Notas iniciais
Volteeei! E agora sem a gripe que estava me deixando de cama e destruída. Eu revisei, mas sempre escapa alguma coisa. Ainda mais quando você tenta revisar e cuidar de uma cria de 1 ano e 4 meses ao mesmo tempo kkkk Ps.: Eu mudei as características do Capitão um pouco no primeiro capítulo, ok? Não muito. Mas mudei haha. Aproveitem o capítulo!

Wednesday – 08:00 a.m.

O despertador tocava loucamente sobre a mesinha quando Recruta esticou a mão para fora do seu casulo quente de cobertas e bateu a mão sobre o aparelho irritadiço. Espreguiçou, os braços sobre a cabeça e os pés tentando chegar até o fim da cama.

Arregalou os olhos quando um braço quente se enrolou em sua cintura e o puxou mais para dentro das cobertas. O nariz levemente torto se enroscou em seu pescoço e os lábios finos passaram a se esfregar em sua pele de forma lenta. Recruta resmungou, se afundando um pouco mais naquela bolha quente e macia e...

— Oh, não, não, não...

Tentou se levantar, mas Rico não permitiu, enrolando as grossas pernas nas suas e o prendendo ainda mais.

— Cedo ainda.

— Atrasados! Muito, muito atrasados! — Recruta empurrou o braço de seu peito, falhando terrivelmente. — Rico! Deveríamos estar indo até o esconderijo para... para...

Engoliu as palavras ao sentir a língua contra sua orelha e fechou os olhos quando os dedos apertaram seu mamilo.

— Você dizia?

— Gosto mais de você quando não diz nada e apenas resmunga. — Recruta se retorceu contra a mão calosa.

— Podemos arrumar isso.

Rico sorriu, um de seus raros sorriso felizes e não aqueles lunáticos antes de explodir alguma coisa. Recruta gostava dos sorrisos felizes. O que ele poderia fazer? Era um algodão doce ambulante e adorava tudo que fosse cor de rosa e alegre. Exceto Rico. Ele era mais como algo sombrio revestido de terror que o atraía de uma forma que não sabia explicar. E nem queria.

Seus pensamentos se dissiparam quando a mão deslizou por seu estômago e passou pela virilha, agarrando suas bolas para então subir até seu membro e bombeá-lo devagar.

— Rico...

— Olhos abertos, Sweetie — grunhiu contra sua garganta conforme passava o corpo sobre o menor.

Rico não era apenas cheio de músculos. Ele tinha cicatrizes em todos os lugares que os olhos de Recruta alcançavam. Marcas de bala, facas, arranhões profundos e queimaduras. Pele enrugada em todas as partes como uma lembrança de que antes de ser um agente ele fora um mercenário contratado para aniquilar.

Uma máquina de guerra e devastação.

Tocou suavemente a marca que mais o deixava perturbado. Um tiro de Desert Eagle[1], onde a bala quase o matou, passando tão perto do coração que o deixara inconsciente por dias. Recruta o sentiu estremecer abaixo de seus dedos e se abaixou, buscando os lábios do menor. A língua passou pelo lábio inferior, sentindo a textura, antes de procurar uma abertura. Recruta ergueu as mãos e enredou os dedos nos cabelos negros e curtos nas laterais.

Haviam cicatrizes ali também.

A cabeça de Rico mudou um pouco o ângulo, deixando o beijo mais profundo, mais provocador. Recruta gemeu, o quadril subindo em busca de algum alívio. Sentiu as mãos grande apertarem sua bunda, massageando a carne enquanto o quadril de Rico fazia movimentos de vai e vem, seu membro passando entre a fenda de uma forma erótica e quente.

Um dedo sondou sua entrada e Recruta ofegou contra a boca de Rico. Os sons dentro do quarto eram apenas o da pele esfregando uma na outra, beijos molhados e suspiros rasos. Um suave estalido da cama contra a parede. O eco do vento tentando encontrar passagem pela janela firmemente fechada.

Um dígito entrou no buraco apertado e Recruta abriu os olhos, o quadril impelindo contra a palma de Rico. Arqueou o pescoço quando o outro passou a beijar e sugar a pele, descendo devagar pelo peito e barriga antes de afundar o membro de Recruta no oco quente de sua boca. Recruta agarrou os lençóis, os dedos finos e pálidos retorcendo o tecido. A combinação da boca ávida mais os dedos o alargando era o suficiente para tê-lo implorando como um filhote.

— Rico...

Estremeceu quando a língua desceu pelo períneo e alcançou onde seus dedos massageavam, molhando e tocando.

— Lubrificante — rosnou debaixo das cobertas.

Recruta gemeu, tateando pela mesinha de cabeceira em busca do frasco perdido da noite anterior. Isso se ele ainda possuísse um inteiro.

O som de um celular tocou, paralisando-o em sua busca. Levantou as cobertas, vendo que Rico sequer se importava com o barulho, continuando o trabalho que começara.

— Celular! Você... Oh, Deus!

Sua cabeça caiu contra os travesseiros quando a boca de Rico o sugou com força e seus dedos tocaram a próstata. O celular parou e voltou a tocar. Recruta se remexeu, conseguindo escapar do agarre de Rico e isso apenas deixou o homem muito irritado.

Empurrando as cobertas para longe, esticou a mão e pegou o celular do chão aos pés da cama para atender.

— Recruta, onde você...

— O que é? — latiu furioso por ter sido interrompido.

A linha ficou muda. Recruta sentou-se devagar na cama e os olhos se arregalaram devagar ao apontar para a capinha com um unicórnio. O celular era dele.

Rico fechou os olhos e ficou de cócoras, completamente confortável com sua nudez. Esfregou a testa e soltou o ar devagar.

— Recruta?

— É o Rico.

— Porque você está com o celular do Recruta?

Recruta roías as unhas, quase devorando os próprios dedos. E agora? Conseguia ouvir a voz do capitão. Será que ele desconfiaria? Seriam expulsos do grupo? Esfolados vivos?

— Festa ontem. Recruta deixou o celular no chão da sala. Você me acordou.

Um silêncio prolongado apenas para ferver os nervos do Recruta.

— Espero que não estejam de ressaca. Não quero meus homens sem foco na casa de Julien. Precisamos encontrar esse ladrão e fazê-lo ver o sol nascer quadrado.

— Acordados e cientes, Capitão. Presentes na cena do crime em dez minutos.

Desligou o celular e o jogou sobre a mesinha. Recruta engoliu em seco e olhou-o esperando por respostas. Rico apenas encolheu os ombros e sorriu de lado. Droga, era o sorriso perverso que ele também gostava.

— Temos dez minutos para chegarmos lá. E apenas cinco para terminar o que começamos.

— Não há como...

— Há sim.

Recruta gritou quando Rico mergulhou sobre ele cheio de más intenções e promessas silenciosas de prazer. Cinco minutos foram suficientes para deixa-lo com as pernas bambas pelo resto do dia.

Na casa de Julien, Capitão enfiava o celular no bolso e jogava um olhar para Kowalski.

— Quando eles pensam em nos contar?

Kowalski encolheu os ombros e cruzou os braços.

— Talvez eles não tenham a intenção de contar, senhor.

— Somos uma família! Ninguém deve esconder nada da família!

— Concordo plenamente com o senhor. Acho que deveria dizer a todos em uma reunião sobre os pacotes de Cheetos que guarda atrás da estante, em uma parede falsa.

Capitão franziu as sobrancelhas e cruzou as mãos atrás do corpo.

— Kowalski, eu não faço ideia do que você está falando.

— Não? — arqueou uma sobrancelha.

— Oh, olhe! Uma campainha.

Muito interessado no botão, ele o apertou diversas vezes até a porta da frente se abrir e Maurice aparecer. Seu rosto estava torcido em uma máscara de fúria e empurrou a mão do Capitão para longe do botão.

— Ainda bem que chegaram. Julien passou a noite inteira reclamando sobre essa maldita tiara. — Ergueu os olhos sobre o ombro do Capitão e franziu o cenho. — Onde estão os outros dois?

— Brincando de casinha.

Kowalski balançou a cabeça e tomou a frente. Alto como era, isso era muito fácil.

— Estão um pouco atrasados, mas a caminho.

Maurice assentiu e abriu um pouco mais a porta, convidando-os a entrar. Capitão soltou um assovio baixo e girou ao redor, olhando para cima.

— Olhe só a altura deste teto! Caberia um cavalo de Tróia aqui dentro.

— Seria difícil passar pela porta, senhor.

— E se ele estivesse desmontado?

Kowalski parou um momento e olhou atento o Capitão.

— Isso... Não seria ir contra o propósito do cavalo de Tróia?

— Os soldados poderiam dizer que são os construtores. — Apontou.

— Genial, senhor. Uma invasão completamente diferente e perspicaz.

Maurice pigarreou ao lado deles e apontou para a escadaria central.

— Julien está lá em cima. Poderiam me acompa...

— VOCÊS FINALMENTE CHEGARAM!

Os três olharam para cima quando a voz escandalosa de Julien chegou até eles. Vestido em uma túnica branca até os joelhos e calças no mesmo tom, sapatos dourados e cheio de pulseiras coloridas, assim como colares e o óculos de lentes roxas sobre os cabelos platinados. Era como um arco-íris brilhante no topo da escada.

— Olhe só para ele. Se achando o rei com toda essa pomposidade. — Riu e acotovelou Kowalski na cintura. — O rei dos lêmures.

Ambos riram baixinho conforme Julien descia as escadas pelo corrimão e caía gracioso na frente deles. Bateu suavemente sobre a cabeça de Maurice que era um pouco mais baixo e entrelaçou os dedos na frente do corpo.

— Agora que estão aqui, encontrem minha tiara.

— Precisamos do acesso a suas câmeras internas.

— Isso é completamente confidencial. — Julien empinou o queixo e balançou a mão. — O que faço dentro da minha casa não é da conta de vocês.

Capitão bateu a mão contra a testa enquanto Kowalski abria a boca para tentar responder quando Mort surgiu de uma porta lateral com um grito entusiasmado. O garoto tinha mais energia que mil usinas elétricas. Se atirou contra as pernas de Julien em um agarre firme, fazendo o homem inclinar para o lado ao tentar empurrá-lo para longe.

— Maurice, tire esse garoto de cima de mim!

— Vamos brincar? Eu quero brincar! Quando podemos brincar?

— Maurice!

Capitão apertou os dedos contra a têmpora, tendo a certeza de que havia entrado na casa de lunáticos. A campainha soou novamente e soltou um suspiro, agradecido que Recruta e Rico haviam finalmente chegado. Ele precisava de suporte. E Recruta costumava ser ótimo com crianças. Mort soltou a perna de Julien e jogou as mãos para cima enquanto pulava.

— O Recruta chegou! O Recruta chegou!

Julien apertou as mãos sobre a cabeça cheia de cachos castanhos e fez a criança ficar quieta por poucos instantes. Uma tarefa difícil para alguém hiperativo.

— Olá! — Recruta sorriu e acenou, as bochechas mais rosadas que o normal.

Como de costume, Rico apenas grunhiu um cumprimento antes de parar e cruzar os braços. Com uma sobrancelha arqueada, Julien apoiou o braço sobre a cabeça de Mort e apontou para os dois que chegaram.

— Você estavam juntos?

Recruta engasgou, puxando a frente de seu moletom.

— N-não. Porque perguntou isso?

— Porque chegaram juntos. — Apontou.

— Coincidência!

— Vocês não foram a uma festa? — Capitão cutucou.

— E não me convidaram?! — Julien exclamou, apoiando as mãos na cintura.

— Nós podemos nos concentrar no que viemos fazer aqui? Por favor? — Recruta implorou.

Se continuassem naquela conversa, ele iria entregar tudo o que fizeram em seu quarto menos de cinco minutos atrás. Menos a forma como a língua de Rico era habilidosa. Ele podia não falar muito, mas quando queria ela funcionava muito bem.

Sentiu as bochechas corarem com o pensamento.

Kowalski suspirou e olhou para Julien.

— Suas câmeras?

— ‘Tá bem! Mas não me responsabilizo pelo que vocês poderão ver.

— Querido, acho que eles não querem ver nosso quarto. Quando dizem “internas” querem dizer da casa toda. Principalmente o quarto onde você guarda a tiara — Maurice disse.

— Oh. Porque não me disseram isso logo? Venham. Vou mostrar minha sala de segurança.

Virou nos calcanhares e saiu rebolando pelo corredor com Mort em seu rastro. Maurice suspirou e apontou a direção contrária, já que o próprio dono do lugar não sabia nem onde ficava o banheiro.

Recruta jogou um olhar para Rico e se arrependeu terrivelmente. Já que o homem o olhava da mesma forma de quando estava prestes a ataca-lo. Engoliu em seco e correu, se escondendo atrás do Capitão. Da forma como estavam indo as coisas, não duvidava que o outro o jogasse dentro de um dos quartos para se aproveitar do corpo pequeno.

E Recruta duvidava que poderia recusar.

[1] Pistola produzida pela Magnum Research Inc., fazendo com que esta arma se tornasse a mais potente pistola existente com calibre 12,49.

Notas finais
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