O que tem por trás de uma carinha de anjo?
7 Capítulo 7
Notas iniciais
A Estefânia continuava insistindo no telefone do Gustavo enquanto íamos pegar a pequena, como não tivemos êxito o jeito foi deixar um recado com a sua secretária que nos informou que o mesmo já havia saído à algumas horas com a Nicole.
— Essa mulher está deixando meu primo cego, nem trabalhar ele consegue eu não sei mais o que fazer, sinceramente Cecília. – Falou já estacionando o carro em frente à Capela do colégio.
— Não vamos contar nada a ela, sobre o pai, vai ser pior.
— Eu sei como vou me acertar com ele Cecília, ele vai ter que decidir.
A estrutura do colégio é muito acolhedora, uma fazenda enorme onde tudo é bem organizado, senti uma paz tão grande naquele lugar pelo menos até ver a cara “emburrada” de uma senhora na “Sala da Superiora”.
— Titia. – Gritou a pequena já se aconchegando no colo dela.
— Oi meu amor, como você está se sentindo? Onde dói princesa?
— Tantos lugares. – Suspirou. – Mas aqui ta apertadinho Tia. – Falou com a mão pequena em cima do coração.
— Vai passar, eu prometo, vai passar. – Estefânia falava já chorando abraçada a menina.
— Oi pequena. – Sorri sem jeito com a cena em minha frente.
— Ceci. – E lá vinha meu furacãozinho pro tão famoso abraço de urso, só aí pude sentir o quanto quentinha ela estava, narizinho e olhos vermelhos anunciando que havia chorado à pouco tempo.
— Estefânia posso falar com você?
— Sim Madre, Ceci leva a Dulce, não vou demorar.
— Sem problemas, ela não vai correr muito, ela ta doente. – Sorrimos.
— Diga Madre, o que ela aprontou dessa vez?
— Dona Estefânia eu nem deveria está me metendo, mas a Dulce chegou se queixando que o pai não vem lhe dando atenção e que preferia que ele nem tivesse chegado. – Suspirou já emocionada. – Não é da minha conta, mas o pai dela tem que saber como ela se sente.
— Se adiantasse Madre, não sei mais como vou colocar juízo nele. Ele contratou essa moça pra suprir as necessidades de “mãe” que ela faz muito bem se esforça até demais, mas ela não tem essa obrigação toda entende? Sobrecarrega a coitada pra fugir da responsabilidade dele.
— A Dulce falou dela, disse que brincam muito e que a Cecília cuida dela muito bem. Sabemos que ela é travessa, mas é apenas uma menina que já sofreu muito.
— Tudo o que mais quero é fazer minha sobrinha feliz Madre.
— Eu entendo, mas algo tem que ser feito.
— Obrigada Madre, pelo alerta e principalmente pela atenção com a minha menina.
— Sempre vou fazer de tudo o que estiver ao meu alcance por vocês.- Fechei a porta demorando um pouco mais pra que desse tempo pra secar as lágrimas que insistiam em cair.- Vamos?- Observei a calmaria e sorri abertamente com a cena, uma Dulce adormecida e a Ceci toda desajeitada tentando acolher a menina em seus braços.- Demorei tanto assim?
— Não. – Sorri envergonhada. – Ela disse que queria ficar sentadinha no meu colo, quando vi já tinha apagado.
— Coitada do meu anjinho. A febre ta muito alta?
— Não só esquentada mesmo, acho que deve ser apenas um resfriado conseqüência dos inúmeros banhos de piscina ontem.
— É, você deve ter razão. Vamos levar essa menina pra casa e dar muito amor pra ela.
— Isso ela já tem de sobra, pode apostar.
O caminho até a casa dos Larius foi tranqüilo, a pequena não se acordou o que era melhor pra gente, assim não teríamos que inventar desculpas, espero que quando chegarmos lá seu pai também já esteja. Sorri triste para a pequena adormecida agora em sua cama.- Xau meu amorzinho, fica bem meu anjo, amo você e seu pai também apesar de tudo. – Sussurrei dando um beijo em sua testa, enquanto ela apenas sussurrava coisas desconexas conseqüentes do seu profundo sono. Levantei ajeitando seu lençol quando um movimento diferente atraiu minha atenção.
— Desculpe Senhor Gustavo, eu já estava de saída.
Fale com o autor