O segredo de Naitoria
2 Capítulo 2
Uma saraivada de tiros foi direcionada a Sanji, Robin e Chopper que, rapidamente, assumiu a forma Guard Point, na qual se transformou em uma grande bola de pelos, que absorveu o impacto das balas e evitou que elas atingissem alguém. Assim que ouviu o som das duas armas clicando por estarem descarregadas, Robin usou sua habilidade, fazendo brotar dois braços em cada lado da cintura da garota, desarmando-a. Sanji correu até onde ela estava, chutando as duas pistolas para longe. No meio de toda a confusão, o gatinho fugiu assustado.
A garota ficou paralisada e não entendia por que os três não a atacaram em revide.
— Vocês... Vocês não vão fazer nada comigo...? — balbuciou.
Sanji acendeu um cigarro, deu um trago e soprou lentamente a fumaça, para depois responder:
— Não.
— Mas... — ela questionou. — Por quê? Vocês são piratas, e estão em vantagem.
— Não temos motivo para atacar ninguém. — Robin disse.
— Pelos cartazes que caíram do seu bolso, você sabe quem somos, né? — Chopper indagou. — Mas a gente só parou aqui pra comprar suprimentos, pra seguir viagem.
A garota tinha cerca de dezesseis anos, pele bronzeada, cabelos ondulados e curtos de cor azul-escuro, cuja franja cobria a testa até as sobrancelhas. Usava uma camiseta básica vermelha e calças cargo na cor bege. Tirou do bolso um maço de cartazes que estavam enrolados e checou. Em três deles, ela reconheceu:
— Vinsmoke Sanji, conhecido como "Sanji Perna Negra"... Nico Robin, a "Filha do Demônio"... Tony Tony Chopper, "Amante de Algodão Doce e Pet do Bando"...
— Ô, EU NÃO SOU PET, NÃO! — a rena protestou.
Nisso, o gatinho voltou e começou a roçar nas pernas de sua dona, que o pegou e permitiu que ele se acomodasse por sobre seu ombro esquerdo. Tratava-se de um gato de pelagem alaranjada, que teria no máximo uns seis meses de idade. Apesar da confusão, ele não olhava para o trio com hostilidade, mas com certa curiosidade.
— Eu acho que ele gostou de vocês. — a jovem disse. — O Mika costuma ser arisco até com quem é daqui.
O gatinho chamado Mika deu uma breve sequência de miados, que Chopper logo traduziu:
— Ele disse que agradece pela sardinha que ganhou, e que isso mostra que não somos maus.
— Ué, você entende cem por cento o que meu gato diz?
— É que eu também sou um animal como ele.
— Ah... Agora percebi que você tem chifres. Não é todo dia que se vê uma rena falante fofinha por aí.
Chopper enrubesceu e protestou:
— Nem vem! Não vou ficar feliz por você ter me chamado de "rena falante fofinha", tá?
— Ele tá felizão. — Sanji comentou. — A propósito, senhorita...
— Chika.
— Senhorita Chika, por que este lugar é tão quieto durante o dia? Cheguei a pensar que não tinha ninguém.
— Nesta ilha, a ilha de Naitoria, tudo funciona somente à noite. Somos, por assim dizer, pessoas de hábitos noturnos.
— Existe algum motivo específico para isso? — Robin indagou.
Quando Chika iria responder, um homem chegou esbaforido até onde ela estava com os três integrantes do Bando do Chapéu de Palha. Entretanto, se deteve assim que os viu e já ia fugir, quando a garota perguntou:
— O que aconteceu, Kaz?
— Essa não...! — ele exclamou. — Até você foi pega pelo bando do terrível Chapéu de Palha!
— Não, eu não fui pega!
Kaz piscou os olhos sem entender. Fitou a garota, para em seguida, encarar Sanji, Chopper e Robin. Não havia qualquer sinal de tensão entre os presentes, e nem mesmo Mika, o gato, parecia estar com medo.
— Então...?
— O que tá acontecendo?
— Chika, tá uma confusão danada no restaurante da sua tia! Ela tentou repelir o ataque do Chapéu de Palha, mas não tá conseguindo!
— Tava demorando pro nosso capitão se meter em alguma confusão... — Sanji resmungou. — Senhorita Chika, pode nos levar até lá?
*
Dois tiros foram ouvidos em frente ao restaurante daquela área e Luffy foi atingido. E, por ele ser de borracha, as balas acabaram voltando contra quem dera os disparos. Tudo o que a pessoa pôde fazer foi se jogar ao chão para não tomar de volta os balaços. A pessoa em questão se levantou, ainda empunhando sua arma e a apontando enquanto tremia tomada de terror. Era uma mulher de cerca de trinta e cinco anos, cabelos mais longos na cor azul-escuro, usando um lenço para prender as madeixas num rabo-de-cavalo baixo. Vestia camisa xadrez em tons de rosa e calças jeans escuras.
— Então... — a voz saía tremida pelo medo. — Você é o famoso Luffy do Chapéu de Palha...?
Luffy respondeu casualmente:
— Sou. E vou ser o Rei dos Piratas!
— SÓ POR CIMA DO MEU CADÁVER!
E mais dois tiros foram disparados contra ele, enquanto Nami e Usopp se afastaram para as balas não sobrarem para os dois. Luffy era de borracha, então balas comuns não o feriam. Com isso, a munição disparada novamente voltou, graças à elasticidade proporcionada pela Gomu Gomu no Mi.
— Ô moça... Isso não vai funcionar comigo, não.
Quando a mulher fez menção de atirar mais uma vez, algumas pessoas entraram na frente, decididas a defendê-la, já saltando na direção do Chapéu de Palha. Luffy se esquivou com certa facilidade, revidando alguns socos e chutes, enquanto se desviava de lâminas como facas e canivetes. Usopp e Nami nem se mexeram, porque sabiam que os adversários eram fracos e que o capitão daria conta com facilidade.
Mais e mais pessoas acorreram ao restaurante para ajudar e a confusão ficou ainda maior. Luffy revidava os golpes defensivamente, até que perdeu a paciência e distribuiu uns sopapos extras.
— JÁ CHEGAAAAAAAA! EU SÓ QUERO COMEEEEEEEEEEER!!
O grupo de pessoas arregalou, confuso, os olhos. Aquele era mesmo o famigerado pirata Luffy do Chapéu de Palha? Mesmo ele sendo forte, não ousou ferir mortalmente nenhum dos adversários. Teriam ouvido informações distorcidas a seu respeito?
Nisso, os outros dois grupos do bando chegaram. De um lado, Jinbe, Zoro e Franky; do outro, Chopper, Robin e Sanji, além de Chika e Kaz. Ao verem um bocado de gente caída e começando a se levantar, Zoro e Sanji externaram seus pensamentos:
— Tinha que ser o Luffy!
— Poxa, eu só queria comer...
— E PRA ISSO VOCÊ PRECISA ARRUMAR CONFUSÃO? — Zoro protestou enquanto Sanji ajudou Chika a acudir a mulher que, por fim, largou a espingarda.
— EU NÃO ARRUMEI CONFUSÃO, VEIO TODO MUNDO PRA CIMA DE MIM, ZORO!
— É verdade, Zoro! — Usopp defendeu Luffy. — Esse pessoal atacou a gente meio que do nada. Acho que eles não vão com a nossa cara.
— É meio óbvio que não, né? — Nami revirou os olhos. — A gente é pirata. E boa parte das pessoas simplesmente não gosta ou já teve experiências ruins ao cruzar o caminho de certos piratas.
A navegadora sabia muito bem o que era isso. No passado, odiava piratas com todas as forças de seu ser quando estivera nas mãos de Arlong e seu bando. Fora uma experiência terrível. Mas nem todos eram assim e ela aprendeu desde o momento em que passara a integrar o bando de Luffy. E ali estava ela, sendo ironicamente uma pirata.
— Espera aí... — a mulher que começara a confusão se manifestou. — Então vocês não vieram pegar nosso tesouro?
— Tesouro?! — Nami perguntou com os olhos brilhando, mas tentando se controlar para eles não se converterem em cifrões de berries. — Er... Que tipo de tesouro?
— Minério de kairouseki.
Kaz questionou, claramente preocupado:
— Norah... Por que contar isso? É perigoso contar algo assim, principalmente a piratas!
Norah se permitiu relaxar e respondeu:
— Acho que podemos dar um voto de confiança, uma vez que não fizeram nada à minha sobrinha Chika. E eu acho que devo desculpas ao Chapéu de Palha por toda essa confusão.
— Ah, tá de boa! — Luffy respondeu.
Jinbe, intrigado com a informação que ouvira, comentou:
— Corrijam-me se eu estiver errado, mas... O kairouseki só é encontrado em uma determinada região, mais especificamente em Wano.
— De fato — Kaz concordou. — Mas aqui em Naitoria foi encontrada uma rara jazida fora de Wano. É a base da nossa economia aqui.
*
No Thousand Sunny, Brook tampou o frasco de tinta nanquim e guardou a pena que estava usando para escrever a letra de sua última composição. Pegou as cifras da melodia da mesma música e colocou sobre a mesa, onde ficasse fácil de ver enquanto tocava sua guitarra. Com o instrumento em mãos, começou a afinar corda por corda, afinando "de ouvido" (embora não tivesse ouvidos). Em seguida, posicionou os dedos esqueléticos da mão esquerda no braço da guitarra para começar a fazer os acordes e, em seguida, iniciou o dedilhado. Com os dedos da mão direita, feria cada corda, tirando dela um som extremamente nítido de cada nota anotada nas cifras.
Ao terminar de tocar, deixou a guitarra de lado e caminhou ao convés do navio, percebendo que começava a anoitecer e que a cidade que havia na ilha começava a se iluminar. Esperava que não acontecesse nenhuma confusão envolvendo Luffy e os outros, e que tudo corresse bem com as compras.
— Vai ver, eles encontraram muitas coisas interessantes... Não me surpreenderia. Cada ilha onde a gente atraca tem alguma surpresa, então é normal demorar um pouco.
Brook, então, ouviu o som de chamada do Den Den Mushi e se dirigiu para dentro, para atendê-lo. Enquanto cantarolava "O saquê de Binks", ouviu o barulho de uma pedrinha batendo em alguma parte de madeira do navio. Deteve sua caminhada ao ver a tal pedrinha, olhou para fora da embarcação e não viu ninguém.
"Deve ser alguma criança travessa", pensou.
Na hora em que pegou a tal pedrinha, sentiu as forças começando a abandoná-lo. Quando fez menção de arremessá-la para longe, uma corrente, jogada do nada, prendeu seus pulsos e o derrubou no chão.
— Eita...! — o músico exclamou com voz já pastosa de tanta fraqueza. — É kairouseki... Tô lascado... Como é que caí numa armadilha besta dessas...?
Enquanto isso, o Den Den Mushi continuava tocando seu característico "pere-pere-pere, pere-pere-pere"...
*
— O Brook não atendeu?
— Não, Usopp. — Franky respondeu. — Vai ver ele tá tocando e não ouviu. Cê sabe como são esses músicos, né?
— Vamos dar um tempinho e depois tentar de novo.
Enquanto esperavam mais um pouco para fazer uma nova ligação, Norah chegou com dois pratos fumegantes de comida e os colocou na mesa onde os dois estavam, acompanhados por Luffy. Chika ajudava, servindo a mesa onde estavam Chopper, Jinbe e Robin. Em seguida, a dona do restaurante serviu Zoro, Nami e Sanji, que deu a primeira garfada no bife e elogiou:
— Senhorita Norah, se você compartilhar comigo a receita deste bife, eu compartilho qualquer coisa com você!
— Pra gado completo, só falta o chifre. — Zoro murmurou.
Sanji escutou e se levantou, batendo no tampo da mesa.
— REPETE! REPETE O QUE DISSE, CABEÇA DE GRAMA SINTÉTICA! SE VOCÊ QUER BRIGA, É BRIGA QUE VOCÊ VAI TER!
— ENTÃO VEM, SOBRANCELHA DE ARAME! SÓ VEM!
Um som de gongo soou, sinalizando que a briga não aconteceria. Nami pegou a cabeça de um e bateu contra a cabeça do outro com força, nocauteando a ambos, com direito a galo em cada cabeça. A ruiva bateu as mãos, como se as limpasse, sentou-se e voltou a comer sua refeição.
— Comam logo, idiotas! Temos que fazer compras!
Usopp, ao terminar de comer sua parte, retirou novamente de sua bolsa o Den Den Mushi. Fez a chamada para se comunicar com Brook, que provavelmente já teria dado uma pausa em suas composições e ensaios, afinal, uma hora o Soul King teria que dar uma pausa. Mais uma tentativa sem sucesso.
Fez mais uma tentativa, esperou, até que se ouviu o som de alguém atendendo, um “Gacha”.
— Caramba, Brook! — ele exclamou. — Tava concentradão, né? A gente tava tentando te ligar pra...
— Aqui não é o Brook. — uma voz diferente e mais profunda respondeu. — Ele está conosco. Entreguem o seu capitão, e nós devolveremos o Soul King.
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