O sonho de Steve

3 Capítulo 3 - Futuro


Notas iniciais
É o desfecho desse pequeno conto. Agradeço-lhe por chegar até aqui (:

Taciturno, Steve manteve-se a observar a criança, que corria para todos os lados erguendo os braços como se fosse um avião. Dessa vez, não havia sala, não havia lindos campos verdes, apenas o branco, o inacabado, apenas o que ainda sequer pensou em existir. A semelhança da criança e de Steve era tão gritante quanto o do pintor, era ele, quando possuía seus quatro ou cinco anos

— Pai? — Balbuciou a pergunta que mais lhe incomodava, mas não houve nenhuma resposta.

Enquanto a criança fazia daquele vazio a sua morada, Steve procurava no nada uma saída. Inutilmente andava em torno da sala, se distanciava, se aproximava da criança — que permanecia correndo para todos os lados — e absolutamente nada acontecia. Toda aquela coisa estava-o deixando louco, era demais para o homem, e aquela criança correndo, brincando, gritando, rindo, indo para todos os lados como se aquilo fosse normal. Algo ria em seus ouvidos e ecoava na mente, algo o deixava furioso

— Pare ! — Ordenou Steve para que toda aquela loucura parasse, mas, invés disso, quem parou fora a criança. Como uma estatua ela permaneceu, sem expressar nenhum sentimento

— Como? — Atônito, parou ao lado do menino.

Lentamente e de forma bem suave, como uma pintura, uma estrada aparecia na frente de ambos. Ao redor da mesma, campos floridos, um céu extremamente azul e um sol que dividia lugar com a lua. Olhou ao redor e não viu nada além de flores e arvores que tampavam a sua visão. Olhou para trás e viu que tudo parecia congelado, como uma fotografia.

— Para onde? — A criança voltou a atenção de Steve. Sem muitas escolhas para onde prosseguir, seguiu a estrada.

O ambiente não sofria grandes modificações a medida que ambos caminhavam, até que chegaram em uma encruzilhada. Duas estradas, uma parada a direita, outra à esquerda. Ambas possuíam divergências gritantes em seu ambiente, mas isso não significa que não eram belas. Suas belezas andavam de ombro a ombro. A direita havia tantas flores e uma brisa soprava daquele lado, pássaros, brincavam enquanto dançavam sobre elas. As cores se misturavam sem tomar o lugar de nenhuma delas, completavam-se entre si. Steve ficou maravilhado e sentiu o desejo de seguir aquele caminho

— Olhe a esquerda — Novamente a voz ecoou em sua mente e o pegou tão de surpresa que ele olhou sem pestanejar. Os lindos campos verdes o deixou vislumbrado, era paz parecia nascer naquele local. Podia ter um visão melhor até onde a estrada poderia levar, sentia a segurança que já não sentia em campos floridos. Quando deu por si estava caminhando lentamente até aquela direção

— Tem certeza? — Parou quando novamente ouviu a voz

— Essa voz é minha — Respondeu o garoto olhando ao redor, achou ter sido a criança, mas a coitadinha estava parada, imóvel, como um robô.

— Mas é claro que a voz é sua, eu estou em você ! — E eis que aparece, em seu ombro, um monstrinho pequeno, magro, com o rosto de Steve mas as orelhas pontudas, pequenos chifres e olhar de fogo. Vestindo um belo terno em miniatura

— O que é você? — Estevem lançou o rapazinho para longe, que gargalhava enquanto voava

— Eu sou a sua indecisão — Reapareceu em seu ombro. Tudo estava tão estranho que Steve já não assustou.

— Pois bem? Qual caminho ira pegar? Não seria lindo viver as emoções das cores quentes que aquelas flores representam? Emoções é o que move a nossa vida, é o que da carga para as fotografias das memórias, é a tinta do artista. É lógico que aquele lado é melhor, não acha? — Entrou como poesia nos ouvidos de Steve, que caminhou em direção aquele lado

— Mas do que adianta viver emoções sem saber como será o seu futuro? Está vendo a estrada? Eu não. A nossa esquerda .. A.. Paz! Paz! É isso que precisamos, a paz é o melhor bem que podemos ter, é a ascensão de nós com nós mesmo. E olha, podemos ver a estrada, não é melhor? Sabermos o que vamos fazer no nosso futuro? Mas quem garantirá que tudo ocorrerá como planejamos? E se não ocorrer? Se entregará aos tons de cinza do mundo? hihihihihi .. É provável que sim! E olhe como não tem flores, pobre caminho, quase sem nenhuma emoção .. A paz seria não sentir? hahaha, é claro que não. Mas a direita é tão incerta! E repare, meu jovem, nunca disse que as flores representam boas emoções, por exemplo, vê aquele azul? Não queira cheirar aquela flor, a não ser que você goste de se entristecer. Além disso, quem nos garante que os tons de cinza não esperam na próxima esquina? Já que não podemos ver para onde ir, ou pior, podemos cair em um profundo abismo, não cinza, mas negro, de escuridão tão forte que nem mesmo a luz consegue penetra-la .. A, a esquerda é bem melhor! Viver a falsa paz do que viver as verdadeira emoções? De qualquer forma, você vai perder alguma coisa Steve, alguma coisa na sua vida deixará de acontecer, mas você nunca sentirá falta, pois nunca soube o que perdeu .. A.. Mas se um dia os caminhos cruzarem, e o lado que foi deixado de lado vier até você e lhe mostrar tudo que não aconteceu, este sim será um dia cinza Steve, não acha? Eu tenho certeza que sim! Eu com certezas, irônico não é?

Seu corpo começou a formigar, e sua mente havia decidido parar de funcionar, ou talvez ela funcionasse através daquele demônio. Não sabia qual era o melhor lado, não sabia para onde seguir. Dizer que era para seguir o coração seria o mesmo de voltar ao início, pois o demônio do medo havia devorado completamente toda a sua insegurança. Sentiu-se pequeno, acovardado, confuso, sozinho... Essas lagrimas querem mesmo participar dessa história.

— Ora! Vamos lá meu amigo, eu não quero que você falhe, você também não pode ficar parado no meio da estrada sabia? Não vai querer se tornar um velho nostálgico não é? hahaha

— Quero que você desapareça! — Steve lançou novamente o demônio para longe

— Nunca! — Que reapareceu novamente no ombro do mesmo

Estava tão cansado de tudo, queria mesmo era se tornar um velho nostálgico, parecia ser tão mais simples viver no passado, do passado e apenas para o passado do que escolher o futuro sem saber se ira ou não funcionar. Mas não queria mais pinturas iguais, não queria mais dias iguais. Queria sentir-se vivo, mas o preço da vida é a incerteza, o preço das emoções é o medo de agir! Olhou para menino que estava parado, assim como ele. A sua personificação do futuro era Steve criança "Posso controla-lo, posso dizer para onde ir, mas que garantia terei eu de controlar esta criança? Ela é tão cheia de energia que em algum momento sairá das minhas ordens, e aí os tons cinzas preencherá o local? Provavelmente, mas deixa-la seguir a própria sorte pode ser um preço muito alto, pois se essa criança se perder no caminho das decepções, temo que o pintor perca a sua tinta, e que no fim só me reste o velho" Steve aproximou do menino e sussurrou

— Sei que você sabe o segredo dessas estradas, mas também sei que você não conta seus segredos a ninguém! Sei que você é incerto, sei que você é um papel em branco no qual caminha por todos os lados, formando assim o desenho. Sei que muitos preferem te ver preso para não perder o controle e acaba nunca tendo flores alguma na vida, apenas a falsa paz. Sei também que outros te deixam tão solto que nunca mais conseguem te ver, apenas os rastros de onde passou. Há quem sinta tanto medo que não consegue sequer pensar em você! Eu... Não deixarei você me levar totalmente, apenas permitirei que me mostre novas cores, novos horizontes.

A criança voltou a sorrir, levantou os braços como um avião e correu. Tudo voltou a ficar branco, como estava desde o início

— Tem certeza disso? Acha mesmo que dessa forma será melhor? haha — Perguntou a insegurança

— Não — Disse Steve, sorrindo

Abriu os olhos e viu que estava em seu quarto

— Não vá se atrasar para a faculdade — Dizia a sua mãe

Levantou-se da cama e prosseguiu. O que aconteceu a partir daqui a criança não me contou, o pintor ainda não terminou a sua obra, e o velho está ocupado demais vivendo o passado.

Notas finais
Novamente, muito obrigado por ter lido! Fiz esse texto como uma forma de "terapia", espero que tenha conseguido passar o que canta em minha mente para vocês! haha
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!