Notas iniciais
oi oi oi oi oi pessoas.. to aqui tá não morri, mals a demora é que eu voltei a trabalhar e como muito do meu tempo uahsuashus, mas bem vamos a mais um cap da história de will

Se alguém souber a definição de um bom jantar em família, me digam, por favor, e também para a tia Hip, pois esse jantar estava longe de ser algo bom.

Depois da seção de cumprimentos e apresentações. A mãe de Alan, Beatriz Monterei, uma mulher de face achatada e que aparentava sempre manter um sorriso no rosto seguiu Tia Hip para ajudar a por a mesa, enquanto isso eu, Alan e o pai dele, Roberto Monterei ficamos na sala olhando um para a cara do outro, na espera que alguém começasse algum assunto.

Eu tinha me afundado em uma poltrona, na verdade, eu queria que aquela velha poltrona verde musgo que o estofado estava começando a rasgar, me engolisse e me levasse para o meu quarto, onde me trancaria até tudo isso acabar.

Roberto me olhava, parecia mais que ele tentava ler meus pensamentos através de minhas expressões, o que me fez sentir ainda menos a vontade naquela sala, parecia que as paredes de madeiras pintadas com cal tinham se aproximado de nós, deixando aquele lugar ainda mais pequeno, mais sufocado.

Já o Alan me olhava como uma expressão que deduzi como sendo de bobo, quando ele notou meu olhar sorriu, eu apenas desviei o olhar. – por algum motivo não gostava de manter contato visual com ele -, havia algo naquele olhar que me incomodava. Quando ele veio me cumprimentar, que eu fitei aqueles olhos de um verde denso e escuro, não era nem castanho ou preto, era como você pegasse uma tinta guache verde e preta e misturasse muito mal deixando uma fusão mal feita de um tom tentando cobrir o outro, mas o que mais me deixou inquieto foi o poder que olhar me demonstrava, parecia querer me sugar, me puxar para dentro dele, isso me deixou nervoso e lerdo, pois demorei um bom tempo para voltar à realidade e apertar a mão dele.

– É... Então é Will, esse é seu nome? – Perguntou Roberto rompendo o silêncio.

– É. – Malmente abri a boca para responder.

– Gosta de praticar esportes? – Perguntou o pai de Alan.

Entre tantos motivos para não gostar de falar com pessoas, esse é um dos principais, muitas pessoas gostam de saber da vida das outras, de saber seus gostos musicais, se namora ou não, se trabalha e assim por diante. Parece os que os Humanos tem uma gana por descobrir os segredos dos outros e como isso criar seus rótulos que julgaram a pessoa como um bom cidadão ou não, bem isso que dá em viver em uma bolha, onde padrões demonstram a ordem, pois pessoas boas jamais matariam outras ou usariam drogas ou roubariam, pessoas normais são trabalhadoras e são amigas de todo mundo. E no meu caso eu já sei qual é meu rótulo – O estranho.

– Não. – Respondi olhando para o teto.

– Mas... tem o interesse em algum esporte? – Ele parecia querer chamar a minha atenção com suas palavras.

– Não faço o estilo esportista. – Falei mantendo um tom monótono e direcionando meu olhar de tédio.

– Então qual é o seu estilo, então? – Perguntou Alan atraindo tanto a atenção de seu pai quanto a minha. Ele mantinha um sorriso amigável e de certa forma até acolhedor.

Estava prestes a responder quando tia Hip apareceu anunciando que o jantar estava na mesa.

Sentamos em uma mesa retangular com tampo de madeira e vidro, que lembrava aquelas janelas antigas feitas de quatro quadrados. O cardápio partia de várias saladas a um prato próprio da tia Hip de tofu e soja. Sentei em uma das pontas da mesa, no meu lado esquerdo Alan se acomodou e começou a se servir e no meu lado direito tia Hip parecia estar mais incomodada se os convidados iram comer seus pratos vegetarianos.

Peguei bem pouca comida, não tinha tanta fome assim. Sempre nunca tive muita fome, às vezes só como uma vez por dia, bem é assim que mantenho meu magro e fraco corpo ao contrario de Alan, que mesmo sendo algo que ele nunca tinha comido, fez uma pequena cordilheira dos Andes em seu prato.

– Você come bem, rapaz. – Falou Tia Hip que reparava a mesma coisa que eu.

– Meu filho, treina basquete, por isso tem que se alimentar com frequência. – Falou a mãe de Alan, antes que o filho.

– É nosso filho é um ótimo jogador, eu o sempre o apoiei desde pequeno para que seguisse no esporte. – Não pude de deixar de notar os olhares de Rodrigo em minha direção. – E seu filho tem algum hobbie?

– Will não é igual, aos demais meninos da idade dele. – Respondeu tia Hip evitando o meu olhar. – Will gosta muito de música, não é? – Todos os olhares se voltaram para mim o que me fez ficar nervoso.

– Sim, gosto muito de música. – Respondi de cabeça baixa.

– Que interessante, que tipo de música você gosta? – Perguntou a Beatriz a mim.

– Rock e sinfônicos. – Falei em um tom baixo. Queria comer aquilo rápido e me retirar daquela mesa o quanto antes.

– Ele gosta muito também de músicas tocadas no piano, que também é seu maior hobbie, além de escrever. – Falou tia Hip lançando um leve olhar para o pai de Alan que se endireitava na cadeira.

Outra coisa que estava começando a notar naquele homem que parecia manter a imagem de uma família perfeita de ter um filho perfeito, estudioso, que pratica basquete e que provavelmente era popular. E isso era outra coisa que nunca entendi direito nas pessoas – essa mania de sempre querer mostrar ser melhor que o outro, de provocar, de causa inveja por ser melhor.

– Você toca piano Will- Perguntou Beatriz um pouco admirada. – Não se vê muito disso hoje em dia, geralmente os jovens gostam daquelas músicas eletrônicas.

– Cada um tem seu gosto. – Dei de ombros antes de dar a última garfada em minha comida. – Bem, se vocês me derem licença acho que vou ao banheiro. – Minha voz saiu rouca e eu me retirei rapidamente da mesa e fui pelo pequeno corredor de portas.

Quando estava trancado no banheiro finalmente pude respirar. Por que sempre é tão difícil eu manter contado social? – Pois eu não sou uma pessoa normal, eu sou diferente, eu sou um brinquedo torto posto em uma prateleira esquecida onde ninguém o verá e o comprará. – Era essa a resposta que sempre dizia ao meu subconsciente, quando ficava em meus dilemas e meus problemas.

Meus olhos percorreram o banheiro de azulejo marrom e bege e se prenderam no pequeno espelho que ficava pendurado em cima da pia, sua moldura de gesso estava se desgastando, não demoraria muito até a umidade destruir aquilo. Meu reflexo parecia tão fechado quanto a minha vida, meu olhar parecia apático, morto como se fossem olhos de vidro, meu cabelo louro acinzentado como aquela relva destruída e seca de uma plantação que fora morta por dias incessantes de sol sem ver uma misera gota de água, mas por mais triste que isso parecesse eu gostava desta aparecia de ser um fantasma, um morto- vivo, pois as pessoas não se preocupam com os mortos, apenas lembram que uma vez eles existiram.

Sorri para meu reflexo. Era um sorriso fraco, mas suficiente para me confortarem meus devaneios e para continuar vivendo em meu mundo privado do que surtar por ser um nada em uma sociedade rotulada pelo que é dito como o certo.

Ao sair do banheiro encontrei algo, ou melhor, alguém que queria evitar — aqueles olhos verdes – ele estava parado perto da porta do quarto da tia Hip, encostado na parede com os braços cruzado. Ele usava uma camiseta vermelha com a estampa de um skate e uma bermuda preta. Seu corpo era esguio, ele era mais alto que eu, como também mais forte, não chegava a ser musculoso, mas era mais encorpado que eu.

O encarei por alguns instantes antes de desviar o meu olhar e partir rumo à escada que levava ao meu quarto.

– O clima naquela mesa, não está lá muito amigável o meu pai e a sua mãe estão em uma pequena guerra para ver quem é a melhor família e minha mãe está tentando apaziguar os ânimos. – Falou Alan quando passei por ele.

– Tanto faz. – Falei ainda seguindo meu percurso. Não me importava com esse tipo de coisas. O que realmente me importava era continuar vivendo cada dia, o pai de Alan e a tia Hip podiam passar eras discutindo isso que eu ainda iria continuar dentro do meu quarto lendo meus livros, escrevendo e ouvindo música, pois essa era minha vida, a minha pequena utopia que criara para viver.

– Aonde vai? – Perguntou ele vindo atrás de mim.

Não respondi simplesmente subi a escada, abri o alçapão e entrei em meu quarto, onde caminhei desviando dos papeis pendurados até me jogar em minha cama e fechar os olhos. Não demorou muito e senti a presença de alguém, — era ele, com certeza. – Respirei fundo, abri os olhos e me sentei na cama o encarando. Ele estava parado perto do alçapão, seu olhar trazia um mix de surpresa e espanto.

– Esse é o seu quarto? – Perguntou confuso para mim.

Não respondi novamente, apenas o olhei com uma expressão que queria dizer: — O que você acha? – Que por sorte ele entendeu.

– Seu quarto é no sótão? – Ele arcou as sobrancelhas, admirado.

– Algum problema – O retruquei e virei os olhos por causa da pergunta tosca dele.

– Nenhum problema, é que isso é muito legal. Deve ser muito maneiro dormir aqui. – Falou ele olhando para todos os lados.

– Eu gosto. – Respondi sem vida.

– Você só sabe falar frases curtas? – Falou ele me encarando. O que me fez tremer.

Abri minha boca para responder, mas fechei rapidamente e virei meu rosto, na tentativa de esconder minha expressão. Não iria discutir o meu modo de socializar com uma pessoa que nem conheço direito.

Ele entendeu perfeitamente isso e mudou de assunto.

– Qual é desses papeis pendurados? – Perguntou ele pegando uma das folhas e lendo.

– Poesias. – Falei ainda sem olhar para ele.

– Suas? – Detestava quando ficavam me perguntando tantas coias, isso só me deixava ainda mais nervoso e estressado.

Voltei a olhar para ele e confirmei.

– Cara você escrever muito bem. – Falou pegando mais uma folha para ler. – Minha antiga professora de literatura iria amar isso daqui.

– Que bom. – Disse.

Seus olhos se prenderam aos meus e um sorriso surgiu, parecia tão carregado de confiança e energia.

– Cara, estou gostando de você, queria ser seu amigo. – Ao ouvir isso, foi como me acertassem um soco em meu estômago. Não queria ser dependente de ninguém em minha vida, queria depender apenas de mim, carregar meu fardo sozinho, sem ninguém ao meu lado, sem ninguém para eu me preocupar.

Não sabia o que respondia para ele, mas antes que pensasse em algo ele se aproximou do piano e voltou seu olhar novamente para mim.

– Então você realmente toca piano? – Ele passou a mão pelo instrumento enquanto olhava fascinado.

– Toco desde os oito anos. – Disse saindo do surto.

Ele apertou uma das teclas que emitiu o seu som e então outra.

– Que incrível. – Ele não olhava para mim. – Você pode tocar uma música para mim? Nunca ouvi músicas tocadas em pianos.

Hesitei. Fiquei para na cama o olhando, tentando processar tudo que acontecera, as palavras que ele dissera, tudo parecia tão louco, tão irônico.

– Pode? – Perguntou ele novamente.

Chacoalhei minha cabeça como se assim pudesse jogar meus pensamentos para longe, a única forma de acabar com aquela noite era fazendo o que ele queria, assim logo ficaria entediado e me deixaria em paz.

– Toco. – Saí da cama e fui para o piano.

Sentei no pequeno banco estofado e pequei uma pasta que deixava em uma mesinha ali perto. Abri e tirei várias partituras de músicas. Escolhi uma música simples, mas sua melodia carrega uma grande carga de sentimentos: Hello do Evanescence.

Deixei meus dedos flutuarem pelas teclas enquanto a música ganhava vida no piano. Alan me olhava atentamente, parecia encantado pelo que via. O que de certa forma me deixava assustado.

– Você toca muito bem. Quem te ensinou? – Falou ele sentando ao meu lado.

– A tia Hip. – Falei sem tirar os olhos das teclas.

– Tia Hip? – Perguntou ele confuso.

– A minha mãe. – Falei segurando uma risada, pois e expressão de confuso dele tinha sido engraçada. – Eu a chamo assim, de tia Hip.

– Você é muito maneiro, cara. Um pouco fechado, mas quem não gosta de um bom mistério para desvendar. – Falou ele rindo.

Parei de tocar no mesmo instante. Aquilo me fez tremer por inteiro.

– Verdade. – Falei nervoso.

– Ei relaxa. – Falou Alan tentando olhar para meu rosto.

Aquilo estava sendo uma experiência nada boa para mim, nem mesmo na escola, eu agia assim, por que agora estava sendo diferente? Por que ele continuou tentando falar comigo quando eu o ignorei?

– Alan, seus pais já estão indo, pois já está tarde. – A cabeça de tia Hip surgiu no alçapão com um sorriso doce e calmo.

– Sim! Já estou indo. – Ele e levantou e olhou para mim. – Nos vemos por ai. – Sua mão tocou de leve em meu ombro antes dele sair do meu quarto.

Não desci para me despedir da família Monterei. Apenas fechei o alçapão, tirei a roupa, coloquei meu pijama e fui dormir.

Precisava daquilo, precisava do silêncio e de sua névoa. Precisava dos meus sonhos.

Notas finais
gostaram??? comentem ai galera até a próxima :P
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.