O seu léxico
8 Capítulo VII
Estúrdio
es.túr.di.o
que ou pessoa que não tem juízo; imprudente; insensato
Prímulas. Eram as flores em cima da mesa de Harry. Ele não sabia o nome das flores, obviamente. Havia um bilhete preso no enorme buquê, e lá estavam palavras escritas numa letra pretensiosa e presunçosa, assim como quem as escrevera.
Os alunos da Sonserina e Grifinória cochichavam entre si, rindo para o professor, que não achava graça nenhuma daquela situação. Malfoy estava, honestamente, se superando cada dia mais.
Harry apenas suspirou, jogando o jornal que carregava em uma de suas mãos em cima da mesa. Na manchete, estava: Encontro Secreto do Eleito com o Herdeiro dos Malfoy?
O Profeta Diário estava se tornando uma revista de fofocas, honestamente.
Havia uma foto dos dois no café conversando, no exato momento em que Draco começava a rir. Hogwarts estava cheia desses jornais, e agora os alunos o encaravam nos corredores, soltando risinhos incessantes.
— Silêncio! — Ele disse, cenho franzido. — Há quanto tempo isso está aqui?
— Desde antes de entrarmos. — Disse uma aluna da Sonserina. — Quem te mandou, professor?
— Provavelmente mais algum dos meus admiradores. — Disse Harry, sentando-se e olhando o bilhete. — Eu salvei o mundo bruxo, afinal.
— Ah, é? — Perguntou um dos estudantes. — Tem certeza que não foi um certo… sei lá, Malfoy?
— Por que Lúcio me mandaria flores? — Harry franziu o cenho, se fingindo de bobo. — Eca.
A sala riu, mas eles não desistiriam tão fácil. Harry sabia disso. Afinal, já estivera naquela idade, e mesmo que sua adolescência não tivesse sido preenchida por momentos leves e agradáveis daqueles com os seus professores — principalmente no sexto ano — mas ele entendia que os alunos tinham uma certa curiosidade para/com ele. Ele era o menino-que-sobreviveu, afinal de contas. Ainda mais com aquela manchete no jornal…
— Leia em voz alta! — Alguém disse, do fundo da sala. Harry não faria aquilo nem morto, não fazia a menor ideia do que Draco havia escrito ali.
— Eu não. — Disse ele, bufando. Abrindo o bilhete, ele correu os olhos pela caligrafia impecável de Draco Malfoy.
“Potter.”
Então aquela era uma carta real, não como a última que ele recebera. Graças a Merlin.
“Você viu a manchete do Profeta Diário, hoje? É uma bela foto, não acha?
Eu descobri hoje de manhã, e logo em seguida recebi um berrador de meu pai, foi simplesmente maravilhoso. As coisas estão indo muito bem, não acha? Tudo está indo conforme planejado; já decidimos a história, já plantamos os rumores, e agora, esse fim de semana, iremos para a Mansão Malfoy para que conheça os meus pais, embora você já os conheça. Não precisa trazer nada. Bem, minha mãe gosta de flores; as preferidas delas são as que te mandei, prímulas. Leve esse buquê no sábado, ela vai adorar.
Esteja preparado para ser estuporado. Não sei o quão bravo meu pai está, mas só por precaução, não se esqueça de levar a sua varinha no sábado. Não seja um estúrdio, ok?
Espero que solte essa carta rápido, pois ela irá se autodestruir assim que você acabar de lê-la.
Malfoy.”
Harry soltou a carta rapidamente, e ela começou a ser engolida por chamas. Aquele bastardo. Bem, pelo menos ele tivera a decência de avisar.
— E então, professor Potter, de quem são as flores? — Perguntou uma garota da sonserina, sorrindo de uma maneira suspeita.
— Não são para mim, de qualquer maneira. — Ele disse. — São flores que me mandaram para eu mandar para outra pessoa, em meu nome.
— Você é tão ruim com presentes assim? — Perguntou alguém, fazendo com que alguns alunos rissem.
— Hoje vamos aprender sobre o feitiço do Patrono. — Ele mudou de assunto, rapidamente. Não era aquilo que estava escrito no plano de aula, mas era a única maneira de fazê-los calar a boca sobre aquelas flores, então ele tinha que usar a sua única carta na manga. — Peguem suas varinhas e vamos começar.
Harry sinceramente gostava de ensinar às pessoas o feitiço do patrono. Era como uma representação física de suas memórias mais felizes, e quando se conseguia manifestar um corpóreo, a pessoa ficava tão alegre e orgulhosa, era bonito de se ver.
Era um feitiço complexo, também. Ele estava orgulhoso de que alguns de seus alunos foram capazes de fazê-lo.
Ele também estava feliz que tinha conseguido despistar os seus alunos em relação à carta.
Deitou-se em sua cama. Fechou os olhos e tentou projetar seu espírito para longe de seus problemas.
Não deu certo. Sua mente ficou voltando para a preocupação constante de "conhecer" os pais de Draco. Aliás, Lúcio estaria lá? Pelo que ele sabia, o homem andava muito ocupado com o trabalho no ministério…
É, talvez não fosse ter que ver Lúcio. Aquilo era um alívio.
— Eu estou tão fodido. — Disse ele. Não conseguia imaginar como seria o encontro com Narcisa. Pelo menos Bellatrix não estava mais viva. Imagina ter que encontrá-la porque ele estava em um relacionamento com o seu sobrinho?! Harry realmente não aguentaria.
Ele virou-se na cama, encarando as prímulas em sua mesinha. Nunca imaginou que as flores preferidas de Narcisa fossem tão… coloridas.
Ele se perguntava se ele tinha que levar alguma coisa para Draco, também. Ou seria estranho? Você deveria levar presentes para o seu namorado quando visitava os pais dele? Ou aquilo era só em situações especiais?
Ele imaginou o que compraria para Draco. Compraria flores, também? Talvez ele pudesse dar uma passada na Dedos de Mel e comprar alguns doces para ele. Ou talvez ele deveria dar algo mais útil para ele?
Teve uma ideia. Levantou de sua cama, e dirigiu-se para o quarto de Neville. Sabia o que queria dar para Draco, e Neville Longbottom era a pessoa certa para ajudá-lo.
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