O segredo de Max
3 A fuga
Notas iniciais
Max
—Mas eu tinha combinado com os meus amigos!- gritou Max um pouco alto demais. Não havia sido a sua intenção irritar ainda mais o padrasto. Sabia que não era uma boa ideia argumentar devido a expressão no rosto dele. Apesar dele nunca ter a tratado realmente mal, o padrasto era muito mais rígido com Billy, por vezes a tratava melhor do que ao filho. Isso teria alguma relação com o número que ela tinha no pulso ou ele realmente tinha alguma afeição por ela? Não sabia.
O tempo pareceu parar no momento que ela gritou. Seu padrasto olhava firme para ela, porém não levantou a mão para lhe bater ou algo do tipo. A atitude dele pareceu irritar Billy, provavelmente porque se fosse ele a falar dessa forma já teria levado um tapa no meio da cara.
—Vai deixar que ela fale desse jeito com o senhor?- disse Billy querendo ver o circo pegar fogo. — Vai deixar que ela levante a voz?
—Quieto, a conversa ainda não chegou em você. Saia Billy, quero conversar a sós com a sua irmã.
—Mas eu...- Billy ia começar a falar, mas o pai levantou a mão o ameaçando. Saiu murmurando que Max não era irmã dele e subiu as escadas olhando uma última vez para ele. Quando estava fora de vista o padrasto falou:
—Vou lhe falar a verdade, mas vai prometer não contar para a sua mãe.
Max apenas concordou com a cabeça.
—O problema é o seu pai. Ele está na cidade.
—O que isso tem de errado?- perguntou Max. Não entendia direito porque a mãe pareceu fugir dele. Tava certo que teve o divórcio e tudo mais, porém nunca entendeu porque tiveram que ir para uma cidade tão pequena e afastada. Não sabia muito sobre divórcio, mas sabia que geralmente ambos os pais tinham o direito de está perto do filho. Não era normal o filho ficar somente com a mãe, exceto se tivesse algo a mais. Se o pai fosse perigoso.
—Você vai entender algum dia. A Susan quando voltar deve lhe contar a história toda, ou pelo menos o suficiente para entender porque tem que ficar em casa hoje. Já está na hora dela lhe contar essa história. Em resumo você não pode se encontrar com ele.
Susan
Max era sua filha. A única que tinha. Apesar dela não ser exatamente dela. Enquanto dirigia lembrava de como tudo começou. Era cientista de um projeto secreto do governo e ela e o marido foram escolhidos para uma missão. Teriam que criar como se fosse filha deles uma menina que tinha poderes que poderiam ser úteis no futuro. O principal objetivo do projeto era ver como uma menina que tinha a capacidade de ser usada como arma agiria no meio dos cidadãos normais, em um lar normal. Se conseguiria passar despercebida entre as outras crianças e se tornaria mais obediente ao governo por ter sido ensinada por pessoas dele. Os resultados seriam comparados com das outras crianças que cresceram que ambientes do governo ou lares diferentes.
A menina tinha entre um ano e dois quando foi entregue para eles. Como um lembrete de que ela não era exatamente filha deles o número 012 veio gravado no pulso da menina. O nome Maxine foi escolhido por ela, mas seu marido muitas vezes queria se referi a menina somente como 012. Como isso foi nos primeiros anos de vida ela não lembrava.
O poder da menina era perceptível mais quando era mais nova, quando foi crescendo ele foi se escondendo dentro dela. Talvez ela nem lembrasse que ela o controlava no abrir e fechar dos olhos, desde bebê era assim, por isso que ao contrário das outras crianças eles logo souberam qual era sua habilidade. Susan tentou afastar esses pensamentos. Tinha que chegar em casa o mais rápido possível, mas os pensamentos sempre voltavam ao mesmo ponto. Seu ex que segundo soube estava na cidade. Com certeza atrás da menina.
Seu ex marido nunca amou Max realmente, para ele a menina era parte de uma experiência do governo e nada mais. Susan se afastou do laboratório, mas enviava relatórios sobre o dia a dia da menina. Quando pensou que o projeto havia sido encerrado, devido ao fato de não ter mais obtido respostas do governo e de seus relatórios não terem chegado ao antigo laboratório tentou convencer o marido a ficarem com a menina para sempre. Como a filha deles.
—Ela não passa de uma cobaia.- disse seu ex de forma séria -O acordo era a gente ficar com ela até ela chegar na adolescência, até completar 12 anos e nada mais. Devíamos a devolver, mesmo que o projeto não exista mais você ainda tem o contato dos antigos responsáveis por ele.
Foi quando pediu o divórcio e ficou com a guarda de Max. Conheceu o pai de Billy e tudo corria bem até que certo dia o governo lhe enviou uma carta. Ignorou pensando se tratar da confirmação do cancelamento do projeto. No dia seguinte seu ex bateu na porta trazendo a mesma mensagem que tinha na carta que tinha ignorado. Queriam a menina de volta. Naquela mesma noite fugiram todos para a cidade mais afastada que acharam. Sabia que Billy culpava Max por causa disso.
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