O sol

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Oiii! >< enfim, eu ia soltar o capítulo ontem mas a faculdade me pegou de jeito. Boa leitura!

Estranhamente, a lua estava vermelha essa noite. Um fenômeno astrológico que fez ficar assim, não me importa. O que importa que a cor. Vermelho, como o sangue que desce denso e quente de um corte. Que espirra longe de uma artéria cortada. Que sufoca o seu dono, caso tente sair pela garganta. O sangue era algo fascinante. Como a lua.

A lua estava vermelha assim como minhas mãos. Eu via o homem morto na minha frente. O veneno usado nele era de ação rápida, ou seja, ele sufocou na hora. Tentou lutar e com isso cuspiu sangue em mim, já que estavamos em um quarto de motel. Era só naqueles momentos em que eu me sentia viva.

Saio dali o mais calmamente que posso, apesar de estar encharcada de sangue. Uso uma saída de incendio que havia visto mais cedo. Tiro as luvas de couro e seco uma das mãos em um pano e pego meu celular, discando o número da pessoa que me contratou.

— Alô? – a voz tremula do outro lado chama assim que atende.

— O serviço está feito. Quero a outra metade do dinheiro agora. Vou passar na sua casa. – eu digo com firmeza, e o meu patrão suspira aliviado.

— Ótimo Mizuki. Deixarei a mala com meu porteiro. Apenas pegue e suma, por favor. – ele desliga.

Era assim sempre uma noite de serviço. Meus patrões parecem tão ávidos pelos meus serviços, e quando estão feitos, queriam que eu sumisse do mapa. Lógico que eles não poderiam correr o risco de serem pegos pela policia ou qualquer coisa assim. Mas, em anos nesse ramo, nunca as suspeitas vieram para cima de mim.

Paro na frente da enorme casa e o homem de terno está esperando com uma mala de couro nas mãos. Ele se aproxima do carro e eu abaixo a janela. Simplesmente ele abre o zíper e me mostra os bolos de notas de cem. Dinheiro vivo. Sinalizo para ele colocar no banco e arranco.

Meu nome não é Mizuki, aliás. Meu nome é Haruno Sakura. Cada cliente meu recebia um nome diferente e eu tenho plena convicção que eles sabem que dou um nome falso. Claro que eu usava peruca, não é muito comum cabelos rosas por aqui. Minha profissão é ser fotografa e modelo nas horas vagas.

Mas minha riqueza vem verdadeiramente de matar.

Algo que eu faço há anos. Serviço impecável, rápido e acima de qualquer perseguição policial. Duvido que até o CSI fosse capaz de me encontrar. Sempre há investigação, mas nunca chegaram nem próximos a mim.

Paro numa estrada, e como é meio de semana, não há quase ninguém viajando. Tiro minhas roupas e me lavo com uma água que eu tinha no carro. Não é um serviço completo, mas tira as manchas de sangue do meu braço. Pego a roupa, que está dura por causa do sangue seco, jogo álcool e a queimo. Só saio dali quando ela está totalmente queimada. Abro a porta malas do meu carro e escondo meus potes de veneno e armas no fundo falso dele.

Ainda é madrugada, e meu carro está a mais de 200 por hora na estrada. Devo chegar ao meu apartamento pelo menos ao amanhecer, que será em quatro horas mais ou menos. Minha mente está desperta demais pra dormir ou sentir sono, e eu amo dirigir. Coloco uma musica alta e deixo com que o clima me envolva.

Já é de manhã. O sol começou a nascer por trás das montanhas, deixando o céu avermelhado-alaranjado. Eu realmente gosto da cor laranja. O sol me encanta.

Cheguei às beiras da cidade agora, e a velocidade do meu carro se reduziu para quase 80 por hora. Passo no galpão que comprei há uns anos para guardar meus equipamentos. É quase um esconderijo, caso eu necessite. Parece uma casinha. Mas tudo o que eu utilizo nos serviços é guardado aqui, em caixas de ferro trancadas. O galpão está no nome de uma das várias identidades falsas que eu tenho. Será difícil de me acharem, mesmo se encontrarem esse lugar.

Entro no carro de novo e o sol já está mais a vista. O sono começou a me pegar, então dirigi por meia hora até minha casa. Uma casa relativamente simples, comparada a dos meus vizinhos. Dois andares, uma piscina, garagem com dois carros, e foi decorada por um decorador gay maravilhoso. Mas riqueza é o sobrenome dessa cidade. Destranco a casa e me jogo no sofá. Finalmente o cansaço de dois dias sem dormir me pega.

Acordo e percebo que o sol está a pino. Deve estar uns 30 graus, fácil. Meu corpo está suado e sujo e meu cabelo grudado na cara. Rolo do sofá e me jogo no chão, procurando coragem pra subir e tomar banho.

A água fria faz milagres no meu corpo dolorido, cansado e suado. Meu cabelo agradece por finalmente ser lavado. Depois de ter certeza que não sobrou sujeira na superfície do meu corpo, me enrolo na toalha e vou para o quarto. Paro em frente ao enorme espelho que fica ao lado da minha cama. Tiro a toalha para analisar meu corpo.

Eu engordei um pouco. Meus seios estão inchados e minha barriga, mesmo que definida, tem uma gordurinha caso eu aperte. Minhas pernas continuam finas e longas, e meu cabelo rosado já está alcançando meu quadril. Faço uma nota mental para cortar as pontas. Meus olhos verdes têm um circulo roxo o envolvendo, resultado do cansaço. Mas minha pele continua lisa e branquinha.

Visto uma roupa e pego o telefone. Saudades de calor humano.

— Alô? – a voz masculina e fria do outro lado do telefone me de um arrepio na espinha.

— Sasuke-kun. É assim que fala com sua namorada depois de dois dias sem se falarem? – eu digo, fingindo estar magoada.

— Me perdoa, amor – ele logo se redime, rindo sem graça – o numero apareceu restrito aqui, bebê. Já chegou? Ta em casa? Posso te ver?

— Idiota – eu solto uma gargalhada e me jogo na cama – pode sim, hoje à noite, sim? Ainda são... – olho no relógio de parede para verificar as horas – três e meia. Quero ver a porca hoje ainda.

— Fui trocado pela Yamanaka? – ele disse com desdém. Apesar de serem os amores da minha vida, eles não dão certo. Minha melhor amiga e meu namorado.

— Foi. Seu período é de noite. Vem me ver, e vai dormir aqui. Não quero saber o que seu pai vai falar.

— Tudo bem, mas eu peguei alguns casos para estudar. Vou demorar um pouco, mas levo sorvete e talvez algum filme – ele diz, e eu escuto o barulho de folhas se mexendo.

—Ótimo. Vou desligar. Até de noite amor.

— Até.

Desligo o telefone e rolo na cama. Juntando um pouco de coragem, disco o número de Ino, lembrando dessa vez de tirar do restrito.

— Sakura? Sua ridícula, trouxa! Eu estou te ligando tem quase dois dias inteiros! – ela gritou no momento em que atendeu.

— Ino, eu estava trabalhando. Fui fazer uma sessão de fotos no interior e lá não pega sinal. Me perdoa? – ela suspira, e eu consigo imaginar suas feições de raiva no momento.

— Só dessa vez. Eu estou na floricultura. Está sozinha?

— Sasuke só aparece à noite.

— Estou indo pra ai.

Ela desliga o telefone. Eu sei que ela largaria a floricultura pra me ver, obviamente. Somos amigas desde a faculdade. Meio amigas e rivais naquela época, na verdade. Mas hoje Ino é mais do que uma amiga. Após uma festa em que bebemos e usamos algumas drogas, acordei nua ao lado dela. Não achei que tinha acontecido nada demais até que isso aconteceu de novo, com nós duas sóbrias. E a partir dali, nunca conseguimos ficar longe do corpo uma da outra

Passados alguns minutos, Ino se joga em mim na cama. Ela é a única pessoa que tem a chave da minha casa. Eu dei a alguns meses depois de ela dormiu do lado de fora, bêbada e chateada com o namorado dela. Então, para caso de necessidade, ela consegue entrar.

Sem dizer nada, ela cola seus lábios nos meus. Um beijo suave surgiu dali, e eu brincava com os cabelos da sua nuca. Depois ela se separou de mim e deitou no meu peito.

— Testuda, você incrivelmente faz falta. Acredita? – ela diz, com seus olhos azuis brilhando pra mim. Ela era minha flor.

— Eu sei que nenhum de vocês consegue viver sem mim. – eu digo, depositando um selinho nos lábios vermelhos e carnudos da minha parceira.

Os beijos logo se tornam intensos e desesperados, e a mão dela brincou de se aventurar no meu corpo, começando pela cintura e depois descendo para os quadris e subindo novamente, mas para os seios. Minhas mãos estavam todo esse tempo puxando o cabelo dela para que ela se aproximasse mais. Ela parou de me beijar num momento para tirar minha blusa e abocanhar meu seio direito, mas logo voltou pra minha boca. Eu sentia minha calcinha molhar.

Aquela mulher me enlouquecia.

—

Já eram nove horas da noite. Ino e eu havíamos acabado de sair do banho e estávamos vendo uma comédia romântica ridícula que ela escolheu. Eu estava exausta, pois duas horas de sexo sem parar cansariam até a pessoa mais forte de todas.

A campanhia tocou e eu sabia que era o Uchiha.

Corri para atende-lô e só ouvi umas reclamações da loira que deixei no meu quarto. Apesar de concordamos em deixar tudo em segredo, ela tinha ciúmes do meu namorado, assim como de todos os outros homens que eu convivia e de mulheres também.

Abri a porta e o moreno estava com uma caixa de chocolates na mão. Joguei-me em seu pescoço e ele me rodou, dizendo coisas como ‘que saudade, amor’ e etc. Me deu um beijo carinhoso e delicado antes de entrar. Sasuke era um homem lindo, com certeza. Branco como a lua, com olhos ônix capazes de amolecer até a mais madura das mulheres.

— Amor, trouxe alguns filmes de terror. E esse aqui, de romance, por que eu sei que a Ino está aqui e que provavelmente ela não irá embora. – ele disse a ultima parte gritando, apenas para implicar a loira que apareceu assim que seu nome foi pronunciado – Oi, Yamanaka.

— Oi, emo. Tem chocolate aí? – ela disse se aproximando da minha caixa. Eu peguei a caixa e a abracei.

— Tem, mas são meus. – fiz um biquinho, Sasuke apenas riu e me deu um selinho.

— Gorda. Tomara que engorde muito. – ela pegou a bolsa dela que estava em cima do sofá e se encaminhou para a porta – eu não quero atrapalhar o casal 20, mas já matei a saudade da minha amiga. Até amanhã, Sakura. E até nunca, Uchiha. – dito isso, fechou a porta.

— Eu não sei por que ela não gosta de mim, Sakura. – Sasuke disse puxando minha cintura pra me aproximar dele.

— Eu sei, e tem a ver com ciúmes. Esquece ela, meu amor. – dito isso, ele me beijou. Calma e suavemente. Ele não era uma pessoa selvagem como a Ino.

Apesar de estar exausta por meu round com a loira, eu ainda agüentaria um round com meu moreno. Ele me jogou no sofá e beijou meu pescoço, deixando-me arrepiada e molhada.

Eu tinha sorte.

Tinha dois companheiros que me deixavam louca.

Tinha uma riqueza quase inesgotável.

E fazia o que eu amava, mesmo tendo que esconder de todos.

Eu nunca seria pega por policiais.

Eu tinha tudo.

Notas finais
É quase um segundo prólogo, mas é mas pra mostrar as relações da gatinha. Espero que gostem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.