O segredo de Kara Danvers
3 Capítulo 3
Kara faz o possível para não subir no andar da sala de Cat no dia seguinte. Na verdade, ela havia passado praticamente o dia todo bem escondida no DOE escrevendo uma matéria para o jornal.
— Você está bem? – pergunta Winn.
Kara, concentrada no que estava escrevendo parece não ouvir a pergunta e Winn repete.
— Estou claro, só estou bem concentrada nessa matéria, ela vai pro jornal. – responde Kara, sem nem olhar pra ele, parecendo um pouco tensa.
— Se continuar digitando assim, vai assassinar o teclado. – diz ele. Kara então para, respira fundo e começa a digitar com menos força e Winn balança a cabeça, rindo.
***
À noite, enquanto Kara voa pela cidade, seu comunicador toca.
“Kara?”
“James? Está tudo bem?”
“Na verdade sim, eu só estou ligando porque acabei de sair da sala da Sra Grant e ela quer falar com você. Digo, com a Supergirl.”
Kara engole em seco.
“Tudo bem. Vou passar na Catco, obrigada.”
Ela para de voar, flutuando no ar. Ela suspira, olhando para as estrelas no céu e para a cidade lá embaixo.
Tudo é tão pacífico ali em cima. Ela pensa no que acontecera no dia anterior e sente um frio na barriga só de pensar em ver e conversar com Cat pessoalmente de novo. Aquele olhar penetrante da magnata, fixo nela, ela ainda pode sentir como se estivesse acontecendo agora. Cat sabia.
E por mais que ela culpe Mon El, ela não pode fugir da realidade de que o rapaz estava certo. Ela sentia algo por Cat.
“Talvez só um maldito crush de adolescente.” Ela pensa em voz alta para si mesma, suspirando, tentando mentalizar que tudo isso não passava de bobagem. Mas imagens de Cat é tudo o que lhe vem à memória e seu coração começa a bater mais forte.
“Você está tão perdida, Kara Danvers. Você está tão, tão perdida. Sorte minha ser a Supergirl, porque eu não queria estar na sua pele agora.” Diz Kara para si mesma, rindo da trágica ironia.
Ela segue rumo à Catco, parando no ar um pouco acima da sacada. Ela pode ver Cat sentada em sua mesa lá dentro e como se sentisse sua presença, a mulher se vira, olhando para ela. Kara sente borboletas no estômago e sorri levemente. Cat tira os óculos e caminha em direção à sacada.
— Boa noite, Sra Grant.
— Boa noite, Supergirl. – responde Cat.
— James disse que a senhora queria falar comigo. – diz Kara.
— Sim, eu pedi pra ele te chamar. Venha, sente-se. – diz a magnata, caminhando até as poltronas estofadas da sacada.
Kara pousa na sacada e segue Cat até lá.
— Sente-se.
Kara olha para a poltrona, para Cat, acha um pouco estranho, mas caminha até lá e se senta.
— Hm... – Cat suspira, se sentando na poltrona bem de frente com a heroína – Eu estive pensando, eu nunca tive tempo de observar você de perto.
Kara sorri um tanto sem graça e suas bochechas coram.
— Sra Grant, eu...
— Olhe para mim, Supergirl. – diz Cat apenas.
Kara então levanta os olhos, olhando diretamente nos olhos dela. A magnata sorri, satisfeita.
— Você me parece levemente familiar... – diz Cat e Kara cora ainda mais, mesmo assim mantendo a compostura.
— Eu não faço ideia do motivo. – diz então ela. Cat sorri.
— Sua semelhança com os humanos é incrível. E é incrível pensar que uma bala não é capaz de penetrar sua pele. – Cat estende a mão para tocar o rosto de Kara. Ela toca a ponta dos dedos em sua bochecha, acariciando a pele levemente.
— Incrível. – sussurra a magnata. Kara fica olhando para ela como se estivesse em transe. Cat estava acariciando sua bochecha e Kara não consegue pensar em lugar nenhum que desejasse estar mais do que ali naquele momento.
— Deixa eu ver suas mãos. – diz Cat e Kara estende as mãos, um pouco hesitante. Cat desliza os dedos nas mãos de Kara e a garota permanece em silêncio, surpresa demais para dizer qualquer coisa.
— Eu sei que você pode achar isso estranho, mas estou fazendo isso pela ciência, Supergirl. É natural do ser humano ser curioso.
— Claro, tudo bem. – responde Kara, com as bochechas vermelhas.
Cat então se levanta e gesticula para Kara fazer o mesmo. Kara sorri e se levanta e Cat caminha até estar mais próxima dela. A magnata estende a mão, deslizando os dedos pela borda de seu uniforme, abaixo de seu pescoço.
— Eu nunca vi esse tecido. O que é ele? – pergunta Cat e ela está tão perto que Kara consegue sentir seu perfume nitidamente.
— É... é um tecido kryptoniano.
Do tecido, Cat percorre os dedos pelo pescoço dela e Kara sente que vai ter um ataque cardíaco a qualquer momento. Cat olha para ela.
— Você está bem? – pergunta a magnata.
Kara concorda com a cabeça.
— Seus olhos... estão brilhando... é bem fraco, mas estão. Eu não havia reparado, eles são assim o tempo todo, naturalmente?
Kara desvia o olhar, olhando para o lado, para o chão e juntando as mãos.
— Não, às vezes.
— Isso é muito interessante. Mas não tem perigo de eles dispararem involuntariamente, tem? – pergunta Cat, caminhando em volta dela. Ela percorre as mãos pela capa vermelha da garota.
— Suponho que isso também seja um tecido kryptoniano?
— Sim. – diz Kara – E não, os meus olhos, eles não disparam involuntariamente, só se... – Kara então corta o que ia dizendo.
— Só se? – continua Cat, ainda atrás dela e a magnata desliza as mãos pelos cabelos dela, e Kara fecha os olhos.
“Pela ciência, Kara. Ela está fazendo isso pela ciência.” Ela pensa, respirando fundo.
— Só se eu for exposta a situações de estresse muito grande ou emoções muito fortes, incontroláveis. — responde Kara.
Nesse momento Cat dá a volta até estar frente a frente com ela novamente, percorrendo a mão pelo ombro dela e então apoiando ambas as mãos na base do pescoço de Kara, ficando muito próxima a ela.
Kara quase perde o balanço com o movimento de Cat, não porque Cat fosse capaz de tirar seu equilíbrio, mas porque ela estava muito sensível a qualquer toque com a magnata por perto, e Cat estava tão, tão perto. Seus olhos brilham mais forte do que antes a ponto de o rosto de Cat se iluminar. Kara percebe e vai desviar o olhar, pois não quer machucar Cat com um possível e iminente disparo, mas Cat segura seu rosto no lugar.
— Magnífico. – sussurra Cat, observando os olhos de Kara brilhando e a garota então fecha os olhos, mas o brilho continua através de suas pálpebras e ela abre os olhos novamente, olhando para o céu dessa vez.
— Não consigo mantê-los fechados, por favor se afaste, Cat, eu não quero machucar você. – diz ela.
— Olha para mim, Supergirl.
— Eu não posso.
— Olha para mim.
Engolindo em seco, Kara olha para Cat. Ela faz o possível, segurando para que seus olhos não disparem. Para piorar a situação, Cat se aproxima novamente. O brilho dos olhos de Kara parece se fundir em seus olhos, conforme ela luta para que eles não disparem e uma orla cor de lava se forma ao redor deles enquanto a pele ao redor de seus olhos se torna escura e o brilho parece se espalhar por ali, tornando a parte superior de seu rosto incandescente por debaixo de sua pele.
— Cat? – a voz de Snapper é inconfundível e ambas Kara e Cat quebram o transe e olham em direção à porta da sacada.
— Isso é tudo. Eu preciso entrar. – diz Cat, se afastando em direção à porta da sacada, ainda olhando para Kara. – Boa noite, Supergirl.
— Boa noite, Sra Grant. – a voz de Kara sai diferente, mais vibrante e sonora como se ela realmente não fosse humana enquanto ela permanece imóvel onde está.
— Você vai ficar bem? – pergunta Cat e Kara concorda com a cabeça.
Assim que Cat entra, fechando a porta da sacada, Kara se desequilibra, apoiando na sacada, fechando os olhos. Ela então levanta voo, sem olhar para onde está indo, voando até as nuvens e indo em direção onde ela sabe que era o deserto. Quando ela abre os olhos novamente eles disparam com um estrondo, transformando em lava tudo o que o calor toca no chão durante alguns segundos. Kara então suspira, descendo até o chão, exausta, em pé sobre o solo. Ela abre os olhos e sai fumaça deles, mas ela se sente aliviada de toda a tensão que parecia consumi-la momentos atrás.
***
Cat caminha em direção a seu escritório e Kara a observa do outro lado da sala, com um suspiro.
— Não vou zoar você porque deve estar brava comigo ainda. Eu te trouxe um latte com baunilha de desculpas. – diz Mon El, chegando por trás dela, um pouco hesitante. Kara apenas pega o latte da mão dele e bebe um gole, enquanto continua olhando para a sala de Cat com um olhar nostálgico.
Lena passa por ali concentrada em uma pasta que tem nas mãos.
— Você passa por aqui todos os dias nesse horário ou eu estou tendo um deja vu? – diz Mon El, e Lena levanta a cabeça repentinamente, notando os dois amigos ali.
— Ei, não vi vocês. – diz ela abrindo um sorriso, se aproximando.
— “Não vi vocês.” Claro que não viu, o James está saindo do elevador, pensando bem, por isso que você passa por aqui nesse horário? – pergunta o rapaz, como se tivesse feito uma grande descoberta.
Lena rola os olhos.
— Ela está bem? – pergunta Lena, quando Kara continua em silêncio, tomando o latte e olhando na direção da sala de Cat, onde a magnata está andando de um lado para o outro, falando no telefone.
— Ela está tentando escutar a crush no telefone, quem disse que ser alien não tem suas vantagens? – diz Mon El, rindo.
— Não estava escutando ninguém no telefone, estava só admirando a paisagem. – suspira Kara tranquilamente, sorrindo.
Lena e Mon El se entreolham surpresos.
— Olha. Se eu não te conhecesse diria que está admitindo que sente "coisas" pela Sra Grant. – diz Mon El, desconfiado.
— E do que adianta eu continuar negando? Você não vai parar de me encher mesmo.
Lena ri, surpresa.
— Já tem planos de como chegar nela?
Kara arregala os olhos.
— O que? Não! Não, eu não vou “chegar” nela, ela é a Sra Grant, não uma garota sozinha na mesa do bar, eu não posso “chegar” nela.
— Calma, eu estava brincando. – diz Lena, rindo.
— Hum, muito estranha essa mudança repentina de opinião, ontem mesmo você estava querendo me matar e hoje está admitindo que está apaixonad-
— Eu não disse que estou apaixonada! – diz Kara.
— Eu não ficaria surpreso, até eu me apaixonaria por essa mulher, tão classe A, poderosa, ui! – diz ele e as duas garotas olham para ele.
— O que? – diz ele – Olhem para ela, tão fina, chique, elegante...
Cat, que ainda falava no telefone se vira, e seu olhar se encontra com os de Kara, Mon El e Lena, parados no meio da sala de fora, olhando para ela. Ela levanta uma sobrancelha e os três desviam o olhar imediatamente, corando.
— Nossa, melhor eu ir trabalhar. – diz Lena.
— E eu também. – diz Kara, saindo.
Mon El continua em pé ali sozinho, e quando percebe Eve olhando para ele e mordendo o lábio inferior, ele rola os olhos, se virando e saindo também.
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