O renascimento de Jon Snow
48 Coisas que não podem ser consertadas
Notas iniciais
Jaime
Rochedo Casterly estava cheio de fantasmas. Haviam mais fantasmas do que vivos. Até os vivos pareciam fantasmas. Os Lannisters restantes eram penas sombras do que foram um dia. Sombras que caminhavam com um rosto sem expressão. Como se quisessem se juntar aos mortos. Como se soubessem e sentissem, com toda certeza sentiam, toda a desgraça que caiu sobre a casa Lannisters.
Cersei estava morta. Myrcella estava morta. Tommen estava morto. Joffrey estava morto. Seu pai estava morto. Todos que ele amava estavam mortos. Ele não foi capaz de os proteger e no caso de Cersei, a irmã morreu por sua culpa. Em seus braços. Morta por sua mão.
Seus outros familiares sabiam o que ele havia feito, mas não tiveram coragem de fazer nada ou então viram o cenário e deduziram o que ocorreu. Eram todos fantasmas... Se seu pai estivesse vivo talvez tudo fosse diferente, mas ele não estava. Jaime não gostava de ficar pensando em como as coisas poderiam ser diferentes.
Os barulhos das ondas do mar entrando nas falésias da entrada inferior do rochedo se confundiam com vozes dos mortos. Dos seus fantasmas. Jaime podia ouvir principalmente a voz de Cersei. Brigando com ele. Lhe culpando por ter perdido todos os seus filhos. A voz dela parecia ainda mais irritada conforme o mar se agitava.
Além da voz de Cersei ele ouvia a voz de seu pai. Lamentando a ruína de sua casa. A voz de seus filhos que nunca o consideraram um pai. Ouvia a voz até dele próprio do passado. O censurando pelo que ele se tornou.
Os fantasmas pareciam ser os únicos Lannisters que continuavam rugindo...
Bran
Os filhos da floresta, em sua maioria, estavam se direcionando para a Muralha. Para cumprir a missão destinada a eles. A caverna parecia mais solitária ainda sem eles. Apenas Hodor e Verão lhe faziam companhia perto do trono de represeiro em que estava sentado. Os outros filhos da floresta que haviam ficado estavam distante dali.
Seu lobo Verão ainda estava agitado. Ele deu um uivo de profunda dor no momento em que Jon matou Fantasma. Ele sentiu a dor. Bran e o lobo eram um só cada vez com mais freqüência. Assim como ele e as árvores coração se uniam cada vez mais. A medida que seu poder aumentava suas lembranças de sua outra vida que levou em Winterfell se apagavam. Pareciam ser apenas sonhos. Como aqueles sonhos que ele tinha de outros tempos, outras épocas ou de dias que ainda não chegaram. Os sonhos enviados pelos deuses antigos.
Bran não se importava de isso ocorrer. Ele não se importava de ficar mais tempo tendo os sonhos verdes e longe dessa realidade. Ele não se importava principalmente porque na realidade ele era apenas um menino quebrado. Os sonhos, seus poderes e tudo mais disfarçavam essa dura realidade e o faziam se sentir especial. Mas a verdade. Aquela incomoda verdade que ele escondia no fundo do coração era que ele se sentia frustrado, pois ele tinha tanto poder, mas não podia voltar a andar. A verdade é que algumas coisas não podem ser consertadas. Não importa quanto poder você tenha. Algumas coisas não podem ser revertidas...
Bran fechou os olhos para afastar o sentimento de frustração. Isso não iria fazer bem para ele e não iria mudar nada. Ao fechar os olhos reviu a visão que havia visto há um tempo. Era uma visão do futuro. Uma visão que foi vista através dos olhos dos represeiros que estavam em Winterfell. Os deuses antigos do Norte misturavam o passado, o presente e o futuro e lorde Brynden uma vez lhe disse que tinha que ter cuidado para identificar de que tempo era a visão. Era muito fácil confundir o presente com o futuro, o passado com o presente, mas acima de tudo era muito fácil confundir o futuro com o passado, pois ao longo das épocas ocorrem muitas repetições. Muitas vezes as histórias do passado se repetem no futuro de forma semelhante. Mudando apenas as pessoas envolvidas. Essa visão era a prova disso.
Bran viu que um dos futuros filhos de Jon seria vidente verde também. Uma das crianças seria abençoada pelos deuses antigos com o mesmo dom que ele tinha. Havia poder no sangue Stark. Os deuses dos represeiros sempre mantiveram um relacionamento especial com as pessoas da sua família e isso iria se repetir por gerações pelo jeito. Sempre seria necessário um vidente verde para cuidar dos filhos da floresta e dos próprios humanos.
Assim como havia poder no sangue Stark havia poder no sangue Targaryen também. Por isso o sangue de Jon era tão poderoso e a criança escolhida seria filho dele. Isso era fato. A única dúvida que ele tinha era sobre quem seria a mãe da criança e quando ela nasceria.
Bran sentia uma certa tristeza por saber que os deuses iriam levar um dos filhos de Jon para longe dele e da mãe da criança. Sabia que seria triste e que Jon e a mãe da criança sofreriam com isso. Se sentia triste pelo futuro ter isso reservado... Pensar no futuro também lhe deu uma súbita saudade do seu lar. Da vida que poderia ter tido...
Mas ele não iria pensar nisso agora. Quando chegasse a hora certa essa criança escolhida iria até ele, assim como ele foi até o corvo de três olhos. No momento certo. Mas isso seria apenas no futuro... Haviam muitas questões no presente para que ele se preocupasse com o futuro.
Melisandre
Ela não estava assustada ou preocupada com a possibilidade dos Outros chegarem até onde ela estava e nem da batalha ser perdida. Jon venceria esse e todos os possíveis futuros ataques. Um grande poder estava dentro dele. Ela havia sentido. Melisandre se sentia fraca, mas mesmo fraca sentiu o poder que havia em Jon. No momento em que eles estavam juntos. No momento em que eram apenas um. O poder que ela sentiu nunca mais estaria dentro dela. Esse foi uma parte da cobrança... Mas foi melhor assim. Foi melhor ocorrer isso do que sua morte pelas mãos de Jon.
Mesmo sabendo que o que ocorreu foi o melhor se sentia incompleta e sentia um vazio dentro dela... Sentia também frio. Muito frio. Por algum motivo o vazio sempre está associado ao frio. Desde quando ela era criança a tristeza sempre foi associada ao frio e a alegria ao calor de seu deus. Nada de bom vinha do frio.
Frio lhe lembrava do abandono que sofreu na infância e de todos os sofrimentos que passou. Frio era solidão. Ausência de companhia e de proteção. Nessa ocasião o frio era uma lembrança do que lhe faltava...
Ela se embrulhou ainda mais nas peles. Tentando espantar o frio e a influencia do inimigo do Senhor da Luz. Tentou pensar em sua filha Lyanna. Na pele morna que a criança tinha e no calor de vida que fluía nos risos da bebê. Mas as peles e os pensamentos não ajudaram em nada. Continuou sentindo muito frio e junto com o frio veio as lembranças ruins. Seus fantasmas do passado... Coisas que deviam está mortas mais que voltavam para a assombrar... Assim como os Outros...
Os barulhos do lado de fora pararam. Jon e os outros haviam ganhado e espantado esse ataque. Sentia cheiro de fumaça. Devia ser da queima do corpo dos mortos. Isso era necessário para que eles não voltassem... Um dragão era bem útil em um momento desses...
Antes de realizar o ritual que fez a espada acender ela havia visto nas chamas que ajuda estava a caminho. Ajuda que seria muito bem-vinda. Ajuda vinda de além da muralha e ajuda vinda de outros lugares. Essa ajuda era boa, pois ela não podia mais ajudar Jon...
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