O raio e a morte não nos deram só um presente
3 Eu não sou um desastre com as mulheres, elas que são difíceis de entender.
Notas iniciais
– Vamos por meus problemas em lista. – Eu dizia andando de um lado para o outro na floresta com o Banguela me olhando. – 1: Astrid, não não, as coisas roubadas na aldeia e 2: Astrid. – Olhei para o Banguela que estava com o rosto virado. – Ah qual é amigão, sabe que não posso por a Astrid acima de tudo, mesmo que eu queria. – O Banguela veio e começou a esfregar a cabeça dele na minha mão. – Ah para Banguela, eu sei como você gosta da Astrid. – Odeio quando ele faz esses olhinhos de dragão que foi abandonado na mudança. – Mas eu sou o chefe agora, tenho que por meu povo na minha frente... Que nem você é o alfa dos dragões também. – Pra que que eu fui falar? Sempre que lembro a ele que ele é o alfa agora, ele fica se gabando e andando como uma madame. – Ah grande alfa Fúria da Noite, me desculpe lhe tirar dessa tão maravilhosa tarde tranquila, mas você tem que resolver alguns problemas comigo. – Ele empinou o nariz. – Ta achando o que? Vem logo, to mandando. – Ele se virou de costas. – Ah então é assim, então você vai sentir toda a fúria do grande Soluço e – Antes de eu termina a frase ele se jogou no chão e começou a rir. – O que? Mas... VOCÊ TA RINDO DE MIM POR CAUSA DO MEU TAMANHO? EU SOU ENORME, OLHE TODA A MINHA VIKINDADE E OS MEUS MUSCULOS. – E aquele dragão idiota continuou a rir. – Então é assim, aguenta essa daqui então. — Me joguei em cima dele e ele se fingiu de morto. – Eu sou Soluço, filho de Stoico, o Imenso, sou um grande matador de dragões, raaaaagh. – Mas não foi tão fácil assim derrotar aquele Fúria da Noite, Banguela se levantou e me tacou no chão. – Ah não, não, esse dragão é muito forte, eu não aguento! – Ele se jogou em cima de mim e como premio, ele começou a me lamber. – Banguelaaaaaaaaaaa. Já falei mil vezes pra não fazer isso, essa sua baba gosmenta não sai. – Ele riu da minha cara. – Muito engraçado seu dragãozinho. – Olhei para ele, eu simplesmente fico encantado quando me lembro o quanto maravilhoso é o meu dragão, e alem disso, ele é meu melhor amigo. – Vamos logo. – Dei um tapa na cabeça dele e recebi uma rabada nas costas. E o que aconteceu? Eu voei pra longe. — BANGUELAAAAAAAAAAAA! ME TIRA DAQUI, SEU DRAGAO INUTIL. – Eu achei que ele estaria preocupado por ter me tacado em cima de uma arvore, mas aquele dragão estava rindo e rolando no chão. – Serio Banguela, ai, assim você me machuca amigão, e tem mais se você continuar a me ignorar eu te ponho de castigo. – Fiquei esperando a reação dele. — Banguela? – Ele não olhava para mim, olhava para o meu lado. – Ai amigão, o que que você ta... – Foi quando eu olhei pro meu lado, era uma roupa de couro, e eu reconheço aquela roupa, fui eu que fiz, para uma viking la de Berk, ela tinha pedido para eu fazer. – Boa amigão, achamos uma das peças... Elas estão na floresta, quer dar mais uma olhada para ver o que eu achamos? – O Banguela começou a pular e a rodar. – Legal lega, mas antes... ME TIRA DAQUI.
Você já voou em uma floresta escura, cheia de arvores com galhos pontudos até o anoitecer com um dragão ansioso para resolver sua primeira missão como o sub chefe de Berk voando a maior velocidade possível? Sim, o sub chefe de Berk, é assim que ele se sente, quando ele anda do meu lado ele fica inflando o peito tipo, “Hey, eu sou o dragão dele e ele é o chefe, então eu sou um sub chefe.” Mereço um dragão assim cara... Resultado, eu chegio de arranhões, e ele? Ileso, couro de dragão é muito forte... Queria que minha pele fosse assim, então eu não teria tantos arranhões por causa desse dragão.
– Ai, chega Banguela, eu não aguento mais, olhamos por toda floresta e só achamos essa roupa de couro aqui, acho melhor voltarmos para casa. – Ele abaixou as orelhas em sinal de tristeza. – Calma amigão, nos vamos resolver esse problema, amanha nos voltamos de manha e já sabemos a onde procurar, quem sabe a Astrid ajuda a gente hein. – Ele virou o rosto. – Banguelaaaaaaa, eu to morto de fome, to cansado e cheio de cicatrizes. – Ele colocou a língua pra fora. — Vamos pra casa e amanha resolvemos isso com a Astrid.
Finalmente ele se deu por vencido, acho que ele estava cansado também, ele se inclinou para a direita e fomos em direção a minha casa.
Já devia ser quase de madruga, não tinha ninguém na aldeia. Eu e o Banguela entramos devagar em casa, na ponta do pé, não queria dar de cara com a minha mãe, na verdade, preferia mil vezes ter dado de cara com a minha mãe do que ter dado de cara com a minha mãe e a Astrid.
– A ONDE VOCÊ ESTAVA? – Astrid perguntou apontado o dedo pra mim. To ferrado.
– É, é, eu? Eu tava por ai, com o Banguela, não é amigão? – Ele se virou e deitou pro outro lado, tipo “Me deixa fora disso.” Saudades dragão que me ajuda.
– A onde você estava? Eu estou aqui com a sua mãe a horas.
– Han... Eu... Eu vou pro meu quarto, vou deixar vocês conversarem sozinhos. – Minha mãe deu um pequeno riso e correu pra cima.
ESTOU SOZINHO, ODIN ME AJUDA, ELA VAI ARRANCAR MINHA CABEÇA.
– A onde você estava? Me responde logo, você passou o dia fora.
– Eu fui tentar resolver o problema da aldeia ué. – Falei andando para trás. – Sabe como eu sou um chefe focado no bem estar do meu povo. – Sentei em uma cadeira atrás de mim.
– Soluço, você não faz nem as suas tranças sozinho direito.
– Ah para, é em um lugar complicado. – Cruzei os braços.
– Então, você achou alguma pista? – Ela se sentou no chão a minha frente.
– Achei uma roupa de couro na floresta, acho que o resto das roupas estão por lá.
– Ótimo, amanhã de manha nos vamos lá então. Vamos procurar sobre isso. – Ela se levantou e foi em direção a porta.
– Mas pera, você não tava chateado comigo? – Me levantei e segurei ela pelo braço.
– Não, eu só estava estressada, de cabeça cheia, nada de mais. – Ela puxo o braço. – Espero que você não suma de novo amanhã.
– Eu sei o que você ta tentando fazer, você quer mudar de assunto, Astrid serio, me fala, o que aconteceu?
– Não quero mudar de assunto, só estou falando, não desapareça amanha.
– Astriiiiid. – Puxei ela pela cintura. – Vai me fala. – Passei as costas da minha mão sobre a bochecha dela. – Eu fiz alguma coisa de errado? Me conta.
– Já disse que não é nada, me larga. – Ela me empurrou.
– Astrid, nos estamos sozinhos, minha mãe já deve ta até dormindo, qual o problema de você fica abraçada comigo? – Tentei me aproximar dela de novo.
– Nenhum, Soluço, eu só não quero, vou para a minha casa, amanha de manha, assim que o sol nascer vamos para a floresta, boa noite. – Ela abriu a porta e saiu andando.
Olhei para o Banguela procurando por ajuda.
– Mulheres, da pra entender? – Ele balançou a cabeça como se estivesse falando “Claro que não.”
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