O salvador do Olimpo
17 O pedido
Notas iniciais
Você que é semideus/a entende o que os sonhos podem querer dizer. Digo, não são ‘’sonhos’, são meio que ‘’realidade’’. Para nós nunca é só um sonho, é sempre uma verdade. O mais difícil é interpretar o que elas querem dizer.
Meu sonho começou assim: eu estava numa sala onde não via nada e ouvia crianças gritarem – como nos meus dois últimos sonhos – Duas pessoas vinham andando na minha direção. – acho –
– Ele ainda não entendeu – falou a primeira voz
– Tenha calma. Ele entenderá. – falou a segunda vez.
– Está demorando! – falou a primeira vez.
– Como diriam os mortais : nasceu de oito meses? – disse a segunda voz – tenha calma
– Acorda Percy!
Annabeth estava me sacudindo. Me leventei tentando me livrar da sonolência.
– Que foi?
– Já é de noite. Todo mundo tá te procurando.
–Quem?
Ela me bateu.
– ACORDA E LEVANTA – ela gritou
–TÁ TÁ
– Sai daqui. Toma banho. Em uma hora vai ser a janta. Veste a camisa. Depois a gente se fala.
– Oopa. Vem cá.
Puxei ela de lado e a beijei.
Ela tentou atirar em mim um troféu mas eu corri.
– Onde você estava? E por que tá descalço e com cara de sono? – Nico se meteu na minha frente.
– Nos estábulos mamãe. – resposta rápida
– Você está vindo do chalé de Atena.
– Estou?
– Sim. E tá com cara de sono, a camisa tá ao contrário e tá descalço.
– E ?
– Não me diga que se perdeu no caminho e foi parar na cama do chalé de Atena?
– Por aí
– Então tá né. Quíron ia amar saber disso.
– O que você quer pra ficar calado?
– Você vai dar as próximas notas da organização do chalé, certo?
– Sim
– Eu quero um 4. Não terei tempo e vontade pra organizar aquela bagunça.
– Tá. Posso ir?
– Só não dê a desculpa esfarrapada pra outra pessoa que veio dos ‘’ estábulos ‘’. Acho que você se acertou com Annabeth. Tem uma hora pra tomar banho.
Saí correndo quando:
– Com pressa ? – Rachel perguntou
– O que foi?
– De onde você vem.
– Estou sempre atrasado. Tchau
– Responda. Hã, sua camisa está ao contrário.
– Do chalé de At... da casa grande.
– Ah meus Deuses Percy. Não me diga que..
– NÃO! NÃO! Ainda não pelo menos.
– Ok. Quero saber de tudo. Pode ir.
Tomei banho rápido e fui pro refeitório.
– Percy! – Gritou Leo
– Leo.
– Posso falar com você?
– Claro.
– Eu ando tendo uns sonhos. – ele falou – eu sou meio que cego e escuto crianças gritando
– Eu também ando tendo sonhos iguais a este. Hoje no chalé de Atena sonhei a mesma coisa que você pela terceira vez.
– Chalé de Atena? – ele perguntou confuso
– Não importa. – corei
– Verdade. Agora... você sabe o que aquilo significa?
– Não.
– Eu sei
– Sabe? – perguntei confuso
– Sim. Você ainda não entendeu? Eles estão nos chamando. Eu, você e quem mais estiver com esses sonhos malucos. Eles nos querem e aquelas crianças são as iscas.
– Então vamos lá.
– Tem um pequeno detalhe.
– Qual?
– O motivo porque a gente não enxerga nada nos sonhos é porque eles tem uma fúria,não sei, que quando chegamos perto dela ficamos cegos. E torna tudo mais difícil.
– Ficamos cegos? Tá de brincadeira comigo? Isso torna tudo bilhões de vezes mais difícil,certo?
– Realmente. Mas eu acho que eles irão mandar essa fúria pelo caminho. Para nós derrotarmos. Se nós conseguirmos. Ótimo. Mas se não não conseguirmos, morremos. Tenho que ir.
– Aonde você vai?
– Não te interessa. – ele falou e saiu
Fui pro refeitório e me sentei sozinho na mesa de Poseidon. Fiquei pensando no que Leo me disse sobre aqueles sonhos.
Depois do jantar fui me encontrar com Annabeth perto do lago.
– Ei. – eu disse quando vi ela sentada me esperando. – você ia me esperar?
– Você sabe que não. – ela respondeu.
– Posso te fazer uma pergunta.
– Tem direito a três.
– Haha. Hã, eu não quero te magoar. Por que você contou pra todo mundo menos pra mim o que houve com sua madrasta?
Eu pensei que ela ia gritar comigo e se levantar mas ela olhou nos meus olhos e disse :
– Porque como agora, você ia sentir pena de mim. Não ia? E eu não contei pra todo mundo.
Eu queria dizer que não mas ela tinha razão. Eu estou sentindo pena dela. Atena nunca fala com ela. E seu pai... bom... seu pai ficaria sozinho com dois filhos.
– Ia. Me desculpa.
– Para de pedir desculpas.
– Desc.. Ok Ok – eu ri e olhei pra ela.
– Engraçadinho. –ela pegou no meu rosto.
– Temos um assunto pra conversar. Na verdade dois. Qual você quer primeiro? O Bom ou o ruim?
– O ruim.
– Ok. Eu ando tendo uns sonhos. E o Leo me disse hoje que tem os mesmos sonhos que eu. Eu não sabia o que significava, então ele me contou. Hã, no sonho não vemos nada. Tudo é escuro, só escutamos crianças gritando pedindo socorro. Leo disse que esses caras que aparecem também no meu sonho são da armada de Cronos. As crianças são a isca para eles nos terem. Temos de partir em uma missão pra resgatá-las. O único problema é, quando se chegar perto das benevolentes/fúrias que eles tem perdemos totalmente a visão. Tudo irá ficar mais difícil. A esperança é que seja no caminho e não no local final. Acho que eles estão me testando.
– Nossa Percy. Temos que contar a Quíron. Se esses capangas forem os mesmos que mataram minha madrasta eu juro que ...
– Eu vou contar ao Quíron amanhã. Não se preocupe.
– E a notícia boa?
– Bom... o baile.
– O baile.
– Você quer?
– Quero o que?
– Você sabe. – estava começando a ficar com vergonha
– Não sei nada. – ela ia começar a rir
– Não acredito que você quer que eu fale do jeito formal.
– Acredite.
– Annabeth Chase, aceita ir ao baile comigo?
– Sim, cabeça de alga.
– De qualquer forma a gente ia junto mesmo.
– Posso saber porque?
– Porquê nós namoramos.
– Isso não quer dizer que a gente vai junto.
– Me explique então.
– É como Afrodite e Hefesto. Eles são casados mas Afrodite sempre tem seus casos com outros deuses.
– Então você tá me dizendo que mesmo namorando comigo pode beijar outros caras, é?
– Não. Só que pra você ir comigo ao baile teria de fazer o convite formal.
– Que frescura. Meus deuses.
– ‘’Frescura’’. Fala o cara que quer tudo sempre azul.
– Engraçadinha. – disse rindo
Deitamos abraçados na areia.
– Você acha que a gente nunca vai ter sossego? – ela me perguntou meio triste.
– Eu pensei que você gostasse de enfrentar monstros, salvar o mundo junto comigo.
– Você sabe que eu gosto. É só que antes, bom, antes eu vivia pra isso. Dos 7 anos até os 12 eu só treinava treinava e treinava. Aí você chegou e me ofereceu lutas e mais lutas. Aí eu cresci e percebi que a vida não se resume a isso. Antes nada mais me importava, sabe? Contanto que eu estivesse com minha faca na mão e tivesse monstros na minha frente era maravilhoso, e ainda é. Hoje em dia eu tenho outras prioridades.
– Que outras prioridades?
– Você é a principal. Eu quero lutar com você do meu lado. Sem você não rola.
– Por mais que eu não queira ser uma prioridade sua eu também quero você sempre do meu lado. Sua maior prioridade é você.
– Não vamos discutir.
– Eu nem queria.
– Você sabe que sim.
– Você sabe que eu sei que sim.
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