O que você seria capaz de deixar por uma amizade?
67 Enfim juntos?
Notas iniciais
No outro dia na escola:
Valéria:
Eu tenho que tomar coragem para contar sobre o meu namoro aos meus pais, porque tenho que ter tanto medo assim de meus pais? Será que é porque eles podem me obrigar a ir para a França? Eu não vou para lá de jeito nenhum ainda mais agora que eu tenho o Paulo.
Estamos na última aula do dia, a aula é de matemática e eu já estou super cansada de tantos números e percebi que a Majo estava super distraída escrevendo em seu diário, se o professor ver que ela não está prestando atenção, vai dar uma bela bronca nela. Logo ela que ama estudar, tenho certeza que a Majo não anda nada bem.
A diretora nos avisou mais cedo que o Firmino entrou de férias hoje, será bom para ele um tempo de descanso.
Valéria off
Maria Joaquina:
Que aula mais chata, eu amo matemática, mas com todos esses meus problemas sentimentais com o Daniel, não tenho mais vontade nem de respirar quanto mais estudar matemática ou qualquer outra coisa, gostar e amar ainda mais sem ser correspondida é horrível.
Mas será mesmo que eu não sou correspondida? Pois todas as vezes que eu olho nos olhos dele, eu tenho certeza que o meu amor é totalmente recíproco, porém deve ser só a minha pura e simples imaginação fértil, né?
Já que eu não estou nem ligando para quanto é a raiz quadrada de um número qualquer decidi escrever no meu diário que é rosa com a minha caneta em forma de coração.
Diário on:
No primeiro tempo tivemos aulas de Espanhol com a querida diretora Helena, no recreio eu fiquei conversando com as minhas amigas....
Diário off
Eu estava escrevendo e o professor percebeu que eu não estava prestando atenção em nada.
— Parece que a senhorita não está prestando atenção. – O professor me disse.
— Imagina professor querido, mas é claro que eu estou prestando atenção.
— Está? Então me dá esse caderno aqui e responda essa questão que eu vou passar no quadro. – O professor falou pegando meu diário.
— Se eu acertar a questão, será que o senhor pode me devolver o meu di... Caderno de anotações? – Eu perguntei. Eu nunca diria que é meu diário senão todos vão me zoar.
— Não, só poderá pegá-lo de volta no final da aula, vou deixá-lo na biblioteca com a bibliotecária. – O professor me informou.
Por que não deixar com a diretora? Que ódio! Vou ficar um tempão sem meu querido diário.
— Tudo bem, professor. – Eu levantei e comecei a responder à questão no quadro.
Terminei de responder à questão e me sentei.
— Muito bem senhorita, Maria Joaquina. – Disse o professor.
O professor saiu da sala levando meu diário e voltou sem ele.
Uma hora depois o sinal tocou e eu fui para casa.
Maria Joaquina off
Narradora:
Parece que Maria Joaquina se esqueceu do diário.
Narradora off
Daniel:
Quando o sinal tocou fui até a biblioteca devolver um livro que eu peguei lá na semana passada.
— Ótimo, Daniel, como sempre entregando os livros em um prazo recorde. – A bibliotecária me disse.
— Esse é o lado bom de ler rápido, né? Dona Letícia.
— É mesmo, mas você pegará outro livro hoje? – Perguntou, dona Letícia.
— Sim, vou pegar, porém dessa vez é para um trabalho de gramática.
— Tudo bem, então a seção de livros de gramática é por ali – Ela falou apontando para uma das seções da biblioteca.
— Obrigada e com licença. – Eu disse me retirando.
Eu olhei os livros e finalmente achei o que eu precisava, o peguei e abri a minha mochila, quando eu a abri um de meus cadernos caiu no chão, pois a minha mochila estava bem cheia, me abaixei e peguei o caderno que havia caído no chão e o guardei junto com o livro da biblioteca na minha mochila.
Falei o título do livro para a bibliotecária que resolveu tudo para o empréstimo do livro, é ótimo ser amigo da bibliotecária, né? Depois de tudo resolvido me despedi dela e fui para casa.
Daniel off
Narradora:
O que Daniel não percebeu foi que seu caderno de músicas caiu no chão quando seu caderno de matérias caiu também.
Narradora off
Algumas horas depois:
Maria Joaquina:
Terminei de jantar e conferi meu relógio de pulso são exatamente oito da noite como eu já fiz a minha lição toda e eu não tinha mais nada para fazer, resolvi escrever um pouco em meu diário.
Chegando em meu quarto, abri a minha mochila e lembrei que o professor o pegou.
Eu não acredito que eu o esqueci, não vou esperar até amanhã para pegá-lo, vou na escola agora mesmo, mas como se o Firmino está de férias? Aí eu lembrei que tem uma janela que dá exatamente para a biblioteca, vou entrar por lá, com certeza o meu diário está no balcão da bibliotecária. Eu sei que é loucura invadir a escola à noite, porém pelo meu diário vale a pena, imagina se alguém rouba ele para descobrir todos os meus segredinhos.
Coloquei umas almofadas sobre minha cama e as tampei com meu edredom para fingir que estou dormindo.
Peguei uma lanterna e fui devagarinho até a porta dos fundos, eu saí e fui caminhando até a escola. Bem que podia ser seis horas em vez de nove, está muito escuro.
Chegando na escola achei a janela e pulei para dentro da biblioteca.
Que estranho! – Eu pensei, pois, chegando lá as luzes já estavam acessas, que coisa mais esquisita.
Eu fui devagar e de repente eu vi o Daniel.
— Você não. – Nós dois dissemos ao mesmo tempo.
— O que você está fazendo aqui? – Nós dois perguntamos um ao outro.
— Eu perguntei primeiro. – Ele falou.
— Eu vim até aqui buscar meu caderno que o professor pegou na aula de matemática.
— Ah... eu lembro, o professor te deu a maior bronca, mas eu acho que na verdade essa história de caderno é só para disfarçar que é seu diário.
— Não é nada. É somente um caderno normal.
— Se não fosse importante você não entraria no meio da noite na escola para buscá-lo.
— Nem tente mudar de assunto, Daniel Zapata, me responde logo, porque você está aqui? Hein...
— Eu vim buscar uma coisa.
— Eu posso te ajudar a procurar se quiser.
— Não precisa, mas obrigado.
—Tudo bem. – Eu disse e fui pegar meu diário.
Eu o achei rapidamente sobre o balcão da bibliotecária.
Eu aproveitei que já estava lá mesmo e fui conferir se lá tinha um livro que o professor pediu para um trabalho, pois se tiver eu o pego amanhã mesmo.
Tomara que ainda tenha sobrado algum, porque são muitas pessoas na minha sala, isso se nessa biblioteca um dia já teve esse livro.
Eu estava olhando a seção da matéria do trabalho quando de repente eu senti como se eu tivesse chutado algo, eu olhei e no chão tinha um caderno com o nome Daniel escrito na frente.
Então é isso que o Daniel estava procurando.
Eu abaixei e peguei o caderno, o abri e percebi que era o famoso caderno de músicas do Daniel.
Eu virei as páginas até a última música escrita, eu a li e logo percebi que era uma música sobre a nossa relação complicada.
Decidi olhar as outras páginas e vi que todas as músicas eram sobre mim ou melhor quase todas, as que não são sobre mim, eram sobre nós dois.
A que eu mais gostei foi uma que dizia que nós um dia poderíamos ficar juntos, o nome era ´´Enfim Juntos´´.
Eu estava tão distraída que eu nem vi que o Daniel estava me olhando.
— Não olha, isso. – Ele pediu.
Eu fiquei tão nervosa que o caderno caiu no chão.
Ele veio correndo até mim e nós dois acabamos pegando juntos o caderno e quando levantamos as nossas cabeças, os nossos olhos se encontraram.
Rolou um clima.
— Me diz que você não leu. – Ele disse, já com o caderno em seus braços.
— Infelizmente eu já li e adorei saber que você gosta tanto assim de mim. – Eu falei e ele ficou vermelho.
— Eh... que... não é nada disso que você está pensando.
— Sei... – Eu disse, me aproximei dele e o beijei.
— Eu não sei quanto a você, mas eu acho que eu entendi direitinho o que essas músicas lindas querem dizer. – Eu falei, após o beijo.
— Está bem, você me pegou, eu gosto de você, na verdade eu sempre gostei.
— Se você gosta de mim, porque você comprou um anel de compromisso para Margarida? No dia de minha festa de treze anos? E a pediu em namoro?
— Na verdade, o anel era para você. – Ele falou, coçando a cabeça.
— Eu sabia, por isso é na minha cor preferida. Na verdade, foi culpa minha por ter aceitado namorar o Jorge, né?
— É, mas esquece isso, agora que já está tudo esclarecido nós poderemos finalmente ficar juntos.
— Não poderemos, não, tem a Margarida.
— Esquece ela, eu termino com ela amanhã mesmo, nem ela nem ninguém vai nos impedir de ficar juntos agora.
— Verdade? Daniel.
— Verdade, pode confiar em mim. – Daniel segurou minhas mãos.
— Eu confio, mas vamos embora, pois nós já achamos o que nós viemos procurar. – Eu soltei minhas mãos das de Daniel e minhas mãos e as dele estavam suando de nervoso.
— Tem razão, é melhor.
Ele fez questão de me deixar em casa.
— Então, boa noite, Maria Joaquina.
— Você não está esquecendo de nada, não? Cadê meu beijo de boa noite.
Ele se aproximou de mim e nós nos beijamos novamente.
Entrei pela porta dos fundos assim como fui para que ninguém percebesse que eu saí.
Será que dessa vez entre eu e Daniel vai dar certo?
Maria Joaquina off
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