Posso me lembrar perfeitamente do sentimento, posso sentir a dor em cada centímetro do meu corpo, foi como se esmagassem meu coração com as mãos...Sentimento o qual não desejaria nem para o meu pior inimigo – apesar de esse maldito ser o causador de tudo isso !

Estava sentado lendo qualquer coisa em uma revista de um mês atrás, a vida na reserva passava devagar, foi quando meu pai com algum tipo de receio disse:

— Ei Jake, tenho algo para você – um sorriso esquisito aparecia em seu rosto

— Opa ! Pode mandar para cá.

— huum Ok, mas antes quero que você saiba que eu estou aqui para qualquer coisa.

Levantei bruscamente do sofá, andei em sua direção e parei em sua frente enquanto ele tentava inutilmente proteger o pequeno conteúdo branco de mim -Do que se tratava afinal?-Em um movimento fácil fui capaz de tirar o que me parecia ser um papel muito delicado de suas mãos. Foi então que a dor tomou meu corpo, pude senti-la da ponta dos meus pés até meu último fio de cabelo, foi com certeza, dez vezes pior que quebrar todas as costelas. Se tratava de um convite – COMO ELES PODERAM?!- Estava escrito “Isabella Marrie Swan e Edward Anthony Masen Cullen pedem pela honra da sua presença em seu casamento”. Não pude controlar, a dor era forte, a tristeza era imensa a raiva indescritível, sai da pequena casa e deixei o calor me tomar, logo estava em quatro patas, o vento nas narinas e no meu pelo, pude ouvir Billy dizer algo atrás de mim, mas não adiantou, em segundos estava entre as árvores.

Corri sem destino, a cada passo que dava para sair de Forks era um passo que dava para proteger os que amava da minha ira. Os pensamentos eram constantes, faziam as coisas ficarem piores, ela era dele agora e jamais seria minha. Aquele beijo...Aquele beijo não significou nada se não um irônico “adeus”, por mais que soubesse a verdade a esperança que tudo fosse diferente ainda vivia em mim mas agora ela se fora, e de uma forma tão brusca...

Não podia ouvir a matilha, o que era bom, pois assim eles também não poderiam me ouvir. Viajei sem destino por dois dias seguidos, sem comer ou dormir, me encontrei em uma floresta de coníferas, provavelmente no Canadá, despenquei sobre minhas patas, o solo ainda estava um pouco úmido, caí no sono em segundos. Nem mesmo em meus sonhos fui capaz de esquecer minha dor, a cena de nosso beijo voltava continuamente como em um replay de um filme,era tão real...Quando acordei já estava anoitecendo, podia ouvir as corujas e os insetos, levantei lentamente, balancei a cabeça e senti um buraco em meu estomago, precisava caçar. Ergui a cabeça e deixei a brisa suave trazer todos os aromas da floresta, era maravilhoso, consegui relaxar por um segundo, como um baque o cheiro fresco de carne e sangue pulsante entrou em meus pulmões, não muito longe de onde estava. Minhas garras automaticamente saltaram pra fora e eu corri em direção ao cheiro. Me escondendo entre os arbustos pude ver... Era um grande leão da montanha, nenhum desafio, mas com certeza saciaria minha fome. Em um salto o alcancei e cravei minhas presas em sua garganta, como era boa, a sensação de caçar talvez tenha descarregado minhas ansiedades, a verdade é que a dor diminuiu um pouco.

Pouco a pouco as coisas foram mudando, passei a não pensar mais claramente, eu agia simplesmente por instinto. Comia quando tinha fome, dormia quando tinha sono, bebia quando tinha sede e viajava quando tinha vontade. Meus sonhos não mais eram com lembranças de um passado doloroso, mas sim com refeições que eu poderia fazer, cheiros de coisas e lugares e lutas por território. Foi então que em um último lampejo de consciência fui capaz de perceber que estava me tornando no animal que eu nunca quis ser, em uma besta sem objetivos. Não sei ao certo mas com certeza já faziam dias e dias que eu estava viajando de floresta em floresta, e já estava na hora de parar, colocar tudo no lugar e começar de novo. Para isso precisava achar civilização, fechei os olhos e me concentrei no meu olfato, pude sentir os humanos a poucos quilômetros de onde estava, sem pensar muito, para não mudar de idéia, corri em direção ao cheiro com todas as minhas forças. Em algumas horas eu avistei casas,ruas e construções – Nossa depois de meses, aquilo tudo parecia outro mundo- me concentrei e me transformei de novo em homem, com as pernas meio bambas e ainda atrás de uma árvore avistei uma placa “Bem-Vindo a Fairbanks-Alaska”.