O que tem por trás de uma carinha de anjo?
13 Capítulo 13
Notas iniciais
O dia amanheceu rápido demais meu corpo inteiro doía, minha cabeça martelava como se estivesse em obras intermináveis, logo me fazendo lembrar do ocorrido de ontem, a voz doce da Fátima ecoava pela casa anunciando que a mesma já havia chegado, me deixando bem mais despreocupada.
— Oi irmãzinha. – Sorriu servindo-se de um café fumegante. – Servida?
— Preciso urgente, meu humor não está num dos seus melhores dias. – Falei massageando as têmporas.
— Alguém está de TPM. – Sorriu, mas sem ter nenhuma expressão amável da minha parte em troca. -Aconteceu algo?- Perguntou-me preocupada.
— Nada com o que se preocupar meu amor, foi só a minha aventura conturbada de ontem, resultou num belo banho de chuva, mas depois a gente conversa sobre isso, pois irei pro quarto descansar mais um pouco enquanto não dá à hora de ir pra missão Carinha de Anjo. Estava me sentindo indisposta, como se um trem tivesse me atropelado, mesmo assim me arrumei como de costume e segui para o meu trabalho. Uma Dulce serelepe já me esperava a todo gás.
— Bom dia Ceci. – Falou me chamando pra me dar um beijo.
— Bom dia meu amor, vejo que alguém deve ter acordado com a minha energia. – Sorri.
— Você está triste? – Me perguntou já quieta. – Não pequena estou apenas cansada, dormi mal essa noite. – Tentei sorrir. – Agora vá pra escola e se comporte como uma mocinha que você está se tornando. Está se sentindo melhor hoje?
— Simpiririm, novinha em folha. – Gritou, me dando um abraço, que como sempre reconforta todo meu ser.
— Vamos Dulce? – A voz rude do Gustavo preencheu o ambiente arrepiando-me pelo tom frio dela.
— Eu não vou com você pra lugar nenhum. – Falou correndo para perto de mim, agarrando forte minhas pernas, já com a ameaça do choro.
— Para com isso princesa – Sussurrei abaixando-me para acolhê-la, havia me esquecido do mal estar deles de ontem, o olhar frio do Gustavo em minha direção me culpando deixou-me ainda mais aflita com a situação.
— Eu não vou Ceci, por favor. — Chorou. — O papai ta mal, ele machucou você.
Cecília Pov— Aquele bolo que estava preso ontem voltou a minha garganta ao escutar a súplica dela, às vezes custava acreditar que ela tinha apenas 4 anos pois raramente agia como tal, o Gustavo voltou a me olhar, mas dessa vez estava assustado. Recordei-me da nossa conversa de ontem à noite, principalmente dos seus medos. E mesmo sendo recompensada apenas com a sua ingratidão eu tinha que intervir.
— Já conversamos sobre isso ontem lembra? – Falei secando as suas bochechinhas rosadas. – Foi apenas um mal entendido, só isso. – Suspirei tentando manter o controle. – Ele não queria machucar você.
— Mas ele gritou e brigou com você. – Fungou enterrando seu rosto ainda mais em meu pescoço.
— Vamos fazer um acordo? – Ela não me olhou, apenas assentiu ainda na mesma posição. – Olha pra mim. – Fraquejei na voz. – Seu pai te ama demais e não é justo da sua parte falar assim com ele, peça desculpas pelo jeito que falou com ele e tente entender o lado dele também.
— Você não entende. – Suspirou.
— Quem não está entendendo é você mocinha, peça desculpas e dê um abraço forte nele. Não importa quem errou agora, importa apenas que vocês se amam e são uma família linda. Você o ama? – Perguntei arrumando uma mexa de seus cabelos loiros que havia se desprendido do penteado.
— Sim. – Coçou os pequenos olhinhos.
— Então quem ama perdoa meu anjo, vai lá, tenho certeza que ele está morrendo de saudades do seu abraço. – Sorri encorajando-a.
Cecília Pov— Ela me olhou ainda meio que sem aceitar esse acordo, mas dei um leve empurrão em suas costas e ela logo estava caminhando. Mesmo receosa foi até perto dele, que logo abriu os braços para recebê-la sussurrando que a amava, prometendo que seria tudo diferente, até que me olhou chorando. Eu já estava de pé tentando manter a postura inabalável quando fui capaz de ler em seus lábios um pedido singelo de “Desculpas”, meu coração se apertou, mas fui corajosa o suficiente para dar as costas sem respondê-lo mesmo com uma vontade enorme de dizer a ele que ficaria tudo bem, que era só necessário reconquistar a confiança da menina. Teimosa como sou nunca iria dar meu braço a torcer e a coisa melhor a fazer era fugir, agora longe, posso chorar e acreditar que ficar longe dele não seria tão fácil como a teoria que havia criado em minha cabeça me dizia, pois meu coração começava a dar sinais de que já estava me traindo.
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