O sol da meia-noite
1 Capítulo 1 - A primeira carta
Notas iniciais
Sabe quando você gosta muito de uma pessoa? Quando você a perde é uma dor insuportável. Eu já pensei que essa fosse a pior dor que já senti, que nunca sentiria algo parecido. Mas uma dor pior é quando você percebe que se perdeu. Eu sinceramente não sei mais quem eu sou.
Vou te contar minha história. Pode refletir sobre ela, pode ignora-la, pode nem ler. Pode parar de ler agora se quiser. Quer dizer, eu não mando em você. Mas se quiser ler, vou pedir uma coisa: não conte para ninguém! Estou confiando em você. Vou te contar todos os meus segredos, todas as minhas experiências em momentos difíceis e tudo que aconteceu depois daquele dia...
Minha mãe morreu quando eu tinha 12 anos. Estávamos jantando no mcdonald's, então quando estávamos no estacionamento voltando para casa ela levou um tiro na cabeça. Eu entrei em choque. Fiquei para por um tempo sem saber o que fazer. Então comecei a gritar. A única coisa que lembro do cara foi seus olhos escuros e sombrios. Sonho até hoje com eles.
Agora tenho 16 anos. Estou indo para um colégio interno. Sou.. era usuária de drogas.
- Chegamos – avisou meu pai parando na frente de um enorme colégio, que parecia mais uma cadeia – você vai ficar bem?
- Preciso mesmo responder? – disse cerrando os dentes
Abri a porta do carro para sair
- Ah, e não finja que se importa comigo
Sai do carro batendo a porta. Ouvi ele me chamando, mas ignorei.
- Por aqui senhorita – disse um guarda me dando um sorriso
Não imagino como ele poderia estar feliz em um lugar tão depressivo como aquele colégio. Devolvi um sorriso meio forçado.
- Bom dia – disse a secretaria de muito mal humor
- Bom dia..
- Melody né? – disse olhando para uma lista
- sim
Ela me olhou através dos pequenos óculos segurados pelo grande nariz. Ela tinha o rosto redondo e devia estar bem acima do peso. Ela se levantou e vi que estava usando um blusa de oncinha e calça larga. Arregalei os olhos quando ela estava de costas.
Ouvi o guarda gentil rindo do meu lado. Coloquei o dedo na boca
— xiuu – chochei e ele assentiu
A secretaria voltou com uma chave. 243
- É o seu quarto. Agora as regras: O café da manhã é das 6 ás 8. As aulas começam as ás 9 – ela me deu um papel – aqui está seu horário de aulas. Nenhum objeto eletrônico é tolerado. Vamos revistar sua mala.
Engoli um seco. Sem celular? Minha vida acabou.
- As luzes são apagadas ás 22:00 em ponto. A única luz pode continuar acesa é a dos quartos. Depois desse horário é proibida a saída dos quartos. É proibido cigarros, bebidas alcoólatras e drogas.
- Logico
- E é proibido relacionamentos amorosos
“Daqui a pouco vai ser proibido respirar” pensei
- Já tem o uniforme?
- Sim
- Tem que usar ele todos os dias.
- Acabou?
- Sim, pode ir para seu quarto. Não precisa ir para as aulas hoje.
- Obrigada
O guarda me mostrou onde ficava meu quarto. Era pequeno, mas não esperava muito mais que isso. Me olhei no espelho. Meu cabelo loiro ia até a cintura, meus olhos eram escuros, mas todos os admiravam antes. Eram brilhantes e cheios de vida. Agoram estavam pagados e cansados. Escondia eles atrás de toda a maquiagem preta.
Sai do quarto. Queria ir para a biblioteca ou algum outro lugar. Só não queria passar o dia inteiro em um quarto.
Perguntei para algumas pessoas onde ficava a biblioteca e elas me indicaram.
A bibliotecária era uma senhora. Usava roupas brancas e rosa bebe.
- Olá – disse
Ela olhou para mim.
- Nunca te vi aqui antes
- ah, sim, eu sou nova
Ela assentiu
- Seu nome?
- Melody
- Melody! Alguém mandou uma carta para você.
- Para mim? Mas eu sou nova nessa escola
Ela me entrevou a carta.
- Obrigada – disse dando um sorriso amarelo
Sentei em uma mesa vazia e abri a carta. Meu coração estava acelerado. As letras foram recortadas de revistas e coladas na folha. Parece que a pessoa não quer que eu descobri quem ela é. Respirei fundo e comecei a ler.
“Melody, minha queria, estou ansioso para te ver. Fiquei tão animado quando soube que você vinha para cá. Você cresceu? Deve estar linda igual a vaca da sua mãe. A ultima vez que eu vi estava tão assustada... Estaria ainda mais agr. Alias, dessa vez a arma vai estar apontada para sua cabeça”
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