Notas iniciais
Boa noite...

— Ah, desculpa eu acabei me distraindo.

— Tá tudo bem?

— Sim, está sim. Só foi uma distração mesmo que atende pelo nome de Dulce Maria.

— Não leva a mal o que a Dulce disse, não foi por mal desculpa se ela te deixou chateada

.- Eu não levo, amaria que ela me chamasse assim, mas ela tem que se adaptar a sua esposa, não quero dar falsas esperanças a ela, não aguentaria ter que pedir que ela parasse de me chamar assim quando já estivéssemos acostumadas. Não quero me apegar mais a ela e depois me machucar também. — sussurrou.

— Eu entendo você, mais acho difícil ela parar. Ela tem esse carinho enorme por você, e de certa forma você se tornou a mãe dela.

— Mas quem fará o papel de mãe será a Nicole e não eu.

— Mas ela não gosta da Nicole, você ainda não percebeu?

— E porque você insiste em casar com ela se ninguém aprova?

— Vamos mudar de assunto? Não quero estragar o pouco de paz que estou conseguido ter com você.

— Você é um covarde e ainda não percebeu, quer dizer percebeu e não quer admitir que vai acabar com a vida da sua filha com esse casamento.

— Por favor Cecília eu não quero falar sobre isso, minhas escolhas amorosas não diz respeito a ninguém.

— Tudo bem então não esta mais aqui quem falou.

Gustavo On— E foi assim o restante da viagem apenas falávamos as coordenadas do caminho, eu e minha mania de estragar tudo. Assim que chegamos, destravei o cinto e ao me levantar a dor nas costas parece que aumentou, respirei fundo e saí do carro e fui em direção ao banco de trás e quando ia pegar a Dulce, Cecília me impediu. — Pode deixar que eu a levo, eu sei que você está com dor. — Ela pegou Dulce em seus braços com o maior cuidado do mundo para não acordá-la, eu apenas admirei o jeito que ela cuidava da minha filha. Cutuquei Estefânia que acordou mal humorada como sempre resmungando coisas sem sentido. Fui mancando até dentro de casa, realmente estava difícil continuar assim.

— Boa noite família. — Gabriel nos saudou alegre.

— Mal noite você quis dizer. — Respondi me sentando em uma das cadeiras, com as mãos na coluna.

— O que aconteceu?

— Além da gente ter pego um engarrafamento enorme, me deu uma crise de dor nas costas insuportável, ai...

— Você poderia deitar no chão isso ajuda a aprumar os músculos, uma massagem ajudaria bastante também. — Cecília reapareceu já sem a Dulce.

— Aceitaria uma massagem sua.

— Muito engraçadinho o senhor.

— Não vejo maldade nenhuma nisso. Ajudar o necessitado aqui.

— Ai Gustavo... — Balancei a cabeça e respirei fundo. — Tudo bem, mais é SÓ uma massagem. Entendido? — Disse séria.

— Sim senhora.

— Então vem cá...- Tira a camisa. — Disse séria.

— Aqui no meio da sala? — Falou olhando ao redor já que Estefânia e Gabriel gargalhavam com a cara envergonhada dele.

— Ué, porque não? Não tem outro jeito, não tem como fazer massagem com a camisa né?! — Disse o óbvio.

— Esquece a gente primo, afinal já estávamos de saída. – Estefânia sorriu, sussurrando um aproveita discreto, fiz um sinal de positivo com o polegar sem que a Ceci percebesse o que estávamos aprontando.- Tá bom, tá bom. Não precisa ser grossa. — Assim ele fez, tirou sua camisa e eu tentei disfarçar. O Gustavo era estupidamente lindo, parece que foi esculpido a mão, cada detalhe perfeitamente no lugar ideal sem nada passando, com certeza ele passou na fila da beleza inúmeras vezes. – Suspirei, tentei colocar os pensamentos em ordem quando sentei em suas costas começando a fazer movimentos circulares acho que meus pensamentos foram bem mais além dali, mas tentei não focar neles o que era só um POUCO difícil, ele estava tenso demais. Não percebi quando ficamos sozinhos e muito menos quando o clima começou a esquentar.

— Aí... — Ele reclamou.

— O que foi?

— Onde você apertou, está doendo.

— Aqui? — Apertei novamente.

— Aí, sim é aí.

— Desculpa, vou mais devagar. — Disse passando a mão pelo local com cuidado.- Caramba, como você tá aguentando? Ta feia a situação aqui.

— Ta melhorando, você é pesada, mas ta ajudando.

— Como é que é? — Disse o beliscando.

— Ei, isso dói. Não precisa beliscar também.

— Você provocou e mereceu. Se começar, não vou terminar massagem nenhuma.

— Menina como tu é chata.- Nem terminei de falar e ela já havia parado.- Tava brincando menina volta aqui?

— Não. — Emburrei.

— Me ajuda a levantar pelo menos?

— Não. — Continuei do mesmo jeito tentando ficar séria, mas a cara dele de cachorro sem dono me dava um dó.

— Por favor.- Tentei levantar ouvindo a costa estalar novamente e dessa vez a dor foi mais intensa. — Cecília, por favor. Dói muito.