O que tem por trás de uma carinha de anjo?
29 Capítulo 29
Notas iniciais
— Tudo bem Cecí, vai sim. Provavelmente a Dulce terá alta hoje, assim eu espero. Mas olha, eu estou aqui pra tudo que você precisa viu? Pode contar comigo. — Sorri.
— Obrigada Estefânia. — Lhe dei um abraço apertado. — Dá um beijo na Dulce por mim.
— Pode deixar.
Estefânia On— Voltei pro quarto e os dois brincavam de cosquinhas os sorrisos soltos no quarto, observei a cena lembrando que à tempos não os via assim.
— Gosto de te ver assim sempre princesa. — Sorri abertamente beijando sua mãozinha.
— Cadê a Cecília prima?
— Foi pra casa precisava resolver umas coisas.
— Poxa. — Dulce fez o bico de sempre.
— Meu amor fica aqui um pouquinho vou procurar o médico com a titia, é rapidinho, pra ver se já te dão alta. Tá bom de ir pra casa já o Silvestre e a Fran estão morrendo de saudade, fizeram até um pudim delicioso pra você.
— Simpiririm, yuuuupi.- Sorriu enquanto encostava a porta atrás de nós.
— O que aconteceu? — Perguntei fechando a porta.
— Acontece que a Cecília está triste Gustavo. Acha que esse amor não passa de uma ilusão. Você tem que se decidir poxa, ela ou a Nicole.
— Não é tão simples assim.
— Como? Me explique? Não quero acreditar que você tem vergonha dela. – Dei as costas pra ele, pra não enxergar a verdade estampada nos seus olhos.
— Não é isso é que...
— Para Gustavo, nunca pensei que você iria dizer uma coisa dessas, ela não tem nome, mas é a pessoa mais íntegra e especial que você poderia ter ao seu lado, mas ela não te merece, ela não merece alguém que não a aceite como é. E entenda uma coisa, fama, dinheiro não trás felicidade não. O que trás isso, é alguém de bom coração e que está do seu lado por que te ama, não por aquilo que você tem, que está contigo pro que der e vier . Então pensa bem Gustavo, você pode estar prestes a arruinar a sua vida e vida da sua filha com esse casamento. E talvez quando você quiser tê-la de volta, ela não esteja mais aqui.- Disse e saiu deixando minha resposta no ar, respirei aliviado, não saberia responde-la mesmo.
Gustavo Pov— As palavras dela faziam sentindo, mas a Cecília era doce e íntegra demais pra mim, já a Nicole despertava um desejo diferente... Um mês se passou desde que tudo aconteceu estávamos felizes, a Cecília mais atenta do que nunca com a minha filha, deixamos o assunto dos beijos e amassos de lado, hoje estava me preparando para oficializar a data do meu casamento. A campainha tocou e eu mesmo fui atender, pois já sabia de quem se tratava.
— Oi Nicole.
— Oi meu amor. — Ela me deu um selinho. — Como estão os preparativos pro nosso jantar?
— Está indo tudo bem, o Silvestre já se encarregou de tudo.
— Você sabe que por mim eu faria uma festa linda, mais você sempre simples.
— Eu não gosto disso Nicole, acho melhor só a nossa família mesmo. Uma coisa mais simples.
— Cadê a Dulce e a empregadinha?
— Não fala assim, estão lá em cima se arrumando.
— A Cecília não vai ficar com a gente né?
— Não claro que não, só a família mesmo.
— Daqui uma hora o jantar será servido senhor.- Silvestre apareceu com a cara de poucos amigos de sempre.
— Ok, obrigado Silvestre. — Ele se retirou e logo a porta se abriu, revelando Estefânia que mudou seu semblante ao ver Nicole.
— Boa noite pra vocês.
— Boa noite prima, o jantar vai ser servido daqui a pouco.
— Obrigada Gustavo, mas não ficarei, você sabe minha opinião. Vou subir pra ver a Dulce, licença. — Saí antes mesmo que ele pudesse responder algo, fui em direção ao quarto dela. Abri a porta e Cecília estava ajudando-a se arrumar.
— Boa noite princesa da tia.
— Boa noite titia, eu sou obrigada mesmo a descer?
— Ai meu amor, infelizmente sim ela será sua mãe.
— Minha mãe é a Ceci não repeti mais isso, ela que não deixa eu chamar.
— Dulce eu já te expliquei o motivo, você sabe que por mim você poderia chamar. Mas isso não depende totalmente de mim.
— Eu não quero descer. — Cruzei os braços.
— Meu amor... — Me abaixei junto a ela, que estava sentada em sua cama. — Faça isso pelo seu pai, pelo menos por ele. Se isso está fazendo seu pai feliz, se comporte. Tudo pelo seu papai, viu?
— Desce comigo? — Suplicou.
— Por favor Dulce não me pede isso. Eu faço tudo o que você quiser, mas não me coloca numa situação dessas.
— Não me deixa sozinha. — Chorou.
— Eu não posso jantar com vocês. Sou sua babá apenas.
— Mas é minha convidada. Vamos???
Olhei para a Estefânia que assentiu com a cabeça, em sinal para aceitar o convite.
— Tudo bem eu fico, mas Estefânia fica com a gente também.
— É titia, fica...
— Ok ok, ficamos todas juntas então. E o melhor. — Ela se aproximou e falou baixinho. — Todas contra o dragão Nicole. — Todas caímos na risada.- Todas somos mais fortes, vamos descer e arrasar. — Nos abraçamos juntas.
— Deixa eu aprontar?
— É melhor não Dulce, seu pai pode ficar chateado com você. Lembre-se, você vai se comportar por ele. — Disse Estefânia arrumando o laço que estava no cabelo de Dulce.
— Vamos acabar logo com isso. — Dulce pegou em nossas mãos.
Cecilia Pov— Descemos e todos nos olharam principalmente quando Dulce me guiou até a mesa, tentei ignorar o olhar de desprezo de todos inclusive do Gustavo, apenas o Padre Gabriel que chegou um pouco atrasado me cumprimentou. Ocorreu tudo bem no jantar, Nicole e uma senhora que parecia ser sua mãe me encaravam insistentemente cochichando sempre uma com a outra, já estava ficando constrangida. Mudei meu olhar ao escutar a voz do Gustavo ecoar pela sala.
— Boa noite agradeço a todos pela presença. É com imensa alegria que informo que Nicole e eu nos casaremos daqui um mês.
Cecilia Pov— A dor me invadiu tentei ignorar, mas era impossível as lágrimas pesavam tentei ser o mais discreta ao me levantar levando os pratos da mesa, somente quando virei me permitir chorar, uma situação que já estava acostumada, pois praticamente toda noite chorava agora.
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