O resgate
1 Por favor
Notas iniciais
Bruce Banner pedala pelas ruas ouvindo seu fone de ouvido e balança a bicicleta com proeza pelos cantos e se desviando das pessoas e principalmente, sem estragar o lanche que vinha na caixa.
Ao se afastar da cidade e se aproximar dos becos, diminui a velocidade até parar por completo. Abre a mochila e aguarda.
Sente um roçar nas pernas, um miado singelo com pelos laranjas e a ponta da cauda dobrada.
— Aqui está, bichano. — Sorri ao retirar uma pizza, colocar no chão e dividir a comida. A gatinha balança o salame antes de mordê-lo, lentamente.
— Eu prometo… que ainda… vou te resgatar da rua… vou fugir de casa e... denunciar meu pai... — Escuta um miado.
A gatinha o observa profundamente e sobe em seu colo. Enxuga as lágrimas.
— Obrigado… que nome eu vou te dar? O que acha de Natasha?
Ouve um ronronar.
— Promete que vai me esperar? Por favor! — Abraça a gatinha e molha os pêlos cobre.
A fêmea se espreguiça espichando o corpo. Levanta e vai até a bicicleta.
— Tchau, Nat! — Coça-lhe as orelhas.
Chega em casa e sobe lentamente na ponta dos pés carregando a bolsa térmica, sente-a pesada, tenta abrir enquanto pisa nos degraus e se desequilibra derrubando. Começa a chorar.
— Você chegou em casa, seu desgraçado! — O homem alto surge no corredor.
— Por favor, pai… — O garoto se agacha na escada.
— Isso é hora de chegar? — A raiva fluía.
— Eu estava trabalhando, pai…- Afasta os braços do rosto.
— Devia estar estudando para ser grande igual eu e não um miserável! — Prestes a chutar a caixa, escuta um berro alto e selvagem, fazendo-a rolar e uma bola de pelos pular em si.
As garras fincam na pele, tentando se segurar e ao mesmo tempo agredir.
Bruce encara assustado a cena.
Mãos ágeis puxam o animal e o joga em algum lugar da sala, escuta um vaso ser quebrado e outros berros irritados com o pelo eriçado.
Encara as mãos inchadas, começa a tossir freneticamente, a pele avermelha-se e não somente a região ferida.
Arfa ruidosamente e guina até a cozinha, ansiando algum líquido, mas escorrega nos próprios pés e grita arranhando o pescoço com os dedos grossos.
— B-r-ruce… — Tomba.
Alguns minutos depois, o menino levanta da escada, pega a pizza que foi jogada no chão e caminhando devagar, vai até a estante.
Pss. Pss. Pss. Sou eu! Natasha… pss, pss.
Procura a gata em todos os lugares e a chama de todas as formas, mas não a encontra e por fim, liga para a ambulância. Senta no chão esperando, ao lado do que deveria ser o corpo de seu pai.
Sentia ódio por ele, mas sempre manteve este lado aprisionado, jamais se libertaria.
Assusta-se com o roçar, mas sorri.
Obrigado!
Desliza os dedos pelo corpinho felpudo.
Vamos morar juntos, por favor!
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