A noite estava densa e gélida, o silêncio era notório, as árvores, as cercas, as flores e a grama estavam carregados por uma camada grossa de neve, e o vento que soprava levianamente fazia os galhos se moverem em uma sintonia calma. O lugar era conhecido mundialmente, chamava-se A casa dos Gritos, na Grã-Bretanha, a maioria dos bruxos morria de medo de se aproximar da casa que era no meio do nada e envolto a cercas de ferro, um portão largo e enferrujado, a casa em si era toda de madeira, quase caindo aos pedaços e um boato dizia que de longe, da maior árvore que tinha depois das cercas, podia-se ouvir os gritos dos mortos.

A lua se destacava, a nuvem branca se afastava para longe e o céu era mais negro do que as águas escuras do pequeno riacho que corria ali perto, o som da água e dos animais pequenos que ali habitavam era tudo o que se podia ouvir, até aquele momento.

Aproximou-se sorrateiramente do portão uma figura masculina e esguia, o capuz que trajava juntamente de suas vestes longas e pretas não permitiam que seus olhos fossem vistos nem qualquer outra parte de seu corpo grande. Sua presença era arrepiante. Seus passos eram calmos e ele seguia para dentro das cercas, ia em direção à casa dos gritos. Suas pegadas eram grandes, não parecia de um ser humano, mas sim de algum animal. Escorregou as solas dos pés pela neve e passou por baixo das cercas pontudas enferrujadas, enfiou as mãos nos bolsos do sobretudo e seguiu quieto para a casa. O vento ficou mais intenso, o céu estava escurecendo cada vez mais e ruídos se aproximavam.