Notas iniciais
Esse é só o começo, explicando como tudo aconteceu..
Não foi um capítulo betado nem nada, escrevi no impulso enquanto almoçava.

"Doentio", era a única coisa que Dabi via enquanto Tomura ria infantilmente, comemorando o recebimento do seu novo brinquedo. E lá estava o garoto Izuku, sentado em um dos bancos do bar, com o olhar desfocado e a respiração tão lenta que não seria surpresa se a vida dele desaparecesse à qualquer momento.

E por mais enojado que se sentissem, os membros da Liga de Vilões precisava assistir enquanto o Tomura pousava as mãos no ombro daquela criança, curvando-se e abraçando-o empolgado, divertindo-se tanto quanto uma criança na manhã de natal.

Não era segredo que boa parte dos membros da Liga discordavam com os pensamentos distorcidos de seu chefe, mas raras eram às vezes que alguém se atrevia a questioná-lo. Só restava torcerem para que as escolhas imaturas daquele ineficiente líder trouxesse bons resultados.

— Izuku, hey.. Está me ouvindo? — Perguntou o homem em ecstase, abraçando de forma estranhamente carinhosa o jovem herói.

— Levará um tempo para descobrirmos se ele vai reagir, a mente dele está quebrada agora — respondeu outro homem naquele bar, um recém chegado a Liga.

Esse novo membro era um achado, portador de um poder demasiadamente interessante e alguém que não poderia ser facilmente ignorado. Ele era um vilão que manipulava as memórias, quebrava as lembranças das pessoas e as montava de uma nova forma, alterando acontecimentos e deturpando relações. Não que fosse uma individualidade tão poderosa quanto parecia, ela trazia riscos. Sempre que ia fundo demais nessa manipulação a mente da pessoa se quebrava em tantos pedaços que se tornava difícil reestruturá-las, deixando para trás apenas uma carcaça vazia. Era um poder excepcional, mas a maioria das vítimas não suportava a carga de ter sua mente fragmentada.

Mas Deku era diferente, não? O líder da Liga acreditava que sim, acreditava em todo o potencial existente no herói em seus braços. Essa individualidade poderia mexer com suas memórias, poderia ir fundo e rompê-la em milhares de pedacinhos minúsculos, mas ele seria forte e conseguiria voltar, recuperar sua sanidade por mais confuso e doloroso que estivesse sendo em sua cabeça agora, pois esse era o tipo irritante de herói que Deku era, o tipo que sempre levantava, por mais quebrado que ficasse.

— Volte pra mim, Izuku — pediu com uma voz mais terna, soltando-o um pouco do abraço e segurando-lhe o queixo, tentando tomar-lhe a atenção.

Os olhos verde escuros continuavam sem brilho, desbotados em um tom sem vida. Naquele momento nada na mente do garoto fazia sentido, toda vez que uma linha de pensamento tentava se conectar à outra um pequeno choque ocorria. Sua mente estava em curto, eram pedaços demais distantes demais e, por consequência, não era mais capaz de sentir mais nada.

— Por que ele não está voltando..? — Questionou o homem de cabelos platinados, soltando o rosto inepressivo que segurava e olhando para o dono da individualidade.

Isso estava demorando demais, já se sentia inquieto por aguardar tanto. O que ocorria dentro da cabeça do Izuku Midoriya? Para um garoto sempre tão ativo e sincero, era degradante ter de vê-lo morto e vazio desse modo.

— Nós precisamos de mais tempo para saber se funcionou, mexemos com memórias antigas demais — explicou novamente o vilão responsável por isso.

Havia avisado, não? Sua individualidade era útil para alterar lembranças recentes, mas quando se mexia com memórias antigas existiam muitos riscos. Alertou-o — e alertou-o mais de uma vez -, mas Tomura insistiu que queria que isso fosse feito com aquele aluno da U.A., o que ele esperava afinal? Até hoje não houvera uma pessoa que havia resistido e se recuperado depois de ter sua mente mexida desse jeito, seria difícil de acreditar que um moleque daqueles seria o primeiro à voltar.

— Você quebrou ele.. — Culpou-o, deixando a ira momentânea tomá-lo e a individualidade intensificar-se, liberando em suas mãos o poder de corroer qualquer coisa que tocasse. Aquele estúpido lhe deu expectativas, ele acreditava mesmo que deixaria-o vir, quebrar desse jeito o Izuku Midoriya e depois fugir? — Você quebrou o que era meu.

— Espere, não faça algo impensado! — Pediu Kurogiri, tentando interceder inutilmente. Antes de poder utilizar seu poder e bloquear o ataque do Tomura, a cabeça do vilão estava se desfazendo em pequenas partículas de pó.

Era difícil controlar as ações do Tomura quando ele se tornava emotivo desse jeito, ele era forte e rápido demais quando queria. Isso, automaticamente, tornava-o o homem mais perigoso daquele lugar.

— Ele poderia ter sido útil.. — falou Dabi, pronunciando-se finalmente. Que líder idiota tinham, ignorando o potencial da individualidade de manipulação de memórias só porque suas vontades não se realizaram.

— Nós não precisamos de lixo aqui — retrucou, olhando para os seus inúteis subordinados, ignorando o corpo que caia am seu lado. — Todos vocês são substituíveis — alertou-os, era bom que cada um conhecesse bem o seu papel.

Tirar uma vida era fácil, não lhe causava nenhum peso na consciência, mas ser frustrado não era algo que conseguia lidar muito bem. Só pediu para aquele maldito fazer um único uso da própria individualidade e ele não conseguia sequer cumprir uma ordem tão simples? Era só ele ter alterado as memórias do Izuku Midoriya, qual era a dificuldade disso? Se ele não conseguia fazer isso não havia razão para permanecer vivo.

O clima pesado e denso se formou entre os membros da Liga, ninguém ali se atreveria a entrar em uma batalha perdida. Mesmo assim, todo o ar enegrecido se rompeu com uma risada, bem baixa e contida, mas que foi capaz de ganhar a atenção de todos. Por um momento o brilho de esperança que Tomura procurava foi alcançado, virando-se para o jovem garoto sentado ao banco. Se segundos antes ele estava raso e desmotivo, agora sorria radiante, olhando-o com genuína alegria. Havia dado certo..?

— Izuku..? — Chamou-o pelo nome, querendo confirmar o sucesso. Ou melhor, nem importava, não é? Tendo dado certo ou não, era melhor vê-lo desse jeito do que como um boneco sem expressão. Sabia que ele era mais forte que aquela individualdade de manipulação de memórias, mas ter isso confirmado o deixava aliviado.

— Shicchan, você realmente se chateia com pouco — respondeu o Midoriya.

"Shicchan"? Um sentimento forte tomou o peito do líder da Liga de Vilões naquele instante, sentindo um calor que nunca sentiu antes. Estava tão ansioso por isso, havia realmente dado certo? Nem precisava ouvir mais nada, a resposta era clara, as memórias do garoto não eram mais as mesmas. Izuku Midoriya havia mudado de lado.

Notas finais
Continuo? :v