Notas iniciais
Mesmo que no fim tudo dá certo ou perto do fim.

No outro dia na escola:

Valéria:

Eu tenho que tomar coragem para contar sobre o meu namoro aos meus pais, porque tenho que ter tanto medo assim de meus pais? Será que é porque eles podem me obrigar a ir para a França? Eu não vou para lá de jeito nenhum ainda mais agora que eu tenho o Paulo.

Estamos na última aula do dia, a aula é de matemática e eu já estou super cansada de tantos números e percebi que a Majo estava super distraída escrevendo em seu diário, se o professor ver que ela não está prestando atenção, vai dar uma bela bronca nela. Logo ela que ama estudar, tenho certeza que a Majo não anda nada bem.

A diretora nos avisou mais cedo que o Firmino entrou de férias hoje, será bom para ele um tempo de descanso.

Valéria off

Maria Joaquina:

Que aula mais chata, eu amo matemática, mas com todos esses meus problemas sentimentais com o Daniel, não tenho mais vontade nem de respirar quanto mais estudar matemática ou qualquer outra coisa, gostar e amar ainda mais sem ser correspondida é horrível.

Mas será mesmo que eu não sou correspondida? Pois todas as vezes que eu olho nos olhos dele, eu tenho certeza que o meu amor é totalmente recíproco, porém deve ser só a minha pura e simples imaginação fértil, né?

Já que eu não estou nem ligando para quanto é a raiz quadrada de um número qualquer decidi escrever no meu diário que é rosa com a minha caneta em forma de coração.

Diário on:

No primeiro tempo tivemos aulas de Espanhol com a querida diretora Helena, no recreio eu fiquei conversando com as minhas amigas....

Diário off

Eu estava escrevendo e o professor percebeu que eu não estava prestando atenção em nada.

— Parece que a senhorita não está prestando atenção. – O professor me disse.

— Imagina professor querido, mas é claro que eu estou prestando atenção.

— Está? Então me dá esse caderno aqui e responda essa questão que eu vou passar no quadro. – O professor falou pegando meu diário.

— Se eu acertar a questão, será que o senhor pode me devolver o meu di... Caderno de anotações? – Eu perguntei. Eu nunca diria que é meu diário senão todos vão me zoar.

— Não, só poderá pegá-lo de volta no final da aula, vou deixá-lo na biblioteca com a bibliotecária. – O professor me informou.

Por que não deixar com a diretora? Que ódio! Vou ficar um tempão sem meu querido diário.

— Tudo bem, professor. – Eu levantei e comecei a responder à questão no quadro.

Terminei de responder à questão e me sentei.

— Muito bem senhorita, Maria Joaquina. – Disse o professor.

O professor saiu da sala levando meu diário e voltou sem ele.

Uma hora depois o sinal tocou e eu fui para casa.

Maria Joaquina off

Narradora:

Parece que Maria Joaquina se esqueceu do diário.

Narradora off

Daniel:

Quando o sinal tocou fui até a biblioteca devolver um livro que eu peguei lá na semana passada.

— Ótimo, Daniel, como sempre entregando os livros em um prazo recorde. – A bibliotecária me disse.

— Esse é o lado bom de ler rápido, né? Dona Letícia.

— É mesmo, mas você pegará outro livro hoje? – Perguntou, dona Letícia.

— Sim, vou pegar, porém dessa vez é para um trabalho de gramática.

— Tudo bem, então a seção de livros de gramática é por ali – Ela falou apontando para uma das seções da biblioteca.

— Obrigada e com licença. – Eu disse me retirando.

Eu olhei os livros e finalmente achei o que eu precisava, o peguei e abri a minha mochila, quando eu a abri um de meus cadernos caiu no chão, pois a minha mochila estava bem cheia, me abaixei e peguei o caderno que havia caído no chão e o guardei junto com o livro da biblioteca na minha mochila.

Falei o título do livro para a bibliotecária que resolveu tudo para o empréstimo do livro, é ótimo ser amigo da bibliotecária, né? Depois de tudo resolvido me despedi dela e fui para casa.

Daniel off

Narradora:

O que Daniel não percebeu foi que seu caderno de músicas caiu no chão quando seu caderno de matérias caiu também.

Narradora off

Algumas horas depois:

Maria Joaquina:

Terminei de jantar e conferi meu relógio de pulso são exatamente oito da noite como eu já fiz a minha lição toda e eu não tinha mais nada para fazer, resolvi escrever um pouco em meu diário.

Chegando em meu quarto, abri a minha mochila e lembrei que o professor o pegou.

Eu não acredito que eu o esqueci, não vou esperar até amanhã para pegá-lo, vou na escola agora mesmo, mas como se o Firmino está de férias? Aí eu lembrei que tem uma janela que dá exatamente para a biblioteca, vou entrar por lá, com certeza o meu diário está no balcão da bibliotecária. Eu sei que é loucura invadir a escola à noite, porém pelo meu diário vale a pena, imagina se alguém rouba ele para descobrir todos os meus segredinhos.

Coloquei umas almofadas sobre minha cama e as tampei com meu edredom para fingir que estou dormindo.

Peguei uma lanterna e fui devagarinho até a porta dos fundos, eu saí e fui caminhando até a escola. Bem que podia ser seis horas em vez de nove, está muito escuro.

Chegando na escola achei a janela e pulei para dentro da biblioteca.

Que estranho! – Eu pensei, pois, chegando lá as luzes já estavam acessas, que coisa mais esquisita.

Eu fui devagar e de repente eu vi o Daniel.

— Você não. – Nós dois dissemos ao mesmo tempo.

— O que você está fazendo aqui? – Nós dois perguntamos um ao outro.

— Eu perguntei primeiro. – Ele falou.

— Eu vim até aqui buscar meu caderno que o professor pegou na aula de matemática.

— Ah... eu lembro, o professor te deu a maior bronca, mas eu acho que na verdade essa história de caderno é só para disfarçar que é seu diário.

— Não é nada. É somente um caderno normal.

— Se não fosse importante você não entraria no meio da noite na escola para buscá-lo.

— Nem tente mudar de assunto, Daniel Zapata, me responde logo, porque você está aqui? Hein...

— Eu vim buscar uma coisa.

— Eu posso te ajudar a procurar se quiser.

— Não precisa, mas obrigado.

—Tudo bem. – Eu disse e fui pegar meu diário.

Eu o achei rapidamente sobre o balcão da bibliotecária.

Eu aproveitei que já estava lá mesmo e fui conferir se lá tinha um livro que o professor pediu para um trabalho, pois se tiver eu o pego amanhã mesmo.

Tomara que ainda tenha sobrado algum, porque são muitas pessoas na minha sala, isso se nessa biblioteca um dia já teve esse livro.

Eu estava olhando a seção da matéria do trabalho quando de repente eu senti como se eu tivesse chutado algo, eu olhei e no chão tinha um caderno com o nome Daniel escrito na frente.

Então é isso que o Daniel estava procurando.

Eu abaixei e peguei o caderno, o abri e percebi que era o famoso caderno de músicas do Daniel.

Eu virei as páginas até a última música escrita, eu a li e logo percebi que era uma música sobre a nossa relação complicada.

Decidi olhar as outras páginas e vi que todas as músicas eram sobre mim ou melhor quase todas, as que não são sobre mim, eram sobre nós dois.

A que eu mais gostei foi uma que dizia que nós um dia poderíamos ficar juntos, o nome era ´´Enfim Juntos´´.

Eu estava tão distraída que eu nem vi que o Daniel estava me olhando.

— Não olha, isso. – Ele pediu.

Eu fiquei tão nervosa que o caderno caiu no chão.

Ele veio correndo até mim e nós dois acabamos pegando juntos o caderno e quando levantamos as nossas cabeças, os nossos olhos se encontraram.

Rolou um clima.

— Me diz que você não leu. – Ele disse, já com o caderno em seus braços.

— Infelizmente eu já li e adorei saber que você gosta tanto assim de mim. – Eu falei e ele ficou vermelho.

— Eh... que... não é nada disso que você está pensando.

— Sei... – Eu disse, me aproximei dele e o beijei.

— Eu não sei quanto a você, mas eu acho que eu entendi direitinho o que essas músicas lindas querem dizer. – Eu falei, após o beijo.

— Está bem, você me pegou, eu gosto de você, na verdade eu sempre gostei.

— Se você gosta de mim, porque você comprou um anel de compromisso para Margarida? No dia de minha festa de treze anos? E a pediu em namoro?

— Na verdade, o anel era para você. – Ele falou, coçando a cabeça.

— Eu sabia, por isso é na minha cor preferida. Na verdade, foi culpa minha por ter aceitado namorar o Jorge, né?

— É, mas esquece isso, agora que já está tudo esclarecido nós poderemos finalmente ficar juntos.

— Não poderemos, não, tem a Margarida.

— Esquece ela, eu termino com ela amanhã mesmo, nem ela nem ninguém vai nos impedir de ficar juntos agora.

— Verdade? Daniel.

— Verdade, pode confiar em mim. – Daniel segurou minhas mãos.

— Eu confio, mas vamos embora, pois nós já achamos o que nós viemos procurar. – Eu soltei minhas mãos das de Daniel e minhas mãos e as dele estavam suando de nervoso.

— Tem razão, é melhor.

Ele fez questão de me deixar em casa.

— Então, boa noite, Maria Joaquina.

— Você não está esquecendo de nada, não? Cadê meu beijo de boa noite.

Ele se aproximou de mim e nós nos beijamos novamente.

Entrei pela porta dos fundos assim como fui para que ninguém percebesse que eu saí.

Será que dessa vez entre eu e Daniel vai dar certo?

Maria Joaquina off

Notas finais
Será que Daniel terá mesmo coragem de terminar com a falsa da Margarida?