O retorno da Maldição

1 O retorno do Poeta: A década do Inferno


Caro leitor, acredito que muitos de vocês eu ainda não conheça... ou não terei o prazer de conhecer pessoalmente nesta vida maldita. Mas desde já aviso, não estou nenhum pouco preocupado com vossos anseios e apegos a perfeição ortográfica, semântica ou gramática, estou apenas, apenas, apenas escrevendo para não ficar louco.

Deste modo, vou contar o que aconteceu com esse pobre desgraçado que sou eu... Há cerca de uma década me rogaram uma praga que perdura até os dias atuais. O princípio dessa história me é um borrão na memória, entretanto, me lembro das consequências do que me fizeram, ou como me alcunham, o poeta da maldição. Maldição essa que nunca me abandona, ou me abandonou até os vindouros momentos em que minha pena rascunha esse papel desbotado.

Mas afinal, de que diabos se trata essa maldição, qual a maldita da praga que terei que pagar pela eternidade. Pois bem, fui condenado a viver sem encontrar meu amor verdadeiro e deixar de escrever enquanto vivesse algum amor. Fui condenado a viver vários, alguns talvez, amores sabendo que os mesmos seriam finitos, soube durante esses anos que os relógios seriam meus inimigos.

Diziam-me, ainda dizem, que isso é coisa da minha cabeça e que a mulher não teria poder para conjurar uma magia que fosse capaz de gestar essa maldição. Mas seria possível que mesmo após tanto tempo eu não conseguiria encontrar um amuleto ou magia capaz de romper essa obra de feitiçaria se ela não fosse real? Ou será que o destino, o tempo e o universo estão me pregando uma peça um tanto quanto maldosa.

Pois bem, conheço a minha miséria, minha humana miséria que em toda minha finitude e pequenez não se coloca nesse lugar. Parece-me que esta praga é real e espero que não alcance nenhum coração além do meu... Estou a beira da loucura... Alguns amigos meus me dizem que teria sido melhor ir para um tal de lugar... como mesmo era no nome... Harrenhal, uma terra de sofrimentos, mas não tenho a mínima ideia do que seja ou de onde fique esse lugar.

De fato, estou me alongando e tomando vosso tempo, peço desculpas por ser prolixo e divagar por conta de uma história maldita e uma cabeça completamente desorientada e bagunçada. Desde já, advirto-os que essa história se passa em lugar nenhum, que essa história se passa em lugar nenhum, próximo a nenhuma localidade por vocês conhecidas, contudo tudo que eu lhes contar é verdadeiro e realmente aconteceu. Apesar de tão pouca idade já tenho infinitos problemas gerados por essa maldita maldição...

Aliás não esperem por saber quem é essa mulher, pois não direi nenhuma palavra a respeito dela, não quero receber outra de suas maldições, nem ousarei a mencionar seu nome em meus escritos, me mudei até de província para não correr nenhum risco de encontrá-la. Mas um viajante me disse que ela encontrara um outro amor e havia se casado com ele há alguns anos, felicidades a eles.

Já me cansei de escrever, por hora, é isso que tenho a lhes falar. Ah é mesmo, não se esqueçam de agradecer ao Sir. Brownie, o bardo depressivo, por esses momentos de entretenimento que lhes proporcionarei, pois ele me convenceu a tentar vencer essa maldição. Havia me esquecido, também não escreveria enquanto vivesse algum amor, esse detalhe realmente é crucial para maldição... Enfim, esse é o princípio, não, o retorno da maldição...


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.