O sempre é Curto....
3 Seus olhos-
Notas iniciais
Olhei pela janela do meu quarto e logo bateu aquela vontade de ficar em casa, melhor, de voltar para minha cama que ainda estava quente, mas eu tinha que ir para aula, não que tivesse algo importante ou que eu gostava de estudar, eu acho que ninguém realmente gostava de estudar, so estudavam para ser alguém na vida.
Mexi os dedos dos meus pés contra o tapeta do meu quarto, aquilo tinha uma sensação ótima, as vezes eu me deitava nele e ficava olhando para o teto de madeira e ouvindo uma boa musica e esquecia de tudo e todos que estavam pelo lado de fora da porta lilás do meu quarto.
Eu estava quase voltando para cama quanto ouvir a voz do meu irmão do outro lado da porta me tirando dos meus poucos minutos de paraíso, o meu paraíso era fingir que nada tinha mudado.
–Su ta acordada?
Sua voz estava meia roca.
–sim.
Respondi baixo enquanto me enfiava de volta para baixo do coberto.
– vou te levar para escola hoje.
merda, merda...
– ok.
Eu já ia me pondo em pé e caminhando para o banheiro do meu quarto, isso foi a parte boa de ser a filha mais nova de um homem viúvo que já não tinha mais esperança de fazer as pazes com o filho mais velho.
Entrei no banheiro e logo já foi me olhar no espelho, eu continuava igual, nada em mim havia mudado, na verdade eu não mudava dês dos meus 14 anos de idade, eu não crescia e não era só na altura, alias eu tenho 1.65 cm , era em tudo meus seios não saiam dos 40, meus pés dos 34, minha cintura dos 36/38 e minhas blusas do M.
Então o meu caso era o seguinte, enquanto as garotas normais e populares imploravam para ter o meu físico para que pudessem comer o que quisessem sem se preocupar se engordariam, eu implorava para engordar ao menos dois quilos e sair daquela aparência de menina de 15 anos, o que parecia ser impossível.
Tomei um banho rápido e escovei meus dentes ao mesmo tempo, me sequei e foi me vestir, coloquei uma calça jeans escura e uma camiseta de mangas longa e por cima um moletom azul escuro.
Penteie meus cabelos que eram pela metade da costa, eles eram uma mistura meio louca de liso do meu pai e ondulados da minha mãe.
Coloquei um par de meia qualquer e peguei meus tênis, os colocaria La em baixo, peguei minha mochila cinza escuro que estava na cadeira da escrivaninha do meu quarto e então saiu pela porta.
– Ja estava subindo.
Ouvi a voz do meu irmão vindo de la do inicio da escada.
–como sempre ne ?
Meu irmão sempre dizia isso.
Revirei os olhos e logo eu descia as escadas rumo a cozinha, meu irmão preparava meu café, ele estava de costa para mim, assim de costa ele ate lembrava meu pai Marco, os cabelos loiros dele ja estavam começando a ganhar os primeiros fios brancos, o que dava ate um certo charme segundo minha cunhada, ele era alto e tinha ombros largos, mas não era isso que chamava atenção no meu irmão, era os olhos que tinha uma cor em incomum, eles eram cinzentos arrochados, ou seja quase violetas.
–Bem doce certo?
Eu gostava de tudo doce e as vezes doces demais, por isso a cada seis meses eu iria ao hospital fazer exame de sangue para ver se estava tudo no lugar, mas eu so ia por causa da minha cunhada que me obrigava a ir.
–Sim bem doce.
Levei a xícara aos meus lábios e provei, estava bem doce e ate demais, o quanto de açúcar ele pós ali.
– Doce demais.
Vi meu irmão se encostar-se à pia e levar a própria xícara na boca e logo depois disse:
–Quatro colheres certo ?
–Ta tentando me deixar biabética..
Me sentei na cadeira e comecei a por meus par de All Star.
–São três rsr...
Meu irmão era um idiota
Vi ele dar um risinho e logo olhou para cima, para escada.
Acompanhei o olhar dele e la estava ela minha cunhada no inicio da escada sorrindo para meu irmão com a mão sobre a barriga de sete meses quase oito, os cabelos pretos e lisos dela estavam soltos caindo por seus ombros ate a cintura, seus olhos pretos estavam brilhando parecendo bastante feliz.
– Iam ir sem me dar tchau ?
Ela se sentou no primeiro degrau da escada, deixou as pernas estendidas.
–Pensei que você dormia.
Meu irmão foi para o inicio da escada e os dois trocavam sorrisos apaixonados.
–Eca como vocês vivem assim ?
Eles viviam trocando olhares apaixonados e beijos melosos e isso me dava vontade de vomitar, era muito amor para uma pessoa como eu ver, eu não era muito chegada ao Amor.
– Você ainda vai viver um grande amor Suzam.
Eu passei pelo meu irmão e joguei um beijo para minha cunhada.
–Que Deus não te ousa lucinda.
Abrir a porta para sair.
– To esperando no carro Daniel.
*-*
O caminho todo ate a escola eu fiquei ouvindo uma musica qualquer e observando meu irmão que tinha um sorriso bobo nos lábios, eu sabia o porque ele estar sorrindo daquela jeito, ele finalmente seria pai, um pai de verdade de um filho dele com lucinda e não pai porque tinha que cuidar de mim, sua meia-irmã mais nova e órfão de mãe e pai dês dos sete anos de idade.
Nem um parente de perto quis cuidar de mim, ser responsável por mim e então recorreram ao meu irmão mais velho que morava em outra cidade, ele já se encontrava casado com lucinda e já tinha planos para sua vida e nem um deles era voltar para cidade natal para enterrar o pai e assumir a responsabilidade de uma menina de sete anos.
–Quer que eu venha te buscar ?
Já estávamos parados na frente da escola.
–Não, eu vou de ônibus.
Sai do carro ja com a minha mochila nos ombros.
–Tudo bem, tchau.
–Tchau..
Olhei para pátio da escola não tinha quase ninguém ali, olhei a hora no meu celular 8:02, acelerei mais meus passos, não parei para nada, subi para o segundo andar e logo eu estava entrando na sala e então ele Lucas trancou minha passagem.
–Para com isso..
Lucas tinha os braços abertos e ia de um lado para o outro.
–Deixa eu passar.
Eu conhecia Lucas dês da quinta serie e dês de então ele vivia me perturbando.
–Me de bom dia.
Eu não ia dar Bom dia para um idiota como ele.
–Não.
Cruzei meus braços.
–Lucas deixa ela se sentar. Ouvi o professor dizer.
–Tudo bem.
Vi Lucas sorrir e então ele foi se sentar.
Foi ai que meus olhos se encontraram com olhos verdes intensos de um garoto que eu nunca tinha visto antes ali, ele sorriu para mim, senti minhas bochechas esquentarem e então eu logo me aprecei para me sentar.
–Vou fazer a chamada. Ele se sentou e logo dizia os nomes.
Eu percebi que o garoto respondeu quando o Professor chamou por Cameron Briel, eu olhei para trás e ele continuava a me olhar,mas eu logo voltava a olhar para frente.
Comecei a sentir meu coração a bater bem forte e um certo formigamento nas minhas mãos, parecia que o ar não estava chegando ao meus pulmões, eu estava entrando em pânico, eu estava a um ponto de gritar, mas eu olhei para trás e ele ainda sorria para mim e aquilo me acalmou.
Foi naquele dia que eu conheci meu pedaço do paraíso — e também do inferno.
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