O que vai ser de nós ?
7 Capítulo 6 - eu não vou deixar você ir .
Notas iniciais
POV Pedro
O quarto do meu irmão estava escuro devido as janelas ainda fechadas . Vi que tanto ele quanto a prima de Karina ainda dormiam , cobertos apenas por lençóis . Fica sub-entendido que eles transaram , como já era de se esperar .
"Vou ter que acordar ela ."– K disse , entrando no quarto . Eu a seguro pelo braço impedindo que continue .
"Ei , para que tanta pressa ? Espera eles acordarem . Meu irmão não costuma levantar muito tarde . Assim que isso acontecer ele acordará sua prima e vocês poderão ir embora ."– eu falo e ela nega com a cabeça .
"Você não entende . Precisamos ir para casa ag..."– eu não a deixo terminar .
" Então porque não me explica enquanto tomamos café lá embaixo ? "- falo e isso soa mais como um convite do que como uma pergunta . Karina concorda com a cabeça se encaminhando junto a mim em direção a cozinha .
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"Toma café ?"– a questiono enquanto pego o pó de café . Ela já se instalou na bancada e me encara , concordando com a cabeça . Ela veste uma blusa minha que estava na dispensa da casa . Acho que estava se sentindo desconfortável apenas de sutiã na minha frente .
"Porque não me explica agora porque precisam ir embora tão cedo ."– a pergunto e ela muda a feição para uma expressão triste .
"É uma longa história . "-K começa e eu a incentivo a continuar . — "Bem , meu pai e meu tio , no caso pai da minha prima Bianca , são donos de uma empresa de uma rede de academias no Texas. A mais conceituada no ramo dentro do estado . Eles explodiram no boom da procura por ginástica de tudo que é tipo nos EUA e agora apenas expandem para novos tipos de exercícios . Sempre tivemos tudo e nunca nos faltou nada . Até ér... semana passada ."– ela diz , fazendo uma pausa .
"O que aconteceu semana passada ?"– eu a pergunto .
"Meu pai e meu tio nos ligaram falando que a empresa deles faliu e eles não teriam mais como nos sustentar morando em uma outra cidade e tendo que pagar faculdade ... conclusão : teremos que nos mudar em 4 dias , de volta a Houston ."– K terminou de falar , enquanto uma lágrima escorre por seu rosto . Passo meu dedo polegar por seu rosto para secá-la e ela sorri de leve em agradecimento , mantendo ainda seu olhar triste .
Não sabia realmente o que lhe falar . Lembro da sensação de liberdade que experimentei quando vim morar com meu irmão , com algumas cidades de distância da minha família . Imagino que para elas seja assim também ou até maior .
"Nossa , K . Sinto muito . Não me imagino morando mais com os meus pais . Como isso foi acontecer , digo . Seus pai e seu tio eram milionários . Com certeza tinham investimentos . Como do nada eles pedem tudo a ponto de não poderem nem mais sustentar vocês ."– eu a questiono e ela concorda com o que eu digo , ainda que tenha uma expressão de confusão .
"Eu não , Pedro . Ele não quis explicar . Realmente concordo com você e não consigo entender , acabei focando no resultado e esqueci das explicações ."– ela diz e eu concordo com o que falou .
"Vocês não tem como ficar em uma repúplica e tentar conseguir uma bolsa integral na faculdade ? "- a pergunto , mudando de assunto , tentando arranjar uma solução .
"Bem , eu já tenho bolsa de 50 % . Minha prima é que não tem . Não acho que seria muito difícil conseguirmos ou até arranjar um emprego . O problema é que nada disso serviria . Meus pais e os pais dela jamais nos deixariam morar em uma república ."– ela fala , triste .
"Por que não ?"
"Porque eles são muito rígidos em relação a nossa criação e com quem convivemos . A condição para que viéssemos morar em Los Angeles era que morássemos sozinhas . Conviver com outras pessoas , principalmente outros homens é algo impossível na cabeça do meu pai e do meu tio ."– ela diz , resignada .
"A famosa família patriarcal do Sul dos EUA . Sei como é ."– eu falo , servindo o café a ela . –"Então é isso ? Eles perdem tudo misteriosamente e vocês que tem que desistir do sonho de vocês ?"- pergunto , já sabendo a resposta .
"Parece que sim ."– ela força um sorriso , enquanto bebe o café . –" De qualquer jeito , Pê , obrigada por tudo . Obrigada por ter me respeitado ontem a noite , por ter cuidado de mim enquanto estava bêbada — ela faz uma pausa rindo nessa parte e eu a acompanho na risada — e , por fim , obrigada por me escutar . Estava precisando desabafar com alguém de fora . Você tá sendo um verdadeiro anjo na minha vida ."– ela fala de uma forma doce e gentil e me beija no rosto .
"De nada , linda . Não foi nenhuma obrigação fazer isso . Apesar de nos conhecermos de fato há pouco tempo eu já tenho um carinho enorme por você ."– falei sincero , depositando um beijo em sua testa e ela apenas sorriu com a carícia . –" E se depender de mim serei ainda mais um anjo na sua vida porque não vou deixar ir embora de LA "- disse sorridente , percebendo o quanto ela me olhava confusa , se perguntando talvez como eu faria isso . Fingi ignorar sua reação e voltei ao meu café . Ela também não questionou mais .
Uma ideia começa a surgir na minha cabeça . Por mais que pareça loucura , pode funcionar . Se ela der certo , Karina e sua prima não sairão mais de LA e , principalmente , não sumirão de nossas vidas . Só preciso que meu irmão acorde para contar para ele e esperar que ele concorde comigo .
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