra ela gastar com o que quisesse e pediu para Diana não voltar para casa por que a mãe ia receber visitas indesejadas.

-Diana,entra e sobe pro meu quarto.Me espera lá ou na sala,quero falar com a sua mãe rapidinho,que ela quer tirar uma dúvida comigo.

-Tá bom.-Diana disse atravessando a rua.

-Por que você não quer que ela volte e quem são essas "visitas indesejadas"?

-Agora que ela já se foi posso te contar,não tudo,se você souber de tudo vai ser perigoso então só vou te contar um pouco e espero que você entenda.

-Contar o quê?

-Por mais que eu pareça do mal,eu não sou.A pessoa que é do mal está em sua casa.Quero te ajudar,mas não posso.Mandar minha filha pra lá foi um erro mas vocês são as únicas que podem depender uma da outra.

-Hã?

-Tchau.

Ela bateu a porta na minha cara.Virei e fui pra casa.

Já era de noite,falei pra minha mãe que Diana estava lá.

OBS:Pra você eu me refiro a eles como mãe e pai,mas com eles eu chamo pelo nome.

Peguei um colchão que tinha atrás do armário e botei no chão pra Diana dormir.

-É tão estranho...-Diana disse enquanto pegava o travesseiro.

-O quê?

-Eu mal te conheço e minha mãe já deixa eu dormir aqui.

-É estranho pra mim também.-Eu sorri.

Deitamos na cama.

Fechei os olhos.

Acordei no meio da noite e vi que Diana não estava na cama.

-Diana?-Cochichei.-Diana,você está ai?Volte para a cama.

Voltei-me a deitar.

-Levanta.-Alguém susurrou no meu ouvido.

Tomei um susto e levantei.Não tinha ninguém do meu lado e Diana ainda não havia voltado.Fui andando para a saída do quarto e olhei para a escada.

As luzes de lá de baixo estavam acesas e dava pra ver as sombras de pessoas lá embaixo.

Não era só uma,eram várias.

Fui descendo lentamente e vi Diana sozinha na sala.

Corri até ela e perguntei:-O que houve?

Ela me abraçou.

-Só você pode me ajudar?-Ela disse começando a chorar.

-O que?

-Só você pode vê-los.

-Ver quem?

Diana apontou para a parede.Atrás de nossas sombras havia outras.

-Quem são?

-Não sei.Tira eles de mim.

-Como?

-Não confie na Morte.

-Quem é a morte?

-Não confia na Morte.-Ela continuou a repitir.

Diana pegou uma faca,cortou o dedo,e com o sangue desenhou um A na parede com um X em cima.

Abri os olhos.

Acordei gritando.

-O que houve?-Diana disse levantando.

Olhei para a mão dela,não tinha nenhum corte.

-Olha,não precisa ficar louca com esse negoço que minha mãe faz ok?É palhaçada dela.Pode me chamar só de Diana.

-Hã?

Vi que ela estava apontando pro meu colo.Quando olhei para o meu colo vi um caderno escrito Diana mas a letra A (diAna) estava com um X em cima,formando a palavra Dina que era como a mãe dela a chamava.

Será que aquilo tinha haver com o sonho?

"Não confie na Morte",essa frase se repetia a todo momento em minha cabeça.

Morte,morte,morte,morte,morte...

Arregalei os olhos e escrevi no papel Maorte.

-Se cortar o A fica "morte".Então,não confiar na morte é não...

Diana tampou minha boca.

-Ela está nos vendo.

-Quem?

-A Morte.

-Sua mãe?

-Minha mãe morreu.-Disse Diana.