O que tem por trás de uma carinha de anjo?
19 Capítulo 19
Notas iniciais
— Cecília cadê a Dulce Maria? Cadê minha filha? — Falei um tanto nervoso.
— O que você está fazendo aqui? — O olhei espantada.
— Eu vim buscar minha filha. Você acha mesmo que eu ia cair nesse teu joguinho de boa moça?
— Calma Gustavo, ela está dormindo, já tinha combinado de levá-la amanhã comigo e vou cumprir deixa ela aqui comigo só hoje. –Supliquei.
— Nada de amanhã com você, ela vai comigo e agora.
— Porque tanta grosseria em? Por isso que não queria dizer a você sobre a menina, você só a faz sofrer, só dá desgostos a ela. Me disse que queria mudar, mas cadê as mudanças.- Falei já não segurando as grossas lágrimas.
— Cala a boca, você não sabe nada sobre mim. — Falou bem perto de mim, o cheiro forte da bebida exalando.
— Se eu não parar você vai fazer o que? Me bater? — Cheguei mais perto.
— Cecília por favor, não testa a minha paciência, eu não estou para brincadeira.
— Ah não está pra brincadeira? Larga de ser infantil Gustavo, você devia pensar mais nas coisas que diz. Você não sabe no estado que sua filha está. Ela não quer te ver, e sabe por quê? Porque ela acha que o pai dela não a ama e só quer se livrar dela.
— Por Deus eu nunca faria isso.
— Não tenho certeza disso.
— O que você está insinuando?
— Que você não tem controle de si, você é um idiota impulsivo que só pensa no próprio umbigo, mas não existe só você nessa jogada, existe ela que depende das suas escolhas e atitudes, mas ela te acha um monstro em vez de pai.
— Não fala assim comigo garota.
— Você tem medo de pessoas que te falam a verdade, ela te machuca e dói te trazendo pra realidade? To cansada de fazer e dizer que você pode sim ser uma pessoa diferente se o que você me mostra é o contrário.
— Não preciso disso e mesmo se precisasse você não seria uma pessoa indicada para o serviço.
— Claro, não sou psiquiatra. — Sorri sínica, enquanto sentia o mesmo avançar sobre mim.
— Não tenho medo de você, tenho pena. — Bati em seu rosto. — Pode levar a Dulce, só tenho pena dela, saí da minha casa agora.
— Não vou revidar por que não seria capaz de bater numa mulher nunca, mas esteja ciente que essa foi a última vez que você viu minha filha. Pode ter certeza que se depender de mim, você nunca mais irá vê-la.- Falou alisando o lado do rosto que eu havia batido.
— Tudo bem, só quero me despedir dela dez minutos e já a trago. — Disse fria. Cheguei no quarto a pequena já estava aos pratos sentada embaixo da janela, abraçava as perninhas. — Vem cá princesa, se cuida meu amor. — Sussurrei. — Não chora tá? Eu vou ficar bem e espero que você fique também minha carinha de anjo sapeca, te amo, te amo muito do tamanho de dois mundos. — Sorri enxugando as lágrimas dela. — Estarei sempre aqui, qualquer coisa pede pra sua titia me ligar tá? – Ela não respondia apenas concordava levemente com a cabeça. Abracei-a mais forte, enxuguei minhas lágrimas, respirei fundo e segurei sua mão na mesma intensidade na qual segurava o choro, cheguei na sala os dois se olharam, mas a pequena só chorava, não esboçou nenhuma reação quando o viu, ele a guiou para rua sem olhar pra trás, já ela me olhou quando estava perto do carro, dava pra ver que soluçava, mas não questionou, logo depois fechei a porta e apenas chorei, chorei a noite inteira, chorei até não aguentar mais.
Gustavo On— Dois dias se passaram e dizer que via a Dulce era mentira, ela andava me evitando tal como o encardido foge da cruz, tava tão difícil, mas tinha que ser forte, a travessura dela mexeu muito comigo, aliás todos na casa fingiam que eu não existia até o Silvestre não brincava e só dizia a mim o indispensável, já a Estefânia se estivesse na sala e eu chegasse, deixava tudo. Eu estava me sentindo completamente sozinho. Mais não ia dar o braço a torcer. Passei pelo quarto da Dulce, e então parei, a observei, pois a porta se encontrava encostada. Ela segurava o porta retrato da Teresa e tinha outro em suas mãos, mas esse eu não conhecia e chorava copiosamente. Seu rosto pálido e sem vida demonstravam o quanto ela estava sofrendo.
Cecília On— Dois dias de sofrimento, meu peito estava apertado como se pressentisse que algo de ruim iria acontecer, rezava para que a minha pequena estivesse bem, estava olhando as fotos em meu celular, parei numa especial, nós duas estávamos no parque.
~ Flashback On ~
— Ceci, Ceci. – Gritava correndo ao meu redor.
— Oi princesa. – Falei segurando sua mão enquanto descia pelo escorregador.
— Estava pensando.
— Bem que percebi uma fumacinha saindo dessa cabecinha travessa, o que você quer aprontar dessa vez?- Sorri.
— Prometo que juro, não é travessura é um pedido.
— O que é então, se puder claro que faço sim.
— Queria uma foto sua comigo pra colocar num porta retratos igual eu tenho da minha mãezinha.
— Pra que você queria uma foto minha? – Fingi não entender a proposta só para ouvir sua resposta.
— Queria poder dormir olhando pra seu sorriso e consegui dormir rapidinho pra te ver novamente de manhã.- Sorriu.
— Meu Deus como você é linda. Você existe mesmo garota?
— Claro que sim. – Gargalhou enquanto subia em cima de mim que estava deitada na grama. E assim tiramos a foto alegres.
~ Flashback Off ~
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