O raio e a morte não nos deram só um presente
4 Cabum, cabum.
Notas iniciais
Acordei com uma menina chamada Astrid pulando em cima de mim na minha cama.
– Soluço, acorda, acorda, meus Deuses, sai debaixo dessas cobertas. – Ela me chacoalhava.
– Nha nha nha, me deixa. – Empurrei ela pro chão.
– SOLUÇO! – Ela puxou minhas cobertas. – Ai meus Deuses, desculpa. – Ela tapou os olhos. — Não sabia que você estava sem blusa. – Ela se virou de costas.
– Tudo bem, não é nada de mais, pode virar Astrid. – Falei rindo.
– Ok. – Ela destapou os olhos e virou.
– Eu vou escovar os dentes, já volto.
– Ok. – Ela disse tremendo.
Fui no banheiro, escovei meus dentes, joguei uma água no rosto e voltei pro quarto sem blusa. Quando cheguei a Astrid estava sentada na minha mesa vendo meus desenhos.
– O que é isso? – Ela perguntou pegando um dos desenhos.
– É uma calda nova pro Banguela... Talvez nos de mais estabilidade e velocidade no voo. – Parei atrás dela na cadeira.
– Mas Soluço, você e o Banguela já são... – Ela se virou pra mim. – AI, DA PRA VOCÊ POR UMA BLUSA? – Eu ri.
– Qual o problema, Astrid?
– Imagina se a sua mãe chega aqui e vê isso, ela vai pensar besteira. – Ela deu uns passos para trás.
– Mas não estamos fazendo besteira... Por que não estamos? Podíamos fazer algo. – Cheguei perto dela.
– SOLUÇO! – Ela bateu o pé no chão, eu ri.
– O que fooooooooooi, Astrid? Seu rosto ta ficando vermelho. Você ta fazendo a sua cara de quando ta com vergonha. – Fui me aproximando mais dela.
– Eu... Eu to bem, cara de vergonha? Eu não tenho isso. – Ela sorriu nervosamente.
– Ta com vergonha, Astrid? – Puxei ela pela cintura.
– Claro que não, porque eu estaria? – Ela continuou andando para trás.
– Amigão, me da uma ajuda? – Pisquei pro Banguela.
Ele começou a andar devagar, tentativa falha de tentar disfarça o que ia fazer, ele parou nas costas dela e a empurrou com a cabeça, nos dois caímos na cama.
– Soluço!
– Valeu, amigão. – Girei na cama e coloquei a Astrid por baixo. – Pronto, a senhorita está presa, agora me fala, me fala o que eu fiz. Não gosto quando você fica assim comigo.
– Soluço, nós temos que resolver os problemas da aldeia.
– Se você já tivesse me contado o NOSSO problema, o problema da aldeia já estaria ate resolvido. – Prendi os braços dela. – Não me obrigue a fazer cosquinha, mocinha.
– Soluço, eu to falando sério! – Ela me olhou brava.
Encarei ela, dei uma piscadinha e sorri, antes mesmo de eu começar a fazer cosquinha nela, ela já estava rindo.
– Soluço. – Ela respitou. – Para, para. – Ela ria cada vez mais.
– Não ate você me contar o que estou te pedindo.
– NUUUUUUUNCA!
– Aaaaaaah, então você admite que tem algo, vai me fala, me fala. – Prendi os braços dela mais forte e comecei a fazer a assombrar na barriga dela.
– Para, Soluço. – Ela estava completamente sem fôlego. – Não me faça te machucar.
– Astrid minha querida, você nunca me machucaria, não é? – Eu comecei a frase bastante confiante, ate me tocar do que eu estava falando.
Ela me olhou com superioridade, e naquele momento ficou obvio, ela iria me machucar. Ela me deu uma joelhada na coxa me fazendo soltar os braços dela, gemi de dor, ela segurou os meus braços e rolamos para o chão.
– Mas o que em nome de Odin você esta fazendo no seu quarto, Soluço? – Minha mãe disse aparecendo na porta. – Ah... Han, desculpa, não sabia que vocês dois estavam ai, sozinhos, um em cima do outro.
Eu não sei quem estava mais vermelha, minha mãe ou a Astrid, que me empurrou de cima dela.
– Senhora Valka, nós dois, nós dois... – Ela me olhou nervosa. — Nós não estávamos fazendo nada.
– Tudo bem. – Minha mãe disse desconfiada. – Eu to preparando o café da manha, aceita tomar café da manha com a gente, Astrid?
– Claro, Senhora Valka, vai ser um prazer. – Astrid desse sem jeito.
– E o senhor, ponha uma blusa. – Minha mãe disse saindo pela porta.
Olhei pra Astrid e comecei a rir, mas ela me deu um empurrão.
– Eeeei, chega de me machucar, minha coxa ainda dói.
– Ai garoto, para de reclamar, vai logo por uma blusa, eu já estou descendo. – Ela disse e foi em direção a porta batendo o pé.
Depois de tomar o café da manha mais estranho da minha vida com a Astrid e a minha mãe trocando olhares e depois olhando pra mim, eu e a Astrid fomos para a Academia.
A viagem foi bem silenciosa, a Astrid ainda estava calada e só respondia o que eu perguntava.
– Por que estamos indo para a Academia? – Perguntei voando de cabeça para baixo.
– Resolver uns problemas, você ainda é “o diretor” da Academia.
– Aconteceu algo lá?
– Ah... Uma explosão.
– O QUE? – Voltei a voar normalmente. – Como assim?
– Você vai entender melhor quando chegarmos lá.
Continuei olhando para Astrid a procura de respostas, e como o seu rosto parecia calmo, deduzi que o que aconteceu na Academia não era algo tão grave. Mas ela reparou que eu estava encarando-a, ela empinou o focinho da Tempestade e depois abaixou com tudo, elas desceram em direção a Academia em uma velocidade imensa, encarei aquilo como um desafio e fiz o mesmo com o Banguela, e é claro, nos chagamos lá primeiro.
– Astrid aceite, eu e o Banguela voamos mais rápido que você e a Tempestade. – Disse tirando meu capacete.
– Por enquanto. – Ela empinou o nariz e saiu andando na minha frente.
– Viu, é isso que eu tenho que aguentar, amigão. – Disse olhando pro Banguela.
– Gente, o Soluço chegou. – O Melequento disse enquanto eu entrava na Academia.
– Aleluia, Soluço. – O Perna-de-Peixe correu na minha direção. — Esses dois vão destruir a Academia. – Ele disse cochichando. – Mas não fala pra Cabeça-Quente que eu disse isso.
– Ok, me contem o que aconteceu – Eu disse calmamente.
– Ah Soluço, nos só estávamos tentando proteger a Academia. – A Cabeça-Quente disse.
– Proteger explodindo? – Astrid perguntou.
– Sim ué, a intenção era explodir o ladrão, não a Academia, não somos tão idiotas, Soluço. – Foi a fez do Cabeça-Dura falar.
– Pera pera, me expliquem direito qual era o plano de vocês. – Perguntei.
– Me siga. – A Cabeça-Quente falou. – Nos instalamos uma avançada armadilha de bombas, e quando o ladrão passasse.
– CABUM! – O Cabeça-Dura gritou.
– A Academia ta toda explodida, e não temos prisioneiro, Cabeça-Dura, você é um inútil. – O Melequento disse deitado em cima do Dente-de-Anzol.
– Mas o que? – Ele respondeu. – Mas foi a Cabeça-Quente que montou a armadilha.
– Nããão, se fosse a linda da Cabeça-Quente teria funcionado, mas você é um idiota. – O Melequento enfiou o dedo no rosto do Cabeça-Dura. – E por isso não funcionou.
– Ah vem cá que eu vou te mostrar quem é o idiota. – O Cabeça-Dura puxou o Melequento, os dois foram pro chão e começaram a se bater.
– Ok... Continuando Cabeça-Quente. – Eu disse.
– Bem nos também colocamos uns sinos para fazerem barulho quando o ladrão passasse, e nos dormimos aqui, então quando os sinos começaram a fazer barulho nos acordamos, e... – Ela parou de falar.
– E... ? – Incentivei ela a continuar.
– Meu dragão é tão lindo. – Ela abraçou o Vomito (pra quem já assistiu “Como Treinar Seu Dragão 2” sabe que no filme o nome é Vomito, mesmo no desenho sendo Bafo).
– Cabeça-Quente, a historia do ladrão, a explosão, lembra?
– Ah sim... Então, quando nos acordamos só vimos o ladrão voando, ou melhor dizer. – Ela colocou a mão na boca. – Os ladrões.
– Como assim? – Astrid perguntou.
– Estavam em dragões, eram... uns sete, coisa assim, eram vários, mas só um dos dragões estava montado, ou os outros cavaleiros de dragões eram muito pequenos e eu não consegui ver. – Ela fez o tamanho deles com os dedos.
– Então quem nos roubou foram anões? – O Perna-de-Peixe disse.
– Nããão. – A Cabeça-Quente disse. – Eu só enxerguei um dragão montado, mas pra eles estarem voando em uma sincronia tão boa deviam estar sendo montados, mas não vi nenhum cavaleiro, então devem ser anões.
– Eram todos da mesma raça? – Perguntei.
– Não, não. – O Cabeça-Dura disse. – Tinha um Nadder, um Pesadelo Monstruoso, até mesmo um Zíper Arrepiante, fomos até ver se eram os nossos dragões, mas eles estavam dormindo do nosso lado.
– Era o nosso dragão. – O Melequento falou. – Eles são um só.
– Mas tem duas cabeças então são dois. – A Cabeça-Quente disse.
– Concordo plenamente. – O Perna-de-Peixe disse, esses dois não desistem dela...
– Soluço. – A Astrid me puxou para me virar para ela. – Existem mais cavaleiros de dragões, isso é fantástico.
– Acho que não. – O Perna-de-Peixe disse.
– Por quê? – Perguntei.
– Bom vamos pensar, eles não são da mesma raça então não são um bando, para estarem em sincrônica devem ser treinados... E estão roubando nossas roupas de couro e nossas armas... Não estamos com as melhores defesas possíveis.
– Você acha que eles podem ser dragões de alguém que quer atacar a gente? Ah me poupe. – O Melequento disse se levantando do chão. — Nós temos um exercito enorme de dragões, por favor, o meu Dente-de-Anzol detém qualquer dragão... Qualquer grupo de dragões. – Ele disse batendo no seu dragão
– E... – O Perna-de-Peixe disse.
– E o que? – A Astrid perguntou.
– Eles deixaram uma coisa escrita ali na parede, não me parece ser amigável.
Olhei para o lado, no fundo de uma das jaulas dos dragões estava escrito:
“Se encostarem um dedo em qualquer um dos meus dragões, corto-lhes as gargantas.”
– É. – Eu disse. – Com certeza esses ladrões não são amigos.
Fale com o autor