O roubo da Tiara de Julien
2 Parte 2/4
Notas iniciais
Wednesday – 08:00 a.m.
O despertador tocava loucamente sobre a mesinha quando Recruta esticou a mão para fora do seu casulo quente de cobertas e bateu a mão sobre o aparelho irritadiço. Espreguiçou, os braços sobre a cabeça e os pés tentando chegar até o fim da cama.
Arregalou os olhos quando um braço quente se enrolou em sua cintura e o puxou mais para dentro das cobertas. O nariz levemente torto se enroscou em seu pescoço e os lábios finos passaram a se esfregar em sua pele de forma lenta. Recruta resmungou, se afundando um pouco mais naquela bolha quente e macia e...
— Oh, não, não, não...
Tentou se levantar, mas Rico não permitiu, enrolando as grossas pernas nas suas e o prendendo ainda mais.
— Cedo ainda.
— Atrasados! Muito, muito atrasados! — Recruta empurrou o braço de seu peito, falhando terrivelmente. — Rico! Deveríamos estar indo até o esconderijo para... para...
Engoliu as palavras ao sentir a língua contra sua orelha e fechou os olhos quando os dedos apertaram seu mamilo.
— Você dizia?
— Gosto mais de você quando não diz nada e apenas resmunga. — Recruta se retorceu contra a mão calosa.
— Podemos arrumar isso.
Rico sorriu, um de seus raros sorriso felizes e não aqueles lunáticos antes de explodir alguma coisa. Recruta gostava dos sorrisos felizes. O que ele poderia fazer? Era um algodão doce ambulante e adorava tudo que fosse cor de rosa e alegre. Exceto Rico. Ele era mais como algo sombrio revestido de terror que o atraía de uma forma que não sabia explicar. E nem queria.
Seus pensamentos se dissiparam quando a mão deslizou por seu estômago e passou pela virilha, agarrando suas bolas para então subir até seu membro e bombeá-lo devagar.
— Rico...
— Olhos abertos, Sweetie — grunhiu contra sua garganta conforme passava o corpo sobre o menor.
Rico não era apenas cheio de músculos. Ele tinha cicatrizes em todos os lugares que os olhos de Recruta alcançavam. Marcas de bala, facas, arranhões profundos e queimaduras. Pele enrugada em todas as partes como uma lembrança de que antes de ser um agente ele fora um mercenário contratado para aniquilar.
Uma máquina de guerra e devastação.
Tocou suavemente a marca que mais o deixava perturbado. Um tiro de Desert Eagle[1], onde a bala quase o matou, passando tão perto do coração que o deixara inconsciente por dias. Recruta o sentiu estremecer abaixo de seus dedos e se abaixou, buscando os lábios do menor. A língua passou pelo lábio inferior, sentindo a textura, antes de procurar uma abertura. Recruta ergueu as mãos e enredou os dedos nos cabelos negros e curtos nas laterais.
Haviam cicatrizes ali também.
A cabeça de Rico mudou um pouco o ângulo, deixando o beijo mais profundo, mais provocador. Recruta gemeu, o quadril subindo em busca de algum alívio. Sentiu as mãos grande apertarem sua bunda, massageando a carne enquanto o quadril de Rico fazia movimentos de vai e vem, seu membro passando entre a fenda de uma forma erótica e quente.
Um dedo sondou sua entrada e Recruta ofegou contra a boca de Rico. Os sons dentro do quarto eram apenas o da pele esfregando uma na outra, beijos molhados e suspiros rasos. Um suave estalido da cama contra a parede. O eco do vento tentando encontrar passagem pela janela firmemente fechada.
Um dígito entrou no buraco apertado e Recruta abriu os olhos, o quadril impelindo contra a palma de Rico. Arqueou o pescoço quando o outro passou a beijar e sugar a pele, descendo devagar pelo peito e barriga antes de afundar o membro de Recruta no oco quente de sua boca. Recruta agarrou os lençóis, os dedos finos e pálidos retorcendo o tecido. A combinação da boca ávida mais os dedos o alargando era o suficiente para tê-lo implorando como um filhote.
— Rico...
Estremeceu quando a língua desceu pelo períneo e alcançou onde seus dedos massageavam, molhando e tocando.
— Lubrificante — rosnou debaixo das cobertas.
Recruta gemeu, tateando pela mesinha de cabeceira em busca do frasco perdido da noite anterior. Isso se ele ainda possuísse um inteiro.
O som de um celular tocou, paralisando-o em sua busca. Levantou as cobertas, vendo que Rico sequer se importava com o barulho, continuando o trabalho que começara.
— Celular! Você... Oh, Deus!
Sua cabeça caiu contra os travesseiros quando a boca de Rico o sugou com força e seus dedos tocaram a próstata. O celular parou e voltou a tocar. Recruta se remexeu, conseguindo escapar do agarre de Rico e isso apenas deixou o homem muito irritado.
Empurrando as cobertas para longe, esticou a mão e pegou o celular do chão aos pés da cama para atender.
— Recruta, onde você...
— O que é? — latiu furioso por ter sido interrompido.
A linha ficou muda. Recruta sentou-se devagar na cama e os olhos se arregalaram devagar ao apontar para a capinha com um unicórnio. O celular era dele.
Rico fechou os olhos e ficou de cócoras, completamente confortável com sua nudez. Esfregou a testa e soltou o ar devagar.
— Recruta?
— É o Rico.
— Porque você está com o celular do Recruta?
Recruta roías as unhas, quase devorando os próprios dedos. E agora? Conseguia ouvir a voz do capitão. Será que ele desconfiaria? Seriam expulsos do grupo? Esfolados vivos?
— Festa ontem. Recruta deixou o celular no chão da sala. Você me acordou.
Um silêncio prolongado apenas para ferver os nervos do Recruta.
— Espero que não estejam de ressaca. Não quero meus homens sem foco na casa de Julien. Precisamos encontrar esse ladrão e fazê-lo ver o sol nascer quadrado.
— Acordados e cientes, Capitão. Presentes na cena do crime em dez minutos.
Desligou o celular e o jogou sobre a mesinha. Recruta engoliu em seco e olhou-o esperando por respostas. Rico apenas encolheu os ombros e sorriu de lado. Droga, era o sorriso perverso que ele também gostava.
— Temos dez minutos para chegarmos lá. E apenas cinco para terminar o que começamos.
— Não há como...
— Há sim.
Recruta gritou quando Rico mergulhou sobre ele cheio de más intenções e promessas silenciosas de prazer. Cinco minutos foram suficientes para deixa-lo com as pernas bambas pelo resto do dia.
Na casa de Julien, Capitão enfiava o celular no bolso e jogava um olhar para Kowalski.
— Quando eles pensam em nos contar?
Kowalski encolheu os ombros e cruzou os braços.
— Talvez eles não tenham a intenção de contar, senhor.
— Somos uma família! Ninguém deve esconder nada da família!
— Concordo plenamente com o senhor. Acho que deveria dizer a todos em uma reunião sobre os pacotes de Cheetos que guarda atrás da estante, em uma parede falsa.
Capitão franziu as sobrancelhas e cruzou as mãos atrás do corpo.
— Kowalski, eu não faço ideia do que você está falando.
— Não? — arqueou uma sobrancelha.
— Oh, olhe! Uma campainha.
Muito interessado no botão, ele o apertou diversas vezes até a porta da frente se abrir e Maurice aparecer. Seu rosto estava torcido em uma máscara de fúria e empurrou a mão do Capitão para longe do botão.
— Ainda bem que chegaram. Julien passou a noite inteira reclamando sobre essa maldita tiara. — Ergueu os olhos sobre o ombro do Capitão e franziu o cenho. — Onde estão os outros dois?
— Brincando de casinha.
Kowalski balançou a cabeça e tomou a frente. Alto como era, isso era muito fácil.
— Estão um pouco atrasados, mas a caminho.
Maurice assentiu e abriu um pouco mais a porta, convidando-os a entrar. Capitão soltou um assovio baixo e girou ao redor, olhando para cima.
— Olhe só a altura deste teto! Caberia um cavalo de Tróia aqui dentro.
— Seria difícil passar pela porta, senhor.
— E se ele estivesse desmontado?
Kowalski parou um momento e olhou atento o Capitão.
— Isso... Não seria ir contra o propósito do cavalo de Tróia?
— Os soldados poderiam dizer que são os construtores. — Apontou.
— Genial, senhor. Uma invasão completamente diferente e perspicaz.
Maurice pigarreou ao lado deles e apontou para a escadaria central.
— Julien está lá em cima. Poderiam me acompa...
— VOCÊS FINALMENTE CHEGARAM!
Os três olharam para cima quando a voz escandalosa de Julien chegou até eles. Vestido em uma túnica branca até os joelhos e calças no mesmo tom, sapatos dourados e cheio de pulseiras coloridas, assim como colares e o óculos de lentes roxas sobre os cabelos platinados. Era como um arco-íris brilhante no topo da escada.
— Olhe só para ele. Se achando o rei com toda essa pomposidade. — Riu e acotovelou Kowalski na cintura. — O rei dos lêmures.
Ambos riram baixinho conforme Julien descia as escadas pelo corrimão e caía gracioso na frente deles. Bateu suavemente sobre a cabeça de Maurice que era um pouco mais baixo e entrelaçou os dedos na frente do corpo.
— Agora que estão aqui, encontrem minha tiara.
— Precisamos do acesso a suas câmeras internas.
— Isso é completamente confidencial. — Julien empinou o queixo e balançou a mão. — O que faço dentro da minha casa não é da conta de vocês.
Capitão bateu a mão contra a testa enquanto Kowalski abria a boca para tentar responder quando Mort surgiu de uma porta lateral com um grito entusiasmado. O garoto tinha mais energia que mil usinas elétricas. Se atirou contra as pernas de Julien em um agarre firme, fazendo o homem inclinar para o lado ao tentar empurrá-lo para longe.
— Maurice, tire esse garoto de cima de mim!
— Vamos brincar? Eu quero brincar! Quando podemos brincar?
— Maurice!
Capitão apertou os dedos contra a têmpora, tendo a certeza de que havia entrado na casa de lunáticos. A campainha soou novamente e soltou um suspiro, agradecido que Recruta e Rico haviam finalmente chegado. Ele precisava de suporte. E Recruta costumava ser ótimo com crianças. Mort soltou a perna de Julien e jogou as mãos para cima enquanto pulava.
— O Recruta chegou! O Recruta chegou!
Julien apertou as mãos sobre a cabeça cheia de cachos castanhos e fez a criança ficar quieta por poucos instantes. Uma tarefa difícil para alguém hiperativo.
— Olá! — Recruta sorriu e acenou, as bochechas mais rosadas que o normal.
Como de costume, Rico apenas grunhiu um cumprimento antes de parar e cruzar os braços. Com uma sobrancelha arqueada, Julien apoiou o braço sobre a cabeça de Mort e apontou para os dois que chegaram.
— Você estavam juntos?
Recruta engasgou, puxando a frente de seu moletom.
— N-não. Porque perguntou isso?
— Porque chegaram juntos. — Apontou.
— Coincidência!
— Vocês não foram a uma festa? — Capitão cutucou.
— E não me convidaram?! — Julien exclamou, apoiando as mãos na cintura.
— Nós podemos nos concentrar no que viemos fazer aqui? Por favor? — Recruta implorou.
Se continuassem naquela conversa, ele iria entregar tudo o que fizeram em seu quarto menos de cinco minutos atrás. Menos a forma como a língua de Rico era habilidosa. Ele podia não falar muito, mas quando queria ela funcionava muito bem.
Sentiu as bochechas corarem com o pensamento.
Kowalski suspirou e olhou para Julien.
— Suas câmeras?
— ‘Tá bem! Mas não me responsabilizo pelo que vocês poderão ver.
— Querido, acho que eles não querem ver nosso quarto. Quando dizem “internas” querem dizer da casa toda. Principalmente o quarto onde você guarda a tiara — Maurice disse.
— Oh. Porque não me disseram isso logo? Venham. Vou mostrar minha sala de segurança.
Virou nos calcanhares e saiu rebolando pelo corredor com Mort em seu rastro. Maurice suspirou e apontou a direção contrária, já que o próprio dono do lugar não sabia nem onde ficava o banheiro.
Recruta jogou um olhar para Rico e se arrependeu terrivelmente. Já que o homem o olhava da mesma forma de quando estava prestes a ataca-lo. Engoliu em seco e correu, se escondendo atrás do Capitão. Da forma como estavam indo as coisas, não duvidava que o outro o jogasse dentro de um dos quartos para se aproveitar do corpo pequeno.
E Recruta duvidava que poderia recusar.
[1] Pistola produzida pela Magnum Research Inc., fazendo com que esta arma se tornasse a mais potente pistola existente com calibre 12,49.
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