O que você deseja?
4 Capítulo 3 - Brisa Poente
Notas iniciais
Era a vigésima vez que o telefone tocava, aumentando ainda mais o desgosto pelo aparelho. Não fazia a mínima ideia de onde vinha tanta tenacidade, ignorá-lo não mostrava que não desejava ser contactado? Se tivesse ousadia o bastante, apenas desligaria o celular, mas sua determinação vinha falhando.
Izuku não suportava mais essa música, uma melodia infantil usada apenas para indicar a ligação daquele homem. Seus lábios contorciam-se em desgosto, estalando a língua enquanto sentado em sua cama, encarando o aparelho em sua escrivaninha. Estava sendo assim durante toda a semana, pensava que em seu sábado teria descanso, porém a sorte não o agraciara dessa vez.
"All Might", registrava o visor colorido. Sabia que devia temê-lo, aquele homem era o mais apto para identificar suas mudanças comportamentais e julgar que trabalhava para o outro lado. Se encontrasse, o que aconteceria? Para um herói que dizia salvar a todos que estavam em seu alcanço, conseguia ver uma lista expressiva de falhas em seus resgates.
Um novo som distraiu-o, ouvindo uma batida seca na porta. Um sorriso rápido se desenhou em seu rosto, pulando para fora da cama e indo atendê-la, acreditando que a sua companhia havia vindo vê-lo. Vinha se preparando para esse momento, planejando-se cuidadosamente para que tudo ocorresse como idealizava. Se tudo seguisse dentro de seus planos, até o fim do dia receberia notícias do Shicchan.
Abriu a porta, encontrando o guardião de duas peculiaridades a sua espera, trajando roupas casuais e com um cheiro agradável de perfume caro. "Sedutor", as garotas diriam. Era fácil perceber quando alguém se importava, tomava cuidado redobrado ao se apresentar. A marca deixada pela etiqueta da blusa, recém removida, denunciavam bem esse empenho.
— Todoroki, você está bonito — elogiou-o, deixando um rubror suave tomar suas bochechas sardentas.
Por mais pragmático que fosse, sabia reconhecer um garoto bonito quando estava diante de um. Se não tivesse tanto foco em seus planos, talvez fosse feliz em um encontro com o maior, não é? Se permitir ser abraçado por alguém tão apaixonado, ouvir aquela voz grave sussurrando-lhe palavras doces em seu ouvido. A simples ideia fazia o seu coração bater um pouco mais rápido.
— Ah.. Obrigado, Midoriya — o constrangimento também tomou conta de Shoto, sorrindo mais ao vê-lo. — Você também está — retribuiu as palavras com sinceridade.
Não havia expectativa maior para o herdeiro que Endeavor do que esse encontro. Haviam marcado no dia anterior, combinado de saírem juntos para o cinema, aproveitando o dia de folga juntos. Desde que suas palavras escaparam de seus lábios, delatando a intensidade de seus sentimentos, estava submerso em um tsunami de emoções, conhecendo a insanidade proporcionada pela reciprocidade.
Se antes tivera dúvidas de que sentia algo, apenas agindo por instinto ao perseguir o Deku, agora estava certo do que sentia. Nunca tivera tanta certeza de algo até então, com o amor transbordando de seu peito a cada instante que compartilhavam juntos. Todas as vezes que Midoriya o olhava, que discretamente segurava a sua mão ou que dizia o seu nome, tinha mais significado que qualquer verdade em sua própria existência.
Apreciava tudo nele, seu cheiro, sua voz, a atenção que ele dava a cada uma de suas atividades. E hoje era agraciado sendo uma das razões de sua atenção, tendo recebido um convite desse para que saíssem em seu primeiro encontro. Era a primeira vez que ia — romanticamente — sair com alguém, sendo um plano simples com cinema e lanche. Seria estranho se, por mais bobo que fosse, estivesse ansioso por isso? Cada vez mais queria estar com o outro.
Olhou-o de cima à baixo, adorando a forma atípica que ele penteara sua franja para trás, deixando o rosto um pouco mais visível. Sua mão esticou-se involuntariamente, tocando-lhe a lateral da face e deslizando o polegar pela testa dele, notando uma pequena e fina cicatriz nessa. Não notava-o por ele sempre andar com os cabelos bagunçados, pois os escuros fios encaracolados demonstravam ter mais vida e rebeldia que o seu próprio dono.
— Eu não sabia que você tinha uma marca aqui — falou, quase que hipnotizado pelos encantos do moreno.
Quantas coisas não sabia dele ainda? Conhecia as marcas que ele tinha nos braços, sabia da responsabilidade que tinha por aqueles dedos tortos da mão direita, mas essa cicatrizinha na testa era novidade, parecendo ser antiga companheira do Izuku. Queria conhecer cada cicatriz, sarda ou sinal existentes naquele corpo. E não apenas o corpo, queria também conhecer cada pensamento dele, entendê-lo melhor do que qualquer outro, desvendar as histórias que que escreviam aquelas frenéticas linhas de raciocínio.
— Isso? Não é nada demais — disse o Midoriya, aninhando o rosto a mão que o tocava. — Você é tão atencioso — era lamentável ter de usá-lo dessa forma, imaginava que em outra ocasião poderia acabar apaixonado por todo esse carinho.
A mão de Shoto recuou, deixando o seu sorriso um pouco mais amplo. Precisava se conter, as palavras do Deku estavam nublando sua mente, não queria agir de forma impensada e acabar indo rápido demais. Daria um passo de cada vez, querendo solidificar a relação que construiriam.
— Ah.. O seu celular. Está tocando — notou, só então dando atenção a musiquinha que tocava, vinda essa do aparelho.
— Tem razão — concordou o Deku. Vigésima primeira do dia. Bem que diziam que ele era incansável. Seguiu a escrivaninha, pegando o aparelho e colocando-o no silencioso, impedindo assim que seus planos fossem interferidos. — Mas não é importante. Vamos, Todoroki?
E a atitude de ignorar a ligação apenas encantou ainda mais o garoto, concordando com sua companhia para que saíssem juntos. Nesse dia, o Midoriya seria apenas seu, não? Empenharia-se para que invadisse a mente dele com dezenas de pensamentos seus, para que ele se sentisse da mesma forma que se sentia, pois há muito tempo tudo o que existia para si era ele.
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A atenção de Midoriya seguia mais uma vez para o aparelho telefónico. Trigésima sétima ligação, três horas andando lado à lado como o príncipe da U.A., mas nem um mínimo sinal do Shicchan. Estava sentado no reservado do banheiro do cinema, sendo tomado por um amargor sem precedentes.
Queria sorrir com naturalidade, poder divertir-se naquilo que chamaria de primeiro encontro romântico, só que a sua preocupação impedia-o. O Shicchan, quando o mandara voltar para a escola, garantira que se reencontrariam no sábado, que bastaria que saísse com um dos colegas de classe para que isso acontecesse, então onde ele estava agora?
Sua mente estava confusa de várias formas, às vezes sentia uma raiva irracional tomá-lo sem razão aparente, sua única certeza era a existência daquele excentrico albino, que estimava-o como se fosse a mais valiosa de suas ferramentas. Será que ele não viria? Lhe abandonaria? Se soubesse que isso poderia ocorrer, jamais teria saído do lado dele.
A porta do reservado foi aberta a forma, precisando erguer os olhos para o homem que entrara — um total desconhecido. Sua frustração, munida do espanto pelo gesto, encheram seus pulmões de ar, pronto para brigar que esse fosse embora, mas o sorriso que recebeu desse homem lhe ganhou a atenção.
— Deku — disse o homem, fechando a porta para que apenas os dois ficassem ali dentro. Não demorou mais de cinco segundos para que toda aquela imagem desaparecesse, deixando apenas para trás uma garota, Toga, completamente despida. — Eu vim te prestar suporte.
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Quando o Midoriya conseguiu voltar a sala de cinema, tentou ser ligeiro e silencioso ao passar entre as pessoas, atrapalhando-se apenas um pouco enquanto andava entre os assentos, demorando até localizar o próprio lugar. Um leve constrangimento o cometia, imaginando o que o seu acompanhante pensaria por ter gastado tanto tempo dentro do banheiro. Devia justificar-se? Ou isso seria ainda mais estranho?
Sentou-se ao lado do Todoroki, ganhando a atenção dele. Sorriu timidamente, se antes estava com uma expressão carregada, agora o seu humor havia melhorado consideravelmente. E se brincasse com isso, dizendo ter tirado um peso de si? Soava engraçado pensar na piada, mas não tão boa quando se cogitava realmente dizê-la.
— Está tudo bem..? — Perguntou o Todoroki, sussurrando rente ao ouvido desse.
— Desculpe, eu perdi muito do filme? — Questionou-o, dando atenção ao que era exibido em tela.
Não fazia muita ideia de qual era o enredo do filme, só que os gritos e chuva denunciavam que fosse romance — e que, melhor ainda, estavam bem na parte que o casal rompia. Esticou a mão, segurando a do maior, querendo compensá-lo, por meio de gestos, pelo seu sumiço.
— Nada de muito interessante — garantiu-o, sentindo a mão junto da sua.
Por mais que o portador de duas individualidades quisesse fazer perguntas, sabia que o local estava longe de ser o mais apropriada. Desde cedo estava torcendo para que, naquele dia, fosse o foco de atenção daqueles escuros olhos verdes, só que todo o nervosismo que ele demonstrava, antes do seu sumiço, indicava que ele tinha muitas coisas em mente no momento. Gentilmente faria o seu melhor agora, dando-lhe tempo e evitando questioná-lo.
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Para qualquer um que os visse passar, era certo que se tratava de dois garotos apaixonados. Cinema, lanche e, para finalizar, um passeio no parque fechava aquele cronograma bem montado, tendo sido cortesia do Deku prepará-lo, calculando cada minuto gasto para que aproveitassem bem o tempo fora da escola.
E agora andavam pela calçada de pedras do parque ao centro, tendo a companhia de árvores e grama, onde casualmente encontravam crianças correndo com bolas em mãos ou algum vendedor de comida, que insistentemente fazia-os tentar comprar suas mercadorias. O vento também era agradável, mesmo que já frio, por ser o final da tarde, balançando-lhe os cabelos em uma carícia gentil em suas cabeças.
Midoriya era o que mais sorria, comentando animadamente sobre os exercícios da escola e o quão grandes eram as suas expectativas para o futuro. Por algumas vezes a sua atenção se voltava as crianças correndo, tomado por um sentimento nostálgico de sua infância, quando para brincar era necessário realmente pouco.
— Todoroki — chamava o outro em meio a conversa, dando alguns passos na frente e virando-se de costas.
Se antes andava normalmente ao lado de sua companhia, agora ia na frente, recuando um passo atrás do outro para que andasse de costas, podendo olhá-lo nos olhos, mesmo que em troca sacrificasse a capacidade de ver o caminho a sua frente. Seus ombros se projetaram na direção do maior, como se assim pudesse observá-lo melhor. O parque não mais o entretinha, tendo toda a sua atenção capturada por seu pretendente.
— Hoje foi realmente divertido. Havia um bom tempo que eu não ia ao cinema com um amigo, foi mesmo especial — admitiu, levando uma das mãos a bochecha, coçando-a sem jeito.
Deveria expressar sua gratidão por esse dia, não é? Seu primeiro encontro foi surpreendentemente agradável, divertira-se por estar junto de um garoto tão bonito e educado, mais ainda quando notara que ele realmente prestava atenção em tudo o que dizia.
— Você sabe.. — Continuou falando, ponderando um pouco sobre quais palavras usar. — Eu sempre pensei que garotos como você fossem fúteis. Ah.. Como posso dizer isso sem soar rude? — Não queria chamá-lo de fútil, era justamente o oposto. — Eu pensava que homens bonitos fossem arrogantes, mas você é perfeito de todas as formas.
E os passos de Midoriya pararam, deixando que o Todoroki lhe alcançasse. Esticou os braços para o garoto com a queimadura no rosto, abraçando-o ao redor do pescoço. Entregaria a ele o seu primeiro beijo, nada mais justo depois de uma tarde tão especial.
Aproximou o seu rosto lentamente, lambendo discretamente os próprios lábios e fechando os olhos. Seu coração até palpitava mais rápido quando imaginava mentalmente a sensação da maciez que existia no beijo do Shoto, certo que seria tão mágico quanto os beijos do filme que assistiram mais cedo.
Antes do contato ser selado, sentiu uma pressão suave contra a sua face, precisando abrir novamente seus olhos para averiguar. Foi quando percebeu a mão do maior em seu rosto, empurrando-o gentilmente para que se afastasse, rompendo as suas expectativas. Chegou a pensar em respondê-lo, mas apenas pode olhá-lo com confusão. Tinha certeza que o Todoroki desejava beijá-lo, ele não escondia que estava apaixonado, então por que não quisera?
— Vamos manter a devida distância — pediu o sucessor de Endeavor, só tirando a mão do rosto do menor quando ele desistira de tentar beijá-lo.
— Shoto.. — Chamou-o pelo primeiro nome, tentando decifrar o que passava na cabeça desse. — Eu achei que você me amasse.. Por que você não me quer..?
Um silêncio incomodo ganhou o ambiente, tornando-se tão denso que impediu que os dois continuassem se encarando, voltando a atenção aos próprios pés. Era para ser um encontro perfeito, ambos agiram todo o tempo como se fosse o encontro perfeito, só faltava uma razão que justificasse um desfecho tão imperfeito.
— Eu amo o Midoriya, adoraria beijá-lo — admitiu, claramente desconfortável por chegarem nesse ponto. — Mas você não é o Midoriya, não é?
— Heh — um riso curto escapou do moreno, compreendendo a situação. Pensava que estava enganando-o bem, iria até sacrificar a pureza de seus lábios. — Quando você notou? — Perguntou-o, confirmando a suspeita.
— Logo que você entrou no cinema.. Eu amo o cheiro do Midoriya, gosto de como o uniforme dele é impregnado de um aroma agridoce, enquanto a sua pele exala algo mais baunilha.. Desde que você se sentou ao meu lado, o único que pude sentir foi o cheiro de sangue.
Era um contraste forte demais para que o Todoroki ignorasse. Sabia que algo vinha preocupando o Izuku, desde que ele voltara de seu desaparecimento, que algo não estava normal com ele. Observava há tempo o suficiente para entender quando ele estava ou não sendo natural. Sentiu-se verdadeiramente feliz quando puderam sair nesse encontro, desejou sinceramente ser a única pessoa em quem ele pensaria, só que também conhecia-o o suficiente para saber que isso jamais aconteceria. O Midoriya estava sempre pensando em coisas demais, em pessoas demais — e essa era uma das coisas que amava nele.
— Então por que continuou com isso? — Perguntou-o, deixando um sorriso dissimulado desenhar uma nova expressão na réplica do sucessor do One for All. — O Deku devia ter sido mais cauteloso quando escolhesse alguém para acompanhá-lo, era importante mantermos esse disfarce.
A garota por trás de tudo, dona da individualidade que copiava faces, colocou-se na defensiva. Ele iria atacá-la? Estaria em uma desvantagem tremenda, pois seu poder se limitava a dar-lhe belos rostos através do sangue. O que deveria fazer? Correr? O Shigaraki não lhe preparou para essa hipótese. Observou bem o rosto daquele principezinho queimado, não reconhecendo nenhum traço de hostilidade vindo dele.
— Ou, pensando bem, ele escolheu muito bem.. — Elogiou a decisão do Deku. Era óbvio, o garoto a sua frente não lhe trairia.
Ele estava colaborando com tudo isso para proteger quem amava. Sorriu, retomando a sua atitude mais dissimulada e abraçando o braço do filho do Endeavor, voltando a caminhar junto desse. Era uma escolha sábia, a melhor chance para o Izuku seria se continuassem com esse jogo de faz de conta.
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Algumas horas antes, quando Midoriya estava no banheiro do cinema, recebeu a visita de Toga, que desfez seu disfarce e tomou sua verdadeira forma, completamente despida. As provocações e sorriso da garota ao anunciar que viera lhe prestar suporte o tranquilizaram, deixando-a agir como bem entendesse.
Não teve objeções quando ela avançou, permitindo que ela se sentasse em seu colo e envolvesse os braços ao redor do seu pescoço. A língua da garota logo percorreu seu pescoço, sentindo a pressão arterial nas veias e artérias cobertas pela derme.
— Isso é tão excitante — admitiu para ele, passando uma das unhas na nuca desse. — Você sabe, normalmente eu uso minhas ferramentas, mas é complicado carregar coisas comigo quando estou transformada. — Informou-o sobre suas agulhas para a remoção do sangue.
— Você trocará de lugar comigo, não é? Onde devo encontrar o Shicchan? — Perguntou sem rodeios, não compartilhando da mesma euforia que a sua companhia.
O fato de, pela primeira vez na vida, ter uma garota despida em seu colo, insinuando-se, em nada desviava a sua atenção. Pelo contrário, sentia-se aliviado em saber que alguém havia vindo, que não fora descartado pela Liga. Agora compreendia a delicadeza dos planos do Tomura.
Era óbvio que, depois de ter desaparecido repentinamente, a escola manteria uma vigília, seguindo cada um de seus passos. Todoroki era o seu álibi, enquanto estivesse ao lado dele, não haveriam suspeitas. Precisava apenas dar o seu sangue para Toga, garantindo a sua presença aos olhos da U.A. e podendo encontrar-se discretamente com o Shicchan, sem correr o risco de deixar a posição dele exposta.
— Que apressado, homens são tão impacientes. Sabia que as mulheres preferem quando eles vão devagar? — Toga respondeu-o, caçoando um pouco da situação.
Se isso não fosse enfurecer o instável do Tomura, teria brincado um pouco mais com o Deku, mas preferiu ceder de uma vez aos desejos dele. Saiu de cima do colo desse, esticando-lhe uma das mãos. Se ele estivesse seguindo o plano, teria uma arma branca para que usassem.
— Só precisa cortar um pouco o pulso, eu cuido do resto — garantiu, lambendo os lábios. Se o sangue dele fosse tão delicioso quanto imaginava, não perderia uma única gota sequer.
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Era o começo da noite quando o encontrou, deixando que os seus pés lhe guiassem por aquela rua escura no subúrbio da cidade. O magro rapaz de moletom encontrava-se oculto por um capus, no canto mais escuro do local, usando da sombra de um muro para preservar mais a sua identidade.
A figura sombria poderia assustar alguns, intimidando quem passasse pelo seu ar enigmático, mas para Izuku ela era completamente, tomado por toda a sua força atrativa de forma que segui-la tornava-se um gesto inconsciente. Estava buscando-o desde o princípio, juntando suas forças para alcançá-lo, então vê-lo ao seu alcance era insanamente reconfortante.
— Shicchan — chamou-o quando próximo desse.
Mesmo assim não conseguiu parar de andar, satisfazendo-se apenas quando o seu corpo chocou-se ao desse, podendo encostar-se nele finalmente. Sua cabeça apoiou-se no ombro do maior, seu tórax procurou sincronizar suas batidas e respiração com a dele. Toda aquela dor que sentira enquanto separados finalmente estava se dissolvendo.
Estar longe do Tomura fazia com que sentisse que uma parte essencial da sua sobrevivência tivesse sido arrancada de seu corpo. Toda a sua felicidade e alegria eram drenadas, deixando-o com uma ferida aberta no lugar, elevando a sua negatividade e sofrimento. Tinha certeza que ninguém jamais entenderia o quão importante era para o Izuku ter o outro ao seu lado.
— Bem vindo de volta, Izuku.
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