O segredo da Biblioteca
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Riza é a minha guardiã. Espero que gostem desta one-shot. ♥
— Okay, irei então. Obrigada! — Me despedi da Miiko com um acenar.Corri para a biblioteca animada, porque FINALMENTE iria ter alguma atividade. Ao entrar, vi todos os livros revirados pelo chão e, ao fundo, uma Ykhar descabelada.— Ykhar?? O que houve? — Perguntei, confusa.— RIZA! — Ela gritou, no susto — Por favor, saia daqui!— Me diz o que aconteceu! — Fui entrando, tentando não pisar nos livros.— Eu o perdi! O perdi! — Ykhar gritava, correndo em direção à porta e a trancando comigo lá dentro.— Perdeu o que?— Meu diário! Meu diário, Riza! — Ela dizia em pânico, completamente vermelha.— Seu... Diário? Na biblioteca da Guarda...? — Agora SIM eu estava totalmente confusa.— Sim! Eu sempre o guardo aqui na sessão de doenças porque só a Eweleïn a utiliza e ela nunca achou meu diário enfiado atrás da estante... Até hoje!— Calma, calma — tentei segurá-la pelos ombros — A Ewe apareceu aqui? Ela deve ter pegado por engano, não?— NÃO! ESSE É O PROBLEMA! — Ela agora começou a chorar — QUEM O PEGOU FOI O VALKYON!— E o que tem? Não deve ter nada de tão important ass... — Fui interrompida por um fecho de luz — Ah. Entendi...Era óbvio: a Ykhar com certeza gostava do Valkyon e agora está em pânico sobre ele ler o diário dela.— Me diz, por que você guardou seu diário íntimo num local público? Não era melhor guardar no seu quarto?— Eu fazia isso, mas meu mascote o rasgou várias vezes e tive que por em um canto em que ele não pudesse achar...— E quem o achou em vez disso...— PARA, RIZA! Estou tão nervosa, e se ele ler?! — Ela estava realmente desesperada.— Ykhar, vou tentar falar com ele e te devolver, tudo bem? Não se preocupe.— Oh, muito obrigada Riza!!! — Ela me abraçou com muita força, tanta que até doeu.Okay, achar o diário da Ykhar. Primeiro precisei achar o Valkyon. Demorei mais de duas horas atrás dele e nada. O procurei por TODO canto. Comecei a ficar angustiada pela Ykhar. Imagino que tipo de "declaração" ela fez naquele diário... Ou pior, talvez tenha até outras coisas. Quem sabe desenhos pornográficos?Dei de cara com o Nevra, que me olhou sorrindo.— Ora, se não é minha gatinha? — Piscou.— Nev, agora estou ocupada... Você viu o Valkyon? É urgente.— Valkyon? Hm... — Colocou a mão no queixo, pensativo — Ele estava agora à pouco na cantina.— (Meu Deus, como sou burra! Eu não procurei lá!) Obrigada Nevra!— Ei, ei, calma, e o meu beijo de despedida? — Ele riu.— Ha, ha. Se quer vem pegar. — Eu disse, debochando.— Fácil assim eu não gosto. — Nevra devolveu, partindo para onde ia.Aproveitei para ir procurar o Valkyon na cantina. Corri até lá na velocidade da luz, quase escorregando no meu vestido.— Valkyon! — Gritei ao vê-lo comendo, enquanto lia um pequeno livro velho.— Olá Riza. — Sorriu para mim. — Esse livro... Onde o achou? — Perguntei arfando, depois da enorme corrida que tive até aqui.— O achei na biblioteca. Não sabia que lá tinha uma sessão de poesia.—... Poesia? — Parei para raciocinar um pouco.— Sim, dê uma olhada. — Ele me deu o diário da Ykhar.De fato, era um livro de... Poesia. A Ykhar escrevia poesia!— Nossa, é realmente lindo. — Falei impressionada pela escrita tão bonita da Ykhar. Não tinha absolutamente nada de Valkyon, paixão, sexo ou coisas embaraçosas. — Valkyon, desculpe, mas esse livro é da Ykhar e ela está doida atrás dele. Ela não sabia que havia esquecido lá.— Oh, sério? Que pena, eu estava gostando. Diga para ela me emprestar depois.— Hm... Quem sabe você mesmo não possa dizer? Garanto que ela ficaria feliz.— Mesmo? Então assim que terminar de comer, irei falar com ela. — Sorriu.Sinto que fiz um ato heróico. Esperei o Valkyon terminar seu lanche para acompanhá-lo até a biblioteca. Quando a Ykhar nos viu, quase gritou de vergonha.— V-Valkyon! Riza!— Ykhar, calma! — Eu disse, deixando sair uma risada. Deixei os dois a sós e ouvi de fininho pela porta. Tudo que ouvi foram palavras muito meigas do Valkyon sobre como gostava de poesia e pediu para a Ykhar recomendar mais livros daquele tipo. Foi quando ela teve coragem de dizer que foi ela quem escreveu e, pelo que deduzi através da porta, o Valkyon pareceu ter gostado. Talvez eles consigam conversar agora sobre um assunto em comum?
Um pouco depois, o Valkyon saiu e eu entrei sem que ele me visse.— Ykhar?— Riza...! Obrigada. — Ela sorriu para mim, muito envergonhada. -... Ele adorou.— Por que você estava com vergonha? É só poesia. É um dom seu, você devia era mostrá-lo ao mundo.— Não sei, achei que o Valkyon iria achar idiota. Obrigada, obrigada! — Ela me abraçou.— Que bom que deu tudo certo. Deixe-me te ajudar a arrumar essa zona antes que o Kero apareça.Ajudei a Ykhar a arrumar a biblioteca, dessa vez expondo o livro dela para que qualquer um o alugasse e, claro, com sua assinatura. Kero chegou assim que terminamos, perguntando o que houve para estamos tão suadas e cansadas.— Oi, Kero... — Falamos.— O que aconteceu?— É uma longa história... — A Ykhar disse, sorrindo desajeitada.— Você gosta de poesia? — Perguntei, sorrindo.— Não muito, por quê? — Ele estava totalmente sem entender.— Pensamos em criar uma sessão só de poesias. — Falei.— Talvez seja interessante, mas não temos muitos poetas em Eldarya. — Ele disse pensativo.— Podemos acrescentar os do meu mundo. Lá tem muitos. — É, tem sessões de contos, por que não de poesia? — a Ykhar se juntou à mim.— Tudo bem, podemos falar com a Miiko sobre isso. — O Kero respondeu, guardando alguns livros nas estantes que ele mesmo trouxe. — Pode perguntar para ela por mim?— Claro!Saí da biblioteca e fui procurar a Miiko para perguntar à ela se era possível ampliar o acervo da biblioteca. A encontrei no corredor.— Miiko!— Oi Riza, não te vi mais desde mais cedo.— Eu estava com a Ykhar e decidimos que seria interessante uma sessão de poemas e poesias na biblioteca. O que você acha? Kero pediu para perguntar.— Por mim tudo bem. — Ela disse enquanto caminhava.Graças a trapalhada da Ykhar, agora a biblioteca do quartel tem uma sessão de poesia. O engraçado é que ela ficou bem ao lado da sessão de guerra. Quem sabe a Ykhar se inspire e faça uma poesia em homenagem ao Valkyon?[...]Dois dias depois, eu fui à sessão nova de poesia que já tinha alguns livros, dentre eles o diário da Ykhar. Ela me pediu para ajudá-la a passar à limpo o diário dela para um livrinho mais arrumado, usando a máquina de escrever. Com o passar do tempo, eu cheguei a um texto que me lembrou muito o Valkyon.O bravar do machado radiava,Assim como sua força inimaginável.Eu estive pensando: como as estrelas podem brilhar no céu,Se você, aqui em baixo, as ofusca com sua bravura?Senhor das estrelas, por favorMe ajude a descer para te encontrar,Para finalmente poder ficar na ponta dos pés para lhe verEm vez de ficar aqui em cima, sozinhaApenas na presença de papel e chuva,Doce SenhorAgora sei o porquê da vergonha, Ykhar...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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