O som do silêncio

1 A história de um capítulo apenas


Notas iniciais
Uma ação vale mais que mil palavras. Não foram mil palavras, e nenhuma ação. Talvez por isso que ela não me quis.

Uma tentativa falhada de conquistar o amor dela. Poderia tê-lo feito de várias maneiras, mas há forma melhor que se abrir para alguém do que expressar seus sentimentos mais profundos através da poesia? Agora parando pra pensar, deve haver maneira melhor, porque hoje em dia ela está namorando um amigo meu. Não foi fácil escrever tudo isso, após pesquisas e uma pitada científica de "tentativa e erro", cheguei a conclusão que teria que ser isso. Amigos me disseram que se eu levasse o poema a uma editora, ficaria rico e famoso. Amigos. Entusiasmados com tudo. Fui pego na animação deles, e confiante, levei o poema a moça que parava meu coração. Na hora, não tive coragem de entregar-lhe o verso e prosa, mas felizmente o poema foi entregue por outras mãos. Mais tarde, uma mensagem dela: "bonito, mas achei macabro". Macabro? Talvez ela não aprecie a poesia em sua forma mais pura... Ou eu era o problema mesmo. Provavelmente assustei-a com o peso das palavras, mostrei a ela os demônios que prendo a sete chaves no fundo da alma. "Demônios". Um clássico. Dito e feito, perdi-a para um amigo, nada bom com as palavras, porém com a levada esperta nos lábios. Se eu os escrevo, ele os recita. Eles são felizes, e eu aprendi a levar a vida com calma, e da próxima, arranjar um pouco de atitude para entregar um raio de poema. Não guardo rancor, só pesar. E claro, guardo o poema do qual vos entrego agora.

O silêncio vem em partes

São três pequenos e tangíveis silêncios

O primeiro é rápido como uma flecha

Uma silenciosa e veloz facada nas costas

Um sopro de desespero

O momento que as luzes do palco começam a se apagar

Esse silêncio dura uma eternidade

São instantes em que se pergunta

É isso?

Não tem mais aonde onde ir?

As luzes começam a desaparecer, e o público se prepara para a entrada do segundo silêncio

Esse vem estrondoso

Apunhala o chão com suas botas de couro preto

Debruça-se como um cobertor de ferro

Grita a dor de milhares de silêncios passados

Arrebata-te com uma pesada luva de cavaleiro

Lança seu último olhar de desgosto, e arremessa-te ao chão

Tão grotesco veio, parte, para que o terceiro, e maior silêncio, termine o ritual

O terceiro não se vê

Apenas sentimos quando ele se aproxima, olhando piedosamente

Os outros dois se curvam perante a ele

E assim, ele deita ao seu lado

Acaricia seus cabelos

Observa as estrelas com você

Torna-se seu amigo

Pra sempre, e pra sempre permanece fiel

Há ainda um quarto silêncio

Aquele que os vivos sentem, e não quando estão morrendo

Esse possui um nome especial

Chama-se solidão

Esse silêncio, uma vez grudado, é dificilmente retirado

Há uma única coisa que pode retirá-lo de nós

Uma união

Eu e você

Pra sempre

Há apenas uma coisa da qual todos os silêncios se curvam

Um amor revestido silêncios

Peço-lhes que não fiquem revoltados, senhores, pois todos nós precisamos de ajuda

Notas finais
Aquela clássica história de "ela escolheu ele em vez de mim". Não sintam pena
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!