O que tem por trás de uma carinha de anjo?
10 Capítulo 10
Notas iniciais
— Eu tento agir normalmente com ela, mas tem hora que acho que estou fazendo tudo errado, não sei se sou a pessoa indicada pra ajudá-la a tomar um rumo pra sua vida, como minha mãe fez comigo tão bem.
— Você não tem que ter medo de errar, porque querendo ou não isso vai acontecer um dia somos humanos, mas o amor é insubstituível e por mais caro que seja o brinquedo sua presença será melhor que ele, então entenda, sua mãe deve ter errado, mas não te abandonou, estou certa?.
— Sempre. – Sorriu largamente. — Obrigado pelas palavras Cecília, eu te julguei tão mal, gostaria que me perdoasse de coração, mas queria te pedir outra coisa.
— O que? Lá vem você – Olhou-me receosa.
— Um abraço. – Me olhou sem jeito, como se fosse algum ser estranho, acho que estranhando a minha atitude, mas logo em seguida abriu os braços largamente pra me receber. Apesar de ser menor que, eu ela tem um abraço reconfortante, carinhoso e cheio de amor. – Obrigada também. – Sussurrou ainda nos meus braços, me olhando com aqueles olhos azuis intensos, mas algo nos tirou do nosso pequeno mundo.
— Alô, oi, sim, não está tudo bem, ainda? Ok, tudo bem vou avisar a ele, não sei se seria bom Estefânia, aconteceu muita coisa hoje, ta bom, por ela, to indo. – Desliguei o telefone olhando pra ele em seguida. – Era a Estefânia, a febre da Dulce aumentou e ela queria que você fosse pra casa.
— Vamos então. – Falou como se fosse óbvio que iria.
— Não sei se devo Gustavo, afinal aconteceu muita coisa e você mesmo me colocou pra fora de lá.
— Já pedi desculpas Cecília, pelo amor de Deus, vamos ver ela. Preciso da sua ajuda, ela pensa que sou um monstro. – Sussurrou me abraçando novamente.
— Ok, ok, estava mais acostumada com o Gustavo mandão e durão, não com o chorão. – Gargalhei enquanto o mesmo estirava a língua em minha direção.
— Vamos? – Estendeu a mão para que a pegasse, não demorei a pegá-la estranhando a sensação que o seu toque fazia comigo. Abriu a porta do carro pra mim que custei muito a entrar já que estava toda molhada, o mesmo disse que era besteira e que depois resolvia isso, chegamos rápido e um Silvestre já nos esperava, o mesmo me olhou assustado.
— Boa noite Silvestre, cadê a Dulce?
— Vai se secar primeiro Cecília. Prepara um banho quente pra ela Silvestre.
— Ok senhor.
— Eu não tenho roupa nenhuma, vou continuar molhada deixa de besteira, só quero ver a pequena.
— Eu arrumo uma roupa pra você. – Falou já me puxando pro andar de cima, entramos numa porta que desconhecia, mas que ao ser aberta descobrir que era seu quarto.
— Você ta de brincadeira comigo Gustavo? Não me venha com gracinhas, ainda to te devendo um tapa pela marca que você deixou no meu braço.
— O que foi? Desculpa de novo. Você queria uma roupa te trouxe pra escolher... – Abriu uma parte do closet onde estava repleto de roupas femininas, vestidos, blusas, tudo meticulosamente organizado. – Pode escolher eram da... Tereza, tenho certeza que caberá certinho em você.
— Não posso Gustavo isso é muito.- Me interrompeu como sempre.
— Larga de besteira, escolhe logo e vai se trocar. – Falou já saindo, pegando uma tolha e indo em direção a uma porta que julguei ser o banheiro.
Fiquei receosa de usar uma roupa de alguém tão importante pra aquela família, mas mesmo assim escolhi, ao descer Silvestre me indicou o banheiro e disse que estava a disposição. Terminei rápido, queria ver a menina, mas ao sair de lá um Gustavo estava ali estático a me observar.
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